Santa Ágata
Jovem nobre da Sicília, Ágata recusa as investidas do cônsul Quintianus para permanecer fiel a Cristo. Após sofrer atrozes torturas, incluindo a ablação de seus seios, ela é milagrosamente curada pelo apóstolo Pedro na prisão. Morre finalmente após ser rolada sobre brasas ardentes, enquanto um terremoto sacode a cidade de Catânia.
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SANTA ÁGATA, VIRGEM E MÁRTIR
Importância litúrgica
Santa Ágata ocupa um lugar de honra na liturgia romana, sendo seu nome citado no cânone da missa há séculos.
Na missa, imediatamente após a elevação, o sacerdote recita uma oração na qual pede a Deus que nos faça participar da glória dos Apóstolos e dos Mártires... Nesta oração, são nomeados vários Santos, entre outros, Santa Ágata. Para s sainte Agathe Santa padroeira do mosteiro de Crépy. er julgada digna da honra que a Igreja lhe faz ao repetir seu nome em tantas missas, há tantos séculos, é preciso que sua santidade tenha sido muito grande e muito extraordinária.
O dedo de Deus está aqui! Esta glória vem de Deus! Glorifiquemos a Deus em seus Santos!
Origens e prisão
Proveniente de uma nobre família da Sicília, Ágata é cobiçada pelo cônsul Quintiano que, diante de sua recusa, a entrega a uma mulher corrompida chamada Afrodisia.
Palermo e Catânia, duas cidades célebres da Sicília, disputam a honra de ter dado à luz a Santa Ágata. Mas, seja qual for o local de seu nascimento, é certo que a cidade de Catânia foi regada com seu sangue. A reputação de santidade da qual ela gozava, tendo chegado aos ouvidos de Quintiano, personagem consular d a provínci Quintianus Cônsul da Sicília e perseguidor de Ágata. a da Sicília, fez com que ele buscasse todas as ocasiões para se aproximar dela. Como seu coração estava aberto a todos os crimes, ele se deixava agitar por todas as más paixões. Desejando, portanto, estender sua fama, a fim de adquirir a glória do século, ordenou que se apoderassem da serva de Deus, que era oriunda de uma ilustre família. Ele teria querido persuadir o povo de que, apesar da obscuridade de sua origem, ele tinha, contudo, ascendência e poder suficientes para subjugar o coração das pessoas mais qualificadas. Dado a uma vida licenciosa, ele contava com a visão desta virgem, que era de grande beleza, para satisfazer a concupiscência de seus olhos; sua avareza cobiçava as riquezas da serva de Deus; enfim, ele era idólatra e escravo dos demônios. Por isso, no ardor ímpio que o consumia, ele não podia ouvir proferir o nome de Cristo.
Ele deu, portanto, ordem aos seus oficiais para que se apoderassem da pessoa de Ágata, e a fez entregar a uma mulher chamada Afrodisia, que tinha em sua casa nove filhas tão co rrompidas Aphrodise Mulher encarregada de perverter Ágata. quanto ela e dignas de sua mãe. O desígnio deste infame magistrado era que essas criaturas indignas pervertessem o coração da virgem que ele teve a infâmia de lhes abandonar durante trinta dias. Elas, por sua vez, esperavam arrancar aquela alma pura de sua resolução, empregando ora a promessa de prazeres, ora ameaças terríveis.
Ágata lhes disse: «Minha alma foi firmada e fundada em Cristo; vossas palavras não passam de vento, vossas promessas, de uma chuva tempestuosa, vossas ameaças se assemelham a um rio; mas este vento, esta chuva, este rio, poderão se desencadear contra os fundamentos de minha casa: ela não poderá cair, porque está assentada sobre a pedra firme».
Repetindo todos os dias essas palavras, ela derramava lágrimas e rezava; e, assim como aquele que, estando queimado pela sede, em meio aos ardores do sol, suspira pelas fontes jorrantes; assim desejava ela alcançar a coroa do martírio e sofrer todo tipo de suplícios pelo nome de Jesus Cristo.
