21 de outubro 20.º século

Noeme Cinque

Noeme Cinque (Irmã Serafina), religiosa brasileira das Adoradoras do Sangue de Cristo, dedicou-se aos pobres e aos doentes ao longo da Transamazônica.

Cronologia

Seus contemporâneos

Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.

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    Vida 01 / 05

    Biografia

    Nascimento na Amazônia, infância e engajamento leigo de Noeme Cinque.

    Noeme Cinque (na vida religiosa Irmã Serafina) nasceu em 31 de janeiro de 1913 em Boca das Garças, uma localidade do município de Urucurituba, no estado do Amazonas, Brasil. Ela era a segunda de uma família de doze filhos. Seus pais, Vicente (Vincenzo) Cinque e Sarah (Serafina Clementina) De Benedetto, eram imigrantes italianos originários da região de Salerno (Sapri) que chegaram ao Brasil em 1906. Atraídos pelo auge da extração da borracha, enfrentaram o fim desse ciclo econômico e se reconverteram com sucesso ao cultivo do cacau, tornando-se prósperos proprietários de terras.

    Desde a infância, Noeme manifestou um temperamento vivo e uma saúde frágil. Aos 11 anos, seu pai a enviou para estudar no Colégio Santa Doroteia em Manaus. Foi lá que ela sentiu seus primeiros chamados para a vida religiosa. No entanto, quando expressou aos 16 anos o desejo de entrar no convento, seu pai opôs-se firmemente, desejando que ela se orientasse para os negócios da família.

    Noeme engajou-se então ativamente como leiga. Obteve seu diploma de professora no Instituto de Educação do Amazonas aos 20 anos e começou a lecionar nas escolas da floresta amazônica, e depois em Manaus. Paralelamente, formou-se como enfermeira prática em 1943 junto ao Departamento de Saúde do Amazonas. Muito ativa em sua paróquia, engajou-se na Ação Católica, presidiu as Filhas de Maria e o Apostolado da Oração, visitava os prisioneiros e cuidava voluntariamente dos doentes e dos idosos em domicílio.

    Missão 02 / 05

    Vida e obra

    Ingresso nas Adoradoras do Sangue de Cristo e dedicação aos mais pobres ao longo da Transamazônica.

    Em 1946, a chegada a Manaus das primeiras religiosas americanas da Congregação das Adoradoras do Sangue de Cristo (fundada na Itália por Santa Maria De Mattias), que vieram explorar a possibilidade de uma fundação na Amazônia, marcou um ponto de virada decisivo. Apresentada às irmãs pelos padres Redentoristas, Noeme, então com 33 anos, viu nesse encontro a vontade de Deus. Apesar das barreiras da língua e da cultura, ela aceitou o convite e partiu para Wichita, no Kansas (Estados Unidos), para realizar seu postulado e noviciado. Lá, recebeu o nome de Irmã Serafina.

    De volta ao Brasil em 1948, desempenhou um papel essencial no estabelecimento da congregação na Amazônia, servindo como ponte cultural e administrativa para as irmãs americanas. Participou ativamente da construção do primeiro noviciado e do convento do Preciosíssimo Sangue em Manaus. Em 1949, foi nomeada diretora do colégio de Coari, depois superiora em Codajás em 1954, e em Altamira em 1957.

    Foi a partir de 1971 que se dedicou à sua missão mais célebre em Altamira, no estado do Pará. Nessa época, a construção da rodovia Transamazônica provocou um fluxo massivo de famílias pobres e trabalhadores atraídos pela promessa de uma vida melhor. Diante da ausência de infraestruturas sanitárias e da saturação dos hospitais locais, muitas mulheres grávidas e doentes encontravam-se abandonadas nas ruas.

