Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição na Basílica de São Pedro. Este ato confirma que a Virgem Maria foi preservada do pecado original desde o primeiro instante de sua concepção. Esta proclamação foi o culminar de séculos de devoção, particularmente apoiada pela Espanha e pelo episcopado mundial.
Seus contemporâneos
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DEFINIÇÃO DO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
DE NOSSA SENHORA.
Os primórdios históricos do dogma
A Espanha e vários papas dos séculos XVII e XVIII, como Inocêncio XII e Clemente XI, trabalharam pela oficialização da Imaculada Conceição.
A história da definição do dogma da Imacul ada Conceição é impo Immaculée Conception Privilégio mariano e dogma central que estrutura a identidade da congregação. rtante demais para que não a apresentemos aqui de forma abreviada. A Espanha e L'Espagne Local de missão de Judas Barsabás. steve constantemente à frente de todos os países católicos para obter da Santa Sé uma definição dogmática: suas diligências no século XVIII foram contínuas.
Um de seus reis, em quem a devoção a Maria era hereditária, Carlos II, pediu que o ofício da Imaculada Conceição com oitava fosse tornado obrigatório para todo o universo católico. Inocêncio XII, por sua Bula *In excelsa*, de 15 de maio de 1693, atendeu a este pedido. Esta medida foi completada quando Clemente XI, em 1708, tornou a festa da Conceição obrigatória para toda a Igreja. Bento XIV, que se propusera a encorajar a devoção à Virgem Imaculada, teria, segundo se diz, manifestado a intenção de publicar uma Bula sobre este assunto; mas este projeto não foi executado. Ele apenas ordenou que, na festa da Imaculada Conceição, houvesse capela papal na presença do soberano Pontífice e de toda a sua corte. Mas o monumento mais célebre da Imaculada Conceição é, sem dúvida, uma carta do bem-aventurado Leonardo de Porto Maurício, que é co nsiderada a expressão d Léonard de Port-Maurice Santo cuja carta profética apelava à definição do mistério. e um espírito profético. Ela testemunha o desejo mais ardente de ver definido este grande mistério, e pressagia os maiores bens para a época em que a Santa Sé acreditar poder pronunciar esta definição.
O ímpeto do século XIX e as petições mundiais
Sob os pontificados de Pio VII e Gregório XVI, os pedidos de definição dogmática afluem de todo o mundo, levados pelos bispos e pelas ordens religiosas.
Passemos ao século XIX. Os Frades Franciscanos do reino de Nápoles solicitaram à Santa Sé a permissão de celebrar a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem no prefácio da missa, algo que, até então, era inaudito.
Pio VII atendeu aos seus desejos em 17 de maio de 1806. Este favor despertou a santa ambição das dioceses de Sevilha, de Lyon e de uma multidão de outras; elas se voltaram para esta concessão, assim como um grande número de Ordens religiosas, entre outras, a de São Domingos, que se associou finalmente à crença comum. Outra devoção deu um novo ímpeto à piedade dos fiéis para com Maria Imaculada. Em 29 de setembro de 1829, a Congregação dos Ritos concedeu, por dois rescritos, a Dom o bispo de Forli e a Dom o bispo de Gaeta, a permissão de acrescentar às ladainhas de Loreto, que recordam tão bem as prerrogativas de nossa boa mãe, esta bela invocação: *Rainha concebida sem pecado, rogai por nós!* Em pouco tempo, esta santa prática tornou-se geral. O papa Gregório XVI, em 1840, recebe as súplicas de cinquenta e dois cardeais, arcebispos e bispos, que insistiam na utilidade e na necessidade moral de pronunciar o julgamento definitivo. Pouco tempo depois chegaram cerca de quarenta pedidos semelhantes das Missões asiáticas, da América meridional, da Espanha, da Itália, da Saboia, da Nova Granada e da Boêmia. Sua Santidade Pio IX recebeu, antes de 2 de fe vereiro de 1849, q Sa Sainteté Pie IX Papa que canonizou Josafá em 1867. uarenta pedidos dos bispos do reino de Nápoles, com uma nova instância de Sua Majestade o rei das Duas Sicílias; dez pedidos dos arcebispos e bispos da França; oitenta pedidos dos arcebispos e bispos de todas as partes do mundo, sem contar as súplicas das Ordens religiosas, dos Capítulos e das igrejas particulares. O Santo Padre não podia permanecer indiferente a estes votos unânimes do episcopado católico, ele que, como declarou em sua Bula *Ineffabilis*, tinha estado, desde os primeiros dias de seu pontificado, preocupado com este grave assunto. Nos anos de 1847 e 1848, nomeou uma comissão de consultores escolhidos entre os prelados e os teólogos mais distintos da Igreja romana, e submeteu-lhes a questão de saber se a piedosa crença na Imaculada Conceição poderia, segundo os usos da Igreja católica, ser solenemente definida. No final de 1848, Pio IX, expulso de Roma pela revolução, refugiou-se em Gaeta; fez continuar os trabalhos da comissão na terra de exílio.
O exílio em Gaeta e a consulta universal
Pio IX, exilado em Gaeta, lança uma consulta mundial ao episcopado em 1849 para verificar a unanimidade da fé sobre este mistério.
Em várias ocasiões, reuniu os cardeais exilados como ele e pediu o parecer deles sobre o projeto de definir a prerrogativa da Mãe de Deus. Foi de Gaeta que ele endereçou, em 2 de fevereiro de 1849, a todos os bispos do mundo, a célebre encíclica pela qual os convidou a dirigir ao céu as mais fervorosas orações, a fim de que Ele iluminasse o Chefe da Igreja sobre este importante assunto, perguntando-lhes ao mesmo tempo qual era, a respeito da Imaculada Conceição da santa Virgem, a crença de seu rebanho e a crença pessoal deles.
O Santo Padre queria constatar o consentimento unânime de toda a Igreja. Seu objetivo não era provocar novas demonstrações do mistério; contudo, um grande número de prelados fundamentou tão bem sua fé, expôs com tanta profundidade e erudição as provas da piedosa crença, que as respostas do episcopado encerram, em seu conjunto, uma demonstração completa e irrefutável do mistério. É impossível lê-las sem conceber a mais alta ideia da ciência e da piedade do episcopado católico, sem admirar seu apego à Santa Sé e sua devoção à causa da Mãe de Deus. A unanimidade dos bispos é também uma das coisas mais notáveis. De cerca de setecentos e cinquenta cardeais, patriarcas, arcebispos, bispos e vigários apostólicos que a Igreja conta em seu seio, mais de seiscentos haviam respondido ao Santo Padre antes que este promovesse a definição. Se levarmos em conta os esquecimentos, os casos de doença, de morte, de vacância de sedes, de cartas extraviadas devido às grandes distâncias, pode-se dizer que o episcopado católico inteiro respondeu à encíclica de 2 de fevereiro de 1849, e manifestou assim o vivo interesse que tomava pela questão da definição.
A preparação doutrinária e as comissões
Teólogos como Dom Guéranger e o Padre Passaglia publicam obras importantes, enquanto uma comissão especial examina os fundamentos escriturísticos e tradicionais.
