85 Mártires da Inglaterra e do País de Gales
Grupo de 85 católicos (63 sacerdotes e 22 leigos) executados na Inglaterra e no País de Gales por sua fidelidade à Igreja Católica entre 1584 e 1679.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Apresentação do grupo dos 85 mártires da Inglaterra e do País de Gales, composto por sacerdotes e leigos executados entre 1584 e 1679.
Os 85 mártires da Inglaterra e do País de Gales formam um grupo de católicos (composto por 63 sacerdotes e 22 leigos) executados em ódio à fé sob os reinados de Isabel I, Jaime I, Carlos I e Carlos II, entre 1584 e 1679. Este grupo, também designado pelo nome de «George Haydock e seus 84 companheiros», reúne homens oriundos de todas as classes da sociedade britânica. O mais jovem deles tinha 24 anos, enquanto o mais velho tinha ultrapassado os 80 anos. Encontram-se ali sacerdotes diocesanos e religiosos (jesuítas, franciscanos, beneditinos), mas também leigos que exerciam diversos ofícios: um impressor, um alfaiate, um taberneiro ou ainda um cavalariço. O primeiro a sofrer o martírio no seio deste grupo foi o leigo e impressor William Carter, executado em 11 de janeiro de 1584 em Tyburn. O último foi o sacerdote franciscano irlandês Charles Meehan (também conhecido pelo nome de Charles Mahoney), morto em 12 de agosto de 1679 em Ruthin, no País de Gales.
Vida e obra
A ação clandestina de padres e leigos para manter o culto católico apesar das perseguições da Reforma inglesa.
A ação destes mártires insere-se no contexto dramático da Reforma inglesa e das perseguições anticatólicas que se seguiram à ruptura de Henrique VIII com Roma em 1534. Sob o reinado de Isabel I, o Parlamento inglês adotou em 1584 uma lei particularmente severa, o Jesuits, etc. Act 1584 (27 Elizabeth I, c. 2), que declarava culpado de alta traição qualquer padre católico ordenado no estrangeiro que pusesse o pé em solo do reino. Apesar do perigo de morte iminente, numerosos padres formados nos seminários do continente (nomeadamente em Douai, Reims, Roma ou Valladolid) regressaram clandestinamente à Inglaterra e ao País de Gales para administrar os sacramentos e celebrar a missa. Paralelamente, os leigos do grupo empenharam-se ativamente ao seu lado. Em virtude da mesma legislação, ajudar ou albergar um padre católico era considerado um crime de felonía passível de pena de morte. Estes leigos corajosos abriram as suas casas para nelas celebrar a missa em segredo, esconderam os padres procurados pelas autoridades e apoiaram materialmente as redes católicas clandestinas.
Caminho para a santidade
A preservação da memória dos mártires e o longo processo de investigação histórica que levou ao reconhecimento do seu martírio.
Após a sua execução, a memória destes mártires foi piedosamente conservada pela comunidade católica recusante da Inglaterra e do País de Gales. Contudo, devido às leis penais e à ausência de uma hierarquia católica oficial no país, a abertura formal dos processos de beatificação foi retardada durante séculos. Foi apenas após o restabelecimento da hierarquia católica na Inglaterra em 1850 que os trâmites oficiais foram retomados. Um inquérito diocesano aprofundado foi conduzido em Westminster a partir de 1874. O dossiê deste grupo específico de 85 mártires foi objeto de um estudo histórico rigoroso que se estendeu por doze anos, culminando na redação de sete volumes de documentos (totalizando 2.667 páginas) submetidos à Congregação para as Causas dos Santos. O decreto que reconhece o seu martírio foi promulgado pela Santa Sé, dispensando assim a causa da apresentação de um milagre para a beatificação.
Beatificação e canonização
A beatificação solene pelo Papa João Paulo II em 1987 e as condições exigidas para a sua canonização.
Os 85 mártires da Inglaterra e do País de Gales foram beatificados em 22 de novembro de 1987 pelo Papa João Paulo II, durante uma celebração solene na Basílica de São Pedro, em Roma, coincidindo com a solenidade de Cristo Rei. Este evento histórico reuniu uma importante delegação britânica composta por 32 bispos, 300 sacerdotes e numerosos fiéis leigos, entre os quais figuravam descendentes diretos de doze dos mártires beatificados. Atualmente, possuem o estatuto canônico de beatos. Para que a sua canonização possa ser pronunciada pelo soberano pontífice, o reconhecimento oficial de um milagre atribuído à sua intercessão comum ou individual é exigido pela legislação canônica da Igreja.
Espiritualidade e legado
O apego à Eucaristia, a coragem diante do suplício e a celebração de sua memória no Reino Unido.
A espiritualidade destes mártires baseia-se em um apego inabalável à Eucaristia, à celebração da santa missa e à unidade da Igreja sob a autoridade do sucessor de Pedro. Diante da morte, manifestaram uma serenidade e uma coragem heroicas, perdoando frequentemente seus algozes no cadafalso. Os sacerdotes aceitaram o suplício atroz reservado aos traidores (enforcados, eviscerados e esquartejados), enquanto os leigos aceitaram o enforcamento simples por terem permanecido fiéis aos seus pastores. Seu legado permanece vivo no Reino Unido. São festejados coletivamente no dia 4 de maio na Inglaterra e no País de Gales, dia em que a Igreja comemora o conjunto dos mártires da Reforma inglesa. Eles recordam a importância histórica da colaboração estreita entre o clero e os leigos para a preservação e a transmissão da fé cristã em tempos de perseguição.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: sécs. XVI-XVII
- Beatificação em 1987 por João Paulo II