Nascido no Lauraguais, Pedro Nolasco fundou em Barcelona a Ordem da Mercê, dedicada ao resgate de cristãos cativos dos mouros. Sob a proteção do rei Jaime de Aragão e inspirado por uma visão da Virgem, ele consagrou sua vida e seus bens a libertar centenas de escravos na África e na Espanha. Morreu em Barcelona em 1256, após uma vida de caridade heroica e milagres.
Seus contemporâneos
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Leitura guiada
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SÃO PEDRO NOLASCO,
FUNDADOR DA ORDEM DA MERCÊ
Origens e juventude
Pedro Nolasco nasceu em Lauraguais, no seio de uma família ilustre, e manifestou muito cedo uma compaixão excepcional pelos pobres.
A misericórdia dá um coração compassivo para a miséria, expulsa do coração toda dureza, inunda o coração de uma admirável suavidade.
Santo Antônio de Pádua, *Serm. xxii, após a Trindade*.
Este é um daqueles ilustres fundadores de congregação que a França deu à Igreja. Nasceu na região de Lauraguais, diocese de Saint-Papoul, em um lugar chamado Mas des Saintes Puelles, perto de Castelnaudary, hoje diocese de Carcassonne, de uma das famílias mais ilustres de toda esta província. O lugar chamado hoje Le Mas-Saintes-Puelles chamava-se Recaud antes que três jovens de Toulouse, fugindo da perseguição, ali se refugiassem. Por isso, cantou-se até a introdução do rito romano (1854) em Mas-Saintes-Puelles estas palavras de um ofício aprovado especialmente para esta paróquia por J. B. Marie de Maillé de la Tour Landry, último bispo de Saint-Papoul:
Eleva até os céus teus cânticos de festa, Ó povo de Récoud!
Não é bem justo, com efeito, alegrar-se, e a Igreja inteira não se alegra neste dia em que celebra o triunfo de um desses homens que a Escritura chama de homens de misericórdia? Ainda jovem, Pedro Nolasco sempre demonstrou que nascera para a misericórdia, e que esta virtude lhe fora dada como companheira desde o primeiro instante de sua existência; mal podia olhar para um pobre sem verter lágrimas de compaixão. Seu pai, que se chamava Nolasco, tendo falecido, ele permaneceu, aos quinze anos de idade, sob a condução de sua mãe. Ela bem teria desejado, para o alívio de sua velhice, vê-lo tomar um partido adequado à sua condição. Mas Deus, que o chamava para coisas maiores, colocou em seu espírito um forte pensamento de nunca se apegar a nenhuma criatura mortal. Contudo, o jovem Pedro engajou-se na comitiva de Simão, conde de Montfort, general da cruzada católica contra os albigenses. Simão de Montfort venceu a famosa batalha de Muret, contra os condes de Toulouse, de Foix, de Comminges, e Pedro, rei de Aragão: este último foi morto ali, e seu filho Jaime feito prisioneiro. O vencedor, que fora amigo de Pedro de Aragão, foi tocado pelo infortúnio de seu filho, de sei s anos Jacques Rei de Aragão que apoiou e participou da fundação da ordem. de idade; teve o maior cuidado com ele, confiou sua educação a Pedro Nolasco e enviou ambos para a Espanha.
Vocação e primeiros compromissos
Após ter servido a Simão de Montfort, torna-se preceptor do futuro rei Jaime I de Aragão e instala-se em Barcelona, onde começa a resgatar escravos cristãos.
O Santo tinha então apenas vinte e cinco anos; viveu na corte de Aragão, em Barcelona, com toda a regularidade de um religioso. Desempenhou as suas nobres funções com o maior zelo, inspirando ao jovem rei a piedade para com Deus e a sua Igreja, o amor à justiça e à verdade. Quanto a ele, longe dos prazeres da corte, vivia retirado num palacete que o rei lhe tinha dado, na paróquia de São Paulo, depois de o ter naturalizado e incorporado na nobreza da Catalunha. Dedicava à oração, ao estudo das Sagradas Escrituras e aos exercícios de penitência o tempo que não era obrigado a empregar junto da pessoa do rei. Tinha quatro horas de oração marcadas, a saber: duas de dia e duas de noite. Além disso, sentiu-se tão vivamente tocado de compaixão pelos pobres cristãos que, tendo caído por algum infortúnio nas mãos dos infiéis, gemiam sob uma tão miserável servidão, que de bom grado se teria feito ele próprio escravo para libertar algum deles. Mas tendo São Raimundo de Penaforte o feito moderar esse grande f ervor, julgou dever pelo m saint Raymond de Pennafort Mestre-geral da Ordem dos Pregadores. enos contribuir tanto quanto pudesse, com os seus bens e com esmolas junto dos seus melhores amigos, para um desígnio tão religioso. Com o objetivo de ter mais sucesso, convidou algumas pessoas do seu conhecimento a fazer uma santa aliança sob o nome de Congregação da Santa Virgem, para trabalhar na redenção dos escravos e formar um fundo de esmolas que serviria para esse fim. Contudo, tão felizes começos não foram isentos das maledicências do mundo, que tem o costume de atravessar os mais santos empreendimentos dos servos de Deus. Mas aquele que tinha dado o primeiro pensamento ao generoso Pedro, quis ainda confirmá-lo por uma visão celestial que teve durante a oração; pois pareceu-lhe ver uma oliveira carregada de flores e frutos no meio do pátio de uma casa real, e dois veneráveis anciãos que lhe ordenavam que se sentasse ao pé dessa árvore para a guardar. Acreditou que isso se referia à pequena congregação que já tinha erigido na corte do rei e que desejava estender por toda a cristandade. E, de fato, essa era a verdadeira interpretação daquela visão.