Ao episcopado e aos fiéis juntaram-se os teólogos e doutores que consagraram sua pena à glória de Maria; é preciso citar, entre os mais célebres, o R. P. Ravignan, o cardeal Lambruschini, o R. P. Perrone, o R. P. Mariani, Spada, o R. P. Biancheri, o R. P. Bigoni, etc. O *Mémoire* de Dom Guéranger, abade de Sole smes, é um pe Dom Guéranger Abade de Solesmes, autor de um influente memorial sobre o mistério. queno volume cheio de sentido e razão, que possui um caráter inteiramente original. O autor soube apropriar-se dos argumentos antigos, de tal modo que parecem novos sob sua pena; ele fez justiça também, e de maneira triunfante, às dificuldades que se levantavam então tanto contra o mistério em si quanto contra sua definibilidade.
Mas de todos os escritos que apareceram antes da definição, não há nenhum que, por sua extensão, sua importância e sua solidez, possa ser comparado ao grande trabalho do R. P. Passaglia, que desde ent ão sofreu um tã R. P. Passaglia Teólogo jesuíta cuja obra serviu de base para a bula de definição. o triste naufrágio na fé, hoje felizmente reparado. A Bula de definição foi calcada nesta obra. O Papa quis que essas publicações fossem reproduzidas após as respostas dos bispos, como documentos contemporâneos da grande causa que ele iria julgar. Foram, portanto, reunidos, como todas as outras peças, na curiosa coleção dos *Pareri*, que atingiu assim o número de dez volumes, e da qual um exemplar completo foi entregue a todos os bispos presentes em Roma por ocasião da solenidade da definição.
Quando os consultores expressaram sua opinião por escrito, o Santo Padre mandou imprimir esses pareceres em três volumes distintos, a fim de submetê-los aos vinte consultores, uma comissão especial que se reuniu várias vezes no decorrer dos anos de 1852 e 1853, sob a presidência do cardeal Fornari. A ata das sessões foi redigida com o maior cuidado sob o título de *Breve exposição dos atos da comissão especial nomeada por Sua Santidade Pio IX, para examinar o assunto da Imaculada Conceição da santíssima Virgem Maria*.
Com exceção de dois membros, que haviam feito parte da comissão dos vinte consultores, todos os teólogos reunidos foram de opinião que o privilégio da santíssima Virgem estava solidamente provado por argumentos tirados da sagrada Escritura, dos monumentos da tradição, da doutrina, do magistério e do espírito da Igreja, e da declaração do Concílio de Trento.
Todos, com exceção de um único, julgaram que a Santa Sé poderia, sem derrogar as regras ordinárias, pronunciar a definição do mistério da Conceição Imaculada de Maria. Este foi também o parecer unânime dos cardeais.
A proclamação solene em São Pedro
Em 8 de dezembro de 1854, durante uma cerimônia grandiosa na Basílica de São Pedro, Pio IX pronuncia oficialmente o decreto dogmático.
Nos primeiros meses do ano de 1854, soube-se que o soberano Pontífice havia tomado a resolução de definir o mistério da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem e de conferir a este ato solene todo o brilho que as circunstâncias comportavam. Todo o episcopado católico teria se dirigido a Roma se o Santo Padre o desejasse. Mas, quer por não querer impor uma viuvez simultânea a todas as Igrejas do mundo, quer por receio de causar algum melindre às potências, quer por outros motivos, limitou-se a convidar os cardeais estrangeiros e um pequeno número de prelados de cada nação católica. Muitos outros dirigiram-se a Roma para assistir a esta festa. Três cardeais foram encarregados de presidir esta augusta assembleia.
Um deles, o cardeal Brunelli, expôs as intenções do soberano Pontífice, que não eram as de reunir os bispos em Concílio, nem de autorizar uma discussão sobre o fundo da questão ou sobre a oportunidade da definição, dois pontos sobre os quais o assentimento do episcopado católico já lhe era conhecido, e dos quais ele se reservava o julgamento; mas sim de ouvir o parecer deles sobre o projeto de Bula que, já preparado, ainda não correspondia inteiramente ao seu pensamento. Examinaram-se, portanto, os textos da Escritura, os monumentos da tradição que deveriam figurar na Bula, e a forma que lhe era necessário dar.
Após ter consultado os bispos, o Santo Padre consultou os cardeais da Igreja romana, que reuniu em consistório secreto no dia 1º de dezembro seguinte; quando obteve o assentimento unânime deles, feliz com este acordo, resolveu pronunciar a definição da Imaculada Conceição no dia 8 de dezembro.
Quando o dia tão impacientemente esperado chegou, a cidade santa estava repleta de piedosos peregrinos acorridos de todas as partes do mundo, e o povo romano, fiel à sua antiga fama, preparava-se para honrar dignamente a Mãe de todos os fiéis.
Às oito horas da manhã, os bispos reuniram-se na grande sala ducal, no palácio do Vaticano, para ali tomarem seus ornamentos pontificais. Revestidos da capa pluvial branca e da mitra de tecido branco, dirigiram-se à capela Sistina, onde o soberano Pontífice chegou logo depois. O Santo Padre, ao chegar, ajoelhou-se ao pé do altar e recitou em voz alta a antífona: *Sancta Maria et omnes sancti tui, quæsumus, Domine, ne nos deseras, ut dum eorum merita recolimus, patrocinio sentiamus*.
Em seguida, os cantores entoaram as ladainhas dos Santos; no versículo: *Sancte Michael*, os bispos puseram-se em fila, por ordem de antiguidade, e desceram processionalmente a grande escadaria do palácio, para se dirigirem à basílica de São Pedro. Os cardeais em casula e mitra preciosas precediam o Santo Padre, que fechav basilique de Saint-Pierre Local de sepultamento do santo em Roma. a a procissão. Ele estava sob um baldaquino branco. Chegados ao meio da basílica, os bispos alinharam-se em semicírculo diante da capela do Santíssimo Sacramento e ali esperaram o soberano Pontífice, com quem todos se ajoelharam. Sua Santidade recitou primeiro uma curta oração particular e depois cantou as três orações: *Deus qui nobis sub sacramento*, etc.; *Deus refugium nostrum*, etc.; e *Actiones nostras*, que terminaram as ladainhas. Terminadas estas orações, a procissão formou novas fileiras, e os bispos, seguidos pelos cardeais e pelo Santo Padre, dirigiram-se dois a dois ao coro que estava disposto atrás do altar-mor da basílica, com o trono pontifical ao fundo, como para as capelas papais ordinárias. Assim que os cardeais, os bispos e os prelados tomaram seus lugares, o soberano Pontífice sentou-se no trono preparado perto do altar, do lado da epístola, para receber a obediência do clero. Os cardeais fizeram diante dele uma profunda inclinação antes de beijar seu anel. E após tê-lo beijado, os bispos fizeram a genuflexão no primeiro degrau do trono; ajoelhando-se sobre uma almofada colocada aos pés do Santo Padre, beijaram respectivamente o anel que ele lhes apresentava, coberto por seu tecido; ao deixá-lo, fizeram uma segunda genuflexão e uma inclinação de cabeça, à direita e à esquerda, para os cardeais assistentes. Não descreveremos os ritos magníficos do ofício pontifical, tal como é celebrado pelo soberano Pontífice na basílica de São Pedro, primeiro porque estas cerimônias não pertencem ao nosso assunto, depois porque elas têm sido frequentemente descritas em outros lugares. Acrescentaremos apenas que, entre os doze bispos assistentes ao trono pontifical, figurava o venerável arcebispo de Paris, Mons. Sibour. Ele carregou o castiçal durante a missa pontifical e enquanto o Santo Padre pronunciava a definição.
