30 de janeiro 17.º século

Mary Ward

Mary Ward foi uma religiosa inglesa, fundadora do Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria (IBVM) e da Congregatio Jesu, pioneira da vida religiosa apostólica feminina sem clausura.

Cronologia

Seus contemporâneos

Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.

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    Vida 01 / 05

    Biografia

    Juventude de Mary Ward na Inglaterra sob as perseguições elisabetanas, sua partida para a Flandres e seu retorno a Londres, onde recebe sua vocação de fundadora.

    Mary Ward (nascida Joan Ward) nasceu em 23 de janeiro de 1585 em Mulwith, Yorkshire, Inglaterra, em uma família da pequena nobreza que permaneceu fielmente católica (recusante) apesar das perseguições sob o reinado de Isabel I. Sua avó materna, Ursula Wright, passou quatorze anos na prisão por sua fé, e seus tios John e Christopher Wright seriam mais tarde envolvidos e executados na Conspiração da Pólvora em 1605. Ela adotou o nome de Mary durante sua crisma. Sentindo desde os 15 anos um chamado à vida religiosa, deixou a Inglaterra em 1606 para Saint-Omer, na Flandres (hoje na França), onde ingressou nas Clarissas como irmã conversa. Compreendendo rapidamente que sua vocação não era a de uma vida contemplativa reclusa, retornou a Londres em 1609 para apoiar ativamente os católicos clandestinos. Foi lá que recebeu uma iluminação espiritual (a «Visão de Glória») revelando-lhe que deveria fundar um estado de vida religiosa diferente, mais excelente e adaptado às necessidades de seu tempo. No final de 1609, partiu novamente para Saint-Omer com um grupo de jovens companheiras para abrir ali uma escola destinada às jovens católicas inglesas exiladas.

    Fundação 02 / 05

    Vida e obra

    Fundação do instituto segundo o modelo jesuíta, expansão na Europa, oposição da Inquisição, supressão do instituto por Urbano VIII e aprisionamento de Mary Ward.

    Em 1611, durante suas orações, Mary Ward percebe claramente a instrução divina: « Take the same of the Society » (« Tome o mesmo [nome/regra] da Companhia »), compreendendo que deveria basear sua fundação no modelo da Companhia de Jesus (os Jesuítas) fundada por Santo Inácio de Loyola. Ela concebe, assim, um instituto de mulheres apostólicas, sem clausura monástica estrita, sem hábito religioso distintivo e governado por uma superiora geral subordinada diretamente ao Papa, em vez dos bispos locais. Esta visão revolucionária choca-se frontalmente com os decretos do Concílio de Trento, que impunham uma clausura estrita a todas as religiosas. Apesar da ausência de aprovação papal oficial, o instituto desenvolve-se rapidamente. Mary Ward e suas companheiras fundam casas e escolas por toda a Europa: em Saint-Omer, Liège, Colônia, Tréveris, Roma, Perúgia, Nápoles, Munique, Viena e Pressburg (Bratislava). Para defender sua causa, ela realiza a pé três viagens extenuantes até Roma, atravessando os Alpes em pleno inverno. Contudo, a oposição da Cúria Romana e da Inquisição cresce. Em 13 de janeiro de 1631, o Papa Urbano VIII promulga a bula de supressão Pastoralis Romani Pontificis, que dissolve o instituto. Acusada de heresia e desobediência, Mary Ward é presa em 7 de fevereiro de 1631 e encarcerada por mais de dois meses em condições insalubres no convento das Clarissas de Anger (Angerkloster) em Munique. Durante seu cativeiro, ela consegue comunicar-se com suas companheiras escrevendo cartas secretas com tinta invisível (suco de limão). Libertada em abril de 1631, ela vai a Roma para se defender perante o Papa, que a absolve pessoalmente de toda acusação de heresia, embora a supressão de sua obra seja mantida. Em 1639, ela retorna à Inglaterra. Fugindo dos distúrbios da guerra civil em Londres, estabelece-se em 1642 em Heworth, perto de York. Lá, ela morre em 30 de janeiro de 1645, cercada por suas últimas fiéis. Devido às leis anticatólicas, ela é enterrada em 1º de fevereiro de 1645 no cemitério da igreja anglicana de St. Thomas, em Osbaldwick.

    Culto 03 / 05

    Caminho para a santidade

    A sobrevivência clandestina do instituto, a aprovação progressiva das regras pelos papas sucessivos e a reabilitação tardia de Mary Ward no século XX.

