Clélia Barbieri
Clélia Barbieri (1847-1870) foi uma religiosa italiana, fundadora aos vinte e um anos das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores, canonizada em 1989.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
5 seçãos de leitura
Biografia
Nascida em 1847 em um povoado da zona rural de Bolonha, Clelia Barbieri cresceu na pobreza e se destacou muito cedo por uma piedade intensa, antes de morrer de tuberculose aos vinte e três anos.
Clelia Barbieri nasceu em 13 de fevereiro de 1847 em Budrie, no município de San Giovanni in Persiceto, perto de Bolonha, na Itália. Foi batizada com os nomes de Clelia Rachele Maria. Seu pai, Giuseppe Barbieri, era um trabalhador rural, enquanto sua mãe, Giacinta Nannetti, vinha de uma família mais abastada. A região vivia principalmente do trabalho com o cânhamo, e a jovem Clelia aprendeu a fiar e a tecer essa fibra. Em julho de 1855, seu pai morreu durante uma epidemia de cólera; a família, já modesta, foi ajudada por um tio médico, Pietro Nannetti. Clelia recebeu a crisma em 1856 e fez sua primeira comunhão em 1858, experiência que descreveu como um ponto de virada espiritual decisivo. Desde a adolescência, dedicou-se à catequese de jovens meninas pobres e recusou propostas de casamento para se dedicar a uma vida de oração e serviço. Acometida pela tuberculose, faleceu em 13 de julho de 1870, com apenas vinte e três anos de idade.
Vida e obra
Aos vinte e um anos, Clélia Barbieri funda em Budrie uma pequena comunidade dedicada à oração e ao serviço dos pobres, que se tornará a congregação das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores.
Por volta de 1861-1862, Clélia Barbieri junta-se às «operárias da doutrina cristã» (operarie della dottrina cristiana), um grupo de jovens mulheres empenhadas no ensino do catecismo, e impõe-se rapidamente como uma animadora estimada a quem o pároco confia a formação religiosa das meninas da paróquia. Aspirando a uma vida comum mais radical, instala-se em 1º de maio de 1868, com algumas companheiras entre as quais Teodora Baraldi, Orsola Donati e Violante Garagnani, na «casa do mestre» de Budrie. Esta comunidade, inicialmente chamada «Retiro da Providência» (Ritiro della Provvidenza), dedica-se à oração eucarística, à catequese e ao cuidado dos camponeses pobres e dos doentes da região. O projeto de Clélia resume-se a uma intuição simples: reunir-se para levar uma vida recolhida e fazer o bem ao seu redor. Por devoção a São Francisco de Paula, fundador dos Mínimos, e a Nossa Senhora das Dores, a fundação toma o nome de Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores (Suore Minime dell'Addolorata), denominação posteriormente confirmada pela autoridade eclesiástica. Morta dois anos após a fundação, Clélia Barbieri permanece a mais jovem fundadora de uma congregação religiosa da história da Igreja Católica.
Caminhada rumo à santidade
A espiritualidade de Clélia Barbieri caracteriza-se por uma ardente devoção eucarística, uma caridade concreta para com os pobres e uma busca pela união com Deus marcada por experiências místicas.
A vida espiritual de Clélia Barbieri enraíza-se em uma devoção eucarística intensa, nutrida pela comunhão frequente e pela adoração. As fontes hagiográficas destacam sua pureza, sua humildade e uma caridade atuante para com os camponeses pobres e os enfermos de sua região. Sua pedagogia da doutrina cristã, simples e fervorosa, marca duradouramente as jovens que ela acompanha. A tradição relata que ela vivenciou, durante o ano de 1869, experiências místicas ligadas à liturgia, notadamente durante a missa e a Semana Santa. Seu desejo de união com Deus transparece nos poucos escritos e palavras que lhe são atribuídos, nos quais ela implora a Cristo que abrase seu coração com o amor divino. Apesar da brevidade de sua existência, sua reputação de santidade espalhou-se rapidamente pelo campo bolonhês após sua morte, sustentada pelo testemunho das irmãs e dos fiéis que a conheceram.