Quando o santo Evangelho foi cantado em latim e em grego, segundo o rito usado no ofício do soberano Pontífice, os diáconos dos dois ritos dirigiram-se juntos até o trono do Santo Padre ao fundo do coro, para lhe apresentar o livro dos Evangelhos e receber sua bênção; depois retornaram ao altar-mor, sobre o qual depositaram o volume sagrado.
Eram onze horas da manhã.
O venerável cardeal Macchi, decano do Sagrado Colégio, avançou então, apesar de sua idade avançada, em direção ao trono do soberano Pontífice, ao fundo do coro, acompanhado do decano dos ar cebispos e do d cardinal Macchi Decano do Sacro Colégio que apresentou a súplica final ao Papa. ecano dos bispos presentes na cerimônia, e também do arcebispo do rito grego e do arcebispo do rito armênio, e dirigiu em latim, ao Santo Padre, a seguinte súplica:
« Santíssimo Padre,
« O que a Igreja católica deseja ardentemente e pede com todos os seus votos, a saber, que a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, seja definida por um julgamento supremo e infalível de Vossa Santidade, a fim de aumentar os louvores, a glória e a veneração de Maria, vimos, em nome do Sagrado Colégio, dos cardeais, dos bispos, do mundo católico inteiro e de todos os fiéis, suplicar humilde e instantemente a Vossa Santidade que o realize nesta solenidade da Conceição da bem-aventurada Virgem, e que preencha assim os votos de todos. Para este fim, dignai-vos, ó Santo Padre, no meio da celebração do sacrifício incruento, iniciado nesta grande igreja consagrada ao Príncipe dos Apóstolos, na presença de uma assembleia tão majestosa de bispos e fiéis, elevar vossa voz apostólica e pronunciar o decreto dogmático da Imaculada Conceição de Maria, decreto que fará nascer uma nova alegria no céu e que encherá o mundo inteiro de alegria ».
O Santo Padre respondeu que acolhia voluntariamente este pedido do Sagrado Colégio, do Episcopado e dos fiéis; mas que era necessário, antes de satisfazê-lo, invocar o auxílio do Espírito Santo. Imediatamente toda a assembleia pôs-se de joelhos e entoou com um conjunto admirável o hino *Veni Creator*, cujo canto animado fez ressoar as abóbadas sagradas de piedosos ecos e comoveu todos os corações. Após ter cantado a oração, o soberano Pontífice, mantendo-se de pé diante de seu trono, começou, no meio de um profundo silêncio, a pronunciar com uma voz forte, clara e distinta, a definição do mistério da Imaculada Conceição.
Quando o Santo Padre chegou a estas palavras solenes: *Para a maior glória da Mãe de Deus, pela autoridade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo e pela nossa...*, todo penetrado da grandeza da ação que realizava, tocado pela impaciente espera do clero e dos fiéis que mantinham seus olhares fixos em sua pessoa e ouviam com avidez cada uma de suas palavras, transportando-se sem dúvida também, pelo pensamento, à morada celeste onde a alegria dos anjos respondia à dos eleitos da terra, o soberano Pontífice, comovido até o fundo de suas entranhas, sentiu sua voz falhar e seus olhos se encherem de lágrimas. Mas, fazendo um esforço sobre a natureza e dominando sua perturbação, continuou logo depois com uma voz forte, mas comovida e comovente, seu discurso, e, após ter cedido mais uma vez ao império de sua sensibilidade, terminou a leitura do decreto no meio de um sentimento de alegria universal.
Os fundamentos da Bula Ineffabilis Deus
O texto da bula detalha as figuras bíblicas e a tradição dos Padres da Igreja que sustentam a preservação de Maria do pecado original.
## PIO, BISPO,
## SERVO DOS SERVOS DE DEUS,
Para que a memória disto se perpetue para sempre.
« Deus, que é inefável, cujos caminhos são a misericórdia e a verdade, cuja vontade é a própria onipotência, cuja sabedoria alcança de uma extremidade à outra irresistivelmente e dispõe com doçura todas as coisas, vendo em sua presciência, desde toda a eternidade, a ruína lamentável de todo o gênero humano, consequência da transgressão de Adão, e tendo, no mistério escondido desde a origem dos séculos, decretado que, pelo sacramento ainda mais misterioso da encarnação do Verbo, ele cumpriria a obra primitiva de sua bondade, a fim de que o homem, impelido ao mal pela perfídia da iniquidade diabólica, não perecesse contra o desígnio de sua misericórdia; e que o que deveria cair no primeiro Adão fosse reerguido no segundo por uma felicidade maior que essa infortúnio; escolheu e preparou, desde o princípio e antes dos séculos, uma Mãe para seu Filho único, para que dela, feito carne, ele nascesse na feliz plenitude dos tempos, e amou-a entre todas as criaturas com tal amor, que colocou nela sozinha, por uma soberana predileção, todas as suas complacências. Elevando-a incomparavelmente acima de todos os espíritos angélicos, de todos os Santos, cumulou-a com a abundância dos dons celestes, tirados do tesouro da divindade, de uma maneira tão maravilhosa, que sempre e inteiramente pura de toda mancha de pecado, toda bela e toda perfeita, ela tinha em si a plenitude de inocência e de santidade a maior que se possa conceber abaixo de Deus e tal que, salvo Deus, ninguém pode compreendê-la. E certamente, era muito conveniente que ela brilhasse sempre com os esplendores da santidade mais perfeita, e que inteiramente isenta da mancha mesma da culpa original, ela obtivesse o mais completo triunfo sobre a antiga serpente, esta Mãe tão venerável, a quem Deus Pai quis dar seu Filho único, gerado de seu seio, igual a ele, e que ele ama como a si mesmo, e dá-lo de tal sorte que ele é naturalmente um só e mesmo e comum Filho de Deus Pai e da Virgem, Ela que o Filho mesmo escolheu para ser substancialmente sua Mãe, Ela de quem o Espírito Santo quis que por sua operação fosse concebido e nascesse Aquele de quem ele mesmo procede.