Fundação da Ordem da Mercê
Após uma visão da Virgem Maria compartilhada com o rei e com São Raimundo de Penaforte, Pedro funda oficialmente a Ordem de Nossa Senhora das Mercês em 1218.
Outra vez, no dia da festa de São Pedro ad Vincula, a Santíssima Virgem Maria apareceu-lhe durante a noite e na maior fervor de sua oração, para lhe dizer que era do agrado de Deus que ele trabalhasse no estabelecimento de uma congregação, que seria empregada na libertação dos cativos, sob o título de Nossa Senhora das Mercês, e que faria profissão de retirar os fiéis, escravos, das mãos dos bárbaros. Pedro, espantado com esta visão, tomou a ousadia de falar àquela que via e de lhe dizer: «Quem sois vós, para saber tão bem os segredos de Deus? E quem sou eu, para cumprir uma missão tão grande?» A Virgem respondeu-lhe: «Eu sou Maria, Mãe de Deus, que trouxe o primeiro Redentor do mundo, e que quero ter entre os cristãos uma nova família que faça de alguma forma o mesmo ofício por amor ao meu Filho em favor de seus irmãos cativos». Imediatamente Pedro, todo transportado de alegria, foi ao palácio para informar o rei do que havia acontecido; mas ficou ainda mais consolado quando soube que este príncipe havia sido favorecido na mesma hora por uma visão semelhante, assim como São Raimundo de Penaforte, da Ordem de São Domingos.
O rei, tendo chamado Berengário de La Palu, bispo de Barcelona, e os principais de seu conselho, ficou decidido que no dia de São Lourenço, o hábito religioso seria dado a Nolasco, a fim de que ele fosse como a primeira pedra deste grande edifício. Foi, portanto, neste dia prescrito que o rei, seguido por São Raimundo, pelo nosso Santo, por toda a corte e pelos vereadores da cidade, dirigiu-se à igreja de Santa Cruz de Jerusalém, catedral de Barcelona, onde o bispo com o clero o recebeu à porta, cantando o Te Deum, e celebrou a missa pontifical. Após o Evangelho, São Raimundo subiu ao púlpito e fez saber ao povo a vontade de Deus, revelada ao rei, a Nolasco e a ele, tocante à instituição da Ordem de Nossa Senhora das Mercês para o resgate dos cativos; e após o ofertório, o rei e São Raimu ndo apresentaram o novo fundado Ordre de Notre-Dame-de-la-Merci Ordem religiosa e militar dedicada ao resgate de cativos cristãos. r ao bispo, que, tendo abençoado a túnica branca, o escapulário e as outras partes do novo hábito religioso, revestiu o bem-aventurado Pedro na presença de todo o povo, e com ele dois senhores daqueles que tinham sido seus primeiros associados para recolher as esmolas destinadas aos escravos. Eles fizeram os votos solenes de religião e acrescentaram um quarto, pelo qual se obrigaram a empenhar seus bens e suas próprias pessoas, quando fosse necessário, para a libertação dos prisioneiros; e é isso que distingue esta Ordem das outras. O rei, em testemunho de sua benevolência, presenteou-o com suas armas, que são de ouro com quatro palas de goles, e o bispo, por sua vez, pediu que lhe permitissem acrescentar as da igreja catedral, que são uma cruz de prata de São João de Jerusalém, em campo de goles; a fim de que as armas reais, sendo, por este meio, unidas às da religião, fossem mais conformes ao espírito do Instituto. Ao final da missa, o rei tomou o novo religioso e seus dois companheiros e, seguido pelo bispo, por São Raimundo, pela nobreza e pelos vereadores da cidade, conduziu-os ao seu palácio, onde os colocou na posse de uma parte dos edifícios que deveriam servir-lhes de primeira morada: seus sucessores desfrutaram dela desde então.
Missões de redenção e milagres
Ele lidera expedições a Valência e Granada para libertar centenas de cativos e auxilia o rei na reconquista de Valência, marcada por sinais celestiais.
Deus, continuando a derramar suas bênçãos sobre esta nova Ordem, atraía a ela dia após dia várias pessoas notáveis, que, de escravas do mundo, tornavam-se redentoras dos cativos: e, como o número de religiosos começava a crescer, o bem-aventurado Pedro pediu ao rei permissão para escolher algum lugar na cidade para construir um mosteiro; a igreja de Santa Eulália, à beira-mar, foi o local mais conveniente que se pôde encontrar.
