Sacerdote da Ordem dos Teatinos nascido no século XVI, André Avellino foi um reformador zeloso e amigo de São Carlos Borromeu. Após uma carreira como jurista e superior religioso marcada por numerosos milagres, faleceu de apoplexia no início da missa aos 88 anos. É invocado para obter uma santa morte.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
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SANTO ANDRÉ AVELLINO DE CASTRONUOVO,
CLÉRIGO REGULAR TEATINO
Juventude e formação jurídica
Nascido Lancelot em Castronuovo, o futuro santo André Avellino distingue-se pela sua piedade precoce e pelos seus estudos brilhantes em filosofia em Veneza e, posteriormente, em direito em Nápoles.
Este bem-aventurado sacerdote, um dos mais belos ornamentos da Ordem dos Clérigos Regulares Teatinos, nasceu em Castronuovo, pequena cidade do reino de Nápoles, de João Avellino e Margarida, cuja piedade os tornava mais recomendáveis do que qualquer vantagem da fortuna. Chamaram-no Lancelot no batismo, e ele portou este nome até a sua entrada na Ordem dos Teatinos, onde, por devoção à cruz, tomou o d e And André Santo teatino, discípulo e amigo de João Marinoni. ré. A sua infância foi tão pura e tão inocente que não parecia ter herdado as paixões desregradas do velho Adão. Começou desde então a honrar singularmente a Santíssima Virgem e a rezar todos os dias o terço: o que observou fielmente pelo resto da sua vida.
Após os seus primeiros estudos, foi enviado a Veneza para cursar as humanidades e a filosofia. Permaneceu lá por quatro anos e estudou com tanto sucesso que os seus próprios professores ficavam surpreendidos. A sua castidade foi tentada da maneira mais sutil e violenta que possa ser a de um jovem estudante; mas ele saiu vitorioso e triunfante deste combate, e conservou intacta esta pérola preciosa que o menor sopro é capaz de manchar. Ao retornar para junto dos seus pais, a sua ama de leite teve ainda a impudência de solicitá-lo ao mal: ele invocou então a Santíssima Virgem, sua poderosa advogada, e socorrido pela sua proteção, salvou pela fuga o que talvez tivesse perdido ao querer combater de frente.
Desde o dia seguinte, pediu ao seu bispo que o admitisse no número dos seus clérigos, e recebeu a tonsura clerical das suas mãos. Em memória do que, gravou o seu nome em uma pedra da capela onde a cerimônia havia sido feita; e notou-se que, quando a igreja caiu em ruínas, o único pedaço de muralha onde estava esta inscrição permaneceu inteiro. Foi então a Nápoles estudar jurisprudência e recebeu o capelo de doutor em direito, com o aplauso de toda a faculdade. Esta honra foi seguida por outra bem mais considerável; foi promovido à ordem do sacerdócio. É verdade que a sua humildade o fazia acreditar que era muito indigno deste caráter: se tivesse seguido este sentimento, teria tomado apenas as ordens menores; mas o desejo de aproximar-se mais do seu Salvador, o único objeto do seu amor, e ao mesmo tempo de trabalhar para ganhar-lhe sempre novos corações pelas funções sacerdotais, fez com que resolvesse pedir o sacerdócio.
Reforma monástica e provações
Encarregado de reformar um convento de religiosas indisciplinadas, escapa por pouco de um assassinato encomendado por libertinos descontentes.
