Santa Godeberta
Nascida perto de Amiens no século VII, Godeberta foi consagrada a Deus por Santo Elói, que lhe entregou seu próprio anel diante do rei Clóvis II. Ela dirigiu um mosteiro em Noyon, onde se destacou por sua piedade, salvando a cidade da peste e de um grande incêndio. Faleceu no final do século após uma vida de milagres e austeridades.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
6 seçãos de leitura
SANTA GODEBERTA, VIRGEM
Origens e juventude
Godeberte nasceu por volta de 640 perto de Amiens em uma família nobre e piedosa, manifestando desde a infância um zelo religioso marcante.
Godeberte nasceu por volta de 640 perto de Amiens, em Boves, segundo uns, ou em Neuville-au-Bois, segundo outros, em conformidade com a antiga tradição local preservada neste último vilarejo.
Seus pais, tão ilustres por sua piedade quanto por sua nobreza, cuidaram muito de sua educação; e como ela se inclinava por si mesma à prática da virtude, passou sua juventude, seguindo a etimologia de seu nome, em um zelo e um amor muito fervorosos por Deus, pois Godeberte significa fervor. Ela manifestava a maior confiança na intercessão dos Santos e no poder do sinal da cruz.
Vocação e consagração
Enquanto seus pais planejavam um casamento, São Elígio interveio diante do rei Clóvis II para consagrá-la a Deus, entregando-lhe um anel de ouro.
Assim que atingiu a idade de se casar, não lhe faltaram pretendentes vantajosos. Seus pais, no entanto, não ousaram dar palavra a ninguém sem a permissão do rei Clóvis II, de cuja liberalidade dependiam suas terras.
Enquanto este assunto era tratado diante do rei, e todos aguardavam sua vontade para saber a quem a jovem seria dada, São Elígio, bispo de Noyon, apresentou -se no meio da assembleia; e, movido por um impulso divino, deu seu anel de ouro à virgem Godeberta, desposando-a, por este meio, na presença do rei e de seus pais, a Nosso Senhor Jesus Cristo, o único esposo das virgens. Admirou-se esta ação do santo bispo, e cada um falava dela segundo seus sentimentos: mas logo se viu que ele fora inspirado pelo Espírito Santo; pois, na mesma hora, a jovem Godeberta sentiu-se abrasada por uma chama tão viva de amor divino que, desprezando o mundo, pisando aos pés todas as suas vaidades e renunciando a todos os prazeres do corpo, suplicou de todo o coração ao santo prelado que a consagrasse a Deus para sempre e lhe desse o véu das virgens: o que ele lhe concedeu. Ela o escolheu também como seu pai espiritual e entregou-se inteiramente a uma tão sábia direção.
Fundação em Noyon
O rei Clóvis II cede o seu palácio de Noyon a Godeberta para que ela funde ali uma comunidade de doze virgens sob a direção de Santo Elígio.
O rei da França, tocado por tão piedosa resolução, assistiu à cerimônia e cedeu o palácio que possuía no subúrbio de Noyon a Sa nta Godeberta, com um oratório de São Jorge, para que e la ali se retirasse e servisse a Deus na companhia de doze outras jovens, cuja direção ela assumiu, seguindo a ordem e a regra que lhes prescreveu Santo Elígio (656).
Santa Godeberta viveu assim com suas filhas na solidão, conversando apenas com Deus, passando as noites em orações e mortificando seu corpo pelo jejum, pela disciplina e pelas outras austeridades religiosas. Sua vida inteira foi um perpétuo holocausto ao Senhor, que a recompensou com a conversão dos pagãos que até então haviam resistido às luzes da fé, e pelo poder dos milagres que preencheram esta vida tão maravilhosa.
Proteção da cidade de Noyon
Godeberte salva Noyon de uma peste através da instituição de um jejum de três dias, e depois detém miraculosamente um incêndio que ameaçava a basílica.
Uma terrível peste assolava Noyon: ricos e pobres, crianças e anciãos, nobres e plebeus, todos caíam sob seus golpes. Aqueles que podiam fugir deixavam suas casas abandonadas, e o contágio era tão fulminante que não se ousava tocar nos cadáveres para prestar-lhes os supremos deveres da sepultura.
Godeberte, vendo a desolação que reinava na cidade, exortou o clero a prescrever um jejum de três dias. Seguindo o exemplo de Judite exortando os habitantes de Betúlia, ela exaltava a eficácia da penitência, rio místico cujas ondas salutares lavam as manchas da iniquidade. Ela recordava a história de Davi reconciliando-se com o Senhor, do renegamento de São Pedro perdoado, da conversão do bom ladrão, de Maria Madalena afogando em suas lágrimas as lembranças do passado. Atenderam às orações de Godeberte; tendo os três dias de jejum sido rigorosamente observados, o flagelo destruidor cessou suas devastações.