Entretanto, o rei de Aragão, não diminui ndo em nada roi d'Aragon Rei de Aragão que apoiou e participou da fundação da ordem. a afeição que sempre teve por seu governador, mandou fazer um apartamento junto ao convento da Mercê, que lhe serviria de residência habitual. Assim, a virtude deste bom religioso foi mais poderosa para atrair o rei de seu palácio ao mosteiro do que o crédito do rei para fazer vir o religioso do claustro à corte. Embora este príncipe, de fato, desejasse que ele lhe fizesse companhia na viagem que deveria fazer para celebrar suas núpcias na cidade de Ágreda, não foi possível fazê-lo abandonar sua cela. Mas nota-se que o que ele havia recusado por modéstia, aceitou outra vez por caridade: querelas entre Dom Nugier Sanchez, primo-irmão do rei, e Dom Guilherme de Moncada, visconde de Béarn, haviam dividido tanto Aragão e acendido uma guerra tão grande, que o próprio rei, que deveria ser juiz dessas disputas, estava em perigo de sua pessoa pelo artifício e pela violência dos dois partidos. Como cada um deles queria ter o Santo do seu lado, ele veio até o rei; e, tendo recebido comissão de Sua Majestade, foi encontrar os chefes das duas facções e negociou tão prudentemente este assunto, que contentou a todos e providenciou ao mesmo tempo o alívio do povo. Além disso, estando o rei como prisioneiro há três semanas no castelo de Saragoça, o bem-aventurado Pedro dirigiu-se para lá e, após ter solicitado longamente a Deus por suas orações, tratou o assunto com tanta destreza que o rei recebeu a satisfação que desejava e teve meios de retornar a Barcelona.
Após ter dado estas provas de apego ao seu príncipe, despediu-se dele para ir em peregrinação a Nossa Senhora de Montserrat; e, a fim de satisfazer mais secretamente sua devoção, foi a Manresa, como se não tivesse intenção de passar por Barcelona; e, estando lá, colocou-se no estado que desejava e fez a viagem com os pés descalços, após o que retornou ao seu mosteiro. Assim que chegou, reuniu seus religiosos e representou-lhes que não era suficiente para a perfeição de sua Ordem resgatar alguns cativos, como faziam, sem sair das terras sujeitas aos príncipes cristãos, mas que era preciso também se transportar para os países infiéis, a fim de retirar os cordeiros da boca dos lobos e libertar os cristãos, seus irmãos, da mão de seus inimigos. Como não podiam ir todos juntos, procederam à eleição daqueles que fariam primeiro esta viagem e que, por este motivo, foram chamados *Redentores*.
Ele mesmo foi nomeado, para, por assim dizer, quebrar o gelo e abrir o caminho aos outros. E, olhando esta eleição como um mandamento do céu, dispôs-se a ela com a diligência e a devoção que se pode imaginar. Empreendeu, portanto, esta viagem na resolução de não empregar na redenção dos fiéis apenas os dinheiros que haviam sido amealhados, mas também seu sangue e sua vida.
Foi primeiramente ao reino de Valência, ocupado então pelos sarracenos: bem longe de encontrar ali o desprezo que sua humildade o fizera esperar, não recebeu senão honra; é por isso que, após ter executado seu desígnio c om quase toda a va royaume de Valence Local dos primeiros estudos de Ismidon. ntagem e toda a facilidade que podia desejar, voltou imediatamente a Barcelona, trazendo em um humilde triunfo um grande número de pobres inocentes, que a desgraça havia reduzido à servidão. Não estava de volta há muito tempo quando fez uma nova coleta e partiu uma segunda vez para ir ao reino de Granada. Retirou das mãos dos infiéis, nessas duas expedições, cerca de quatrocentos escravos. Se sua caridade encheu os cativos de consolação, não causou menos espanto aos bárbaros a quem ele pregava generosamente as verdades cristãs e os mistérios de nossa religião. É sem dúvida por causa deste grande zelo que Deus deu tal bênção aos seus trabalhos, que ele completou com uma maravilhosa facilidade tudo o que empreendeu.
Nolasco teria bem desejado continuar suas caridosas funções; mas, como o rei de Aragão havia empreendido a conquista de Valência sobre os sarracenos, após ter-lhes tomado a ilha de Maiorca, no ano de 1228, a interdição do comércio e os atos de hostilidade de parte a parte constrangeram os Padres a interromper este piedoso exercício durante alguns anos.
Entretanto, isso não deixou de ser vantajoso para a redenção dos cativos, seja pelas vitórias frequentes e assinaladas que o rei de Aragão obteve sobre os infiéis, seja pela fundação de vários mosteiros da Mercê que ele erigiu nas terras conquistadas sobre os inimigos. O mais célebre de todos foi fundado quando, tendo ganho sobre Zaen, rei dos mouros de Valência, uma grande vitória da qual seguiu a tomada da montanha de Unéza, o rei mandou ao bem-aventurado Pedro, que estava em Barcelona, que viesse encontrá-lo com diligência. E, assim que chegou, deu à sua Ordem o castelo de Unéza, em reconhecimento da vitória que aprouvera a Deus fazê-lo obter sobre esses infiéis, e ali mandou construir um mosteiro e uma igreja em honra de Nossa Senhora: de fato, diante do sucesso de suas armas à intercessão de Maria, era justo que ele lhe consagrasse a glória de suas conquistas erigindo-lhe estes ilustres troféus.