Vendo, portanto, que a virgem permanecia inabalável em sua resolução, Afrodisia foi encontrar Quintiano e lhe disse: «Seria mais fácil amolecer as rochas e dar ao ferro a flexibilidade do chumbo do que remover da alma desta jovem o sentimento cristão. Minhas filhas e eu nos sucedemos junto a ela, dia e noite, sem descanso, e nada pudemos fazer, a não ser contribuir para firmar ainda mais seu espírito no propósito que ela formou. Ofereci-lhe pedras preciosas e os mais brilhantes adornos, vestes tecidas de ouro; prometi-lhe casas e terras vizinhas à cidade; expus aos seus olhos todo o luxo do mobiliário mais variado; coloquei à sua disposição numerosos servos de ambos os sexos e de todas as idades; mas ela não fez mais caso de toda essa pompa do que da terra que pisa com os pés».
Interrogatório e primeiros suplícios
Ágata afirma sua fé e sua nobreza cristã diante de Quintiano. Ela sofre o cavalete e a mutilação de seus seios.
Quintiano, tomado de cólera, mandou trazer a virgem à sua audiência; e, sentado em seu tribunal, começou nestes termos: «Qual é a tua condição?» A bem-aventurada Ágata respondeu: «Sou de condição livre, e até de nobre extração, como toda a minha parentela atesta». — «Se és de uma família tão nobre e ilustre, por que manifestas em tua conduta a baixeza da condição servil?» — «Sendo serva de Cristo, sou nisso de condição servil». — «Se fosses de uma família nobre e distinta, quererias rebaixar-te a tomar o título de serva?» — «A soberana nobreza é estar comprometida ao serviço de Cristo». — «Como assim! Não temos nós parte na nobreza, nós que desprezamos o serviço de Cristo e que observamos o culto dos deuses?» — «Vossa nobreza degenerou em uma servidão tão profunda que, não somente vos torna escravos do pecado, mas ainda vos sujeita à madeira e à pedra». — «Todos os blasfêmias que tua boca insensata ousar proferir receberão o castigo devido à tua insolência. Dize-nos, contudo, antes de chegarmos aos tormentos, por que desprezas o culto dos deuses?» — «Não os chames de deuses, mas de demônios; sim, aqueles cujas efígies fundis em bronze, e cujas figuras de mármore ou de gesso douras, não são outros senão demônios». — «Escolhe uma de duas coisas, e toma o partido que quiseres: ou incorrer com os malfeitores em diversos gêneros de suplícios, se persistes em tua loucura; ou, se és sensata e verdadeiramente nobre, sacrificar, como a própria natureza te convida, aos deuses todo-poderosos, que sua divindade nos obriga a reconhecer e adorar». — «Toma cuidado para que tua esposa não se torne semelhante à tua deusa Vênus, e tu ao teu deus Júpiter».
A estas palavras, Quintiano ordenou que ela fosse esbofeteada, e lhe disse: «Não te atrevas a deixar tua língua temerária espalhar-se em palavras injuriosas contra teu juiz». — «Acabas de dizer que a própria divindade deles demonstra que teus deuses são dignos de serem honrados; pois bem! que tua esposa seja então semelhante a Vênus, e tu a Júpiter; a fim de que possais ser contados no número de vossos deuses». — «Parece que tomas o partido de suportar toda sorte de tormentos, já que recomeças a me atacar com novas injúrias». — «Espanto-me ao ver que, com toda a tua prudência, te deixaste cair em tal loucura a ponto de chamar de deuses seres cujos passos não queres que tua esposa siga, e cujo gênero de vida temes tanto abraçar, que tomas por uma injúria a proposta que te é feita. Convém comigo que, se são verdadeiros deuses, desejei-te um bem, ao desejar que tua vida fosse semelhante àquela que a história lhes atribui. Se, ao contrário, tens horror à semelhança deles, és da minha opinião. Dize, pois, que eles são tão perversos e impuros que, quando se quer amaldiçoar alguém, basta desejar-lhe que seja tal como eles foram em sua execrável vida». — «Que necessidade tenho de todo este fluxo de palavras? Sacrifica aos deuses, ou te farei morrer por diversos gêneros de suplícios». — «Se ordenares que me entreguem às feras, elas se amansarão ao nome só de Jesus Cristo; se empregares o fogo, os anjos derramarão sobre mim, do alto do céu, um orvalho salutar; se me ameaçares com varas e golpes, tenho dentro de mim o Espírito Santo, que me fará desprezar todos os teus suplícios».