« Esta inocência original da augusta Virgem está perfeitamente em harmonia com sua admirável santidade e com a dignidade sublime de Mãe de Deus, a Igreja católica que, sempre ensinada pelo Espírito Santo, é a coluna e o apoio da verdade, agindo como mestra da doutrina divinamente recebida e contida no depósito da revelação celeste, nunca cessou de explicá-la, de favorecê-la todos os dias cada vez mais por todas as vias e por atos brilhantes. Esta doutrina, em vigor desde os tempos antigos, profundamente gravada nas almas dos fiéis e propagada de uma maneira maravilhosa em todo o universo católico pelos cuidados e esforços dos pontífices sagrados; esta doutrina, a Igreja mesma a ensinou de fato muito claramente quando não hesitou em propor a Conceição da Virgem à veneração e ao culto público dos fiéis. Por este ato solene, ela a apresentou para ser honrada como extraordinária, admirável, plenamente diferente dos começos do resto dos homens e totalmente santa; pois a Igreja não celebra por dias de festa senão o que é santo. E é por isso que ela tem o costume de empregar, seja nos ofícios eclesiásticos, seja na liturgia sagrada, os termos mesmos das divinas Escrituras falando da Sabedoria incriada e representando suas origens eternas, e de fazer a aplicação aos começos desta Virgem, que tinha sido, nos conselhos de Deus, o objeto do mesmo decreto que a Encarnação da Sabedoria divina.
« Todas estas coisas, conhecidas por toda parte pelos fiéis, mostram suficientemente com que cuidado a Igreja romana, mãe e mestra de todas as igrejas, se aplicou a propagar esta doutrina da Imaculada Conceição da Virgem; mas esta Igreja, centro da verdade e da unidade católica, na qual somente a religião foi inviolavelmente guardada e da qual é preciso que todas as outras igrejas tomem emprestada a tradição da fé, tem uma dignidade e uma autoridade tais que convém recordar os atos em detalhe. Ela nunca teve nada mais no coração do que sustentar, proteger, promover e defender pelas vias mais brilhantes a Imaculada Conceição da Virgem, seu culto e sua doutrina. É o que atestam e proclamam tantos atos solenes dos Pontífices romanos, nossos predecessores, a quem, na pessoa do príncipe dos Apóstolos, Nosso Senhor Jesus Cristo ele mesmo divinamente confiou o encargo e o poder supremo de apascentar os cordeiros e as ovelhas, de confirmar seus irmãos, de reger e de governar a Igreja universal.
« Nossos predecessores, de fato, fizeram glória de instituir na Igreja romana, em virtude de sua autoridade apostólica, a festa da Conceição com um ofício e uma missa próprios, onde a prerrogativa da isenção da mácula hereditária era afirmada da maneira mais clara e mais manifesta. Eles se dedicaram, além disso, a aumentar o brilho desta festa e a propagar por todos os meios o culto instituído, seja enriquecendo-o com indulgências, seja autorizando as cidades, as províncias, os reinos, a se colocarem sob o patrocínio da Mãe de Deus, honrada sob o título da Imaculada Conceição, seja aprovando confrarias, congregações, comunidades religiosas instituídas em honra da Conceição Imaculada, seja excitando por seus louvores a piedade daqueles que erguiam mosteiros, hospitais, altares, templos sob este título, ou que se comprometiam sob a fé do juramento a defender energicamente a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Eles foram sobretudo felizes em ordenar que a festa da Conceição fosse celebrada em toda a Igreja como a da Natividade, e depois que a celebrassem com oitava na Igreja universal, depois, que fosse colocada no nível das festas de preceito e santamente observada por toda parte; enfim, que cada ano, no dia consagrado à Conceição da Virgem, houvesse capela pontifícia em nossa basílica patriarcal liberiana. Desejando inculcar cada dia mais profundamente nas almas dos fiéis esta doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, e excitar sua piedade a honrar e a venerar a Virgem concebida sem pecado, foi com grande alegria que permitiram proclamar a Conceição Imaculada da Virgem nas Ladainhas de Loreto e no próprio prefácio da missa, como para estabelecer a lei da oração. Quanto a Nós, caminhando sobre os passos de um tão grande número de Nossos Predecessores, não somente Nós recebemos e aprovamos o que eles tão sabiamente e tão piedosamente estabeleceram; mas ainda, lembrando-nos do decreto de Sisto IV, Nós revestimos com a sanção de Nossa autoridade um ofício próprio da Imaculada Conceição, e para grande consolação de Nossa alma, Nós concedemos seu uso à Igreja universal.
« Mas, porque as coisas que pertencem ao culto mantêm-se estreitamente e por um vínculo íntimo ao objeto mesmo do culto, e que elas não podem se manter determinadas e fixas, se este objeto permanece em um estado de dúvida e de ambiguidade, Nossos predecessores os Pontífices romanos, colocando todos os seus cuidados em aumentar o culto da Conceição, aplicaram-se com solicitude a declarar e a inculcar o objeto e a doutrina. Eles ensinaram, portanto, clara e abertamente que a festa tinha por objeto a Conceição da Virgem, e proscriveram, como falsa e contrária ao espírito da Igreja, a opinião daqueles que pensavam e afirmavam que não é a Conceição, mas a santificação que a Igreja honra. Eles não acreditaram dever agir com mais comedimento para com aqueles que, para arruinar a doutrina da Imaculada Conceição da Virgem, tinham imaginado uma distinção entre o primeiro e o segundo instante da Conceição, dizendo que a Igreja, na verdade, celebra a Conceição, mas que ela não entende honrá-la em seu primeiro instante ou primeiro momento. Nossos predecessores, de fato, consideraram como seu dever proteger e propagar com o maior zelo, não somente a festa da Conceição da bem-aventurada Virgem, mas ainda a doutrina de que a Conceição, desde o primeiro instante, é o verdadeiro objeto deste culto. Daí estas palavras totalmente decisivas pelas quais Nosso predecessor, Alexandre VII, declarou a verdadeira intenção da Igreja: « É a antiga e piedosa crença dos fiéis cristãos, que a alma da bem-aventurada Virgem Maria, desde o primeiro instante de sua criação e de sua união ao corpo, foi, por graça e privilégio especial de Deus, e em vista dos méritos de Jesus Cristo, seu Filho, Redentor do gênero humano, preservada e isenta do pecado original, e é neste sentido que eles honram e celebram com solenidade a festa de sua Conceição. »
« Nossos predecessores dedicaram-se sobretudo, com um cuidado ciumento e uma vigilância extrema, a manter inviolável e ao abrigo de qualquer ataque a doutrina da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não somente eles nunca sofreram que esta doutrina fosse de qualquer forma censurada e ultrajada; mas, indo muito mais longe, proclamaram, por declarações formais e reiteradas, que a doutrina em virtude da qual Nós confessamos a Imaculada Conceição da Virgem está plenamente em harmonia com o culto eclesiástico: e que esta doutrina antiga e universal, tal como a Igreja romana a entende, a defende e a propaga, é digna sob todos os aspectos de ser formulada na Sagrada Liturgia mesma e nas solenidades da oração. Não contentes com isso, para que esta doutrina da Conceição Imaculada da Virgem permanecesse inviolável, proibiram, sob penas severas, sustentar seja publicamente, seja em particular, a doutrina contrária, querendo, pelos golpes repetidos desferidos contra esta última, fazê-la sucumbir. E, a fim de que estas declarações brilhantes e reiteradas não parecessem vãs, revestiram-nas de uma sanção. Nosso predecessor Alexandre VII, que acabamos de citar, recordou todas estas coisas nestes termos:
« Considerando que a santa Igreja romana celebra solenemente a festa da Conceição de Maria sem mancha e sempre Virgem, e que outrora ela tinha ordenado um ofício próprio sobre este mistério, segundo a piedosa e devota disposição de Nosso predecessor Sisto IV; querendo por Nossa vez favorecer esta louvável devoção, assim como a festa e o culto que é sua expressão, o qual nunca mudou na Igreja romana desde que foi instituído, e desejando a exemplo dos pontífices romanos, Nossos predecessores, proteger e favorecer esta piedade e esta devoção que consistem em honrar e celebrar a bem-aventurada Virgem, como tendo sido, pela ação do Espírito Santo, preservada do pecado original; enfim, para conservar o rebanho de Cristo na unidade de espírito e no vínculo da paz, para extinguir as dissensões e fazer desaparecer os escândalos; sobre as instâncias e as orações dos Bispos supramencionados, assim como aos capítulos de suas Igrejas, assim como sobre as instâncias e as orações do rei Filipe e de seus reinos, Nós renovamos as constituições e decretos que os Pontífices romanos, Nossos predecessores, e especialmente Sisto IV, Paulo V e Gregório XV promulgaram em favor do sentimento que afirma que a alma da bem-aventurada Virgem Maria, em sua criação e em sua união com o corpo, foi provida da graça do Espírito Santo e preservada do pecado original, e também em favor da festa e do culto da Conceição da Mãe de Deus, os quais foram estabelecidos, como é dito acima, no sentido desta doutrina, e Nós ordenamos que se guardem as ditas constituições e decretos sob as penas e censuras que neles estão especificadas.
