Luís Martin
Luís Martin (1823-1894), relojoeiro e joalheiro de Alençon e pai de santa Teresinha do Menino Jesus, foi canonizado em 18 de outubro de 2015 pelo papa Francisco ao lado de sua esposa Zélia, tornando-se assim o primeiro casal canonizado conjuntamente na história da Igreja Católica.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Louis Joseph Aloys Stanislas Martin nasceu em 22 de agosto de 1823 em Bordeaux, em uma família militar, e faleceu em 29 de julho de 1894 em Arnières-sur-Iton, após ter vivido uma vida exemplar como esposo, pai e cristão comprometido.
Louis Joseph Aloys Stanislas Martin nasceu em 22 de agosto de 1823 em Bordeaux, Gironde, o terceiro dos cinco filhos de Pierre-François Martin, oficial do exército, e de Marie-Anne-Fanny Boureau. A família, seguindo as designações militares do pai, mudou-se frequentemente antes de se estabelecer em Alençon, onde Louis realizou seus estudos. Todos os seus irmãos e irmãs morreriam antes de completar trinta anos. Após seus anos de formação, aprendeu o ofício de relojoeiro em várias cidades — Rennes, Estrasburgo e Paris — antes de abrir, em 1850, uma loja de relojoaria e joalheria na rue du Pont-Neuf, em Alençon. Durante seus anos de juventude, por volta dos vinte e dois anos, Louis sentiu um chamado para a vida monástica e buscou ingressar no mosteiro do Grande São Bernardo, mas sua candidatura foi recusada devido ao seu desconhecimento do latim. Essa decepção não abalou sua fé: ele levou então uma vida laboriosa, piedosa e meditativa, frequentando assiduamente a missa, a adoração eucarística e participando do círculo católico de discussão «Vital Romet». Em 13 de julho de 1858, casou-se com Azélie-Marie Guérin na basílica de Notre-Dame de Alençon. Ele tinha trinta e cinco anos, ela vinte e sete. Juntos, tiveram nove filhos entre 1859 e 1873; quatro morreram na infância. Com a morte de Zélie devido a um câncer em agosto de 1877, Louis tornou-se viúvo aos cinquenta e quatro anos, com cinco filhas. Mudou-se então para Lisieux, junto à família Guérin, para melhor criar suas filhas. Em 1889, foi hospitalizado no asilo do Bon-Sauveur de Caen devido a uma arteriosclerose cerebral acompanhada de crises alucinatórias; lá permaneceu por mais de três anos. Retornou a Lisieux em maio de 1892 e faleceu em 29 de julho de 1894 no castelo de la Musse, perto de Évreux, na casa de seu cunhado Isidore Guérin, aos setenta e um anos de idade.
Vida e obra
Relojoeiro e joalheiro próspero em Alençon, Louis Martin dedica seus recursos e energia à sua família e ao compromisso caritativo, fazendo de seu lar um lugar de fé vivida no cotidiano.
Louis Martin exerce com consciência o ofício de relojoeiro e joalheiro que aprendeu em várias cidades da França. Sua loja na rue du Pont-Neuf em Alençon está bem estabelecida quando ele conhece e se casa com Zélie Guérin em 1858. Nos anos que se seguem ao casamento, e por conselho espiritual, Louis cede progressivamente a direção de sua própria loja para apoiar a empresa de rendas Point d'Alençon que sua esposa fundou e que empregará até dezoito operárias. Esta escolha ilustra a generosidade e o senso de serviço que caracterizam sua personalidade. Fora de sua atividade profissional, Louis se engaja ativamente em obras de caridade, notadamente através da conferência São Vicente de Paulo, que lhe permite ajudar as famílias necessitadas. Ele participa também do círculo católico «Vital Romet», onde homens cristãos se reúnem para refletir juntos sobre suas responsabilidades sociais e morais. Sua vida de pai é marcada por uma presença afetiva e espiritual notável: ele acompanha cada uma de suas filhas em seu discernimento vocacional, aceitando com uma fé generosa que as cinco sobreviventes abracem a vida religiosa — quatro entrarão no Carmelo de Lisieux, incluindo Teresinha, e Léonie se juntará à Visitação. Após a morte de Zélie em 1877, Louis torna-se o único responsável pela educação de suas filhas e apoia ativamente suas vocações, notadamente a de Teresinha, cuja causa ele defende junto ao bispo de Bayeux e ao Papa para obter a autorização de entrada no Carmelo apesar de sua pouca idade.