A estas palavras, Quintiano, sacudindo a cabeça com fúria, ordenou que encerrassem a virgem em um cárcere tenebroso, e lhe disse: «Pensa em ti e volta atrás, se queres evitar horríveis tormentos, que reduzirão teu corpo a farrapos». — «É a ti, ministro de Satanás, que cabe arrepender-te, se queres evitar os tormentos eternos». — Quintiano ordenou que a conduzissem imediatamente à prisão, porque essas invectivas públicas o cobriam de confusão. Ágata, cheia de alegria e toda gloriosa pela honra que lhe faziam, entrou na prisão como se fosse na sala de um banquete para o qual tivesse sido convidada; e, exultando de alegria, recomendava ao Senhor, por suas orações, o combate que ela ia ter de sustentar.
No dia seguinte, o ímpio Quintiano fez comparecer a virgem ao seu tribunal e lhe disse: «Que resolução tomaste relativamente à tua salvação?» — «Minha salvação é Cristo». — «Até quando, infeliz, persistirás em tua vã resolução? Nega a Cristo e começa a adorar os deuses; considera, enfim, tua juventude, e não te deixes consumir por uma morte cruel». — «Tu, muito antes, renuncia aos teus deuses que não são senão pedra e madeira, e adora teu Criador, o verdadeiro Deus que te criou. Se o desprezares, serás submetido às penas mais rigorosas e a chamas eternas».
Quintiano, tomado de furor, ordenou que a amarrassem no cavalete e que fosse torturada. Durante a tortura, ele lhe dizia: «Deixa de lado tua resolução, para que possamos decidir sobre a conservação de tua vida». — «Sinto, no meio destes tormentos, tantas delícias quanto poderia sentir um homem a quem se anuncia uma feliz notícia, ou que revê uma pessoa há muito desejada, ou, enfim, que descobre um rico tesouro; eu também me deleito no meio destes tormentos de um instante. O trigo não pode ser colocado no celeiro se sua espiga não tiver sido fortemente batida e reduzida a palha; assim é com minha alma; ela não pode entrar no paraíso do Senhor, com a palma do martírio, sem que tenhas antes entregue meu corpo à engenhosa fúria de teus carrascos».
A estas palavras, Quintiano, tomado de cólera, ordenou que lhe cortassem o seio, depois de tê-lo dilacerado. Ágata disse-lhe: «Ímpio, cruel e bárbaro tirano, não tens vergonha de mutilar em uma mulher o que sugaste em tua mãe? Mas conservo intactos dentro de mim os seios espirituais, onde busco o alimento de minha alma, e que consagrei desde minha infância ao Senhor Jesus Cristo».
Aparição de São Pedro
Na prisão, o apóstolo Pedro aparece-lhe sob a forma de um ancião e cura milagrosamente todas as suas feridas.