« Além disso, quanto a todos e a cada um daqueles que buscam interpretar estas constituições e decretos de maneira a diminuir o favor que deles resulta para a doutrina em questão, e que se esforçam em colocar em discussão a festa ou o culto prestado no sentido desta doutrina, de fazer dele o objeto de seus ataques, seja direta, seja indiretamente, como sob o pretexto de examinar se esta doutrina pode ser definida, de comentar ou de interpretar a Escritura sagrada, ou os santos Padres ou os Doutores; todos aqueles, em uma palavra, que tivessem a audácia, por qualquer motivo que possa ser e de qualquer forma que seja, de falar, de pregar, de tratar, de disputar contra ela, por escrito ou de viva voz, determinando isto ou aquilo, afirmando, fazendo valer argumentos ou deixando sem solução os argumentos alegados, ou qualquer que possa ser o meio empregado com o mesmo objetivo; quanto a todos aqueles, além das penas e das censuras contidas nas constituições de Sisto IV, aos quais Nós pretendemos submetê-los e os submetemos pelas presentes, Nós queremos que, por este só fato e sem outra declaração, eles sejam privados do poder de pregar, de fazer lições públicas ou de ensinar e de interpretar, assim como de toda voz ativa ou passiva em toda eleição: eles serão, portanto, pelo fato mesmo, e sem outra declaração, atingidos a perpetuidade de incapacidade para pregar, ler em público, ensinar e interpretar, e eles não poderão ser aliviados ou dispensados destas penas senão por Nós mesmo ou por Nossos sucessores; e Nós pretendemos submetê-los ainda às outras penas que Nós, ou os Pontífices romanos Nossos sucessores, pudermos lhes infligir, como Nós os submetemos pelas presentes, renovando as constituições ou decretos acima recordados de Paulo V e de Gregório XV.
« Quanto aos livros nos quais a doutrina supracitada, a festa ou o culto prestado no sentido desta doutrina se encontrasse revogado em dúvida, ou nos quais, de qualquer maneira que seja, alguma coisa fosse escrita contra ela, ou que contivessem discursos, disputas ou tratados destinados a combatê-la, Nós proibimos todos aqueles que foram publicados posteriormente ao decreto citado de Paulo V ou que seriam publicados no futuro, e isso sob as penas e censuras especificadas no índice dos livros proibidos, e Nós ordenamos e queremos que sejam tidos e considerados como expressamente proibidos pelo fato mesmo e sem nenhuma declaração ».
« Ora, todo mundo sabe com que zelo esta doutrina da Imaculada Conceição da Virgem, Mãe de Deus, foi professada, sustentada e defendida pelas Ordens religiosas mais ilustres, pelas academias de teologia mais célebres e pelos Doutores mais versados na ciência sagrada. Todo mundo sabe igualmente quanto os bispos sempre foram ciumentos, mesmo nas assembleias eclesiásticas, de declarar aberta e publicamente que a santíssima Mãe de Deus, a Virgem Maria, pelos méritos do Senhor e Redentor Jesus Cristo, nunca foi submetida ao pecado original, mas que ela foi inteiramente preservada da mácula original e de tal sorte redimida de uma forma mais admirável. A todas estas autoridades se junta a autoridade mais grave e mais elevada, a do Concílio de Trento. Ao formular o decreto dogmático sobre o pecado original, onde, em conformidade com os testemunhos das santas Escrituras, dos santos Padres e dos mais acreditados Concílios, ele estabeleceu e definiu que todos os homens nascem manchados pela culpa original, o Concílio declarou solenemente que não estava em sua intenção compreender neste decreto e nesta generalidade de sua definição a bem-aventurada e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus. Por esta declaração, os Padres de Trento mostraram, tanto quanto os tempos e as circunstâncias o tornavam oportuno, que a bem-aventurada Virgem Maria foi isenta da mancha original, e eles expressaram assim claramente que nada nas divinas Letras, nada na tradição nem na autoridade dos Padres, pode ser validamente alegado que, de qualquer maneira que seja, cause dano a esta grande prerrogativa da Virgem.
« E nada é mais verdadeiro Concile de Trente Concílio ecumênico citado por ter excluído Maria da generalidade do pecado original. : célebres monumentos da venerável antiguidade, tanto da Igreja oriental quanto da Igreja ocidental, provam de fato com evidência que esta doutrina da Imaculada Conceição da bem-aventurada Virgem Maria, que foi, de uma maneira tão brilhante, explicada, declarada e confirmada cada dia mais, que se propagou de uma forma tão maravilhosa entre todos os povos e entre todas as nações do mundo católico, com o firme assentimento da Igreja, por seu ensino, seu zelo, sua ciência e sua sabedoria, sempre foi professada na Igreja como recebida de mão em mão de nossos pais e revestida do caráter de doutrina revelada. Pois a Igreja de Cristo, vigilante guardiã e protetora dos dogmas que lhe são confiados, não muda nada neles, não diminui nada, não acrescenta nada; mas, tratando com uma atenção escrupulosa, com fidelidade e com sabedoria as coisas antigas, se há algumas que a antiguidade esboçou e que a fé dos Padres indicou, ela se estuda em libertá-las, em colocá-las em luz, de tal sorte que estes antigos dogmas da doutrina celeste tomem a evidência, o brilho, a nitidez, tudo guardando sua plenitude, sua integridade, sua propriedade, e que eles se desenvolvam, mas somente em sua própria natureza, isto é, conservando a identidade do dogma, do sentido, da doutrina.