Enquanto se trabalhava nos fundamentos desta nova igreja que se chama na Espanha Santa Maria del Puche, por causa do lugar, aconteceu uma coisa digna de nota: durante quatro sábados, viu-se aparecer à noite sete luzes brilhantes como estrelas, que, descendo do céu por sete diversas vezes, iam esconder-se sob a terra no local mesmo onde se cavavam as fundações. Prestaram atenção e, cavando mais adiante, encontraram um sino de uma prodigiosa grandeza, no qual havia uma belíssima imagem de Nossa Senhora. O bem-aventurado Pedro recebeu-a entre seus braços como um rico dom do céu e mandou erguer-lhe um altar no mesmo lugar onde foi encontrada; e Deus ali operou, desde aquele tempo, numerosos milagres.
Esta graça celestial deu motivo ao santo homem para exortar o rei à perseguição do cerco de Valência; e, embora o conselho fosse de opinião contrária, todavia o príncipe confiou nas palavras de Nolasco, que lhe prometia o sucesso da parte de Deus. Ele continuou o cerco e tomou finalmente a cidade com o socorro do céu e das armas da nobreza francesa que veio, sem ser chamada, oferecer-lhe seus serviços em tão santa empresa, onde estava em jogo a glória de Deus e o interesse da religião cristã.
A provação de Argel
Durante uma missão na África, ele é aprisionado por piratas após tentar salvar uma nobre dama, antes de retornar milagrosamente à costa espanhola.
A primeira ação do rei, após sua entrada na cidade, foi fazer com que o bispo de Narbona consagrasse a grande mesquita como igreja catedral, sob o título de São André, e dar aos religiosos da Mercê outra mesquita, onde ficou a igreja e o mosteiro da Ordem. Nosso Santo organizou esta casa e, após tê-la entregue nas mãos de alguns religiosos, retornou a Barcelona; não passou muito tempo lá sem fazer os preparativos para uma terceira viagem para uma nova redenção. Como encontrara entre os mouros de Granada e de Valência mais doçura do que desejava para satisfazer sua humildade, resolveu partir para a África e foi desembarcar em Argel, costa há muito esquecida pelos marinheiros europeu s, ma Alger Cidade associada à fonte litúrgica do texto. s desde então muito frequentada pelos Padres da Mercê.
Ele ia buscar os fiéis cativos nas masmorras dos turcos, com mais cuidado e alegria do que os mais avarentos buscam o ouro nas entranhas da terra ou as pérolas no fundo do mar. Mas, enquanto trabalhava para libertar os escravos, os turcos esforçavam-se por fazer prisioneiros aqueles que eram livres. Um pirata, retornando de sua incursão, chegou a Argel com uma fragata cheia de passageiros cristãos, entre os quais havia uma dama catalã chamada Teresa de Vibaure: era uma pessoa de alta qualidade, acompanhada por um de seus irmãos com quem voltava de Roma para receber de Sua Santidade a conclusão de um litígio que ela tinha com o rei de Aragão. Quando o pirata chegou ao porto, os uivos extraordinários daqueles lobos famintos fizeram o Padre julgar prontamente que tinham feito alguma nova captura: por isso, ele dirigiu-se rapidamente ao local e, descobrindo aqueles pobres prisioneiros, aproximou-se deles a fim de misturar suas lágrimas com seus suspiros e suavizar sua dor, testemunhando-lhes o pesar que sentia e oferecendo a cada um deles sua liberdade e sua vida para sua libertação. Mas quando avistou Teresa, que vira poucos anos antes na prosperidade, prometeu-lhe todo tipo de assistência e foi imediatamente tratar do resgate de todos aqueles cativos com o pirata que os trouxera. Este, não sabendo a qualidade de seus escravos, deixou-os por um preço módico e, tendo recebido o pagamento, colocou-os nas mãos do Padre. Um marinheiro tendo descoberto a qualidade daquela dama e de seu irmão, o chefe dos piratas apoderou-se novamente de suas pessoas; e, como se tivesse sido enganado pelo Padre, tratou-o injuriosamente e ameaçou-o até de morte. São Pedro, para deter o alvoroço, aumentou o resgate; e, porque não tinha com que pagar, obteve tempo para enviar à Espanha a fim de buscar a soma necessária, sob a condição de que os escravos fossem colocados em lugar seguro e que ele tivesse a liberdade de visitá-los. Ele escreveu ao rei de Aragão, e os cativos escreveram também aos seus parentes; mas a demora na resposta e as incomodidades da servidão, insuportáveis para pessoas delicadas, levaram-nos a buscar sua liberdade sem o conhecimento do Padre; e um judeu da terra os retirou secretamente uma noite e os fez passar alguns dias depois para a Espanha.
