Beato Antônio Neyrot
Dominicano originário de Rivoli, Antônio Neyrot foi capturado por piratas e renegou brevemente sua fé em Túnis. Tocada pela graça, ele fez penitência e proclamou publicamente sua fé cristã diante do rei de Túnis, o que lhe valeu ser apedrejado em 1460. Suas relíquias, resgatadas por mercadores genoveses, repousam hoje em sua cidade natal.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
7 seçãos de leitura
O BEATO ANTÔNIO NEYROT, DOMINICANO (1460).
Origens e entrada na vida religiosa
Antônio Neyrot nasceu em Rivoli e ingressou na Ordem Dominicana no convento de São Marcos em Florença, sob a direção de Santo Antonino.
O B. Antônio Neyrot nasceu em Rivoli , na diocese de Turim: pertencia a uma das melhores famílias daquela cidade e entrou ainda muito jovem no convento de São Marcos em Florença, do q ual Santo Ant onino era então prior. Lá fez sua profissão religiosa em suas mãos e foi enviado para a Sicília.
Cativeiro e apostasia
Capturado por piratas durante uma viagem para Nápoles, ele é levado a Túnis, onde acaba por renegar sua fé cristã.
Ora, aconteceu que, algum tempo depois, dirigindo-se da Sicília para Nápoles, ele foi capturado, durante a travessia, por pir atas de Túnis e levado cativo para a África. Sua coragem e logo sua fé vacilaram sob este infortúnio: ele chegou até a renegar publicamente Jesus Cris to.
O retorno à fé
Após quatro meses de apostasia, Antônio se arrepende, retoma o hábito dominicano e proclama publicamente sua fé diante do rei de Túnis.
Já se passavam quatro meses que ele definhava em sua apostasia, quando Deus lançou sobre ele um olhar de misericórdia e o retirou do abismo pelo poder de sua graça. Tendo, pois, abjurado o infame maometismo, Antônio apressou-se em preparar-se, por todos os rigores da penitência e pela recitação fervorosa do ofício divino, para uma luta próxima. Depois disso, duas vezes lavado no sangue de Jesus Cristo, no santo tribunal e na santa mesa, revestido com as vestes de sua Ordem, ele vai encontrar o rei de Túnis, que retornava então de uma expedição recente. Em sua presença e no meio de uma multidão imensa, Antônio deplora sua impiedade, proclama como única verdadeira a religião cristã, que ele havia abandonado, e fala de Jesus Cristo com uma audácia e uma eloquência maravilhosas. O rei tenta abalá-lo por todos os meios, promete, acaricia, mas sem sucesso algum: ordena finalmente que o conduzam à prisão e o entrega ao julgamento do chefe da seita. Três dias inteiros o pérfido e artificioso muçulmano empregou todos os esforços para vencê-lo: a coragem do servo de Deus foi inabalável. Sobrecarregado quase sem trégua pelos bárbaros com ultrajes e golpes, sua paciência não vacilou um só instante. Alguns cristãos lhe enviavam socorros: ele os distribuía aos pobres, contentando-se para si com pão e água, preparando-se assim para a morte. Finalmente, cinco dias após seu aprisionamento, o juiz o faz vir uma última vez diante dele; uma última vez ele fracassa diante de sua constância e o condena a ser apedrejado. Levam-no ao local do suplício. Lá, o soldado de Jesus Cristo ajoelha-se, levanta as mãos ao céu, entra em oração e, em uma imobilidade corajosa, recebe a saraivada de pedras que consuma seu martírio. Esta morte bem-aventurada ocorreu em 10 de março do ano de 1460.
O martírio por apedrejamento
Apesar das pressões e torturas, ele permanece inabalável e morre apedrejado em 10 de março de 1460.
Os bárbaros entregaram então o seu corpo às chamas; mas as chamas respeitaram-no, e ele foi resgatado por mercadores genoveses que estavam ancorados em Tunes. Lavaram-no com respeito e enviaram-no para Génova, exalando o odor mais suave. Desta cidade, o B. Amade u IX, duque de Saboia, fê-l o transferir para Rivoli, no ano de 1469.
Trasladação das relíquias para a Itália
Seu corpo, preservado das chamas, foi resgatado por mercadores genoveses e depois transferido para Rivoli pelo duque Amadeu IX de Saboia.
Logo a glória dos milagres veio realçar sobre estes santos despojos a glória do martírio; um grande número de fiéis declarou-se devedor aos méritos do B. Antônio por graças muito insignes. O culto do mártir cresceu e propagou-se de dia para dia. Finalmente, Clemente X, vendo-o bem estabelecido, aprovou-o e permitiu à Or dem dos Frades Pregadores recitar o ofício e celebrar a missa em honra do B. Antônio.