Quintiano fê-la conduzir novamente à prisão. Deu ordens para que não fosse permitido a nenhum médico aproximar-se dela, e proibiu expressamente que lhe dessem pão ou água. Enquanto ela estava encerrada na prisão, por volta da meia-noite, um ancião precedido por uma criança q ue carregava un vieillard Apóstolo mencionado para a fixação da data da procissão. uma tocha apresentou-se a ela sob a aparência de um médico; e, tendo na mão diversos medicamentos, disse-lhe: «Tu sofreste no teu corpo, por ordem deste magistrado insensato, suplícios cruéis; mas tu fizeste-o sofrer, pelas tuas sábias respostas, torturas ainda mais cruéis. Ele mandou atormentar e mutilar o teu seio; mas ele verá a sua opulência transformada em fel, e a sua alma mergulhada eternamente na amargura. Contudo, como eu estava presente enquanto sofrias todos estes males, vi que a tua ferida ainda pode ser curada». Então, a bem-aventurada Ágata disse-lhe: «Nunca procurei para o meu corpo medicina corporal; e seria vergonhoso desistir agora desta confiança em Deus que sempre conservei em mim desde a minha mais tenra idade. — Como tu», replicou o venerável ancião, «sou cristão; mas, além disso, conheço a medicina. Peço-te que não temas nada da minha parte». Ágata respondeu-lhe: «Ora! Que temor posso ter a vosso respeito? Sois avançado em idade, e contais anos muito mais numerosos que os meus. Além disso, todo o meu corpo está tão dilacerado que as feridas que o cobrem retiram da minha alma a possibilidade de sentir qualquer sentimento do qual eu pudesse ter de corar. Mas dou-vos graças, senhor e pai, por terdes dignado estender a vossa solicitude até mim: sabei, contudo, que jamais remédios feitos por mãos humanas se aproximarão do meu corpo. — E por que», replicou o ancião, «não queres que eu te cure? — Porque», respondeu Ágata, «tenho o meu Salvador Jesus Cristo que, com a sua palavra, cura todos os males; uma só palavra da sua boca restabelece todas as coisas. É Ele, se assim o desejar, quem pode devolver-me a saúde». O ancião respondeu sorrindo: «E é Ele mesmo quem me enviou a ti; pois sou o seu Apóstolo. Sabe, pois, que é em seu nome que vais recuperar a saúde». Mal tinha terminado estas palavras, desapareceu subitamente.
Então, Ágata, tendo- se prostra son Apôtre Apóstolo mencionado para a fixação da data da procissão. do, dirigiu a Deus esta oração: «Dou-vos graças, Senhor Jesus Cristo, por vos terdes lembrado de mim e por me terdes enviado o vosso Apóstolo que me reconfortou e que reergueu a minha coragem». Quando terminou a sua oração, tendo olhado para todas as feridas do seu
corpo, reconheceu que todos os seus membros estavam sãos, e que o seu seio tinha sido restabelecido. Durante toda a noite, a prisão ficou cheia de uma luz tão brilhante que os carcereiros, tomados de pavor, fugiram deixando as portas abertas. As pessoas que estavam detidas na mesma prisão diziam à bem-aventurada Ágata para aproveitar a liberdade que se oferecia a ela. Mas a virgem respondeu: «Longe de mim o pensamento de ir perder a minha coroa e de ser para os guardas uma causa de tribulação! Com a ajuda do meu Senhor Jesus Cristo, perseverarei na confissão daquele que me curou e consolou».
Últimos tormentos e morte
Após ter sido rolada sobre brasas ardentes, um terremoto atinge Catânia. Ágata morre na prisão após uma última oração.
Quatro dias depois, Quintiano fez comparecer novamente a virgem diante de seu tribunal e lhe disse: «Até quando terás a demência de ir contra os decretos dos invencíveis príncipes? Sacrifica aos deuses, senão saiba que estás reservada a tormentos ainda mais cruéis que os precedentes». Ágata respondeu: «Todas as tuas palavras são insensatas, vãs e iníquas; tuas ordens sujam o próprio ar que as transmite. É por isso que és um miserável, desprovido de sentido e de inteligência. Pois, quem, senão um insensato, jamais pensou em chamar em seu socorro uma pedra, em vez de dirigir-se ao Deus supremo e verdadeiro que se dignou a curar todas essas feridas que me fizeste, até restabelecer meu seio mesmo em sua integridade primeira». — «Ora! Quem é aquele que te curou?» — «É Cristo, o Filho de Deus». — «O quê! Ousas ainda nomear teu Cristo?» — «Meus lábios confessam a Cristo, e meu coração não cessará de invocá-lo». — «Vou ver logo se teu Cristo virá te curar».