No dia seguinte, os piratas, não encontrando mais o melhor de seu espólio, apoderaram-se do bem-aventurado Padre, sem outra informação, carregaram-no de insultos e golpes, colocaram-no em uma masmorra e fizeram-no comparecer em juízo como um ladrão, um sedutor, um falsário e o único autor da fuga dos escravos. O cádi ou juiz, não encontrando nenhuma prova contra ele, não ousou condená-lo; mas ele, desejando sofrer e temendo que fizessem algum mau tratamento aos outros cativos, ofereceu-se para ser escravo no lugar dos fugitivos ou daqueles que quisessem, enquanto o religioso que estava em sua companhia iria buscar o resgate na Espanha. O pirata, avarento e artificioso, querendo ter dinheiro e vingar-se, preferiu reter como refém o religioso que o Padre destinava a esta viagem e quis que ele mesmo se pusesse ao mar para buscar o resgate dos outros. Ele fez colocar no mar duas barcas chamadas tartanas: em uma, que fazia água por todos os lados, fez embarcar o Padre, com ordem aos marinheiros, assim que estivessem em alto mar, de abandoná-lo sem velas nem leme, e que, ao retornarem, fingissem que a tempestade havia perdido o navio onde estava o cristão. Sua ordem foi executada, mas não com o sucesso que pretendia, porque Deus quis garantir do naufrágio aquele que só ia sob a condução de sua graça. A tempestade que os turcos haviam escolhido para exercer sua fúria cessou: a calma retornou. Deus mesmo serviu de guia à tartana, e o Padre, fazendo de seu corpo o mastro e de seu manto a vela, com o favor de um vento propício, atravessou o mar e chegou em poucas horas às costas e finalmente ao porto de Valência, para grande espanto de uma infinidade de pessoas que o viram chegar.
Assim que desembarcou, foi render graças a Deus na igreja de Nossa Senhora del Puche, da qual falamos acima; foi seguido por todo o povo, que deu mil louvores a Deus pela maravilha deste sucesso e que fez, na hora, grandes esmolas para libertar o mais rápido possível o religioso e o restante dos cristãos cativos em Argel; eles foram logo resgatados e trazidos a Valência, onde este bem-aventurado Padre os esperou e os recebeu com ternuras que não se podem expressar por palavras. Os religiosos de Barcelona, tendo aprendido o admirável retorno de seu santo Padre, enviaram-no suplicar que viesse consolá-los com sua presença, que lhes era muito necessária: ele foi; mas, se lhes deu essa consolação, recebeu também muita ao ver o zelo que tinham para se sacrificar inteiramente às obras de caridade e buscar a ocasião do martírio. Algum tempo depois, ele reuniu os principais da Ordem para renunciar ao ofício de redentor, que lhe fora imposto, e proceder à eleição de outro que se desempenhasse dignamente desta função: a sorte caiu sobre o P. Guilherme Bas. Ele quis ao mesmo tempo renunciar também ao cargo de geral para viver o resto de seus dias como um simples religioso; mas, qualquer razão que alegasse para fazer aceitar seu desígnio, ninguém quis consentir. Tudo o que pôde fazer por suas orações e por suas lágrimas foi obter finalmente a eleição de um vigário geral que o aliviasse em suas visitas e nas outras fadigas da Ordem; e este foi o P. Pedro de Amor. Assim Nolasco, vendo-se um pouco mais livre, aplicou-se com um novo zelo aos mais humildes ministérios da comunidade e retomou os primeiros exercícios do noviciado. Entre outras coisas, ele se comprazia extremamente em distribuir esmolas aos pobres, à porta do mosteiro, porque, durante esse tempo, ele tinha o meio de compartilhar com eles a esmola espiritual e de exortá-los à paciência e ao amor de Deus.
Vida mística e humildade
Favorecido por visões de São Pedro e dotado do dom da profecia, ele recusa honrarias e retira-se para as tarefas mais humildes de seu mosteiro.
Ele era frequentemente favorecido com visões celestiais pelas quais Nosso Senhor lhe fazia conhecer o progresso de sua Ordem e a melhor maneira de conduzir seus religiosos. Um sábado, enquanto assistia com os outros à bênção que se canta à noite na igreja, ele considerava todos os seus religiosos, e como lhe parecia que o número era pequeno, todo arrebatado, fora de si, disse com uma voz inteligível e acompanhada de suspiros e lágrimas: «Como! Senhor, sereis avaro para com vossa mãe, sendo tão liberal para com todas as vossas criaturas? Ó Senhor, se é a minha insuficiência que faz secar a fonte de vossas graças, apagai do livro da vida este servo inútil e dai filhos à divina Maria». Então, ouviu-se na igreja uma voz que pronunciou estas palavras: «Não temais, pequeno rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o seu reino». Estas palavras encheram os assistentes de espanto e o Santo de alegria, e ele teve logo a consolação de ver esta promessa cumprida pelo aumento dos religiosos e dos mosteiros que foram fundados em vários lugares da cristandade.
Ele sempre tivera um desejo extremo de fazer a viagem a Roma para ali render seus votos no sepulcro de São Pedro, o príncipe dos Apóstolos, a quem era muito devoto, porque dele trazia o nome. Esta devoção renovou-se e até aumentou após o estabelecimento de sua Ordem, e ele resolveu fazer o caminho descalço. Um dia, pois, que meditava sobre este empreendimento, ouviu uma voz que lhe disse por três vezes: «Pedro, já que não vieste ver-me, eu venho visitar-te». E imediatamente viu o príncipe dos Apóstolos no mesmo estado em que estava quando foi crucificado, que lhe disse: «Pedro, nem todos os bons desejos dos justos devem ser cumpridos nesta vida: eu quis ter a cabeça para baixo na minha morte, para fazer conhecer que os superiores devem levar seu espírito e seu pensamento às necessidades de seus inferiores, à imitação de meu mestre, que, antes de morrer, levou sua cabeça aos meus pés a fim de lavá-los».
