Ceferino Giménez Malla
Ceferino Giménez Malla, conhecido como El Pelé, foi um cigano espanhol, membro da Ordem Terceira Franciscana e mártir da Guerra Civil Espanhola, o primeiro de seu povo a ser beatificado.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
A juventude nômade de Ceferino Giménez Malla, seu casamento com Teresa Jiménez Castro e sua fixação em Barbastro.
Ceferino Giménez Malla, carinhosamente apelidado de «El Pelé», nasceu provavelmente em 26 de agosto de 1861 (algumas fontes mencionam 24 de agosto de 1861). Seu local de nascimento exato é objeto de discussões entre Fraga (na província de Huesca) e Benavent de Segrià (na província de Lleida), na Espanha. Foi batizado em Fraga no mesmo dia de seu nascimento. Oriundo de uma família cigana (rom) muito pobre, passou os primeiros quarenta anos de sua vida no nomadismo, percorrendo as estradas e vivendo da fabricação e da venda ambulante de cestos de vime. Por volta dos vinte anos, casou-se com Teresa Jiménez Castro segundo os costumes tradicionais de seu povo. O casal estabeleceu-se em Barbastro, na província de Huesca. Não tendo filhos, adotaram e criaram Pepita, a sobrinha órfã de Teresa. Em 1912, Ceferino e Teresa regularizaram sua união perante a Igreja Católica celebrando seu casamento religioso. Teresa faleceu em 1922, deixando Ceferino viúvo.
Vida e obra
Sua atividade como comerciante de gado, sua reputação de honestidade e seu compromisso religioso em Barbastro.
Após estabelecer-se em Barbastro, Ceferino Giménez Malla lançou-se com sucesso no comércio de cavalos e gado. Apesar de seu analfabetismo, demonstrou uma inteligência notável e uma memória prodigiosa. Adquiriu rapidamente uma reputação de honestidade absoluta em seus negócios, recusando-se sempre a enganar seus clientes. Essa retidão lhe valeu o respeito e a estima tanto dos ciganos quanto dos não ciganos (os payos). Tornou-se um mediador e pacificador ouvido, solicitado para resolver conflitos e apaziguar tensões dentro de sua comunidade e com os habitantes da região. Sua fé católica, aprofundada após seu casamento religioso, traduziu-se em um compromisso diário. Embora analfabeto, ensinava voluntariamente o catecismo às crianças, contando-lhes histórias bíblicas e ensinando-lhes as orações básicas, bem como o respeito pela natureza. Em 1926, ingressou na Ordem Terceira Franciscana (hoje Ordem Franciscana Secular). Tornou-se também um membro ativo da Sociedade de São Vicente de Paulo para socorrer os mais necessitados, participou das noites de adoração eucarística a partir de 1931 e assistia diariamente à missa.
Caminhada rumo à santidade
Sua prisão durante a Guerra Civil Espanhola por ter defendido um padre e sua execução no cemitério de Barbastro.
Em julho de 1936, a Guerra Civil Espanhola eclodiu, desencadeando uma violenta perseguição religiosa. Em Barbastro, Ceferino presenciou a prisão de um jovem padre que milicianos republicanos arrastavam sem cerimônia pelas ruas. Não ouvindo nada além de sua coragem e sua fé, ele interveio para defender o padre, exclamando: «Insolentes! Tanta gente para prender um padre!». Os milicianos o prenderam imediatamente. Durante a revista, descobriram um terço com ele. Foi jogado na prisão em um antigo mosteiro requisitado, ao lado de centenas de outros detentos, incluindo padres e religiosos. Um miliciano que o conhecia propôs libertá-lo sob uma condição: que abandonasse seu terço e parasse de rezar. Ceferino recusou categoricamente essa oferta, preferindo permanecer detido e continuar a recitar o rosário com fervor. Na noite de 8 de agosto de 1936 (algumas fontes indicam 9 de agosto), foi conduzido com outros prisioneiros ao cemitério de Barbastro para ser fuzilado. Diante do pelotão de execução, apertou seu terço entre as mãos e faleceu gritando: «¡Viva Cristo Rey!» (Viva Cristo Rei!). Seu corpo foi jogado em uma vala comum e nunca pôde ser encontrado.
Beatificação e canonização
A abertura da sua causa de martírio e a sua beatificação histórica por João Paulo II em 1997.
O processo de beatificação de Ceferino Giménez Malla foi aberto na diocese de Barbastro-Monzón. A sua causa foi introduzida sob o título de martírio, o que dispensa o reconhecimento de um milagre para a sua beatificação. Em 4 de maio de 1997, o Papa João Paulo II proclamou-o solenemente beato durante uma missa celebrada na Praça de São Pedro, em Roma. Ceferino Giménez Malla entrou assim para a história como o primeiro membro do povo cigano (rom) a ser elevado aos altares da Igreja Católica. A sua festa litúrgica foi fixada em 2 de agosto (dia inscrito no Martirológio Romano) ou em 4 de maio (aniversário da sua beatificação).
Espiritualidade e legado
A espiritualidade simples de Ceferino, seu papel como santo padroeiro do povo cigano e seu legado de reconciliação.
A espiritualidade de Ceferino Giménez Malla baseia-se em uma fé simples, nutrida pela oração do terço, pela devoção eucarística e pelo espírito de pobreza franciscana. Embora analfabeto, ele soube encarnar o Evangelho por meio de sua caridade ativa, seu aguçado senso de justiça e seu papel como pacificador. Ele é hoje reconhecido como o santo padroeiro do povo cigano (Roms, Sinti e viajantes). Seu legado é um símbolo forte de reconciliação e integração, mostrando que a santidade e o amor de Cristo transcendem todas as barreiras culturais, étnicas e sociais. Durante sua beatificação, o Papa João Paulo II destacou que ele soube semear a concórdia e a solidariedade, tornando-se um modelo de vida cristã para todos.
Iconografia
Sinais e atributos
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1936
- Beatificação em 1997 por João Paulo II