Logo depois, foi encarregado da direção de um convento de religiosas que, não tendo mais nada de sua profissão além do hábito, viviam em uma desordem terrível. Ele não se contentou em dar-lhes os auxílios ordinários que as comunidades de moças esperam de seu diretor, mas empreendeu também a reforma completa delas. Esse desígnio custou-lhe penas e
travesias incríveis; mas, como possuía uma coragem intrépida que nunca cedia a nenhuma dificuldade, ele finalmente obteve êxito e teve a consolação de ver florescer novamente a observância regular naquele lugar onde o desregramento já havia lançado raízes profundas. Esse sucesso, que não era esperado, encheu de fúria alguns libertinos que anteriormente tinham grande acesso ao monastério, e a raiva deles foi tão longe que resolveram livrar-se do bem-aventurado diretor. Para isso, subornaram um assassino que o esperou na saída de uma igreja e desferiu-lhe três golpes de espada. Esses golpes não foram mortais, mas cortaram-lhe uma artéria e fizeram-no perder muito sangue, que foi difícil de estancar; seu próprio rosto teria ficado desfigurado se Deus, por um efeito de Sua potência, não tivesse curado tão perfeitamente suas feridas, de modo que não restou cicatriz alguma. Nesse acidente tão terrível, André não se deixou perturbar de forma alguma; pelo contrário, demonstrou uma alegria extrema por ter sido maltratado em defesa da castidade. O vice-rei de Nápoles ofereceu-lhe toda a sua autoridade para punir os autores desse atentado, mas ele agradeceu, não desejando a morte dos pecadores, mas sua conversão e salvação. Contudo, Nosso Senhor não permitiu que um sacrilégio tão grande permanecesse impune: pois, pouco tempo depois, seu assassino foi morto por um homem cuja casa ele havia desonrado com uma ação impudica.
Entrada na Ordem dos Teatinos
Após ter cometido uma mentira involuntária no tribunal, ele renuncia ao mundo e junta-se aos Teatinos em 1556, adotando o nome de André.
Tendo Deus lhe dado muita eloquência, André a empregava por vezes para defender a causa de seus amigos. Fazendo-o um dia de maneira muito agradável, deixou escapar em seu discurso uma mentira oficiosa. Não concebeu de imediato a sua fealdade; mas, tendo encontrado ao abrir a Bíblia este primeiro versículo do capítulo primeiro da Sabedoria: *Os quod mentitur occidit animam*; «A boca que profere uma mentira mata a alma», sentiu tanto horror e arrependimento que, após passar toda a noite em lágrimas, resolveu não mais entrar no tribunal. Daí tomou o propósito de abandonar inteiramente o mundo e consagrar-se a Jesus Cristo na Ordem dos Teatinos: o que fez aos trinta e cinco anos de idade, na véspera da Assunção de Nossa Senhora, no ano de 1556. Em seu noviciado, parecia um professo muito avançado. Não havia nada tão baixo nos afazeres da casa que ele não considerasse muito elevado. Quanto mais o humilhavam, mais se considerava cumulado de honras; quanto mais lhe ordenavam penitências e mortificações, mais lhe causavam alegria. Sua coragem e sua paciência estiveram sempre acima de todas as provações; por isso, foi facilmente recebido à profissão, e ele a fez com todo o fervor que se poderia esperar de sua piedade e de seu zelo.
Expansão da Ordem e amizades ilustres
Ele funda casas em Milão e Placência, estreitando laços de amizade com São Carlos Borromeu e recusando um bispado proposto pelo Papa Gregório XIV.
Obteve então de seus superiores a permissão para fazer uma viagem a Roma, não para ver os monumentos esplêndidos que atraem os olhos de todos os viajantes, mas apenas para visitar os túmulos dos Apóstolos e dos Mártires, e ganhar as indulgências fazendo as estações. Ao retornar a Nápoles, foi-lhe dado o cargo de mestre de noviços, que exerceu durante dez anos. Mais tarde, foi eleito superior de sua casa e, nessas duas funções, soube unir tão bem a firmeza com a doçura, e o zelo pela observância com a piedosa condescendência às enfermidades de seus irmãos, que cumpriu perfeitamente todos os deveres de um verdadeiro pastor. Após esse superiorato, seu geral, que tinha tantas provas de sua prudência e santidade, encarregou-o de fundar duas casas: uma em Milão, onde São Carlos Borromeu quis estreitar uma pro funda amizade com ele, saint Charles Borromée Santo que ordenou doações em favor dos órfãos. e outra em Placência, a pedido do cardeal de Arezzo, teatino, onde, pela força de suas pregações e conferências, reprimiu o luxo das damas e converteu até um grande número de cortesãs. Essas mudanças notáveis suscitaram-lhe muitos inimigos: tentaram difamá-lo publicamente e escreveram contra ele ao duque de Parma, a fim de obter de Sua Alteza que o expulsasse de seus Estados; mas essas calúnias serviram apenas para dar mais brilho à sua virtude: o duque veio vê-lo e ficou tão encantado com sua modéstia e a unção de suas palavras, que passou a considerá-lo como um Santo. A duquesa também quis participar de sua conversa e, tendo-a achado toda celestial, tomou-o como seu diretor e trouxe-lhe o príncipe Raimuec, seu filho, para receber sua bênção.
