Gerardo Sasso
Gerardo Sasso (c. 1040-1120) é o fundador da Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém, reconhecido por sua caridade heroica para com os doentes e peregrinos.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
5 seçãos de leitura
Biografia
Origens e juventude de Gerardo Sasso, nascido por volta de 1040 em Scala e sua partida para a Terra Santa.
O bem-aventurado Gerardo Sasso (conhecido também pelo nome de irmão Gerardo) nasceu por volta de 1040 em San Pietro di Scala, um pequeno vilarejo situado nas colinas da costa amalfitana, na província de Salerno, na Itália. Embora certas tradições historiográficas antigas tenham sugerido por vezes origens provençais (notadamente em Martigues) ou piemontesas, as pesquisas históricas contemporâneas concordam majoritariamente sobre sua origem amalfitana. Esta pertença é, aliás, simbolicamente reforçada pela adoção da cruz de Amalfi de oito pontas como emblema da ordem que ele fundou.
Na segunda metade do século XI, Gerardo deixa sua terra natal para se dirigir à Terra Santa. Nessa época, mercadores da República marítima de Amalfi haviam obtido do califa do Egito a autorização para reconstruir em Jerusalém uma igreja, um mosteiro beneditino (Santa Maria Latina) e um hospício (xenodochium) destinado a acolher e cuidar dos peregrinos cristãos. Gerardo, monge beneditino dotado de um grande senso de organização, é encarregado de dirigir este hospício de peregrinos.
Vida e obra
A fundação da Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém e a bula papal de 1113.
A obra principal de Gerardo Sasso está intimamente ligada à fundação e à autonomia da Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém (hoje conhecida como a Soberana Ordem Militar de Malta). Durante o cerco de Jerusalém pelos cruzados em 1099, Gerardo encontrava-se dentro da cidade. Uma lenda famosa conta que ele arriscava a vida atirando pães do alto das muralhas aos sitiantes cristãos famintos. Surpreendido pelos guardas muçulmanos, foi ordenado que abrisse o manto, mas os pães tinham se transformado milagrosamente em pedras, evitando assim que fosse executado por traição. Após a tomada da cidade pelos cruzados, o hospício dirigido por Gerardo viu-se sobrecarregado de feridos e doentes. Comovidos por sua caridade heroica, muitos cavaleiros cruzados decidiram depor as armas para se juntar à sua obra de misericórdia. Para estruturar essa fraternidade crescente, Gerardo a transformou em uma comunidade religiosa autônoma dedicada a São João Batista. A virada institucional maior ocorreu em 15 de fevereiro de 1113. Pela bula papal Piae postulatio voluntatis, o Papa Pascoal II reconheceu oficialmente a comunidade dos Hospitalários de São João de Jerusalém como uma ordem religiosa autônoma. Esta bula colocou a ordem sob a proteção direta da Santa Sé, libertou-a da jurisdição dos bispos locais e concedeu-lhe o direito de eleger livremente seus superiores (os sucessores de Gerardo). Sob sua direção, a ordem expandiu-se rapidamente para além do Reino de Jerusalém, estabelecendo hospícios e hospitais na Itália e na França, adquirindo assim, desde o início, uma dimensão europeia.
Caminho para a santidade
A caridade ativa de Gerardo, sua morte em 1120 e o percurso de suas relíquias.
O caminho de Gerardo para a santidade manifestou-se através de uma vida inteiramente consumida pela caridade ativa e pelo cuidado com os mais necessitados. Ele introduziu uma visão espiritual inovadora para a sua época: considerava os doentes e os pobres como os «senhores» (i signori poveri) da ordem, enquanto os membros da confraria se consideravam seus servos, ligados por uma obrigação de devoção absoluta.
Gerardo também se destacou como um homem de paz e de diálogo, cuidando dos doentes e acolhendo os peregrinos sem distinção de raça, etnia ou religião, em uma região então dilacerada por conflitos armados. Ele morreu de morte natural em Jerusalém, em 3 de setembro de 1120. Imediatamente após o seu falecimento, foi considerado um santo pelos seus companheiros e pelos fiéis. As suas relíquias seguiram as peregrinações dos Hospitalários: primeiro transferidas para Acre após a queda de Jerusalém em 1187, foram depois transportadas para Manosque, na Provença. Embora a maior parte dos seus restos mortais tenha sido destruída na Revolução Francesa, o seu crânio é hoje preciosamente conservado no mosteiro de Santa Úrsula, em La Valeta (Malta).