    Irmã Serafina começou acolhendo-as no ambulatório diocesano e, depois, em abrigos improvisados. Graças ao apoio do bispo de Altamira, Dom Eurico Kräutler, e do padre Frederico Tschol, obteve auxílios internacionais para construir estruturas permanentes. Em 1984, inaugurou a Casa da Divina Providência, destinada ao acolhimento de mulheres grávidas e seus recém-nascidos, seguida pelo Refúgio São Gaspar para os doentes. Para manter essas obras, a Irmã Serafina percorria diariamente a Transamazônica a bordo de caminhões, mendigando de porta em porta e coletando os excedentes dos supermercados. Sua dedicação incansável fez com que fosse apelidada pela população e pela imprensa de "o Anjo da Transamazônica" ou a "Madre Teresa de Altamira".

    Culto 03 / 05

    Caminhada rumo à santidade

    Doença, falecimento e abertura da causa de beatificação da Irmã Serafina.

    Acometida por um linfoma (câncer dos gânglios linfáticos), a Irmã Serafina Cinque faleceu em 21 de outubro de 1988 na casa provincial de Manaus, aos 75 anos de idade, cercada por uma grande reputação de santidade.

    Diante do fervor popular e do desejo dos fiéis do Xingu, seus restos mortais foram exumados e trasladados solenemente em 30 de setembro de 2003 de Manaus para Altamira, onde repousam desde então na igreja paroquial da Imaculada Conceição.

    A causa de beatificação e canonização foi aberta em nível diocesano na Arquidiocese de Manaus em 7 de julho de 2000 e encerrada em 29 de setembro de 2003, após a audição de mais de 50 testemunhas. A validade do inquérito diocesano foi decretada pelo Vaticano em 2004. A Positio, documento de síntese sobre sua vida e virtudes heroicas, foi depositada em Roma em dezembro de 2007.

    Culto 04 / 05

    Beatificação e canonização

    Reconhecimento das virtudes heroicas pelo Papa Francisco em 2014.

    Em 27 de janeiro de 2014, o Papa Francisco autorizou a Congregação (hoje Dicastério) para as Causas dos Santos a promulgar o decreto reconhecendo as virtudes heroicas da Irmã Serafina Cinque, conferindo-lhe assim o título de venerável.

    A causa encontra-se atualmente à espera do reconhecimento oficial de um milagre atribuído à sua intercessão para abrir caminho à sua beatificação.

    Legado 05 / 05

    Espiritualidade e legado

    Espiritualidade centrada no Sangue de Cristo e perenidade de suas obras de caridade.

    A espiritualidade da venerável Serafina Cinque está profundamente ancorada no carisma das Adoradoras do Sangue de Cristo: a contemplação do amor redentor de Jesus manifestado pelo derramamento de seu sangue precioso, e o serviço ao «caro prossimo» (querido próximo). Sua vida foi guiada por uma confiança absoluta na Divina Providência, resumida por seu lema constante: «Como Deus é bom!».

    Seu legado permanece vivo em Altamira e em toda a região da Transamazônica. A Casa da Divina Providência continua a acolher e cuidar de mães e crianças desamparadas, perpetuando a obra de caridade daquela que foi um verdadeiro anjo de misericórdia no coração da floresta amazônica.

    Fonte oficial Nota redigida pela Sancteo a partir de fontes contemporâneas verificadas (fontes oficiais da Igreja e referências hagiográficas).

    Perguntas frequentes sobre Noeme Cinque

    Quem foi Noeme Cinque?

    Noeme Cinque (Irmã Serafina), religiosa brasileira das Adoradoras do Sangue de Cristo, dedicou-se aos pobres e aos doentes ao longo da Transamazônica.

    Quais santos foram contemporâneos de Noeme Cinque?

    Entre seus contemporâneos figuram: Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Felipe de Jesús Munárriz e 50 companheiros, Mariano de Jesús Euse Hoyos e Teresa de Jesus dos Andes.

    Quando Noeme Cinque morreu?

    Noeme Cinque morreu por volta de 1913.

    Quais são os outros nomes de Noeme Cinque?

    Outras formas do nome: Sœur Serafina, Serafina Cinque e Noemy.

    Quem são os familiares de Noeme Cinque?

    Familiares de Noeme Cinque: Vicente (Vincenzo) Cinque (pai) e Sarah (Serafina Clementina) De Benedetto (mãe).

    Anexos & entidades relacionadas

    Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.