Eduard Müller
Eduard Müller (1911-1943) foi um padre católico alemão, vigário em Lübeck, preso pela Gestapo e decapitado pelo regime nazista por sua resistência espiritual e seu compromisso com os jovens.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
A juventude de Eduard Müller, sua vocação sacerdotal e seus estudos apesar da pobreza familiar.
O beato Eduard Müller (Andreas Paul Eduard Müller) nasceu em 20 de agosto de 1911 em Neumünster, na Alemanha. Ele era o mais novo de uma família modesta de sete filhos. Seu pai, Heinrich Bernard Theodor Eduard Müller, um humilde sapateiro, abandonou o lar, deixando sua mãe, Caroline Agnes (nascida Hundeshagen), criar sozinha seus filhos em grande pobreza. Para sustentar as necessidades da família, sua mãe trabalhava como empregada doméstica e lavadeira.
Após terminar a escola primária, Eduard realizou um aprendizado de marceneiro. Apesar de seu desejo profundo de se tornar padre, a situação financeira de sua família parecia tornar esse projeto irrealizável. Foi graças ao apoio do vigário de sua paróquia, Bernhard Schräder, que notou suas aptidões e organizou um apoio financeiro junto a doadores locais, que ele pôde prosseguir seus estudos secundários. De 1931 a 1935, ele estudou no seminário para vocações tardias Clementinum (St. Clemens) em Bad Driburg para obter seu bacharelado (Abitur). Em seguida, iniciou seus estudos de teologia em Münster, de 1935 a 1940.
Ele foi ordenado padre em 25 de julho de 1940 na catedral de Osnabrück pelo bispo Wilhelm Berning. Três dias depois, celebrou sua primeira missa solene (Primiz) em sua paróquia de origem, St. Maria-St. Vicelin em Neumünster.
Vida e obra
O ministério pastoral de Eduard Müller em Lübeck junto aos jovens e seu compromisso na resistência espiritual.
Em 27 de agosto de 1940, o padre Eduard Müller iniciou seu ministério pastoral como vigário adjunto (Adjunkt) na paróquia do Sagrado Coração (Herz-Jesu-Kirche) em Lübeck. Lá, encontrou outros dois jovens vigários, Johannes Prassek e Hermann Lange. Eduard Müller dedicou-se principalmente à pastoral das crianças e dos jovens, bem como ao acompanhamento dos companheiros da associação Kolping. Seu estilo pastoral, caracterizado por uma abordagem amigável, simples e não autoritária, rendeu-lhe grande popularidade junto à juventude local. Em 1941, liderou os jovens da paróquia na transformação de um antigo depósito de carvão situado sob a igreja em um local de reunião acolhedor. Suas atividades, especialmente as excursões organizadas nas manhãs de domingo após a missa, entravam em concorrência direta com as reuniões obrigatórias da Juventude Hitlerista (Hitlerjugend), que tentava em vão atraí-lo para sua causa. Embora se considerasse "apolítico", Eduard Müller engajou-se ativamente em uma resistência espiritual diante do regime nacional-socialista. Com seus confrades Johannes Prassek e Hermann Lange, participou de círculos de discussão onde eram abordadas a situação política e os eventos militares. Juntos, copiavam, duplicavam e distribuíam clandestinamente os sermões do bispo de Münster, Dom Clemens August von Galen, que denunciava vigorosamente o programa de eutanásia de pessoas com deficiência conduzido pelo regime nazista. Eles também se informavam ouvindo as transmissões da rádio britânica.
Caminho para a santidade
A amizade ecumênica, a prisão pela Gestapo, o julgamento e o martírio de Eduard Müller e seus companheiros.
Em Lübeck, uma amizade ecumênica profunda e inédita para a época desenvolveu-se entre os três padres católicos e o pastor luterano da Lutherkirche, Karl Friedrich Stellbrink. Unidos por sua fé cristã e por sua rejeição comum à barbárie nazista, eles compartilhavam escritos espirituais e sermões.
O ponto de virada ocorreu após o bombardeio de Lübeck pela Royal Air Force na noite de 28 para 29 de março de 1942. Em seu sermão do Domingo de Ramos, o pastor Stellbrink qualificou essa destruição como um «juízo de Deus», o que levou à sua prisão imediata pela Gestapo. A investigação policial revelou rapidamente seus laços estreitos com os padres católicos da paróquia do Sagrado Coração.
