Giovanni Jacono
Giovanni Jacono (1873-1957) foi um bispo italiano, reconhecido como venerável pela Igreja Católica, célebre por sua caridade e pobreza evangélica.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Juventude, vocação e ordenação de Giovanni Jacono em Ragusa e Catânia.
Giovanni Jacono (por vezes grafado Iacono) nasceu em 14 de março de 1873 em Ragusa, na Sicília (Itália), no seio de uma família muito modesta, mas profundamente religiosa. Seu pai, Gaudenzio Iacono, era carpinteiro, e sua mãe, Salvadora Arena, era fiandeira. Foi batizado no mesmo dia de seu nascimento na igreja de San Giovanni Battista (hoje catedral de Ragusa). Apesar de sua pobreza, o jovem Giovanni sentiu muito cedo o chamado ao sacerdócio. Para financiar seus estudos secundários, trabalhou como pedreiro e servente. Quando se apresentou ao seminário de Siracusa, o reitor recusou-se a acolhê-lo devido à extrema pobreza de sua família. Longe de se desencorajar, dirigiu-se ao arcebispo de Catânia, o cardeal Giuseppe Francica-Nava de Bontifè. Este último aceitou recebê-lo no seminário sob uma condição rigorosa: Giovanni deveria assumir o cargo de porteiro noturno, o que o obrigava a desfazer e refazer sua cama todos os dias atrás da porta de entrada. Durante este período, a beata Maria Schininà, fundadora originária de Ragusa, profetizou que ele se tornaria efetivamente padre. Foi ordenado sacerdote em setembro de 1902 (no dia 20 ou 21 de setembro, segundo as fontes) em San Giovanni la Punta, perto de Catânia, pelo cardeal Francica-Nava. Este último enviou-o então para aperfeiçoar seus estudos teológicos em Roma, no seminário do Apollinare (Pontificio Seminario Romano). Foi lá que conheceu outro jovem seminarista, Angelo Giuseppe Roncalli, o futuro Papa João XXIII, com quem estabeleceu uma amizade. De volta à Sicília, foi nomeado cônego penitenciário da catedral de Catânia, depois pai espiritual e, finalmente, reitor do seminário diocesano. Seu confessionário era então constantemente frequentado por numerosos fiéis e padres que buscavam sua direção espiritual.
Vida e obra
Episcopado de Dom Jacono em Molfetta e depois em Caltanissetta, marcado pela caridade e pelas provações da guerra.
Em 2 de julho de 1918, o Papa Bento XV nomeou-o bispo da diocese de Molfetta-Giovinazzo-Terlizzi, na Puglia. Recebeu a consagração episcopal em 8 de setembro de 1918, na catedral de Catânia, pelas mãos do cardeal Francica-Nava. A cerimônia ocorreu em uma catedral quase vazia devido à terrível epidemia de gripe espanhola que assolava a região na época. Durante seus três anos de episcopado em Molfetta, distinguiu-se por sua caridade incansável para com os pobres e os enfermos. Em 18 de março de 1921, foi transferido pelo Papa Bento XV para a sede episcopal de Caltanissetta, na Sicília, onde fez sua entrada solene em 28 de setembro do mesmo ano. Ali exerceu seu ministério pastoral durante trinta e cinco anos, guiado por seu lema episcopal: «Super omnia caritas» (A caridade acima de tudo). Seu longo episcopado atravessou períodos históricos particularmente complexos: a ascensão do fascismo, a Segunda Guerra Mundial (durante a qual a catedral de Caltanissetta foi gravemente danificada pelos bombardeios de 1943) e o pós-guerra marcado por tensões políticas. Dom Jacono empenhou-se firmemente em preservar a independência e a dignidade do clero diante das influências políticas e econômicas. Trabalhou ativamente na reconstrução material e espiritual de sua diocese, ampliando o seminário, fundando dezenas de novas paróquias e zelando pela formação espiritual e intelectual dos sacerdotes e dos leigos. Em 1953, devido à sua avançada idade, o Papa Pio XII nomeou-lhe um bispo coadjutor, Dom Francesco Monaco. Em junho de 1956, Dom Jacono apresentou sua renúncia. Foi então elevado ao posto de arcebispo titular de Mocissus por Pio XII em 21 de agosto de 1956. Retirou-se humildemente para sua cidade natal de Ragusa, onde faleceu piedosamente em 25 de maio de 1957, aos 84 anos.
