23 de julho 20.º século

Mártires de Daimiel

26

Os 26 mártires de Daimiel são um grupo de religiosos passionistas espanhóis, liderados pelo padre Nicéforo de Jesus e Maria, assassinados em ódio à fé em 1936 durante a Guerra Civil Espanhola.

Cronologia

Seus contemporâneos

Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.

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    5 seçãos de leitura

    Vida 01 / 05

    Biografia

    Apresentação dos 26 mártires de Daimiel, religiosos passionistas espanhóis presos e executados em 1936 no início da Guerra Civil Espanhola.

    Os 26 mártires de Daimiel, também conhecidos como Nicéforo de Jesus e Maria e seus 25 companheiros, eram religiosos da Congregação da Paixão (Passionistas). Eles residiam no mosteiro do Santo Cristo de la Luz em Daimiel, na província de Ciudad Real, na Espanha. Em julho de 1936, no início da Guerra Civil Espanhola, a comunidade contava com 31 membros. A grande maioria deles eram estudantes muito jovens (com idades entre 18 e 21 anos) que se preparavam para a ordenação sacerdotal e para futuras missões na América Latina (notadamente no México, em Cuba e na Venezuela). Na noite de 21 para 22 de julho de 1936, por volta das 23h30, um grupo de milicianos armados cercou o mosteiro e ordenou que os religiosos evacuassem o local imediatamente. O superior provincial, o padre Nicéforo de Jesus e Maria (Vicente Díez Tejerina), reuniu a comunidade na igreja. Consciente do perigo de morte iminente, ele lhes deu a absolvição geral e distribuiu a Sagrada Comunhão como Viático. Os milicianos os levaram primeiro para o cemitério local, mas o prefeito ou chefe da milícia recusou-se a executá-los no local. Eles foram então libertados com a ordem de deixar a região, mas os milicianos enviaram mensagens aos comitês vizinhos para que fossem abatidos à vista. Para tentar escapar da perseguição e chegar a Madri, a comunidade dividiu-se em cinco pequenos grupos. Entre 23 de julho e 23 de outubro de 1936, 26 desses religiosos foram capturados, torturados e fuzilados em diferentes localidades. Apenas cinco membros da comunidade sobreviveram à tragédia.

    other 02 / 05

    Vida e obra

    A vida comunitária no mosteiro do Santo Cristo de la Luz e a composição do grupo dos mártires.

    O mosteiro do Santo Cristo de la Luz em Daimiel era uma casa de estudos e formação para a Congregação da Paixão. Fundada por São Paulo da Cruz, esta congregação tem como carisma manter viva a memória da Paixão de Jesus Cristo. Em Daimiel, os jovens noviços e estudantes levavam uma vida de oração intensa, estudo e pobreza, totalmente alheios às questões políticas da época. O grupo dos 26 mártires representava toda a estrutura desta comunidade religiosa: O superior provincial: o padre Nicéforo de Jesus e Maria (Vicente Díez Tejerina), que já havia conhecido a perseguição e o exílio no México. O superior da comunidade: o padre Germano de Jesus e Maria (Manuel Pérez Jiménez). Cinco outros padres e formadores: João Pedro de Santo Antônio (José María Bengoa Aranguren), Filipe do Menino Jesus (Felipe Valcobado Granado), Ildefonso da Cruz (Anatolio García Nozal), Pedro do Coração de Jesus (Pedro Largo Redondo) e Justiniano de São Gabriel (Justiniano Cuesta Redondo). Quatro irmãos coadjutores que asseguravam as tarefas materiais do mosteiro: Pablo María de São José (Pedro Leoz Portillo), Benito da Virgem do Villar (Benito Solana Ruiz), Anacário da Imaculada (Anacario Benito Nozal) e Felipe de São Miguel (Felipe Ruiz Fraile). Quinze jovens estudantes de filosofia. Sua obra principal era a preparação espiritual e intelectual para anunciar o Evangelho e servir como missionários no continente americano.

    Martírio 03 / 05

    Caminho para a santidade

    O relato detalhado do martírio dos diferentes grupos de religiosos em Manzanares, Carabanchel Bajo, Urda e Carrión de Calatrava.

    O martírio dos Passionistas de Daimiel ocorreu em várias etapas e em diferentes locais, de acordo com os grupos que haviam formado: 1. O grupo de Manzanares (23 de julho de 1936): O padre Nicéforo e cinco jovens estudantes (José Estalayo, Epifanio Sierra, Abilio Ramos, Zacarías Fernández e Fulgencio Calvo) foram presos na estação ferroviária de Manzanares e fuzilados nos trilhos. Testemunhas relataram que o padre Nicéforo, mortalmente ferido, ofereceu um sorriso de perdão aos seus algozes, o que os desconcertou. 2. O grupo de Carabanchel Bajo (23 de julho de 1936): Nove religiosos, liderados pelo padre Germán, conseguiram chegar aos subúrbios de Madrid, mas foram capturados e fuzilados perto de um muro em Carabanchel Bajo. 3. O grupo de Urda (25 de julho de 1936): Três religiosos (o padre Pedro Largo, o irmão Félix Ugalde e o irmão Benito Solana) foram presos e fuzilados perto da estação de Urda. 4. O grupo de Carrión de Calatrava (25 de setembro de 1936): O padre Juan Pedro Bengoa e o irmão Pablo María Leoz esconderam-se durante dois meses antes de serem descobertos e executados. Segundo os testemunhos dos seus executores, morreram apertando os seus crucifixos e gritando: «Viva Cristo Rei!». 5. O segundo grupo de Manzanares (23 de outubro de 1936): Seis religiosos que tinham sobrevivido ao primeiro fuzilamento de 23 de julho, mas que permaneceram gravemente feridos no hospital de Manzanares (incluindo os irmãos Tomás e José María Cuartero Gascón), foram finalmente retirados do hospital e fuzilados por sua vez. A causa de canonização dos mártires de Daimiel foi oficialmente aberta em 1984. Foram declarados veneráveis em 28 de novembro de 1988, após o reconhecimento oficial do seu martírio in odium fidei (em ódio à fé).