Imediatamente ele ordena que se espalhem pela prisão fragmentos de vasos quebrados e que se juntem brasas ardentes, depois que se despeça Ágata de suas vestes e a rolem sobre esse leito de dores. Mal se tinha começado essa execução bárbara, quando de repente o lugar foi abalado; um pedaço de muralha se desprendeu e esmagou sob suas ruínas o conselheiro do juiz, chamado Silvano, e um outro de seus amigos, chamado Falconius, por cuja persuasão Quintiano cometia tantos crimes. A cidade inteira de Catânia foi ela mesma agitada por um violento terremoto. Habitantes assustados correram ao pretório do juiz, gritando com um grande tumulto que os tormentos com que aquele magistrado iníquo afligia a serva de Deus eram a causa que colocava todos os cidadãos em perigo de perecer. Quintiano fugiu, temendo ao mesmo tempo o terremoto e a sedição do povo. Ele fez, portanto, reconduzir imediatamente a virgem à prisão e foi refugiar-se em uma sala afastada do pretório, deixando o povo às portas da cidade.
Ágata, tendo retornado à prisão, estendeu as mãos para Deus e disse: «Senhor, que me criastes e que me guardastes desde a minha infância, que me destes desde a flor da idade uma virtude superior ao meu sexo; que afastastes do meu coração o amor do século e subtraístes meu corpo à corrupção; vós que me tornastes vitoriosa dos tormentos do carrasco e me fizestes desprezar o ferro, o fogo e as correntes; que enfim me concedestes, no meio desses suplícios, a coragem e a paciência, eu vos suplico que recebais presentemente minha alma; pois é tempo de me retirar deste mundo para me introduzir no seio de vossa misericórdia». Após esta oração, ela deu um grande grito e rendeu o espírito, na presença de uma numerosa assistência.
Sepultamento angélico
Um misterioso jovem, identificado como um anjo, deposita uma inscrição de mármore em seu túmulo durante seu funeral.
A esta notícia, fiéis piedosos acorreram apressadamente, retiraram seu corpo e o depositaram em um sarcófago novo. Ora, enquanto a sepultavam com aromas, e colocavam este precioso depósito no túmulo com grande cuidado, um jovem apareceu de repente, vestido com ricas roupas de seda, e tendo em seu séquito um cortejo de mais de cem crianças resplandecentes de beleza e adornadas com vestes magníficas. Até aquela hora, ninguém tinha visto este jovem na cidade de Catânia; nunca mais foi visto desde então, e ninguém pôde dizer que o conhecia anteriormente. Ele entrou no local onde embalsamavam o corpo da virgem e colocou perto da cabeça uma placa de mármore na qual estavam inscritas estas palavras: *Alma santa, devotada, honra de Deus, proteção da pátria*. Ele colocou, dizemos nós, esta inscrição no sepulcro e perto da cabeça da mártir, e permaneceu ali até que tivessem fechado o túmulo com o maior cuidado. Mas quando a pedra que deveria cobri-lo foi colocada, o jovem desapareceu; e, como dissemos, a partir daquele momento não foi mais visto, e não se ouviu mais falar dele em toda a Sicília. É por isso que pensamos que era o Anjo da virgem. Aqueles que viram a inscrição falaram sobre ela, e este fato causou uma viva impressão nos habitantes da Sicília. Os judeus, assim como os gentios, compartilharam com os cristãos a veneração que estes tinham pelo túmulo de Ágata.
Nesse ínterim, Quintiano, acompanhado de sua guarda, pôs-se a caminho para fazer o inventário dos bens da virgem e para prender todos os de sua família; mas, por um justo julgamento de Deus, ele pereceu nas águas. Enquanto atravessava um rio em uma barca, dois de seus cavalos começaram a relinchar um contra o outro e a se agitar; um deles lançou-se sobre Quintiano e o mordeu; o outro, com um coice, derrubou-o no rio; e não foi possível encontrar seu cadáver. Este evento aumentou ainda mais o temor e a veneração que já se tinha pela bem-aventurada Ágata; e ninguém, desde então, ousou inquietar sua família.
Proteção contra o Etna
O véu da santa é utilizado repetidamente pelos habitantes de Catânia para deter os fluxos de lava do vulcão Etna.
