Simon Srugi
Simon Srugi (1877-1943) foi um irmão coadjutor salesiano da Galileia. Durante quase cinquenta anos em Beit Gemal, dedicou-se como professor, moleiro e enfermeiro junto às populações locais de todas as confissões.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascimento de Simon Srugi em Nazaré em 1877, sua infância marcada pela pobreza e pela perda de seus pais, e sua entrada nos Salesianos em Belém.
Simon Srugi (Simaan Srugi) nasceu em 15 de abril de 1877 em Nazaré, na Galileia (então sob domínio do Império Otomano, hoje em Israel). Ele era o último dos dez filhos de uma família cristã de origem libanesa. Seu pai, Aazar El Srugi, exercia a profissão de seleiro (o sobrenome «Srugi» significando, aliás, «seleiro» em árabe) e pertencia ao rito greco-católico melquita, enquanto sua mãe, Dalleh Ibrahim El Khauali, era do rito maronita. Marcado pela pobreza e pela doença, o lar familiar foi duramente provado: seis de seus irmãos morreram antes dos dois anos de idade. Aos três anos, o jovem Simon perdeu seus dois pais no espaço de poucos meses. Acolhido primeiramente por sua avó, cresceu em um clima de grande precariedade. Em 1888, foi enviado ao orfanato católico de Belém, uma obra fundada e dirigida pelo padre italiano Antonio Belloni. Em 1891, por conselho do Papa, o padre Belloni decidiu confiar sua instituição à Congregação Salesiana de Dom Bosco, tornando-se ele próprio salesiano. Foi neste contexto que Simon descobriu o carisma de Dom Bosco. Profundamente atraído por esta vida de dedicação, pediu aos 16 anos para se tornar salesiano.
Vida e obra
O serviço de Simon Srugi em Beit Gemal por quase cinquenta anos como professor, moleiro e enfermeiro dedicado às populações locais.
Em 1894, Simon Srugi foi enviado para a escola agrícola e orfanato de Beit Gemal (Betgamāl / Caphargamala), situada na região da Sefelá. Foi lá que ele realizou seu noviciado e professou seus votos como irmão coadjutor (religioso leigo salesiano). Ele passaria a totalidade de sua vida religiosa — ou seja, quase cinquenta anos — no seio desta única casa, dedicando-se sem reservas às populações locais. Em Beit Gemal, Simon Srugi assumiu múltiplas responsabilidades a serviço da comunidade educativa e dos habitantes da região: Professor e catequista: Ele instruía as crianças do orfanato, entre as quais figuravam muitos pequenos muçulmanos. Estes últimos chamavam-no respeitosamente de «Mu'allem Srugi» (Mestre Srugi) e diziam dele que era «bom como uma taça de mel». Moleiro e gestor: Ele era encarregado da gestão do moinho de grãos e do lagar de azeite da propriedade agrícola. Os agricultores de mais de cinquenta aldeias vizinhas vinham ali moer seu trigo. Simon conduzia esta atividade com uma justiça, uma honestidade e uma serenidade que lhe atraíam a confiança absoluta de todos. Ele intervinha regularmente como mediador e artesão da paz durante as violentas disputas que por vezes eclodiam no pátio do moinho. Enfermeiro e «Bom Samaritano»: Na ausência de um médico nesta região isolada, Simon Srugi assumiu a direção do dispensário de Beit Gemal. Assistido pela irmã Tersilla Ferrero (FMA) e pelo cooperador salesiano Dikran Ciakmakgiàn, ele tratava diariamente dezenas de doentes que sofriam de malária, disenteria ou diversas infecções. Os registros da clínica, meticulosamente mantidos por Simon entre 1932 e 1942, testemunham mais de 30.000 consultas para pacientes oriundos de mais de 70 aldeias. Sua doçura e sua dedicação aos mais pobres, sem distinção de religião, marcaram profundamente os espíritos. As populações muçulmanas locais devotavam-lhe uma imensa veneração, afirmando que «suas mãos têm o poder e a bondade de Allah» e repetindo esta fórmula célebre: «Depois de Allah, vem Srugi».
Caminhada rumo à santidade
A vida de oração de Simon Srugi, sua prática heroica do perdão diante de acusações e agressões, e sua morte santa em 1943.
