Pedro Fabro
Sacerdote saboiano, o primeiro ordenado da Companhia de Jesus e companheiro de Inácio de Loyola, Pedro Fabro foi um mestre dos Exercícios Espirituais e um incansável missionário na Europa. Beatificado em 1872, foi canonizado por equivalência pelo Papa Francisco em 2013.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascido em 1506 no ducado de Saboia em uma família camponesa, Pedro Fabro tornou-se em Paris um dos primeiros companheiros de Inácio de Loyola.
Pedro Fabro nasceu em 13 de abril de 1506 em Villaret, um povoado de Saint-Jean-de-Sixt, no ducado de Saboia (hoje na Alta Saboia). Oriundo de uma família de agricultores modestos, cuidou de rebanhos em sua juventude antes que seu tio, prior da cartuxa de Reposoir, incentivasse seus estudos. Após a escola de Thônes e o colégio de La Roche-sur-Foron, partiu em 1525 para Paris, onde frequentou o colégio Sainte-Barbe. Teve como colega de quarto Francisco Xavier, e depois conheceu Inácio de Loyola, de quem se tornou amigo íntimo, compartilhando, segundo a tradição, a mesa, o quarto e a bolsa. Bacharel e depois mestre em artes por volta de 1530, Fabro foi o primeiro dos companheiros a receber a ordenação sacerdotal, em 30 de maio de 1534. Em 15 de agosto de 1534, na capela de Saint-Denis em Montmartre, celebrou a missa durante a qual sete «amigos no Senhor» pronunciaram os votos que estão na origem da Companhia de Jesus. Chamado a Roma para representar a Companhia no Concílio de Trento, exausto por suas viagens, morreu em 1º de agosto de 1546 em Roma, aos quarenta anos de idade.
Vida e obra
Primeiro sacerdote da Companhia de Jesus, Favre dedicou-se à pregação itinerante, aos Exercícios Espirituais e à fundação de comunidades por toda a Europa.
Mestre reconhecido dos Exercícios Espirituais de Inácio, Pedro Fabro privilegiou o acompanhamento pessoal e o diálogo em vez da pregação retumbante. A partir de 1540, levou uma vida apostólica itinerante ao serviço da Santa Sé e do imperador. Enviado à Alemanha, participou nos colóquios de Worms (1540) e de Ratisbona (1541), onde procurou reavivar a vida cristã face à Reforma, convencido de que era necessário reformar primeiro os costumes e os corações. Trabalhou depois em Espira, Mogúncia e Colónia, onde contribuiu para estabelecer a presença da Companhia em terras germânicas por volta de 1543-1544. Foi ele quem deu os Exercícios Espirituais a Pedro Canísio, futuro doutor da Igreja. Fabro levou também o seu apostolado a Espanha e a Portugal, onde, apoiado pela corte, favoreceu a implantação da Companhia. Deixou cartas e um Memorial, diário espiritual redigido entre 1542 e 1545, testemunho da sua vida interior e da sua devoção. Em 1546, Inácio designou-o como representante da Companhia no Concílio de Trento, missão que não pôde cumprir, pois a morte surpreendeu-o à sua chegada a Roma.
Caminhada rumo à santidade
Favre distinguiu-se pela doçura, pela fineza do discernimento espiritual e por uma intensa vida de oração a serviço das almas.