Reconhecimento do culto
O Papa Clemente X aprova oficialmente o seu culto após os numerosos milagres constatados no seu túmulo.
Rivoli é uma pequena cidade de cerca de 6.000 almas, situada a algumas léguas de Turim. É lá que repousam, à espera da gloriosa ressurreição, os restos mortais do B. Antônio, martirizado em Tunes por volta de meados do século XV.
A devoção viva em Rivoli
O santo permanece objeto de uma veneração intensa em Rivoli, marcada por uma procissão anual que envolve seus descendentes.
Até o final do século passado, este precioso depósito foi guardado pelos Irmãos Pregadores, que possuíam então um convento na cidade de Rivoli.
Após a tormenta revolucionária, uma colegiada foi colocada em seu lugar, e esta colegiada está agora ela mesma atingida pelo decreto de abolição. Nosso B. Antônio não deixou, contudo, de ser objeto de grande veneração em sua pátria, e todos os anos celebra-se muito solenemente sua festa no segundo domingo após a Páscoa.
Esta festa é sempre precedida por uma novena. Ela está entre as solenidades que ainda se conservam entre as populações do campo. O espírito de piedade não tendo desaparecido, as afeições religiosas misturam-se ao amor à pátria, e consideram-se como os dias mais belos do ano aqueles em que a Igreja inteira honra um homem que o país viu nascer. A cerimônia é realizada com uma pompa extraordinária. Muitos fiéis das regiões vizinhas dirigem-se a Rivoli com entusiasmo. A multidão é imensa, especialmente para a procissão que ocorre após as Vésperas, e carrega-se então por todas as ruas da cidade a estátua do Bem-aventurado. Todas as confrarias estão presentes com seus estandartes, e um grande número de fiéis segue com uma vela na mão. É a procissão mais numerosa e a mais bela de todo o ano. O que a distingue de uma forma particular é a assistência constante dos descendentes da família de Antônio Neyrot. Eles são ainda, neste momento, mais de uma centena, e comove-se ao vê-los todos, neste dia de glória doméstica, seguindo imediatamente a estátua. Todos, homens e mulheres, estão vestidos de preto e carregam uma vela na mão. Assim que a procissão retorna à igreja, a festa termina com a bênção do Santíssimo Sacramento, e a multidão retira-se feliz, após ter dado um último adeus ao seu amado Protetor, beijando devotamente suas relíquias.
Année dominicaine, t. I e II.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Beato Antônio Neyrot
Perguntas frequentes sobre Beato Antônio Neyrot
Quem foi Beato Antônio Neyrot?
Dominicano originário de Rivoli, Antônio Neyrot foi capturado por piratas e renegou brevemente sua fé em Túnis. Tocada pela graça, ele fez penitência e proclamou publicamente sua fé cristã diante do rei de Túnis, o que lhe valeu ser apedrejado em 1460. Suas relíquias, resgatadas por mercadores genoveses, repousam hoje em sua cidade natal.
De que Beato Antônio Neyrot é santo padroeiro?
Padroados de Beato Antônio Neyrot: Rivoli.
Como reconhecer Beato Antônio Neyrot na arte cristã?
Na iconografia, Beato Antônio Neyrot é reconhecível por: hábito da Ordem Dominicana, pedras (lapidação) e estátua carregada em procissão.
Como Beato Antônio Neyrot morreu?
Beato Antônio Neyrot sofreu o martírio pela fé cristã (15.º século).
Quais milagres são atribuídos a Beato Antônio Neyrot?
3 milagres são atribuídos a este santo, notadamente: Incorruptibilidade, Domínio dos elementos e Sinal / prodígio.
Quais santos foram contemporâneos de Beato Antônio Neyrot?
Entre seus contemporâneos figuram: São Peregrino de Auxerre, São Filipe Néri, Santo Inácio de Loyola e Santa Coleta (Nicole).
Quem são os familiares de Beato Antônio Neyrot?
Familiares de Beato Antônio Neyrot: Famille Neyrot (descendentes mencionados no século XIX).
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Entrada no convento de São Marcos em Florença
- Capturado por piratas de Túnis durante uma viagem da Sicília para Nápoles
- Apostasia e conversão ao islamismo durante quatro meses
- Arrependimento e retorno público à fé cristã diante do rei de Túnis
- Prisão e recusa em abjurar o cristianismo
- Martírio por apedrejamento em Túnis
- Transladação das relíquias para Rivoli em 1469