Caminhada rumo à santidade
A reputação de santidade de Dom Jacono, caracterizada pelo seu desapego total aos bens materiais.
A reputação de santidade de Dom Giovanni Jacono, já amplamente difundida durante sua vida, manteve-se e ampliou-se após sua morte. Apelidado de «bom bispo» ou «bispo da caridade», ele marcou os espíritos por seu desapego absoluto aos bens materiais. Morreu em pobreza total, sem deixar testamento. Após seu falecimento, encontrou-se em sua mesa apenas um envelope contendo a modesta quantia de 15.000 liras destinada ao seu funeral. Durante sua homilia fúnebre, o bispo de Ragusa, Dom Francesco Pennisi, sublinhou esta pobreza evangélica ao declarar que ele descia ao túmulo com uma casula simples e uma mitra de tecido, pois sua verdadeira riqueza era a santidade de sua vida.
Beatificação e canonização
Abertura da causa, reconhecimento da heroicidade das virtudes pelo Papa Francisco e translado de seus restos mortais.
O processo de beatificação e canonização de Dom Giovanni Jacono foi oficialmente aberto em 13 de janeiro de 2008 na catedral de Caltanissetta pelo bispo local, Dom Mario Russotto. O inquérito diocesano, que permitiu reunir mais de 600 documentos e cerca de cinquenta testemunhos diretos, foi encerrado solenemente em 27 de setembro de 2012. Em 7 de novembro de 2018, o Papa Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto reconhecendo a heroicidade de suas virtudes, conferindo-lhe assim o título de Venerável. Em setembro de 2019, após um reconhecimento canônico de seus restos mortais em Ragusa, seu corpo foi solenemente trasladado da catedral de Ragusa para a catedral de Caltanissetta, a fim de repousar no coração da diocese que serviu por mais de três décadas, enquanto uma relíquia insigne foi conservada em Ragusa.
Espiritualidade e legado
A espiritualidade da caridade de Dom Jacono e a admiração que o Papa João XXIII nutria por ele.
A espiritualidade de Dom Giovanni Jacono repousa inteiramente no amor a Deus, à Igreja e ao próximo, encarnado em seu lema "Super omnia caritas". Sua vida de oração intensa era centrada na Eucaristia e na adoração, que sustentavam sua ação pastoral cotidiana. Sua humildade e bondade marcaram profundamente seus contemporâneos, a começar por seu antigo colega de estudos, o Papa João XXIII. Este último, recebendo um dia em audiência um sacerdote de Caltanissetta, confiou sua admiração por Dom Jacono dizendo que rezava ao Senhor para se tornar tão bom quanto ele. O venerável arcebispo deixa a imagem de um pastor inteiramente entregue ao seu rebanho, modelo de pobreza evangélica e de solicitude paternal para com os mais necessitados.
Iconografia
Sinais e atributos
Perguntas frequentes sobre Giovanni Jacono
Quem foi Giovanni Jacono?
Giovanni Jacono (1873-1957) foi um bispo italiano, reconhecido como venerável pela Igreja Católica, célebre por sua caridade e pobreza evangélica.
Como reconhecer Giovanni Jacono na arte cristã?
Na iconografia, Giovanni Jacono é reconhecível por: casula simples e mitra de tecido.
Quais santos foram contemporâneos de Giovanni Jacono?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Giovanni Jacono morreu?
Giovanni Jacono morreu por volta de 1873.
Quais são os outros nomes de Giovanni Jacono?
Outras formas do nome: Giovanni Iacono.
Quem são os familiares de Giovanni Jacono?
Familiares de Giovanni Jacono: Gaudenzio Iacono (pai) e Salvadora Arena (mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1873-1957
- Decreto de venerabilidade por Francisco
Citações
-
Super omnia caritas
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ele descia ao túmulo com uma casula simples e uma mitra de linho, pois sua verdadeira riqueza era a santidade de sua vida.
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