    Culto 04 / 05

    Beatificação e canonização

    A beatificação pelo Papa João Paulo II em 1989 e a veneração de suas relíquias em Daimiel.

    Os 26 mártires de Daimiel foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 1º de outubro de 1989 na Praça de São Pedro, em Roma. Durante sua homilia de beatificação, o Santo Padre destacou a pureza de seu compromisso e sua total ausência de envolvimento político: «Nenhum dos religiosos da comunidade de Daimiel estava envolvido em questões políticas. No entanto, no clima do período histórico que viveram, foram detidos pela tempestade da perseguição religiosa, derramando generosamente o seu sangue, fiéis à sua vocação religiosa.» Ele também acrescentou, pensando nos muitos jovens do grupo: «A maioria, jovens de 18 a 21 anos, sonhava com o sacerdócio; mas o Senhor dispôs que a sua primeira missa fosse o seu próprio holocausto.» Suas relíquias são hoje conservadas e veneradas na cripta do mosteiro do Santo Cristo de la Luz em Daimiel, que se tornou um centro de espiritualidade e peregrinação. Sua festa litúrgica é celebrada em 23 de julho (no Martirológio Romano e no calendário passionista) ou em 24 de julho (notadamente na Espanha).

    Legado 05 / 05

    Espiritualidade e legado

    O enraizamento do seu sacrifício na espiritualidade da Cruz e o seu legado de perdão e paz.

    A espiritualidade dos mártires de Daimiel enraíza-se profundamente no carisma passionista da contemplação da Cruz. Ao enfrentar a morte, viveram o seu próprio «Getsêmani» e o seu «Calvário», termos explicitamente utilizados pelo padre Nicéforo para encorajar os seus irmãos antes da expulsão do mosteiro: «Meus irmãos e meus filhos bem-amados: eis o nosso Getsêmani. A natureza, na sua parte fraca, desfalece e assusta-se. Mas Jesus Cristo está conosco. Vou dar-vos Aquele que é a força dos fracos. Jesus foi confortado por um anjo; nós, é o próprio Jesus que nos conforta e nos sustenta... Cidadãos do Calvário, coragem! Morramos por Cristo!» O seu legado é, acima de tudo, um testemunho de perdão heroico e de paz. Nenhum deles renegou a sua fé ou a sua vocação para salvar a sua vida. Perante a violência e o ódio, responderam com a oração, o perdão explícito aos seus carrascos e uma confiança absoluta na ressurreição. São hoje invocados como patronos da fidelidade na perseguição, das vocações religiosas e da coragem face à injustiça.

    Fonte oficial Nota redigida pela Sancteo a partir de fontes contemporâneas verificadas (fontes oficiais da Igreja e referências hagiográficas).

    Sinais e atributos

    Anexos & entidades relacionadas

    Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.

    Eventos marcantes

    1. Época / morte: 1936
    2. Beatificação em 1989 por João Paulo II

    Citações

    • Nenhum dos religiosos da comunidade de Daimiel estava envolvido em questões políticas. No entanto, no clima do período histórico em que viveram, foram detidos pela tempestade da perseguição religiosa, derramando generosamente o seu sangue, fiéis à sua vocação religiosa. https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQHnVLT7NdaxYkIyJFiZaXj6xEuKhatCpCgG1nHNNpnbM6EHkbCEvjZYCyfRO_3EBS2m7Xl6SFiNmZNUi1w6rf1ffLN4jOP6eQPlnywws2kHVgDSBrWi-iYGt2E4gfSlpq_FUgANwiZtg09uu81YwZr1KfgF5g==
    • A maioria, jovens de 18 a 21 anos, sonhava com o sacerdócio; mas o Senhor dispôs que sua primeira missa fosse seu próprio holocausto. https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQHnVLT7NdaxYkIyJFiZaXj6xEuKhatCpCgG1nHNNpnbM6EHkbCEvjZYCyfRO_3EBS2m7Xl6SFiNmZNUi1w6rf1ffLN4jOP6eQPlnywws2kHVgDSBrWi-iYGt2E4gfSlpq_FUgANwiZtg09uu81YwZr1KfgF5g==
    • Meus irmãos e meus filhos amados: eis o nosso Getsêmani. A natureza, em sua parte fraca, desfalece e se assusta. Mas Jesus Cristo está conosco. Vou dar-lhes Aquele que é a força dos fracos. Jesus foi reconfortado por um anjo; nós, é o próprio Jesus quem nos reconforta e nos sustenta... Cidadãos do Calvário, coragem! Morramos por Cristo! https://vertexaisearch.cloud.google.com/grounding-api-redirect/AUZIYQHV9wiMsE4Kuheg-0L69k9Wklj_SUraBWhsGeJ9C6fokpG0sQGaLVaGzKnem4O4NmkVaORF-7XOo0clxg0Fz_17VuklI7urcBejSxi-04y5MIImr-CAR2MSuEDQWZcLE5eI_SQ5zYVTwnmVv8IUXoY=