Uma luz tão brilhante não podia ser contida em um único lugar. André, tendo tido tanto sucesso em Placência, foi ainda designado por seu geral para realizar a visita de sua província da Lombardia, e cumpriu-a com tanta sabedoria, vigor e bondade, que os religiosos dessa província não podiam admirar o suficiente os talentos que Deus lhe dera para o governo. Foi nomeado, em seguida, superior da casa de Milão, que estava sob a proteção de São Carlos, e não se pode dizer qual desses dois Santos recebeu mais consolação dessa proximidade, se o grande São Carlos, que revelava livremente a André o que se passava de mais secreto em seu coração, ou o próprio André, que, com a simplicidade de pomba de que era dotado, não fazia dificuldade em declarar ao santo cardeal as graças extraordinárias que recebia do céu. Confessou-lhe um dia que Nosso Senhor lhe havia aparecido em sua glória, e que lhe dera uma impressão tão elevada de sua beleza divina, que ele não era mais capaz de estimar nem de amar nenhuma outra das que se admiram na terra. Foi nesta cidade de Milão que ele tocou de tal forma a viscondessa Paula, cunhada do cardeal Agostinho de Cusa, que ela renunciou ao mundo para entrar entre as Capuchinhas. Pressionaram o Papa Gregório XIV para lhe dar um bispado; mas André, a quem a simples sombra da honra era insuportável, e que, mesmo nos superioratos, escolhia um de seus discípulos, a quem reconhecia como seu s uperior, para viv pape Grégoire XIV Papa que propôs um bispado a André Avellino. er sempre na submissão e na obediência, recusou inteiramente essa dignidade; e tudo o que puderam fazer com que ele aceitasse, para o bem comum dos fiéis, foi um poder geral de absolver de todos os tipos de casos os pecadores que se dirigissem a ele.
Ministério e milagres em Nápoles
Tendo se tornado superior em Nápoles, combate as heresias eucarísticas, realiza milagres e apazigua sedições populares.
De Milão, foi enviado a Placência para governar pela segunda vez a casa da qual já havia sido superior. Lá, continuou seus cuidados e sua caridade para com aqueles que Deus colocava sob sua direção, e teve a consolação de ver um de seus discípulos triunfar no céu, após tê-lo visto trabalhar generosamente na terra pela conversão dos pecadores. Foi o reverendo Padre João Francisco Solarius, que fora seu noviço e a quem ele havia escolhido como seu diretor. Terminado o tempo de seu superiorato, o capítulo geral de sua Ordem quis prolongá-lo ou dar-lhe o governo de outra casa; mas, nesta ocasião, sua humildade foi tão eloquente que desviou eficazmente esse golpe, que ele temia mais do que a morte. Ele pedia a casa mais pobre da Itália, para viver desconhecido do mundo e na prática das maiores austeridades; contudo, enviaram-no para São Paulo de Nápoles, que era um dos mosteiros mais consideráveis da Ordem.