Caminhada rumo à santidade
A santidade de Louis Martin manifesta-se na fidelidade cotidiana às obrigações de um pai cristão, na provação da doença aceita com abandono e em uma vida de oração intensa que impregna todo o seu lar.
A espiritualidade de Louis Martin desdobra-se na própria trama da existência ordinária: casamento, paternidade, trabalho, viuvez e doença são etapas onde se revela uma fé robusta e uma caridade generosa. Desde seus anos de celibato, Louis vive uma ascese discreta — missa diária às cinco e meia da manhã, jejum, adoração eucarística, peregrinações — que forma o alicerce de sua vida interior. Quando funda uma família, essa piedade pessoal torna-se fermento familiar: a oração comum, a leitura espiritual e a frequência aos sacramentos ritmam a vida do lar de Alençon, e depois de Lisieux. Sua filha Teresinha escreverá: «O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do céu do que da terra.» Louis testemunha uma fé provada quando a doença o atinge a partir de 1888: as crises alucinatórias que precedem sua internação no asilo do Bon-Sauveur de Caen constituem um sofrimento profundo, não apenas físico, mas espiritual, na medida em que o privam momentaneamente da lucidez que lhe permitia rezar e reconhecer-se. Seus biógrafos sublinham que ele aceita essa provação em espírito de oferta, e que essa humilhação pública — ele, pai estimado e homem de fé reconhecido, reduzido ao estado de alienado aos olhos de seus contemporâneos — permite-lhe participar da Paixão de Cristo de uma forma singular. Após seu retorno a Lisieux em 1892, os poucos meses que lhe restam de vida são marcados por uma grande paz interior.
Beatificação e canonização
Louis Martin foi beatificado em 19 de outubro de 2008 em Lisieux pelo cardeal Saraiva Martins, legado do Papa Bento XVI, e depois canonizado em 18 de outubro de 2015 em Roma pelo Papa Francisco, conjuntamente com sua esposa Zélie.
A causa de canonização de Louis Martin foi aberta em nível diocesano em 22 de março de 1957 e encerrada em 12 de fevereiro de 1960; a de Zélie seguiu um processo paralelo. Em 1971, as duas causas foram unidas, tornando os esposos Martin os primeiros cônjuges a serem propostos juntos para a canonização. Em 26 de março de 1994, o Papa João Paulo II declarou-os Veneráveis. O primeiro milagre reconhecido para a beatificação diz respeito a Pietro Schilirò, uma criança milanesa nascida em 25 de maio de 2002 com grave desconforto respiratório neonatal — síndrome de aspiração de mecônio e hipertensão pulmonar — cuja cura inexplicável ocorreu em 29 de junho de 2002, após uma novena dirigida aos Veneráveis Louis e Zélie Martin. A Comissão Médica da Congregação para as Causas dos Santos declarou esta cura inexplicável pela ciência. O Papa Bento XVI aprovou o milagre em 3 de julho de 2008, permitindo a beatificação em 19 de outubro de 2008 na Basílica de Santa Teresinha de Lisieux, presidida pelo cardeal José Saraiva Martins em nome do Papa. O segundo milagre, reconhecido para a canonização, foi a cura de Carmen Lourdes Pérez Pons, nascida em 15 de outubro de 2008 na Espanha com uma grave hemorragia cerebral, cuja recuperação completa e inexplicável seguiu-se a orações dirigidas aos Beatos Martin. O Papa Francisco aprovou este milagre em 18 de março de 2015 e anunciou a canonização em 27 de junho de 2015. A cerimônia de canonização ocorreu em 18 de outubro de 2015 na Praça de São Pedro em Roma, no âmbito do Sínodo sobre a Família, tornando Louis e Zélie Martin o primeiro casal canonizado conjuntamente na história da Igreja Católica. A festa litúrgica foi fixada em 12 de julho, aniversário de seu casamento.