« Os Padres e os escritores da Igreja, instruídos pelos oráculos celestes, não tiveram nada mais no coração nos livros que compuseram para explicar as Escrituras, para defender os dogmas, para instruir os fiéis, do que celebrar à porfia e exaltar de mil maneiras admiráveis a soberana santidade da Virgem, sua dignidade, sua integridade de toda mancha de pecado e sua brilhante vitória sobre o cruel inimigo do gênero humano. É por isso que, quando relatam as palavras pelas quais Deus, nos começos do mundo, anunciando os remédios preparados em sua misericórdia para regenerar os mortais, confundiu a audácia da serpente sedutora e reergueu maravilhosamente a esperança de nossa raça dizendo: « Porei inimizade entre ti e a mulher, entre sua raça e a tua », os Padres ensinam que, por este oráculo, foi clara e abertamente anunciado o misericordioso Redentor do gênero humano, o Cristo Jesus, Filho único de Deus, e que sua bem-aventurada Mãe a Virgem Maria ali está também designada, que a inimizade do Filho e da Mãe contra o demônio ali está igualmente e formalmente expressa. É por isso que, assim como o Cristo, o Edificador de Deus e dos homens, tendo tomado a natureza humana, apaga o selo da sentença que era contra nós, e o prende em vencedor à cruz, do mesmo modo a santíssima Virgem, unida a ele por um vínculo estreito e indissolúvel, com ele e por ele exercendo hostilidades eternas contra a serpente venenosa, e triunfando plenamente deste inimigo, esmagou sua cabeça com seu pé imaculado.
« Este triunfo único e glorioso da Virgem, sua inocência excelentíssima, sua pureza, sua santidade, sua integridade preservada de toda mácula de pecado, sua inefável riqueza de todas as graças celestes, de todas as virtudes, de todos os privilégios, sua grandeza, os mesmos Padres viram a imagem, ora nesta arca de Noé, que, após ter sido estabelecida por Deus, escapou plenamente sã e salva do comum naufrágio do mundo inteiro; ora nesta escada que Jacó viu elevar-se da terra ao céu sobre os degraus da qual os anjos de Deus subiam e desciam, enquanto Deus mesmo se apoiava sobre o cume; ora neste arbusto que Moisés viu todo em fogo em um lugar sagrado, e que, no meio das chamas ardentes, longe de se consumir ou de sofrer a diminuição mesmo a mais ligeira, reverdecia maravilhosamente e se cobria de flores; ora nesta torre inexpugnável em face do inimigo, à qual estão suspensos mil escudos e a armadura completa dos fortes; ora neste jardim fechado que não saberia ser violado e onde nenhuma astúcia pode introduzir a corrupção; ora nesta brilhante cidade de Deus, que tem seus fundamentos sobre as montanhas santas; ora neste augustíssimo templo de Deus, que, brilhando dos esplendores divinos, está cheio da glória do Senhor; ora em uma multidão de outros símbolos da mesma natureza, pelos quais, segundo a tradição dos Padres, a dignidade sublime da Mãe de Deus, sua inocência sem mancha e sua santidade preservada de toda investida, tinham sido admiravelmente figuradas e preditas.
« Para descrever este mesmo conjunto, esta abundância dos dons divinos e esta integridade original da Virgem, de quem nasceu Jesus, estes mesmos Padres, servindo-se das palavras dos Profetas, celebraram a augusta Virgem mesma como a pomba pura, a santa Jerusalém, o trono sublime de Deus, a arca de santificação e a casa que a Sabedoria eterna construiu para si; como esta rainha, que, cheia de delícias e apoiada sobre seu bem-amado, saiu da boca do Altíssimo toda perfeita, toda bela, toda cara a Deus. E considerando em seu coração e seu espírito que a bem-aventurada Virgem Maria foi, em nome de Deus e por sua ordem, chamada cheia de graça pelo anjo Gabriel quando lhe anunciou sua incomparável dignidade de Mãe de Deus, os Padres e os escritores eclesiásticos ensinaram que, por esta singular e solene saudação, da qual não há outro exemplo, é declarado que a Mãe de Deus é o assento de todas as graças divinas, que ela foi adornada com todos os dons do Espírito Santo; bem mais, que ela é como o tesouro infinito do abismo inesgotável destes dons, de sorte que ela nunca foi atingida pela maldição, e que, participando, em união com seu Filho, da bênção eterna, ela mereceu ouvir da boca de Isabel, inspirada pelo Espírito Santo: Você é bendita entre todas as mulheres, e o fruto de seu ventre é bendito.
« Assim, é seu sentimento, não menos claramente expresso que unânime, que a gloriosa Virgem brilhou com tal brilho de todos os dons celestes, com tal plenitude de graça e com tal inocência, que ela foi como um milagre inefável de Deus, ou melhor, o cúmulo de todos os milagres, e em uma palavra Mãe de Deus, e que, aproximada de Deus tanto quanto comporta a natureza criada e mais que todas as criaturas, ela se eleva a uma altura que não podem atingir os louvores nem dos homens nem dos anjos. Para atestar este estado de inocência e de justiça no qual foi criada a Mãe de Deus, não somente eles a compararam frequentemente a Eva, virgem inocente e pura, antes que ela caísse nas emboscadas mortais da astuciosa serpente, mas ainda eles a colocaram acima dela, encontrando mil maneiras admiráveis de expressar esta superioridade. Eva, de fato, obedecendo miseravelmente à serpente, perdeu a inocência original e tornou-se sua escrava; mas a bem-aventurada Virgem, aumentando sem cessar seus dons de origem, longe de jamais prestar o ouvido à serpente, destruiu inteiramente, pela virtude divina que ela tinha recebido, sua força e seu poder.
« É por isso que eles nunca cessaram de chamar a Mãe de Deus: Virgem imaculada e imaculada sob todos os aspectos, — inocente e a própria inocência, — íntegra e de uma integridade perfeita, — santa e isenta de toda mácula de pecado, toda pura, toda casta, o tipo mesmo da pureza e da inocência, — mais bela que a beleza, de uma graça acima de toda espécie de encantos, — mais santa que a santidade, a única santa, — puríssima de alma e de corpo, Virgem que superou toda castidade e toda virgindade, — a única que foi feita toda inteira, o tabernáculo de todas as graças do Espírito Santo, aquela que, abaixo de Deus somente, está acima de todas as criaturas, que por natureza é mais bela, mais perfeita, mais santa que os Querubins e os Serafins, que todo o exército dos Anjos, e cujos, nem sobre a terra, nem no céu, nenhuma língua pode dignamente celebrar os louvores. Esta linguagem, ninguém ignora, passou naturalmente para os monumentos da santa liturgia e para os ofícios eclesiásticos; encontra-se ali aqui e ali, ali reina e ali domina; a Mãe de Deus ali é invocada e louvada como a única pomba de beleza, isenta de corrupção; como a rosa sempre no brilho de sua flor; como inteira e perfeitamente pura, e sempre imaculada e sempre feliz, e ela ali é celebrada como a inocência que não sofreu nenhuma investida, como uma outra Eva que deu à luz o Emanuel.