Sua virtude ali apareceu com tanto brilho que, ao fim de três anos, não pôde, por mais que fizesse, evitar ser eleito superior. Durante seu governo, descobriu e refutou publicamente hereges que combatiam a verdade do corpo e do sangue do Filho de Deus na Eucaristia, e fez punir o seu líder. Um habitante, que já havia sido seduzido por esses impostores, tendo recebido a santa hóstia na comunhão, colocou-a em seu lenço com o intuito de profaná-la quando estivesse em casa; mas, ao retornar, abrindo seu lenço, encontrou-o cheio do sangue que havia escorrido da hóstia. O medo e o pavor tomaram-no no mesmo instante, e tudo o que pôde fazer foi correr ao bem-aventurado André para confessar-lhe seu sacrilégio e contar-lhe este terrível milagre. O Santo agiu nesta ocasião com uma prudência e uma força de espírito maravilhosas; assumiu para si uma parte da penitência que aquele infeliz merecia, para impedi-lo de cair no desespero; e, sem expô-lo ao castigo público, não deixou de se servir vantajosamente deste prodígio para fortalecer a fé daqueles que vacilavam sobre a verdade de nossos santos mistérios. Apaziguou então, por sua sabedoria e por procissões solenes que organizou, uma incômoda sedição que havia surgido em Nápoles; e encontrou meios de prover as necessidades dos pobres, a quem uma grande escassez de trigo reduzia a uma extrema necessidade.
Ele era incansável, seja ouvindo confissões, seja fazendo exortações e conferências espirituais, seja levando o Viático aos enfermos; e um dia, enquanto o levava um pouco longe, um vento impetuoso e uma tempestade violenta tendo apagado as tochas que levavam diante dele, nosso Santo foi no mesmo instante envolvido por uma luz celestial que, ao iluminá-lo, também o preservou dos incômodos da chuva. Antes de deixar seu cargo de superior, teve a satisfação de ver uma nova casa de sua Ordem, construída em Nápoles com os recursos da princesa Salmone, que a fundou em consideração a este fervoroso religioso, sob o título de Nossa Senhora dos Anjos; e, no dia em que a primeira pedra foi colocada, curou uma dama de condição de uma dor violenta que ela tinha no olho.
Visões celestiais e morte no altar
Amparado por visões de santos, morre de apoplexia ao pé do altar em 1608, após um último combate espiritual contra os demônios.
Durante uma grande enfermidade que lhe sobreveio, quiseram alimentá-lo com iguarias delicadas; mas ele não quis usar, como de costume, senão ervilhas e favas como único remédio e alimento; este regime, que não foi aprovado pelos médicos, teve, contudo, um sucesso muito bom, pois o enfermo recuperou uma saúde perfeita. Ele era querido e procurado por todas as pessoas de condição; os próprios príncipes pediam como uma graça singular uma única visita sua. Indo um dia à casa do príncipe Stilianne, em um cavalo de aluguel, por não ter querido esperar uma carruagem, este animal fogoso lançou-o ao chão sobre um calçamento pontiagudo que deveria tê-lo despedaçado; e, tendo seus pés ficado presos nos estribos, o cavalo arrastou-o por muito tempo em um caminho acidentado. Seu companheiro estava longe e não podia socorrê-lo; mas São Domingos e São Tomás de Aqui saint Thomas d'Aquin Santo citado como exemplo de resistência à tentação. no, a quem ele chamou em seu auxílio, apareceram-lhe, libertaram seus pés, enxugaram seu rosto já todo coberto de sangue, curaram-no de suas feridas e, finalmente, o montaram novamente a cavalo. Recebeu, pouco tempo depois, do mesmo São Tomás e do grande Santo Agostinho, um favor muito mais considerável; pois, como ele era atormentado por um medo extraordinário de estar entre o número dos réprobos, porque sua humildade profunda lhe ocultava todas as suas boas ações e não lhe fazia ver senão suas faltas, esses dois admiráveis doutores fizeram-lhe uma visita cheia de amor e lhe inspiraram uma nova confiança em Deus, assegurando-lhe a divina misericórdia para com ele.