Desde esta visão, não passava dia sem fazer alguma devoção particular a São Pedro; assim, ordenava a um religioso que o amarrasse a uma cruz que estava na cabeceira de sua cama, e passava horas inteiras na mesma postura em que tinha visto aquele apóstolo. O que praticou por muito tempo, até que seu pai espiritual, percebendo que esta mortificação trazia um prejuízo notável à sua saúde, proibiu-o de continuar. Ele tinha uma forte inclinação para a solidão; por isso, teria querido passar o resto de seus dias no deserto de Montserrat com os outros eremitas que lá viviam, mas foi dissuadido por São Raimundo, seu confessor, que lhe assegurou que Deus o chamava para outra coisa: este conselho de seu pai espiritual foi confirmado por uma voz que lhe dizia: «Pedro, levanta os olhos e olha»; e ele viu pessoas de todas as condições que entravam no paraíso.
Ele era tão humilde que se intitulava ao final de suas cartas ora Pedro Nolasco, servo inútil; às vezes, as varreduras do mundo; outras vezes, o verdadeiro nada. E como lhe ponderaram que esses títulos pareciam ridículos, ou pelo menos pouco decentes à sua dignidade, ele respondeu que, sendo as assinaturas inventadas para expressar quem somos, ele se qualificava tal como queria ser estimado pelos outros.
Deus o havia favorecido com o espírito de profecia para conhecer as coisas futuras, as que eram presentes e ocultas; pois ele previu, assim como vimos, o feliz sucesso do cerco de Valência a Dom Jaime, rei de Aragão, e reconheceu que dois homens, que se apresentavam a ele sob o pretexto de lhe pedir o hábito de sua Ordem, eram assassinos que vinham com o desígnio de tirar-lhe a vida.
Encontro com São Luís e falecimento
Após ter encontrado o rei da França Luís IX, ele morre em Barcelona na noite de Natal de 1256, exausto por suas austeridades e sua avançada idade.
Ele não foi apenas honrado pelos reis de Aragão e da Espanha, mas também pelo grand e São Luís, saint Louis Rei da França de quem Thomas Hélye foi capelão. rei da França, que, ao ouvir falar de suas ações milagrosas e de sua vida exemplar, desejou vê-lo e fez saber seu desejo. O Santo aproveitou a ocasião para ir beijar-lhe as mãos quando este príncipe, para deter o progresso de Raimundo, último conde de Toulouse, fez uma viagem ao Languedoc por volta do ano de 1243. O rei recebeu-o com grandes demonstrações de alegria e reteve-o por algum tempo em sua corte, onde lhe comunicou os desígnios que tinha para o serviço de Deus e, particularmente, sobre a liberdade dos cristãos que sofriam na Terra Santa sob o jugo dos infiéis. Contraiu até mesmo uma amizade particular com ele, e manteve contato desde então por cartas que lhe escrevia frequentemente, recomendando seus Estados e sua pessoa às suas orações e às dos religiosos de sua Ordem. Enfim, este rei santíssimo tinha tanta estima pelas virtudes e méritos de São Pedro Nolasco que, vendo-se prestes a passar com seus exércitos pelas terras dos infiéis, pediu-lhe, por amor a Deus, que quisesse ser da partida e segui-lo na conquista que esperava fazer da Palestina.
Nosso Santo já era muito idoso e estava muito enfermo: no entanto, como se o pensamento deste empreendimento, que ele acreditava ser muito glorioso, lhe tivesse dado novas forças, saiu da cama e começou a preparar-se para sua viagem, colocando a ordem necessária nos assuntos de seu mosteiro durante sua ausência. Mas os esforços da velhice não podem ser de longa duração, especialmente em um corpo que as grandes austeridades não quebraram menos do que a idade. Seu zelo e seu extremo ardor serviram apenas para fazê-lo cair em uma fraqueza maior; de modo que, sentindo-se diminuir a cada dia, viu-se obrigado com dor a voltar para a cama e contentou-se em fazer saber ao rei da França sua boa vontade e as poucas forças que tinha para colocá-la em execução.
O dia do nascimento do Salvador aproximando-se, quando os fiéis concebem os maiores sentimentos de alegria, as dores de sua doença redobraram: ele demonstrou uma alegria particular, estando arrebatado por tomar parte nos sofrimentos de Jesus menino deitado na manjedoura. E, embora os médicos não fossem de opinião que ele saísse de sua cela para ir à igreja, ele não deixou, contudo, de estar em seu lugar no coro, sem saber de que maneira tinha sido levado até lá. O serviço terminado, levantou-se sozinho e foi para sua cela como se nunca tivesse tido enfermidades; mas, assim que lá chegou, suas convulsões recomeçaram, e os religiosos, tendo-o colocado de volta em sua cama, pediram-lhe que lhes dissesse como tinha sido transportado; ele respondeu que era preciso louvar a Deus, Pai de misericórdia e de toda consolação, e sua santa Mãe, protetora da Ordem, e que era tudo o que podia dizer.