    Após a morte de Mary Ward, suas companheiras continuaram a viver clandestinamente segundo suas intuições. Em 1703, o Papa Clemente XI aprovou as «81 Regras» do instituto, mas sem que o nome de Mary Ward pudesse ser associado a elas. Em 1749, o Papa Bento XIV autorizou o cargo de Superiora Geral, ao mesmo tempo em que proibia formalmente o reconhecimento de Mary Ward como fundadora. A reabilitação oficial foi extremamente tardia. Somente em 1909 o Papa São Pio X levantou essa proibição e autorizou finalmente as religiosas a reconhecerem oficialmente Mary Ward como sua fundadora. Em 1951, o Papa Pio XII prestou-lhe uma vibrante homenagem pública, qualificando-a como «incomparável mulher que a Inglaterra católica deu à Igreja em suas horas mais sombrias e mais sangrentas». Finalmente, em 1979, a Santa Sé aprovou oficialmente a adoção das Constituições jesuítas para o seu instituto.

    other 04 / 05

    Beatificação e canonização

    Introdução da causa de beatificação de Mary Ward e sua declaração como venerável pelo Papa Bento XVI em 2009.

    A causa de beatificação de Mary Ward foi oficialmente introduzida em Roma. Em 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI assinou o decreto reconhecendo a heroicidade de suas virtudes, conferindo-lhe o título de Venerável. Sua causa está atualmente em fase de instrução sob a direção da postuladora, Irmã Elizabeth Cotter CJ, aguardando o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão.

    Legado 05 / 05

    Espiritualidade e legado

    A espiritualidade inaciana adaptada às mulheres, a visão de Mary Ward sobre o papel delas na Igreja e o legado vivo através da Congregatio Jesu e do IBVM.

    A espiritualidade de Mary Ward baseia-se na adaptação da espiritualidade inaciana para as mulheres: buscar e encontrar Deus em todas as coisas, agir para a maior glória de Deus e ser "contemplativas na ação". Ela acreditava firmemente na dignidade e na capacidade espiritual e intelectual das mulheres, afirmando notadamente: "There is no such difference between men and women, that women may not do great things" ("Não há tal diferença entre homens e mulheres que as mulheres não possam fazer grandes coisas") e "Women in time to come will do much" ("As mulheres farão muito nos tempos vindouros"). Seu legado está hoje vivo através de dois ramos religiosos que compartilham seu carisma: 1. A Congregatio Jesu (CJ), que adotou oficialmente este nome em 2003/2004 para realizar plenamente o desejo de sua fundadora. 2. O Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria (IBVM), também conhecido como Irmãs de Loreto, fundado na Irlanda em 1821 por Teresa Ball. Essas duas congregações, dedicadas à educação e à ação apostólica, administram hoje uma rede mundial de quase 200 escolas espalhadas por mais de 40 países. Todos os anos, a "Semana Mary Ward" é celebrada de 23 de janeiro (aniversário de seu nascimento) a 30 de janeiro (aniversário de sua morte).

    Fonte oficial Nota redigida pela Sancteo a partir de fontes contemporâneas verificadas (fontes oficiais da Igreja e referências hagiográficas).

    Perguntas frequentes sobre Mary Ward

    Quem foi Mary Ward?

    Mary Ward foi uma religiosa inglesa, fundadora do Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria (IBVM) e da Congregatio Jesu, pioneira da vida religiosa apostólica feminina sem clausura.

    Quais santos foram contemporâneos de Mary Ward?

    Entre seus contemporâneos figuram: María de Jesús López Rivas, Mariana de Jesús de Paredes, Beata Mariana de Jesus (de Paredes y Flores) e São Francisco de Sales (Bispo e Príncipe de Genebra).

    Quando Mary Ward morreu?

    Mary Ward morreu por volta de 1645.

    Quais são os outros nomes de Mary Ward?

    Outras formas do nome: Joan Ward.

    Quem são os familiares de Mary Ward?

    Familiares de Mary Ward: Ursula Wright (avó materna), John Wright (tio) e Christopher Wright (tio).

    Anexos & entidades relacionadas

    Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.

    Eventos marcantes

    1. Época / morte: 1645
    2. Decreto de venerabilidade em 2009 por Bento XVI

    Citações

    • Adote o mesmo da Sociedade https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQHzwl6zAX3Vox-48Bf-HUeSspg67q_0LkXjau0M0zUYGfN1qgYRC6QeLoVGwLI1Rb63c8_36W-OT6fiAGL1YICpBeFNFCMJRv4BemDbluhzSFd83NfzJeQUPhxegVjKNKtCSps=
    • Não há tal diferença entre homens e mulheres, que as mulheres não possam fazer grandes coisas https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQHp_bIdEOf6ff6VYp1ouhUJhlnOpNVjJkeZKBIlIMWEu4oTg_z7iMCQUQNo7r_DUb_d8GK1O2cz_TwAt7gW8LNgU5FX024G5tNdx1vJSmgyskUMQfGp_KIE6fDWaQXrWAekuu8wy7BHlD3579fxy4_BUo-MecVoDXnkxMpZnMYg2pqC1Pw=
    • As mulheres, no futuro, farão muito https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQFwahlkERLeyjXjvJJWc6K0Znn5IoGGUG-axTu0E6-zfgP9-9vDqCtvDzC6v488d3oOjZTznumhsGWw7tmQUK01eNY1Hmw2b-UbOOf8-RQDen4lXjIdDWea6W0wXo1IZK-rH2-lGzePCNU=