Beatificação e canonização
Beatificada por Paulo VI em 1968 e depois canonizada por João Paulo II em 1989, Clélia Barbieri é celebrada em 13 de julho; sua causa baseou-se em milagres reconhecidos pela Igreja.
A causa de beatificação de Clélia Barbieri abre-se formalmente durante o século XX, e ela é reconhecida como Serva de Deus em 1930. O Papa Paulo VI a beatifica em 27 de outubro de 1968 na Basílica de São Pedro, após o reconhecimento de milagres atribuídos à sua intercessão. Sua canonização requereu o exame de um novo milagre: o processo diocesano foi validado pela Congregação para as Causas dos Santos em 1986, a cura foi aprovada pela consulta médica em 1988 e, em seguida, pelos teólogos no mesmo ano. O Papa João Paulo II promulgou o decreto correspondente em 11 de fevereiro de 1989 e proclamou solenemente Clélia Barbieri santa em 9 de abril de 1989, na Praça de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica foi fixada em 13 de julho, dia do aniversário de sua morte. Um fenômeno singular acompanha sua fama: desde 1871, as Irmãs Mínimas afirmam ouvir, durante a oração e o canto, uma voz que atribuem à sua fundadora, em conformidade com a promessa que ela teria feito de nunca abandoná-las.
Espiritualidade e herança
A congregação fundada por Clélia Barbieri espalhou-se muito além da Itália, e a santa é notadamente honrada como padroeira dos catequistas na Emília-Romanha.
A congregação das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores, fundada por Clélia Barbieri, desenvolveu-se muito além do seu berço bolonhês. No início do século XXI, conta com várias centenas de religiosas distribuídas em dezenas de casas, presentes na Itália, mas também na Índia e na Tanzânia, onde dão continuidade à obra de catequese, de educação dos jovens e de serviço aos enfermos desejada pela sua fundadora. Le Budrie, local da fundação e da morte da santa, permanece o centro espiritual da congregação e um local de peregrinação. Clélia Barbieri é notadamente venerada como padroeira dos catequistas na Emília-Romanha. O fenômeno dito «da voz», relatado pelas irmãs nos seus diferentes locais de missão, é interpretado por elas como um sinal da comunhão dos santos e nutre a devoção popular que envolve esta figura da santidade do cotidiano.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Clélia Barbieri
Perguntas frequentes sobre Clélia Barbieri
Quem foi Clélia Barbieri?
Clélia Barbieri (1847-1870) foi uma religiosa italiana, fundadora aos vinte e um anos das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores, canonizada em 1989.
De que Clélia Barbieri é santo padroeiro?
Padroados de Clélia Barbieri: Catéchistes (Émilie-Romagne), Catequistas (Emília-Romanha), Sœurs Minimes de Notre-Dame des Douleurs e Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores.
Quais milagres são atribuídos a Clélia Barbieri?
1 milagre são atribuídos a este santo, notadamente: Cura.
Quais santos foram contemporâneos de Clélia Barbieri?
Entre seus contemporâneos figuram: Jesús María Echavarría Aguirre, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Narcisa de Jesús e Juan de Jesús López y González.
Quando Clélia Barbieri morreu?
Clélia Barbieri morreu por volta de 1870.
Quais são os outros nomes de Clélia Barbieri?
Outras formas do nome: Clelia Barbieri, Clelia Rachele Maria Barbieri e Saint Clelia Barbieri.
Quem são os familiares de Clélia Barbieri?
Familiares de Clélia Barbieri: Giuseppe Barbieri (pai) e Giacinta Nannetti (mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1870
- Canonização em 1989 por João Paulo II
Citações
-
Não chorem, não as deixo sozinhas, seguirei sempre vocês aonde quer que forem.
https://www.famigliacristiana.it/articolo/santa-clelia-barbieri.aspx