A enfermidade que sentiu naquela noite de Natal avançou muito o último dia de sua vida. Reconhecendo, portanto, que seu fim estava próximo, suplicou que lhe dessem o santo Viático. Quando viu que o traziam, a devoção lhe forneceu novas forças; e, saltando da cama, saiu de seu quarto, arrastou-se de joelhos até chegar aos pés daquele que segurava o Santíssimo Sacramento na mão; e lá, repetindo frequentemente estas palavras com um grande transporte de fervor: «De onde me vem esta honra que meu Senhor venha a mim?», caiu de fraqueza. Os religiosos, tomando-o em seus braços, colocaram-no de volta em sua cama, onde recebeu com admiráveis testemunhos de doçura e consolação interior o corpo precioso de seu Deus. Então, fazendo chamar todos os irmãos, disse-lhes que tinha duas graças a pedir-lhes: uma, que lhe perdoassem o mau exemplo que lhes tinha dado e sua negligência no governo da Ordem; a outra, que elegessem em seu lugar um geral, a fim de que pudesse morrer com o mérito da obediência. Os religiosos, preferindo nesta extremidade sua consolação ao costume das Ordens regulares, consentiram em seu desejo, persuadidos de que ele nomearia aquele que julgasse mais apto a sustentar este encargo; então ele declarou e assegurou que o irmão Guilherme Bas era aquele que o céu destinava para a condução da Ordem.
Os religiosos, deferindo à nomeação de seu santo patriarca, prestaram imediatamente ao novo geral os primeiros atos de obediência. Quando o Santo se viu descarregado deste fardo e não teve mais nada a pensar senão no assunto de sua salvação, aplicou-se inteiramente aos exercícios da devoção; ora conversava com Deus e com a santíssima Virgem; ora falava ao príncipe dos Apóstolos, outras vezes ao seu anjo da guarda, e seus colóquios eram acompanhados pelas lágrimas de uma perfeita contrição e seguidos de êxtases que o faziam parecer como se tivesse entregado a alma. Uma vez, entre outras, recitando o salmo L, *Miserere mei Deus*, etc., tendo chegado a estas palavras: *Asperges me, Domine*: — «Sim, Senhor, vossa misericórdia me lavará no banho salutar de vosso sangue, e eu me tornarei mais branco que a neve», permaneceu tanto tempo fora de si, que foi tido por morto, até que enfim retomou sua oração e continuou os movimentos de seu fervor. O rei de Aragão escreveu-lhe cartas nesta última doença, e o bispo de Barcelona veio vê-lo e deu-lhe sua bênção pastoral. Em seguida, o bom pai, olhando seus filhos ao redor de sua cama, e levantando os olhos e as mãos ao céu, deu-lhes a sua, a qual foi seguida de um agradável odor que perfumou todo o quarto. Enfim, munindo-se do sinal salutar da santa cruz, expirou em sua presença, na noite de Natal do ano de 1256, com cinquenta e nove anos, ou sessenta e seis, segundo diversos autores. Seu corpo foi sepultado na sepultura ordinária dos religiosos, como ele tinha ordenado; mas, oitenta e sete anos depois, no ano de 1343, foi retirado por ordem do Papa e transportado para uma capela dedicada ao Santíssimo Sacramento do altar, onde o povo cristão, ao honrar seus preciosos restos mortais, tem frequentemente recebido de Deus graças extraordinárias que foram tidas como milagres.
Culto e posteridade
O seu culto foi estendido à Igreja universal no século XVII, enquanto a sua ordem se propagava pela Europa e pelas Américas.
Eis como São Pedro Nolasco tem sido representado: Anjos o carregam ao coro para que ele possa assistir ao ofício com seus irmãos; isso supõe que o Santo era idoso. — Coloca-se ao lado dele, como aliás ao lado de todos os santos da Ordem das Mercês, o brasão de Aragão ou, melhor dizendo, da Catalunha, que os espanhóis chamam de as quatro barras sangrentas de Aragão: estas quatro barras são encimadas pela cruz branca da Ordem. A respeito das quatro barras sangrentas de Aragão, certos heraldistas afirmam que, após uma grande batalha, um de nossos imperadores carolíngios encontrou o marquês francês da Catalunha gravemente ferido na ação e, mergulhando a mão no sangue do guerreiro, traçou no escudo quatro linhas vermelhas, dizendo: Estas serão doravante as vossas armas. Quanto à concessão do brasão aragonês feita aos religiosos das Mercês, ela se explica pela afeição de Jaime I, de quem São Pedro fora preceptor. — Coloca-se entre suas mãos um ramo de oliveira, símbolo de sua missão de paz entre cristãos e muçulmanos: é preciso admitir, contudo, que este atributo não é suficientemente característico. — Ele é frequentemente pintado acompanhado de prisioneiros por ele libertados: masmorras e poternas escuras, correntes e galés podem figurar aqui. — A seus pés há um sino no qual se vê uma imagem de Nossa Senhora, e sobre o qual desce um rastro luminoso semeado de sete estrelas: isso recorda a fundação de Nossa Senhora das Mercês perto de Valência. Relatamos o fato na vida do Santo. — Ele segura na mão uma cruz de haste longa: esta cruz é dada frequentemente aos fundadores de Ordens religiosas que, não sendo abades, não têm o direito de portar báculo. — A este mesmo título de fundador de Ordem, pode-se colocar o crucifixo em uma mão e uma bandeira na outra, sendo esta última o símbolo do recrutamento. — A Santíssima Virgem entrega a Pedro Nolasco o escapulário de Nossa Senhora das Mercês. — São Pedro Nolasco é naturalmente o padroeiro de sua Ordem: ele é particularmente honrado em Barcelona.