Beatificação e canonização
O reconhecimento oficial do culto de Gerardo Sasso pelo Papa João Paulo II e os passos em direção à sua canonização.
O culto do bem-aventurado Gerardo Sasso foi oficialmente reconhecido pela Igreja Católica na era moderna: * Confirmação de culto (1984): O Papa João Paulo II confirmou oficialmente o culto histórico de Gerardo Sasso em 1984, proclamando-o formalmente bem-aventurado com base na continuidade da devoção popular a ele. * Concessão da Missa e do Ofício (1987): Por decreto da Congregação para o Culto Divino datado de 4 de julho de 1987, o Papa João Paulo II aprovou a inscrição do bem-aventurado Gerardo Sasso no calendário litúrgico próprio da Soberana Ordem de Malta, com a concessão da missa e do ofício. * Rumo à canonização: Embora ainda não tenha sido canonizado, o cardeal Silvano Maria Tomasi, então delegado especial do Papa para a Ordem de Malta, anunciou em setembro de 2021, durante as celebrações do 900º aniversário da morte do bem-aventurado em Scala, sua intenção de solicitar ao Papa Francisco que considere sua canonização equipolente (sem a exigência de milagre, com base na veneração constante).
Espiritualidade e legado
A dupla vocação da ordem e o legado duradouro da Soberana Ordem de Malta.
A espiritualidade de Gerardo Sasso baseia-se na dupla vocação que ele incutiu em sua ordem: a defesa da fé e o serviço aos pobres (Tuitio Fidei e Obsequium Pauperum). Ele deixou aos seus irmãos uma profecia famosa que resume a essência de seu compromisso: «Nossa confraternidade será eterna, pois o terreno no qual esta planta aprofunda suas raízes é a miséria do mundo; ela durará enquanto aprouver a Deus que haja homens desejosos de aliviar esta miséria e de tornar o sofrimento mais suportável». O legado de Gerardo é imenso. A Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém que ele fundou atravessou os séculos, tornando-se a Soberana Ordem Militar de Malta, que prossegue ainda hoje sua missão humanitária e médica através do mundo. Seu modelo de caridade desinteressada e de cuidado incondicional aos enfermos permanece uma fonte de inspiração maior para os cuidadores e voluntários do mundo inteiro.
Iconografia
Sinais e atributos
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Gerardo Sasso
Perguntas frequentes sobre Gerardo Sasso
Quem foi Gerardo Sasso?
Gerardo Sasso (c. 1040-1120) é o fundador da Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém, reconhecido por sua caridade heroica para com os doentes e peregrinos.
De que Gerardo Sasso é santo padroeiro?
Padroados de Gerardo Sasso: Souverain Ordre Militaire de Malte, Soberana Ordem Militar de Malta, Ordre des Hospitaliers de Saint-Jean de Jérusalem e Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém.
Para que se reza a Gerardo Sasso?
Reza-se a Gerardo Sasso por: Soin des malades, Cuidado dos enfermos, Secours des pauvres, Auxílio aos pobres, Accueil des pèlerins e Acolhimento de peregrinos.
Como reconhecer Gerardo Sasso na arte cristã?
Na iconografia, Gerardo Sasso é reconhecível por: Cruz de Amalfi de oito pontas e Manto.
Quais milagres são atribuídos a Gerardo Sasso?
1 milagre são atribuídos a este santo, notadamente: Sinal / prodígio.
Quais santos foram contemporâneos de Gerardo Sasso?
Entre seus contemporâneos figuram: São Norberto de Magdeburgo, São Bernardo de Claraval, Santo Estêvão da Hungria e Santo Arthaud de Belley.
Quando Gerardo Sasso morreu?
Gerardo Sasso morreu por volta de 1120.
Quais são os outros nomes de Gerardo Sasso?
Outras formas do nome: Frère Gérard.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1120
- Beatificação em 1987 por João Paulo II
Citações
-
Nossa confraternidade será eterna, pois o terreno no qual esta planta finca suas raízes é a miséria do mundo; ela durará enquanto aprouver a Deus que existam homens desejosos de aliviar esta miséria e tornar o sofrimento mais suportável.
https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQEbgmV4CDhZaB618dlct5j12zdlfijgJlnIMQVB1V2_umjkdMtj2gZ7J9w8ExaN65QcYbMtn7vK88PUAyu3dGOxBaZdkfX4Ga_xo5Vraiwa2fc2bbhZG9SHU_RzFbVSDn60G4QpsrLMKhXMS8WLMRazF75G