Mas, para que a inscrição trazida pelo anjo do Senhor tivesse seu cumprimento, no ano seguinte, próximo ao dia do aniversário do martírio de Ágata, o monte Etna vo mitou cha mont Etna Vulcão siciliano cujas erupções são interrompidas pelo véu da santa. mas tão terríveis que o fogo, agindo com a violência e a rapidez de uma torrente, avançava em direção à cidade de Catânia, derretendo a terra e as pedras que encontrava em seu caminho. Uma multidão de pagãos desceu da montanha para fugir do perigo; dirigiram-se ao túmulo da santa mártir e, tendo retirado o véu que o cobria, opuseram-no ao fogo que avançava e m sua voile Relíquia utilizada para deter as chamas do Etna. direção; e, no mesmo instante, a chama parou por permissão divina. A erupção do vulcão havia começado no dia das calendas de fevereiro e cessou no dia das nonas, que corresponde àquele em que foi sepultada a virgem: Nosso Senhor Jesus Cristo, querendo mostrar que foi em consideração aos méritos e às orações da bem-aventurada Ágata que Ele livrou esses infiéis da morte e do incêndio.
Desde então, este mesmo milagre renovou-se várias vezes, quando o monte Etna espalhava suas chamas pelas planícies de Catânia. Esta cidade já teria sido várias vezes consumida e reduzida a cinzas se esta gloriosa padroeira não a tivesse preservado. É uma coisa digna de admiração, e que não encontraria crédito nos espíritos se não fosse considerada como um efeito da onipotência de Deus, ver de um lado precipitar-se, do mais alto desta montanha, direto para a cidade, uma torrente de fogo larga e profunda, e de uma matéria espessa como chumbo, ou qualquer outro metal fundido, que devora, com seu braseiro, tudo o que se opõe ao seu curso; e, do outro, o clero e toda a cidade saírem ao encontro, em procissão, para ir combater esse fogo, não com armas, nem com água ou outra coisa, mas apenas com a proteção de Santa Ágata e com seu véu, cuja simples presença tem a força de deter a impetuosidade dessa torrente; não apenas os véus que estiveram sobre o corpo da Santa têm essa virtude, mas também o algodão que o tocou. Conta-se que, no ano de 1537, esse rio de fogo, vindo em direção ao mosteiro de São Nicolau das Arenas, não o tocou, mas foi devastar dois vilarejos vizinhos: Nicolosi e Monpelieri. Como seu caminho passava pela vinha de um homem pobre, este, tendo colocado à frente, em juncos, um pouco desse algodão, a torrente dividiu-se em duas e não causou nenhum dano à sua vinha, mas queimou e reduziu a cinzas tudo o que estava nos arredores. Nota-se que a montanha lançou, desta vez, uma quantidade tão grande de cinzas que elas voaram até uma distância incrível; navios que iam de Veneza para a Sicília estiveram em grande perigo por causa dessa nuvem de cinzas, da qual foram cobertos, como escreveu Thomas Fazello, historiador dos eventos desta ilha. É por essas maravilhas que Santa Ágata é tão renomada por todo o mundo. Ela foi tão fortemente reverenciada, logo após sua morte, que Santa Luzia, virgem e mártir, foi em peregrinação ao seu sepulcro para obter a saúde de sua mãe.
Iconografia e patrocínio
Ágata é representada com seus seios em uma bandeja ou com tenazes. Ela é invocada para doenças do seio.
O martírio de Santa Ágata fornece um grande número de dados para as artes: 1° São Pedro aparece-lhe na prisão e cura suas feridas; 2° Perto dela, um braseiro com ferros para queimá-la em diversas partes do corpo; 3° Vê-se ela entregue ao carrasco que segura tesouras para cortar-lhe os seios; ou então ela mesma os carrega em um prato; 4° Os habitantes de Catânia correm ao seu túmulo para retirar a tapeçaria que cobre seu corpo e a opõem às chamas do Etna. Todas essas circunstâncias são lembradas pelo Breviário Romano. — Ela é representada coroada de flores em um mosaico do século IX. — Antoine Van Dyck pintou seu martírio. — Uma gravura da biblioteca Mazarine a representa segurando uma palma e tenazes. — Domenichino a representou diante do juiz e recusando-se a sacrificar. — Dá-se a Santa Ágata os traços de uma jovem, pois ela tinha apenas doze ou treze anos quando foi presa.