A vida cotidiana de Simon Srugi é inteiramente unida a Deus. Apesar de um temperamento naturalmente vivo, ele se esforça para dominar seus impulsos para fazer reinar a doçura e a paciência ao seu redor. Ele busca sua força na oração pessoal e na adoração prolongada do Santíssimo Sacramento, passando todo o seu tempo livre diante do sacrário. Sua caridade se expressa de maneira heroica através do perdão. Ele perdoa sem amargura aqueles que o acusam falsamente de ter causado a morte de uma paciente atingida por gangrena, cuida com a mesma delicadeza de um grupo de jovens agressores que o haviam atacado no dispensário, e chega a prodigalizar cuidados médicos a um dos supostos assassinos de seu próprio diretor, o padre Mario Rosin. Em 1908, durante uma visita canônica a Beit Gemal, o beato Miguel Rua, primeiro sucessor de Dom Bosco, fica impressionado com a profundidade espiritual do irmão coadjutor e declara aos confrades: «Sigam-no bem, anotem suas palavras e seus atos, pois trata-se de um santo». Desgastado por um trabalho incessante e ele mesmo atingido pelo paludismo (malária), Simon Srugi falece santamente em 27 de novembro de 1943 em Beit Gemal, aos 66 anos de idade. Seus funerais dão lugar a uma imensa reunião de cristãos, judeus e muçulmanos que vieram prestar-lhe uma última homenagem. Seus restos mortais repousam em Beit Gemal, nas proximidades do túmulo histórico atribuído a santo Estêvão.
Beatificação e canonização
A introdução da causa de beatificação de Simon Srugi e sua declaração como Venerável pelo Papa João Paulo II em 1993.
A causa de beatificação de Simon Srugi foi oficialmente introduzida em 5 de novembro de 1964. Os processos diocesanos e apostólicos ocorreram sucessivamente de 1964 a 1966, e depois de 1981 a 1983. Em 2 de abril de 1993, o Papa João Paulo II autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a publicar o decreto sobre a heroicidade de suas virtudes, conferindo-lhe assim o título de Venerável. Nota histórica sobre as transcrições de datas: O historiador salesiano Giovanni Caputa, em sua biografia de referência, observa que a publicação oficial do Vaticano (Acta Apostolicae Sedis, AAS 85, 1993) contém dois erros materiais referentes ao venerável: menciona por erro o dia 27 de abril de 1877 como data de nascimento (em vez de 15 de abril) e o dia 27 de setembro de 1943 como data de falecimento (em vez de 27 de novembro). Da mesma forma, outras notas biográficas salesianas mencionam por vezes o dia 27 de junho de 1877 como data de nascimento.
Espiritualidade e legado
A espiritualidade de Simon Srugi unindo as tradições oriental e salesiana, e a perenidade de seu legado na Terra Santa e no mundo.
O venerável Simon Srugi é hoje proposto como um modelo eminente da vocação de irmão coadjutor salesiano. Sua espiritualidade realiza uma síntese harmoniosa entre a tradição contemplativa bizantina de suas origens orientais e a pastoral ativa latina herdada de Dom Bosco. Ele encarnou o que a teologia salesiana chama de "sacramento da presença", isto é, a evangelização silenciosa, porém eficaz, pela simples presença amorosa, pelo trabalho cotidiano e pelo serviço desinteressado junto aos mais necessitados. Seu legado permanece vivo na Terra Santa como símbolo de reconciliação e de diálogo inter-religioso através das obras. Em novembro de 2021, a Universidade de Belém lançou um projeto de estudo interdisciplinar (médico, sociológico e cultural) sobre os registros de seu dispensário, sublinhando o impacto histórico de sua ação sanitária sob o mandato britânico. Em escala internacional, a Congregação Salesiana deu seu nome a várias obras de formação, notadamente o noviciado salesiano de Sunyani, em Gana.
Perguntas frequentes sobre Simon Srugi
Quem foi Simon Srugi?
Simon Srugi (1877-1943) foi um irmão coadjutor salesiano da Galileia. Durante quase cinquenta anos em Beit Gemal, dedicou-se como professor, moleiro e enfermeiro junto às populações locais de todas as confissões.
Quais santos foram contemporâneos de Simon Srugi?
Entre seus contemporâneos figuram: Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Felipe de Jesús Munárriz e 50 companheiros, Mariano de Jesús Euse Hoyos e Teresa de Jesus dos Andes.
Quando Simon Srugi morreu?
Simon Srugi morreu por volta de 1943.
Quais são os outros nomes de Simon Srugi?
Outras formas do nome: Simaan Srugi.
Quem são os familiares de Simon Srugi?
Familiares de Simon Srugi: Aazar El Srugi (pai) e Dalleh Ibrahim El Khauali (mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1943
- Decreto de venerabilidade em 1993 por João Paulo II