José de Anchieta
Jesuíta nascido nas Canárias em 1534, missionário no Brasil e cofundador de São Paulo, José de Anchieta, apelidado de « apóstolo do Brasil », foi beatificado em 1980 e canonizado pelo Papa Francisco em 2014.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
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Biografia
Nascido nas Ilhas Canárias em 1534, José de Anchieta entrou para os jesuítas em Coimbra e partiu em 1553 para evangelizar o Brasil, onde faleceu em 1597.
José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias), em uma família abastada de origem espanhola e basca. Enviado em 1547 ao Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em Portugal, prosseguiu seus estudos de filosofia antes de ingressar na Companhia de Jesus em 1551, aos dezessete anos. De saúde frágil, afetado por uma dor nas costas que o marcou por toda a vida, foi enviado ao Brasil na esperança de que o clima lhe fosse favorável. Chegou lá em 1553, com menos de vinte anos, como parte de uma das primeiras expedições jesuítas à Nova Lusitânia. Passou a maior parte de sua existência na colônia portuguesa, entre as populações indígenas que se dedicou a instruir e defender. Ordenado sacerdote em 1566, foi nomeado em 1577 provincial dos jesuítas no Brasil, cargo que exerceu até os anos 1587. Faleceu em 9 de junho de 1597 em Reritiba, no atual estado do Espírito Santo, localidade que hoje leva seu nome (Anchieta). Seus restos mortais foram transferidos para Vitória, capital desse estado.
Vida e obra
Missionário incansável, Anchieta participou da fundação de São Paulo, aprendeu o tupi, redigiu a sua primeira gramática e desempenhou um papel fundamental na pacificação dos conflitos coloniais.
Em 25 de janeiro de 1554, Anchieta esteve entre os fundadores de um colégio dedicado ao apóstolo Paulo, estabelecido no planalto de Piratininga: este núcleo tornou-se a cidade de São Paulo. Trabalhou durante muito tempo ao lado do provincial Manuel da Nóbrega, de quem foi secretário por algum tempo, e participou na consolidação dos estabelecimentos jesuítas, incluindo o Rio de Janeiro. Dotado para as línguas, aprendeu o tupi e redigiu a «Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil», primeira gramática impressa desta língua indígena, que se tornou um instrumento de referência para os missionários. Poeta e dramaturgo, compôs com facilidade versos em latim, português, castelhano e tupi, bem como peças de teatro com fins catequéticos. Em 1563, durante o conflito que opunha os colonos portugueses à confederação dos Tamoios, Anchieta e Nóbrega constituíram-se voluntariamente reféns na aldeia de Iperoig (hoje Ubatuba) para negociar a paz; o seu domínio do tupi foi decisivo. A tradição relata que ele compôs ali de memória o seu grande poema mariano em latim, por falta de papel. É considerado um dos pais da literatura brasileira.
Caminhada rumo à santidade
O zelo apostólico, a defesa dos indígenas e a resistência de Anchieta diante da doença forjaram muito cedo uma reputação de santidade.
A existência de Anchieta foi marcada por uma dedicação constante ao serviço das populações autóctones, que buscou proteger dos abusos da colonização enquanto as instruía na fé cristã. Sua espiritualidade, herdada de Inácio de Loyola, unia a ação missionária a uma vida de oração intensa e a uma devoção mariana profunda, da qual testemunha seu poema latino «De Beata Virgine Dei Matre Maria», longo de vários milhares de versos, que a tradição diz ter sido primeiramente traçado na areia durante seu cativeiro em Iperoig em 1563. Suportando com paciência uma saúde precária e os rigores de um clima difícil, percorreu sem descanso as aldeias indígenas para catequizar, batizar e cuidar. Seus contemporâneos atribuíram-lhe uma reputação de taumaturgo e uma vida de mortificação. Essa fama de santidade, atestada desde sua morte em 1597 e mantida por um culto popular contínuo no Brasil, fundamentou a causa que culminou, mais de três séculos depois, em sua beatificação e posterior canonização.
Beatificação e canonização
Beatificado por João Paulo II em 1980, José de Anchieta foi inscrito no catálogo dos santos pelo Papa Francisco em 2014, por meio de uma canonização equipolente.
José de Anchieta foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 22 de junho de 1980, durante uma celebração romana na qual foram proclamados vários beatos. Sua canonização ocorreu em 3 de abril de 2014: o Papa Francisco inscreveu-o no catálogo dos santos por uma canonização dita equipolente (ou equivalente), procedimento reservado a figuras que beneficiam de um culto antigo, contínuo e amplamente difundido, e que dispensa o reconhecimento formal de um novo milagre após a beatificação. Sua santidade foi assim reconhecida com base na fama histórica de suas virtudes e da devoção popular que o cercava, em particular no Brasil. Sua memória litúrgica é fixada em 9 de junho, dia do aniversário de sua morte. O mesmo decreto de 3 de abril de 2014 inscreveu no catálogo dos santos, por equipolência, outras figuras honradas há muito tempo.
Espiritualidade e legado
Apelidado de «apóstolo do Brasil» e considerado um dos pais da literatura brasileira, Anchieta deixou uma marca duradoura na cultura e na toponímia do país.
O legado de Anchieta é tanto religioso quanto cultural. Apelidado de «apóstolo do Brasil», ele é venerado como um dos fundadores da Igreja neste país e figura entre as personalidades tutelares de São Paulo, cujo núcleo ajudou a fundar em 1554. Sua obra linguística e literária — gramática do tupi, poemas, peças de teatro catequéticas e o poema épico latino «De Gestis Mendi de Saa», considerado a primeira epopeia dedicada ao Novo Mundo — faz com que seja considerado um dos pais da literatura brasileira. Seu nome é levado pelo município de Anchieta, no Espírito Santo, local de sua morte, bem como por inúmeras instituições, escolas e estabelecimentos jesuítas do Brasil. Membro da Companhia de Jesus, ele permanece uma referência maior da espiritualidade inaciana e da história missionária da América do Sul. Sua festa é celebrada no dia 9 de junho.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Época / morte: 1597
- Canonização em 2014 pelo Papa Francisco