Tendo sofrido a ablação de seus dois seios, é por isso que as mulheres a invocavam, na Idade Média, para os males do seio. Este costume persistiu em Morival, na diocese de Amiens, onde se encontra uma capela da Santa.
Relíquias e culto histórico
Suas relíquias estão dispersas entre Catânia, Roma, Constantinopla e várias igrejas francesas, como Saint-Merry em Paris.
## RELÍQUIAS DE SANTA ÁGATA.
Antes da Revolução Francesa, via-se em Paris, na igreja de Saint-Merry, um dos seios cortados desta ilustre virgem e mártir; estava engastado em um rico relicário de prata: os paroquianos o haviam obtido em troca da cabeça de seu padroeiro, que deram à igreja de Chanseaux, em Brie, conforme relatado na coleção das Antiguidades da cidade de Paris.
Existem ainda, em nossos dias, relíquias de Santa Ágata na urna que se encontra acima do altar-mor da igreja de Saint-Merry, em Paris. Vêem-se também em Saint-Paul de Abbeville, nas Ursulinas de Amiens, em Corbie, em Mailly, em Morival, em Montreuil (em uma moldura de ébano que servia de osculatório), etc.
A memória de Santa Ágata sempre foi objeto de grande veneração na Igreja; os Padres falaram dela com grandes elogios. São Dâmaso compôs um hino em seu louvor. Santo Ambrósio e São Gelásio fizeram um prefácio particular para o dia de sua festa. O Lecionário atribuído a São Jerônimo faz menção a ela. Santo Agostinho também diz algo a respeito em seus Solilóquios. Finalmente, a Igreja Romana compôs um ofício próprio para ela, para marcar a estima que lhe dedica, e inseriu seu nome no cânone da missa; encontra-se no calendário de Cartago, que é do ano 530, e em todos os martirológios dos gregos e dos latinos. Por volta do ano 560, o Papa Símaco mandou construir uma igreja em seu nome na Via Aurélia, perto de Roma: não se vê mais do que algumas ruínas. São Gregório Magno enriqueceu com suas relíquias uma igreja de Roma que havia pu rgado da impiedade aria Saint Grégoire le Grand Papa contemporâneo de São Psalmode. na; esta igreja tinha sido reconstruída em 460 por Ricimero, general do Império do Ocidente. Em 720, Gregório II mandou erguer uma nova sob a invocação da mesma Santa. Clemente VIII a deu à Congregação da Doutrina Cristã. São Gregório Magno colocou relíquias de Santa Ágata na igreja do mosteiro de Santo Estêvão, situado na ilha de Capreia, hoje Capri; mas a maior parte deste precioso tesouro permaneceu em Catânia até por volta do ano 1040, época em que foi transferido para Constantinopla. Desde então, foi trazido de volta a Catânia, como aprendemos com Maurício, bispo desta cidade, que escreveu a história desta translação ocorrida em seu tempo.
Fontes e patrocínios diversos
Padroeira de Malta, sua vida é documentada pelos Bolandistas e celebrada por numerosos Padres da Igreja.
Os m alteses Maltais Possível local de origem de Públio. , que honram a mesma Santa como sua padroeira, foram devedores de sua salvação à sua intercessão, quando os turcos os atacaram em 1551.
Encontrar-se-á em Bollandus tudo o que os historiadores disseram de belo em sua honra.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santa Ágata
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Prisão por Quintianus
- Entregue à mulher Afrodisia por trinta dias
- Suplício do cavalete
- Amputação dos seios
- Aparição de São Pedro e cura milagrosa
- Suplício das brasas ardentes e fragmentos de vasos
- Terremoto em Catânia
- Morte na prisão após uma última oração
Citações
-
A soberana nobreza é estar comprometida com o serviço de Cristo.
Resposta a Quintianus -
Ímpio, cruel e bárbaro tirano, não tens vergonha de mutilar em uma mulher aquilo que sugaste de tua mãe?
Resposta durante o suplício -
Alma santa, devota, honra de Deus, proteção da pátria
Inscrição da placa de mármore