« Não há, portanto, lugar para se espantar se esta doutrina da Imaculada Conceição da Virgem Mãe de Deus, consignada nas divinas Escrituras, ao julgamento dos Padres, que a transmitiram por seus testemunhos tão expressos e em tão grande número, doutrina que expressam e exaltam tantos ilustres monumentos da venerável antiguidade, e que a Igreja propôs e confirmou pelo mais grave julgamento, não há lugar para se espantar se esta doutrina excitou tanta piedade, sentimentos religiosos e amor junto aos pastores mesmos da Igreja e junto aos povos fiéis, que eles se glorificaram de professá-la de uma maneira de dia em dia mais brilhante, e que nada lhes é mais doce e mais caro do que honrar, venerar, invocar e celebrar por toda parte, com uma devoção ardente, a Virgem Mãe de Deus, concebida sem mancha original. Assim, desde os tempos antigos, os Pontífices, os membros do clero, as Ordens religiosas, os imperadores mesmos e os reis pediram instantemente a este Sede apostólica para definir a Imaculada Conceição da santíssima Mãe de Deus como dogma da fé católica. Estes pedidos foram renovados em nossos dias; foram endereçados sobretudo a Nosso predecessor Gregório XVI, de feliz memória, e a Nós mesmo, seja pelos bispos, seja pelo clero secular, seja pelas Ordens religiosas e pelos povos fiéis.
« Assim, conhecendo perfeitamente todas estas coisas, encontrando nelas para Nós mesmo os motivos da maior alegria e fazendo delas o objeto de um sério exame, mal tínhamos sido, apesar de Nossa indignidade, levado, pelos desígnios misteriosos da divina Providência, a esta cátedra sublime de Pedro, para tomar em mão o leme de toda a Igreja, que, no sentimento de veneração, de piedade e de amor do qual Nós fomos desde Nossa infância penetrado pela santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, Nós não tivemos nada mais no coração do que fazer tudo o que podia ainda desejar a Igreja para honrar mais a bem-aventurada Virgem e dar um novo brilho às suas prerrogativas. Mas, querendo trazer nisso toda a maturidade possível, Nós constituímos uma Congregação particular formada por vários de Nossos veneráveis Irmãos os Cardeais da santa Igreja romana, distinguidos por sua piedade, sua prudência e sua ciência nas coisas divinas; Nós escolhemos além disso, tanto no clero secular quanto no clero regular, homens profundamente versados nas ciências teológicas, a fim de que tudo o que concerne à Imaculada Conceição da Virgem fosse examinado por eles com o maior cuidado, e que eles nos expusessem seu próprio sentimento. E embora o grande número dos pedidos que Nos tinham sido endereçados de definir enfim a Imaculada Conceição da Virgem, Nos fizesse ver claramente qual era neste ponto o sentimento da maioria dos pastores da Igreja, Nós enviamos a todos Nossos veneráveis Irmãos os bispos do mundo católico uma carta encíclica dada em Gaeta em 2 de fevereiro de 1849, para lhes pedir de endereçar a Deus orações, e de Nos fazer saber depois por escrito qual era a piedade e a devoção de seus fiéis para com a Conceição Imaculada da Mãe de Deus, e sobretudo o que eles pensavam eles mesmos da definição a ser tomada; qual era sobre este ponto seu desejo, a fim de tornar Nosso julgamento supremo com toda a solenidade possível.
« Não foi, certamente, uma fraca consolação para Nós quando as respostas de Nossos veneráveis Irmãos Nos chegaram. Colocando ao Nos escrever a pressa de uma alegria e de uma felicidade inexprimíveis, não somente eles Nos confirmaram de novo seus piedosos sentimentos e o pensamento que os anima, eles muito particularmente, e seu clero, e o povo fiel, para com a Conceição Imaculada da bem-aventurada Virgem, mas ainda eles solicitaram de Nós, como pela expressão de um voto comum, que a Imaculada Conceição da Virgem fosse definida pelo supremo julgamento de Nossa autoridade. Nós não experimentamos menos alegria quando nossos veneráveis irmãos os Cardeais da S. E. R. compondo a Congregação especial da qual Nós falamos, e os teólogos consultores escolhidos entre nós, após terem maduramente examinado todas as coisas, Nos pediram com o mesmo zelo e a mesma pressa esta definição da Conceição Imaculada da Mãe de Deus.
« Seguindo os passos gloriosos de Nossos predecessores, e desejando proceder em conformidade com as regras estabelecidas, Nós convocamos e realizamos depois um Consistório onde, após ter falado a Nossos veneráveis irmãos os Cardeais da santa Igreja romana, Nós tivemos a extrema alegria de ouvi-los Nos pedir de querer bem emitir uma definição dogmática a respeito da Imaculada Conceição da Virgem, Mãe de Deus.
« Cheio de confiança em Deus e persuadido de que o momento oportuno tinha chegado de definir a Imaculada Conceição da santíssima Virgem, Mãe de Deus, que atestam e colocam maravilhosamente em luz os oráculos divinos, a venerável tradição, o sentimento permanente da Igreja, o acordo admirável dos pastores católicos e dos fiéis, os atos brilhantes e as constituições de Nossos predecessores; após ter examinado todas as coisas com o maior cuidado e oferecido a Deus orações assíduas e ferventes; pareceu-Nos que Nós não devíamos mais diferir de sancionar e de definir por Nosso julgamento supremo a Imaculada Conceição da Virgem, e de satisfazer assim aos piedosíssimos desejos do mundo católico e à Nossa própria devoção para com a santíssima Virgem, a fim de honrar cada vez mais nEla seu Filho único Nosso Senhor Jesus Cristo, já que tudo o que se rende de honra e de louvor à Mãe retorna à glória do Filho.
A fórmula de definição e suas consequências
O Papa define que a doutrina da Imaculada Conceição é revelada por Deus e deve ser crida firmemente por todos os fiéis sob pena de exclusão.
« Por isso, depois de termos oferecido continuamente, na humildade e no jejum, as Nossas orações particulares e as orações públicas da Igreja a Deus Pai, por seu Filho, para que se dignasse dirigir e fortalecer a Nossa alma com a virtude do Espírito Santo; depois de termos implorado a assistência de toda a Corte celeste e invocado com os nossos gemidos o Espírito consolador; agindo hoje sob a sua inspiração, para honra da santa e indivisível Trindade, para a glorificação da Virgem Mãe de Deus, para a exaltação da Fé católica e para o crescimento da Religião cristã; pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e pela Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina segundo a qual a bem-aventurada Virgem Maria foi, no primeiro instante da sua Conceição, por uma graça e um privilégio especial de Deus todo-poderoso, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, preservada e isenta de toda a mancha da culpa original, é revelada por Deus e que, por conseguinte, deve ser crida formal e constantemente por todos os fiéis. Se, portanto, alguns — o que Deus não permita — tiverem a presunção de pensar no seu coração de modo diferente do que foi definido por Nós, que aprendam e saibam que, condenados pelo seu próprio juízo, naufragaram na fé e abandonaram a unidade da Igreja; e, além disso, que, se por palavra, por escrito ou por qualquer outro meio exterior tiverem expressado esses sentimentos do seu coração, incorrerão pelo próprio fato nas penas estabelecidas pelo direito.