A santidade de Pedro Favre manifestou-se menos em obras brilhantes do que na qualidade de sua escuta e de seu discernimento. Contemporâneos e historiadores descrevem-no como um homem de doçura, capaz de dialogar com todos, mesmo com os mais distantes da fé, e habilidoso em conduzir as almas pelo caminho dos Exercícios Espirituais. Seu Memorial revela uma vida interior nutrida por uma devoção confiante, na qual ele convidava a deixar que Cristo ocupasse o centro do coração. Reservado, escrupuloso, mas profundamente amoroso, ele privilegiava a conversão paciente das pessoas em detrimento da polêmica doutrinária, estimando que era preciso ganhar os corações antes de reformar as instituições. Essa maneira de acompanhar, feita de bondade e proximidade, valeu-lhe muito cedo uma reputação de santidade que não cessou de crescer após sua morte. O Papa Francisco, primeiro pontífice jesuíta, apresentou Favre muitas vezes como um modelo de pastor atento ao diálogo, à doçura e ao discernimento, e confiou à revista La Civiltà Cattolica que este companheiro discreto de Inácio era sua figura jesuíta de predileção.
Beatificação e canonização
Beatificado em 1872 pelo Papa Pio IX, Pedro Fabro foi canonizado por equivalência pelo Papa Francisco em 17 de dezembro de 2013.
O culto prestado a Pedro Fabro como beato foi solenemente aprovado pelo Papa Pio IX em 5 de setembro de 1872, confirmando uma veneração atestada desde a sua morte. Mais de um século depois, em 17 de dezembro de 2013, dia do seu septuagésimo sétimo aniversário, o Papa Francisco decretou a sua canonização. Ele recorreu ao procedimento denominado canonização equipolente (ou equivalente), que permite ao Papa estender o culto de um beato à Igreja universal e inscrevê-lo no catálogo dos santos sem processo canônico formal nem milagre exigido, quando estão reunidas três condições: um culto antigo, uma reputação duradoura de virtudes e milagres, e a sua transmissão por historiadores dignos de fé. Nenhum milagre foi, portanto, exigido para esta canonização. A memória litúrgica de São Pedro Fabro é celebrada no dia 2 de agosto, no dia seguinte ao aniversário da sua morte ocorrida em 1º de agosto; algumas fontes mencionam indiferentemente uma ou outra destas duas datas.
Espiritualidade e herança
Figura fundadora da Companhia de Jesus, Favre permanece um mestre do acompanhamento espiritual e um modelo de doçura missionária.
Primeiro sacerdote da Companhia de Jesus e cofundador da ordem com Inácio de Loyola e Francisco Xavier, Pedro Fabro ocupa um lugar singular na história jesuíta. Seus restos mortais repousam na cripta da igreja de Gesù, em Roma, casa-mãe da Companhia. Sua influência mede-se primeiramente pela difusão dos Exercícios Espirituais, dos quais foi um dos primeiros grandes transmissores, bem como pelo seu papel na implantação da ordem na Alemanha e na Península Ibérica. Seu Memorial, diário espiritual editado notadamente por Michel de Certeau no século XX, permanece uma fonte preciosa da espiritualidade inaciana das origens. A redescoberta de sua figura deve muito ao Papa Francisco, que o considerava um modelo do jesuíta dedicado ao diálogo e ao discernimento. Numerosas instituições e paróquias levam hoje o seu nome, em particular na sua diocese natal de Annecy, bem como em várias universidades e estabelecimentos jesuítas em todo o mundo.
Perguntas frequentes sobre Pedro Fabro
Quem foi Pedro Fabro?
Sacerdote saboiano, o primeiro ordenado da Companhia de Jesus e companheiro de Inácio de Loyola, Pedro Fabro foi um mestre dos Exercícios Espirituais e um incansável missionário na Europa. Beatificado em 1872, foi canonizado por equivalência pelo Papa Francisco em 2013.
Quais santos foram contemporâneos de Pedro Fabro?
Entre seus contemporâneos figuram: Beato João de Jesus Maria, Ana de Jesus, Venerável Ana de Jesus e São Francisco de Sales (Bispo e Príncipe de Genebra).
Quando Pedro Fabro morreu?
Pedro Fabro morreu por volta de 1546.
Quais são os outros nomes de Pedro Fabro?
Outras formas do nome: Peter Faber, Pietro Favre e Petrus Faber.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1546
- Canonização em 2013 pelo Papa Francisco