Monge de São Galo no século IX, Notker, o Gago, foi um sábio, poeta e músico renomado, conselheiro do imperador Carlos, o Gordo. É famoso por suas composições litúrgicas, notadamente o Livro das Sequências e o canto guerreiro Media Vita. Faleceu em 912, deixando uma obra imensa que vai da hagiografia à música.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
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O BEM-AVENTURADO NOTKER, O GAGO (912).
Origens e formação monástica
Notker, apelidado de O Gago, nasceu no século IX na Turíngia e ingressou na abadia de São Galo, onde se destacou pelo seu gosto pela música e pelo estudo.
O bem-aventurado Notker, monge de São Galo, apelidado de Balbulus, porque era gago, nasceu por volta de meados do século IX, em Heiligenau, na Turíngia, de uma família distinta, e foi criado na abadia d e São Galo, onde mai abbaye de Saint-Gall Famosa abadia beneditina na Suíça, originada do eremitério do santo. s tarde tomou o hábito.
Ele fez grandes progressos na música, pela qual tinha um gosto decidido. Havia, em São Galo, duas escolas, uma dentro do mosteiro, a outra fora: Notker foi encarregado do cuidado da primeira. Em seus momentos de lazer, trabalhava na composição de diversas obras e na transcrição de manuscritos.
Conselheiro de Carlos, o Gordo
Sua sabedoria e santidade levaram-no a tornar-se conselheiro do imperador Carlos, o Gordo, a quem prodigalizava conselhos figurados sobre a governança.
Seus talentos e sua santidade logo lhe adquiriram uma grande reputação, e o imperador Carlos, o Gordo l'empereur Charles le Gros Imperador do Ocidente e esposo de Santa Ricarda. , consultava-o frequentemente em assuntos difíceis.
Um dia, quando um oficial veio da parte desse príncipe para obter seu parecer sobre algo importante, encontrou-o arrancando ervas daninhas no jardim, as quais substituía por boas plantas. Tendo o enviado exposto sua comissão, o bem-aventurado Notker, como única resposta, disse-lhe: «Tu vês o que faço; vai dizer ao imperador que faça o mesmo».
O milagre do capelão
Após humilhar um capelão orgulhoso com uma resposta espiritual, Notker cura-o milagrosamente após uma queda acidental.
Outra vez, tendo o imperador ido pessoalmente a São Galo para consultar o santo Religioso, a quem chamava de seu amigo e conselheiro espiritual, o capelão do príncipe, homem culto, mas orgulhoso, que via com ciúmes que seu mestre depositava toda a sua confiança em um monge, a quem considerava um ignorante, disse, ao ver o humilde Religioso aproximar-se dele: «Vou fazer-lhe uma pergunta que demonstrará a sua ignorância»; e dirigindo-lhe a palavra: «Diga-me então, você que é tão sábio, o que Deus está fazendo atualmente no céu?» — «Ele eleva os humildes e rebaixa os soberbos».
O capelão, chocado com esta resposta, que o cobriu de confusão, saiu imediatamente do mosteiro; mas o seu cavalo, tendo empinado, fê-lo sofrer uma queda que lhe machucou o rosto e lhe quebrou um pé. Os monges, informados deste acidente, correram para levantá-lo e levaram-no de volta ao mosteiro para lhe prestar os socorros de que necessitava.
Mas como o mal, longe de curar, ia sempre piorando, aconselharam o capelão a recorrer às orações de Notker. Ele recusou-se por muito tempo, por orgulho; contudo, vencido pela violência do mal, exclamou finalmente: «Chamem o servo de Deus, para que ele me perdoe e me abençoe, por mais indigno que eu seja».
Notker tendo ido até ele: «Ó meu Pai!» disse então o ferido, «pequei contra Deus e contra vós, perdoai-me e tocai o meu pé para que ele seja curado».
Notker tendo começado a rezar com fervor, o capelão sentiu-se instantaneamente aliviado.
Falecimento e veneração
Notker faleceu em 912 e foi sepultado em São Galo, onde numerosos milagres em seu túmulo estabeleceram um culto público.
O bem-aventurado Notker faleceu em 6 de abril de 912, e seu corpo foi sepultado na capela de São Pedro. Vários milagres operados em seu túmulo levaram à prestação de um culto público, e sua festa é celebrad a, em São Saint-Gall Famosa abadia beneditina na Suíça, originada do eremitério do santo. Galo, no terceiro domingo após a Páscoa.
Simbolismo e inspiração
A iconografia do santo destaca sua ligação com as artes e a natureza, ilustrando sua inspiração divina através da anedota do moinho e do Espírito Santo.
Representa-se o bem-aventurado Notker no ateliê onde se dedicava ao cultivo das artes liberais, rodeado por diversos instrumentos das artes e das ciências. Em uma gravura popular alemã que temos diante dos olhos, o monge, poeta e músico, está na atitude de um homem que recebe a inspiração do alto. Os pássaros cantam no telhado do convento, diante dele; a seus pés brinca um gato. Em um canto do quadro encontra-se um moinho: este último acessório requer explicação. Um dia, ou melhor, uma noite, ao passar por um dormitório, ele ouviu o ruído lânguido e entrecortado do tique-taque de um moinho privado de água; imediatamente começou a compor a melodia e o ritmo de uma invocação ao Espírito Santo: São Notker havia compreendido que o homem, sem a graça do Espírito Santo, é um ser miserável na terra, e como um moinho sem água.