« Nossos lábios se abrem em alegria e a Nossa língua fala em júbilo! Rendemos e nunca cessaremos de render as mais humildes e ardentes ações de graças a Cristo Jesus, Nosso Senhor, que, apesar da nossa indignidade, nos concedeu o favor singular de oferecer e conferir esta honra, esta glória e este louvor à sua santíssima Mãe, e repousamos com uma confiança inteira e absoluta na certeza das Nossas esperanças. A bem-aventurada Virgem, que, toda bela e imaculada, esmagou a cabeça venenosa da cruel serpente e trouxe a salvação ao mundo; que é o louvor dos Profetas e dos Apóstolos, a honra dos Mártires, a alegria e a coroa de todos os Santos; que, refúgio seguro e auxílio invencível de quem quer que esteja em perigo, mediadora e conciliadora todo-poderosa da terra junto ao seu Filho único, glória, esplendor e salvaguarda da santa Igreja, sempre destruiu as heresias; que arrancou das maiores calamidades e dos males de toda espécie os povos fiéis e as nações, e que nos livrou a nós mesmos dos perigos sem número pelos quais éramos assaltados, a bem-aventurada Virgem fará, pelo seu poderoso patrocínio, que, afastados todos os obstáculos e vencidos todos os erros, a santa Igreja católica, nossa Mãe, se fortaleça e floresça cada dia mais entre todos os povos e em todas as regiões; que reine de um mar a outro, das margens do rio até aos confins da terra; que desfrute plenamente da paz, da tranquilidade, da liberdade, a fim de que os culpados obtenham o perdão, os enfermos o remédio, os fracos a força da alma, os aflitos a consolação, aqueles que estão em perigo o socorro; a fim de que todos os que erram, vendo dissiparem-se as trevas do seu espírito, voltem ao caminho da verdade e da justiça, e que haja um só rebanho e um só pastor.
« Que todos os Nossos amados filhos da Igreja católica ouçam as nossas palavras; que perseverem, e com um ardor ainda mais vivo de piedade, de religião e de amor, em honrar, invocar e rezar à bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, concebida sem mancha original, e que recorram com inteira confiança a esta doce Mãe de graça e de misericórdia em todos os seus perigos, angústias, necessidades, temores e pavores. Não há nada a temer, nunca há motivo para desesperar, quando se caminha sob a guia, sob o patrocínio e sob a proteção Daquela que, tendo por nós um coração de mãe e encarregando-se da causa da nossa salvação, estende a sua solicitude a todo o gênero humano. Estabelecida pelo Senhor como Rainha do céu e da terra, exaltada acima de todos os coros dos anjos e de todas as ordens dos Santos, sentada à direita do seu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, as suas orações maternais têm uma força poderosíssima; o que ela quer, ela obtém; ela não pode pedir em vão.
« Finalmente, para que esta definição da Imaculada Conceição da bem-aventurada Virgem Maria chegue ao conhecimento de toda a Igreja, quisemos publicar esta carta apostólica, que conservará para sempre a sua memória; ordenando que as cópias ou exemplares, mesmo impressos, desta carta, se estiverem subscritos por um notário público ou munidos do selo de uma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, façam fé para todos, como se o próprio original fosse apresentado.
« Que não seja, portanto, permitido a nenhum homem infringir este texto da Nossa declaração, decisão e definição, ou, por uma audácia temerária, contradizê-lo e opor-se a ele. Se alguém não temer cometer este atentado, saiba que incorrerá na indignação de Deus todo-poderoso e dos seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.
« Dado em Roma, em São Pedro, no ano da encarnação de Nosso Senhor de mil oitocentos e cinquenta e quatro, no sexto dia dos idos de dezembro, no nono ano do Nosso pontificado ».
Reações e festividades em Roma
A proclamação é recebida com salvas de artilharia, o som dos sinos e um imenso fervor popular reunindo 50.000 pessoas.
PIO IX, PAPA PIE IX, PAPE Papa que canonizou Josafá em 1867. .
Concluída esta leitura, o cardeal decano prostrou-se novamente aos pés do Santo Padre, para agradecer-lhe pelo decreto de definição que acabara de pronunciar, e para suplicar-lhe que o tornasse público por meio de uma Bula autêntica. Ao mesmo tempo, os protonotários apostólicos apresentaram-se, e o promotor da fé, como advogado consistorial, pediu ao Santo Padre que ordenasse a lavratura de uma ata deste ato solene; o soberano Pontífice deu imediatamente as suas ordens para este fim.
Estas últimas cerimônias foram mal percebidas pelo público e pelo clero, que estavam totalmente absorvidos pelo doce pensamento de terem ouvido pronunciar a definição dogmática do grande privilégio da Mãe de Deus.
Mal as últimas palavras da definição haviam escapado dos lábios do Pontífice, o canhão do Castelo de Santo Ângelo anunciou, com tiros redobrados, o grande evento à cidade santa e às regiões vizinhas. Todos os sinos de Roma foram postos a tocar, e as casas adornadas como que por encanto.
Após o *lectio missa est*, o Santo Padre entoou o *Te Deum*, que foi cantado alternadamente pelos cantores da capela papal e pelo coro. O tom com que se cantou este cântico atestava, pela sua vivacidade e brilho, a alegria doce e profunda de que todas as almas estavam penetradas, e acrescentava um novo lustre à festa. O Santo Padre, após a oração de ação de graças, deu a bênção pontifical, recitou o último Evangelho e, adornado com a sua tiara, abençoou no seu trono a coroa de ouro, carregada de pedrarias, que deveria colocar sobre a cabeça da imagem da santa Virgem, que está pintada na capela do altar do capítulo de São Pedro. A coroação ocorreu na presença dos bispos e da multidão imensa que enchia a basílica.
Estimou-se em cinquenta mil o número de pessoas que assistiram à cerimônia da definição; este número não é exagerado. A igreja de São Pedro estava cheia em todas as suas partes, a ponto de a circulação ter se tornado impossível. Não se recordava, em Roma, de ter visto jamais uma multidão semelhante reunida sob as abóbadas de São Pedro.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de A Imaculada Conceição da Santíssima Virgem
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Bula In excelsa de Inocêncio XII (1693) tornando o ofício obrigatório
- Decreto de Clemente XI (1708) tornando a festa obrigatória para toda a Igreja
- Encíclica de Pio IX em Gaeta (2 de fevereiro de 1849) consultando os bispos
- Consistório secreto (1º de dezembro de 1854)
- Definição solene do dogma pelo Papa Pio IX na Basílica de São Pedro, em Roma (8 de dezembro de 1854)
Citações
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Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina segundo a qual a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição... foi preservada imune de toda mancha da culpa original, é revelada por Deus.
Bula Ineffabilis Deus, Pio IX