Algum tempo depois, provavelmente em 676, um violento incêndio ameaçou incendiar a cidade inteira. Godeberte, exausta pelas austeridades, jazia em seu leito de dores: mas seu abatimento físico não alterava a serenidade de seu espírito nem o ardor de suas preces. Entretanto, o incêndio, propagando suas devastações, aproximava-se dos arredores da basílica de Santa Maria; não se contava mais senão com Deus para assegurar a salvação daquele edifício construído por São Medardo, e cada um fugia do cenário assustador d o sinistro. Godeberte, esquecendo então seus sofrimentos, fez-se transportar, em uma cadeira, ao foco mesmo do incêndio, persignou-se com o sinal da cruz e deteve subitamente a atividade das chamas.
Curas e severidade espiritual
A santa devolve a visão à cega Transirique, mas fere de cegueira a irmã rebelde Vulgude para corrigir sua obstinação.
Foi também por um sinal da cruz, feito sobre os olhos de uma cega chamada Transi rique, que Godeberte devolveu a visão a esta pobre mulher que nela depositara toda a sua confiança. A cega fez seus votos no mosteiro de Noyon, provando assim que a graça iluminara sua alma, ao mesmo tempo em que a luz do dia iluminara seus olhos.
Bem diferente era Vulgude; tendo entrado n o mesmo mosteiro para ali praticar a perfeição, ela o escandalizava pela acidez de seu caráter e por suas desobediências. Um dia, chegou a injuriar grosseiramente sua superiora: esta, indignada, cuspiu-lhe no rosto. A incorrigível irmã tornou-se subitamente cega e permaneceu nesse estado miserável até o fim de seus dias. «O bom e ingênuo Le Vasseur, diz o abade Laffineur, encontrou até dez razões para justificar este ato de Santa Godeberte. Se esta severidade de Godeberte parecesse estranha a alguns leitores, poder-se-ia, sem propor este ato extraordinário para imitação, lembrar que os santos, inspirados por Deus, têm visões mais elevadas que as nossas; que a alma é mais preciosa que o corpo com seus órgãos; que se um médico sacrifica um membro para salvar os outros, compreende-se que Santa Godeberte, para corrigir uma irmã obstinada, a tenha ferido de cegueira, a fim de curar sua obstinação e abrir sua alma a uma luz mais necessária que a dos olhos. Lembramos ainda que São Paulo, no livro dos Atos, infligiu castigo semelhante a Elimas, cuja malícia impedia a pregação do Evangelho».
A fama de Godeberte estendeu-se ao longe e atraiu a ela um grande número de enfermos que ela restituiu à saúde; mas a memória detalhada desses milagres não chegou até nós.
Falecimento e posteridade
Godeberte faleceu em um 11 de abril e foi sepultada no oratório de São Jorge, que mais tarde se tornaria uma igreja com o seu nome.
Godeberte era mãe para o céu. Deus a arrebatou das provações deste mundo para revesti-la com a veste incorruptível da glória. Sabe-se que ela morreu em 11 de abril, no final do século VI ou no início do século VII, sem que se conheça o ano preciso.
Godeberte foi sepultada, perto de seu mosteiro, no oratório de São Jorge, que deveria tomar mais tarde o nome dos santos Apóstolos, e ser em seguida substituído por uma igreja dedicada sob sua invocação.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santa Godeberta
Perguntas frequentes sobre Santa Godeberta
Quem foi Santa Godeberta?
Nascida perto de Amiens no século VII, Godeberta foi consagrada a Deus por Santo Elói, que lhe entregou seu próprio anel diante do rei Clóvis II. Ela dirigiu um mosteiro em Noyon, onde se destacou por sua piedade, salvando a cidade da peste e de um grande incêndio. Faleceu no final do século após uma vida de milagres e austeridades.
De que Santa Godeberta é santo padroeiro?
Padroados de Santa Godeberta: Noyon.
Para que se reza a Santa Godeberta?
Reza-se a Santa Godeberta por: peste, incêndios e doenças oculares.
Como reconhecer Santa Godeberta na arte cristã?
Na iconografia, Santa Godeberta é reconhecível por: anel de ouro, véu das virgens e sinal da cruz.
Quais milagres são atribuídos a Santa Godeberta?
4 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Proteção / libertação, Domínio dos elementos, Cura e Sinal / prodígio.
Quais santos foram contemporâneos de Santa Godeberta?
Entre seus contemporâneos figuram: São Prisco (Prix), São Gregório Magno (Papa e Doutor da Igreja), São Dié (Didier, Déodat) e Santo Agostinho de Cantuária.
Quando Santa Godeberta morreu?
Santa Godeberta morreu por volta de 700.
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Nascimento por volta de 640 perto de Amiens
- Noivado místico com Jesus Cristo através do anel de Santo Elói diante do rei Clóvis II
- Consagração religiosa e recebimento do véu
- Fundação de um mosteiro em um antigo palácio real em Noyon (656)
- Cessação de uma peste em Noyon após um jejum de três dias
- Extinção milagrosa de um incêndio que ameaçava a basílica de Santa Maria (676)
Citações
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Godeberte significa fervor.
Tradição etimológica citada no texto