O mestre das sequências
Autor de um martirológio e do Livro das Sequências, aperfeiçoou o canto litúrgico, inspirando-se notadamente na abadia de Jumièges.
O bem-aventurado Notker é autor de um martirológio extraído em parte daqueles de Adão e de Rabano Mauro, e que foi utilizado por muito tempo na maioria das igrejas da Alemanha.
Além do martirológio, temos do bem-aventurado Notker:
1° Um Tratado sobre os intérpretes da Escritura, no qual ele indica quais dos Padres melhor comentaram, nos diversos sentidos, este ou aquele livro da Bíblia. Ele também fornece um catálogo dos Atos dos Mártires que lhe parecem sinceros.
2° O Livro das Sequências, em número de trinta e oito: ele empreendeu essas composições para dar mais precisão aos cânticos da Igreja, que eram então muito longos.
Afirmou-se que ele era o inventor das sequências; mas ele declarou, em suas obras, que havia feito as suas seguindo o modelo daquelas que encontrara no antifonário da abadia de Jumièges, na Nêustr ia. Esta declaraçã abbaye de Jumièges Local de exílio de Sturme na Normandia. o fornece uma nova prova em apoio à opinião de que a Ilha de França, a Normandia, a Picardia e a Champanhe podem reivindicar a honra de terem dado origem às artes e à literatura ditas góticas. Poucos suspeitam que o *Victimæ paschali laudes*, adotado e conservado pela litur gia romana, é do bem-av Victimæ paschali laudes Famosa sequência de Páscoa integrada à liturgia romana. enturado Notker. É, contudo, ao humilde monge do século IX que devemos este canto que nos enche de alegria nas festas pascais.
Cantos célebres e escritos diversos
Atribui-se a ele o célebre canto 'Media vita', bem como tratados sobre música, aritmética e uma vida de São Galo.
Atribui-se a ele também um canto de guerra que os cruzados e os exércitos cristãos entoavam na Idade Média antes de travar batalha. Ei-lo:
| Medi a vita in morte sumus, qu Media vita in morte sumus Canto de guerra e oração célebre atribuída a Notker. em quærimus adjutorem, nisi te, Domine, qui juste irasceris in peccatis nostris. | Vivos, estamos sem cessar ameaçados pela morte. Quem nos assistirá, se não vós, Senhor, vós que estais justamente irritado contra nós por causa de nossos pecados? | | --- | --- | | In te speraverunt patres nostri, speraverunt, et liberasti nos. R. Sancte Deus. | Nossos pais esperaram em vós, ó Deus santo! e vós os salvastes. Vós os salvastes! | | Ad te clamaverunt patres nostri, clamaverunt, et non sunt confusi. R. Sancte fortis. | Nossos pais vos invocaram, eles vos invocaram, e não foram confundidos. Deus santo e forte! | | Ne despicias nos in tempore senectutis, cum defecerit virtus nostra, ne derelinquas nos. R. Sancte et misericors Salvator, amarae mortis ne tradas nos. | Quando a idade tiver embranquecido nossos cabelos; quando os anos tiverem quebrado nossas forças, não nos abandoneis. — Deus santo e misericordioso, não nos abandoneis às amarguras da morte! |
A origem deste canto, tão belo em sua simplicidade, é bastante singular. Conta-se que um dia São Notker, ao observar operários que construíam uma ponte sobre um abismo, ficou tão impressionado com os perigos iminentes que eles corriam, que imediatamente foi compor para eles esta bela oração.
3° Diversos Hinos. Quatro são em honra a Santo Estêvão, mártir e padroeiro da catedral de Metz. Ele os endereçou a Roodbert, bispo desta cidade, que havia sido monge de São Galo. Estes hinos são reproduzidos pela Patrologia Latina, t. LXXXVII, col. 37-54.
4° Escritos sobre a Música. O que resta deles encontra-se na Patrologia Latina, t. LXXXI, col. 1169-1178.
5° Uma Vida de São Galo em versos.
6° Um Tratado sobre as fraçõ es dos Núm saint Gall Fundador epônimo da abadia cuja vida foi escrita por Notker. eros, do qual resta apenas um fragmento. Ele havia, portanto, escrito também sobre aritmética. Tantos belos conhecimentos fizeram com que fosse considerado o ornamento de sua pátria.
7° O Saltério, em língua tudesca, que lhe é atribuído, é mais provavelmente de Notker Labeo.
Godescard; Stoiz ; Clément, L Notker Labeo Outro monge de São Galo a quem por vezes se atribui o Saltério tudesco. es poètes chrétiens, etc.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Bem-aventurado Notker, o Gago (Balbulus)
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Nascimento em Heiligenau, na Turíngia
- Educação e tomada do hábito na abadia de São Galo
- Direção da escola do mosteiro de São Galo
- Conselheiro espiritual do imperador Carlos, o Gordo
- Composição do Livro das Sequências e do Media Vita
- Morte e sepultamento na capela de São Pedro
Citações
-
Ele eleva os humildes e abate os soberbos
Resposta ao capelão do imperador -
Media vita in morte sumus
Canto de guerra/Antífona