O padre Johannes Prassek foi preso em 18 de maio de 1942, seguido pelo padre Hermann Lange em 15 de junho e, finalmente, pelo padre Eduard Müller em 22 de junho de 1942. Encarcerados por mais de um ano, foram levados ao Tribunal do Povo (Volksgerichtshof) reunido em Lübeck no verão de 1943. Ao final do julgamento (de 23 a 25 de junho de 1943), os quatro eclesiásticos foram condenados à morte por «atentado à força militar, malícia, cumplicidade com o inimigo e escuta de rádios estrangeiras». Os pedidos de clemência formulados por seu bispo, Dom Wilhelm Berning, foram rejeitados pelas autoridades nazistas.
Em 10 de novembro de 1943, foram transferidos para a prisão de Holstenglacis, em Hamburgo. Lá, foram executados por decapitação (guilhotina) com três minutos de intervalo. As testemunhas relataram que o sangue dos quatro mártires se misturou no chão, selando assim sua unidade ecumênica no sofrimento. O corpo de Eduard Müller foi cremado no campo de concentração de Neuengamme e suas cinzas foram espalhadas.
Beatificação e canonização
O processo de beatificação, o reconhecimento do martírio e a cerimônia solene de beatificação em Lübeck.
O processo de beatificação dos três padres católicos (Johannes Prassek, Hermann Lange e Eduard Müller) foi oficialmente aberto em 2004 por iniciativa do arcebispo de Hamburgo, Dom Werner Thissen.
No dia 1º de julho de 2010, o Papa Bento XVI autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto reconhecendo o martírio deles in odium fidei (em ódio à fé).
A celebração solene de beatificação ocorreu em 25 de junho de 2011 na praça Parade, diante da igreja do Sagrado Coração em Lübeck. Foi presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, representando o Papa Bento XVI. Durante esta cerimônia, uma homenagem solene e oficial também foi prestada ao pastor luterano Karl Friedrich Stellbrink, na presença da bispa luterana de Hamburgo e de milhares de fiéis das duas confissões, conferindo ao evento uma dimensão ecumênica histórica.
Espiritualidade e legado
O testemunho de unidade ecumênica, a memória dos mártires de Lübeck e a criação da fundação.
O legado espiritual de Eduard Müller e de seus companheiros, conhecidos como os «Mártires de Lübeck», baseia-se no testemunho de uma fé vivida na unidade e na liberdade de consciência diante da ditadura. O Papa Bento XVI saudou a amizade deles como um «testemunho impressionante do ecumenismo da oração e do sofrimento».\n\nAté sua execução, Eduard Müller manteve uma profunda paz interior, testemunhando sua fidelidade absoluta a Cristo. O lema compartilhado pelos mártires, «A Cristo, nosso Rei, fidelidade eterna!», resume seu compromisso espiritual supremo.\n\nHoje, o antigo depósito de carvão da igreja do Sagrado Coração de Lübeck, que Eduard Müller havia preparado com os jovens em 1941, tornou-se uma cripta e um memorial dedicado à sua memória. Em 2012, a arquidiocese de Hamburgo criou a «Fundação dos Mártires de Lübeck» a fim de perpetuar sua mensagem de fé, tolerância e unidade cristã.
Perguntas frequentes sobre Eduard Müller
Quem foi Eduard Müller?
Eduard Müller (1911-1943) foi um padre católico alemão, vigário em Lübeck, preso pela Gestapo e decapitado pelo regime nazista por sua resistência espiritual e seu compromisso com os jovens.
Como Eduard Müller morreu?
Eduard Müller sofreu o martírio pela fé cristã (20.º século).
Quais santos foram contemporâneos de Eduard Müller?
Entre seus contemporâneos figuram: Mariano de Jesús Euse Hoyos, Felipe de Jesús Munárriz e 50 companheiros, Teresa de Jesus dos Andes e Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
Quais são os outros nomes de Eduard Müller?
Outras formas do nome: Andreas Paul Eduard Müller.
Quem são os familiares de Eduard Müller?
Familiares de Eduard Müller: Heinrich Bernard Theodor Eduard Müller (pai) e Caroline Agnes Müller (née Hundeshagen) (mãe).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1943
- Beatificação em 2011 por Bento XVI