Espiritualidade e legado
Os santos Luís e Zélia Martin oferecem à Igreja um modelo inédito de santidade conjugal e parental, cujo alcance se estende muito além do círculo teresiano para atingir todas as famílias cristãs contemporâneas.
O legado espiritual de Luís Martin é indissociável do de sua esposa Zélia e de sua família, que constitui um dos lares mais excepcionais da história da santidade católica. Sua casa em Alençon — hoje santuário — e a casa dos Buissonnets em Lisieux são locais de peregrinação frequentados. O santuário de Luís e Zélia em Alençon acolhe peregrinos de todo o mundo, em particular casais, famílias e pais de crianças doentes que confiam à sua intercessão as provações da vida familiar. O fato de cinco de suas filhas terem abraçado a vida religiosa é interpretado pela tradição como o fruto natural da educação cristã recebida neste lar. A canonização de 2015 teve uma ressonância particular, pois ocorreu no contexto do Sínodo sobre a Família, sublinhando que a santidade é plenamente acessível no estado conjugal e parental, sem passar pela vida consagrada. O Papa Francisco destacou que os esposos Martin eram um modelo para todos os casais que atravessam as dificuldades da vida comum. Luís Martin é particularmente invocado pelas famílias confrontadas com a doença grave de uma criança — em eco aos dois milagres de cura de crianças reconhecidos pela Igreja — assim como por aqueles que atravessam a provação da doença neurológica ou psiquiátrica, à luz de seu próprio calvário no asilo do Bon-Sauveur. Sua festa, em 12 de julho, é celebrada no mundo inteiro e dá lugar a reuniões de famílias cristãs, notadamente em Alençon e em Lisieux.
Iconografia
Sinais e atributos
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Luís Martin
Perguntas frequentes sobre Luís Martin
Quem foi Luís Martin?
Luís Martin (1823-1894), relojoeiro e joalheiro de Alençon e pai de santa Teresinha do Menino Jesus, foi canonizado em 18 de outubro de 2015 pelo papa Francisco ao lado de sua esposa Zélia, tornando-se assim o primeiro casal canonizado conjuntamente na história da Igreja Católica.
De que Luís Martin é santo padroeiro?
Padroados de Luís Martin: familles chrétiennes, famílias cristãs, couples mariés, casais, parents d'enfants malades, pais de crianças doentes, malades neurologiques e pacientes neurológicos.
Para que se reza a Luís Martin?
Reza-se a Luís Martin por: guérison des enfants gravement malades, cura de crianças gravemente doentes, soutien des familles dans l'épreuve, apoio às famílias em momentos de provação, discernement vocationnel des enfants, discernimento vocacional dos filhos, acceptation de la maladie e aceitação da doença.
Como reconhecer Luís Martin na arte cristã?
Na iconografia, Luís Martin é reconhecível por: relógio de bolso (referência à sua profissão de relojoeiro) e lírio branco (símbolo da pureza conjugal).
Quais milagres são atribuídos a Luís Martin?
2 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Cura.
Quais santos foram contemporâneos de Luís Martin?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Luís Martin morreu?
Luís Martin morreu por volta de 1894.
Quais são os outros nomes de Luís Martin?
Outras formas do nome: Louis Joseph Aloys Stanislas Martin, Louis Martin e Louis and Zelie Martin.
Quem são os familiares de Luís Martin?
Familiares de Luís Martin: Zélie Guérin Martin (esposa (santa, canonizada em 2015)), Thérèse de Lisieux (filha (santa, Doutora da Igreja)), Marie Martin (filha (irmã Maria do Sagrado Coração, Carmelo de Lisieux)), Pauline Martin (filha (Madre Inês de Jesus, Carmelo de Lisieux)), Léonie Martin (filha (irmã Françoise-Thérèse, Visitação de Caen)) e Céline Martin (filha (irmã Geneviève da Sagrada Face, Carmelo de Lisieux)).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / falecimento: 1894
- Canonização em 2015 pelo Papa Francisco
Citações
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O bom Deus me deu um pai e uma mãe mais dignos do céu do que da terra.
Santa Teresinha do Menino Jesus, citada nas biografias oficiais do santuário de Alençon e no site da Igreja Católica na França (eglise.catholique.fr)