## CULTO DE SÃO PEDRO NOLASCO.
Em 1628, o Papa Urbano VIII permitiu aos religiosos das Mercês solenizar sua festa em 29 de janeiro , recitando o of pape Urbain VIII Papa que beatificou Josafá. ício divino e celebrando a missa em sua honra. Em decorrência desta permissão, várias igrejas catedrais da Espanha inseriram-na em seu calendário e ordenaram o ofício e a missa solene. Desde então, o Papa Alexandre VII fê-lo colocar com muitos elogios no martirológio romano e estendeu o ofício e a solenidade a toda a Igreja. E Clemente X, sendo suplicado pela rainha da França Maria Teresa da Áustria, ordenou que este ofício fosse duplo. Ele foi transferido de 29 para 31 de janeiro, que é atualmente o seu dia próprio.
A diocese de Carcassonne celebra esta festa sob o rito duplo maior, e Mas-Saintes-Puelles, privada desde os dias nefastos da Revolução Francesa de uma comunidade da Ordem das Mercês, não deixa de celebrar todos os anos, em 31 de janeiro, com toda a pompa possível, a solenidade daquele que o ofício particular desta paróquia chamava de São Pedro Nolasco, filho da igreja de Mas-Saintes-Puelles, e a população inteira visita mais especialmente neste dia as ruínas do castelo de nosso bem-aventurado. Finalmente, como para seguir os passos do Papa Clemente VI, em 1343, Dom de la Bouillerie, bispo de Carcassonne, quis que em 31 de janeiro a paróquia de Mas-Saintes-Puelles celebrasse ao mesmo tempo a festa da Adoração perpétua do Santíssimo Sacramento e a de São Pedro Nolasco.
O R. P. François Zomel, geral da Ordem das Mercês e teólogo muito sábio, escreveu em latim a vida deste santo fundador. Depois, outros a compuseram em francês, italiano e espanhol; e aqueles que escreveram a história da Igreja de seu tempo falaram dele com muita honra. O martirológio da Espanha relata coisas muito dignas de serem lidas pelos sábios. Para terminar, acrescento que é verdade que se duvidou por muito tempo se São Pedro Nolasco teria sido sacerdote; mas as razões apresentadas pelo R. P. Marc Salomon, geral desta Ordem e nomeado para um bispado, são inteiramente convincentes para persuadir que ele o foi, e que celebrou sua primeira missa na cidade de Múrcia, quando o rei Jaime a expulsou de lá os maometanos.
Sua Ordem estendeu-se por todas as províncias da Espanha e está estabelecida nas melhores cidades da Itália. Houve poucas casas na França. Estes religiosos foram os primeiros sacerdotes que passaram para a ilha de São Domingos, para o Peru e para o México; foram dos mais zelosos em anunciar o Evangelho e em trabalhar pela conversão dos indígenas; além dos conventos que possuem no Brasil, tiveram até oito florescentes províncias nas outras partes da América, com um grande número de curas. Não se pode dizer o número de cativos que estes santos REDENTORES tiraram dos ferros, de cristãos abalados que sustentaram, fortaleceram e animaram ao martírio, de idólatras que iluminaram com a luz do Evangelho e de pecadores que converteram. Como seu instituto os obrigava continuamente a se colocar à mercê dos turcos e dos bárbaros, muitos sofreram grandes tormentos e até foram martirizados pelo nome de Jesus Cristo. Muitos também se tornaram ilustres por sua doutrina e foram elevados a prelaturas muito consideráveis. Finalmente, esta mesma Ordem aumentou notavelmente no século XV com a ereção de uma congregação de Descalços de ambos os sexos, que, em um grande número de conventos na Espanha, na Itália e na Sicília, tiveram por objetivo, como os Padres das Mercês, resgatar os cristãos escravos.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de São Pedro Nolasco
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Engajamento na cruzada contra os albigenses com Simão de Montfort
- Educação do jovem rei Jaime I de Aragão em Barcelona
- Visão da Virgem Maria pedindo a fundação de uma ordem para o resgate dos cativos
- Fundação da Ordem de Nossa Senhora das Mercês no dia de São Lourenço
- Viagens de redenção a Valência, Granada e Argel
- Milagre da travessia marítima em uma tartana sem leme
- Renúncia aos seus cargos para terminar a vida como um simples religioso
Citações
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Eu sou Maria, Mãe de Deus... que desejo ter entre os cristãos uma nova família que cumpra, de certa forma, o mesmo ofício por amor ao meu Filho em favor de seus irmãos cativos
Visão da Santíssima Virgem -
Pedro, já que não vieste me ver, eu venho visitar-te
Visão de São Pedro