Quanto mais ele se aniquilava diante da soberana grandeza de Deus, cuja presença ele não considerava senão com um santo temor, mais essa amável potência o cumulava de favores e dons sobrenaturais. Dois anos antes de sua morte, ele soube do céu em que tempo ela deveria chegar, e previu-a a diversas pessoas. Tendo caído gravemente doente aos oitenta e oito anos, permaneceu tão alegre e contente como em uma saúde perfeita. O Irmão que o assistia tendo faltado a alguma pequena observância por ter estado ocupado ao seu redor, e tendo recebido por isso uma penitência regular, ele pediu com insistência para cumpri-la ele mesmo, como tendo sido a causa dessa transgressão; mas não tendo podido obtê-lo, abraçou esse Irmão e assegurou-lhe que em oito dias ele estaria livre e não teria mais o incômodo que tinha todos os dias de assisti-lo. No próprio dia de sua morte, vestiu-se para dizer a missa e foi ao altar; mas uma fraqueza apoplética tendo-o tomado após o salmo Judica, não pôde continuá-lo. Recebeu o Viático e a Extrema-Unção com sentimentos de uma humildade admirável.
Nos dias precedentes, ele estava quase continuamente prostrado por terra e com o rosto colado no chão, para pedir a Deus uma santa morte; ela lhe foi concedida, mas não sem grandes combates. Os demônios apareceram-lhe visivelmente, fizeram estranhos esforços para lançá-lo no desespero e fazer dele sua presa. Houve um, sobretudo, que, sob a figura horrível de um homem faiscante de fogo e enxofre, teve a audácia de dizer que aquela alma era sua e que ele vinha buscá-la; mas a santa Virgem, a quem André invocou com toda a sua alma, deu-lhe um pronto socorro, e seu anjo da guarda, apoderando-se daquele monstro, colocou-lhe uma coleira pontiaguda no pescoço e arrastou-o para fora do quarto. Então, o rosto do bem-aventurado moribundo, que um combate tão terrível tornara todo lívido, retomou sua cor e sua serenidade naturais; e, nesse momento, lançando um olhar amoroso sobre a imagem da Mãe de Deus, expirou em paz, para ir receber a glória que sua inocência, sua humildade, sua paciência, seu amor por Jesus Cristo e seu zelo pela salvação das almas lhe tinham tão justamente merecido; foi no dia 10 de novembro de 1608.
Culto, relíquias e obras literárias
Canonizado em 1712, deixou numerosos tratados de piedade. Seu corpo repousa na igreja de São Paulo Maior, em Nápoles.
Nas representações de Santo André Avellino, vê-se, enquanto ele recita o ofício divino, anjos que cantam ao seu lado os louvores de Deus. Vê-se também representado: 1º no momento em que cai atingido por apoplexia ao pé do altar; 2º em companhia de São Caetano de Thiene, fundador da Ordem dos Teatinos, na sua qualidade de reformador desta Ordem; 3º surpreendido por uma tempestade e envolvido por uma luz celestial que o preserva da chuva, como relatamos.
Por alusão ao acidente que pôs fim aos seus dias, invoca-se Santo André Avellino para a boa morte e contra a morte súbita.
## CULTO E RELÍQUIAS. — ESCRITOS.
Assim que nosso Santo fechou os olhos, uma multidão numerosa se apressou ao redor de seu corpo para levar o que lhe havia pertencido, e cortaram-lhe até a barba e os cabelos para fazer relíquias. Seu rosto tornou-se mais corado do que nos dias mais belos de sua vida. As crianças mais tímidas não tiveram dificuldade em aproximar-se dele. Alguns grãos de seu rosário, que a princesa Stilianne colocou sobre o peito, curaram-na na mesma hora de um tumor doloroso que se acreditava vir a transformar-se em câncer.
Seu corpo permaneceu muito tempo exposto na igreja, tanto pela oração dos maiores de Nápoles, e para satisfazer a devoção do povo, quanto porque o caixão, que fora encomendado para sepultá-lo, pareceu milagrosamente curto demais; alguns dias depois, encontrava-se longo demais para outro morto maior que ele. Ao fim de três dias, saiu muito sangue de sua cabeça e de alguns outros lugares de seu corpo; o sudário sobre o qual estava deitado ficou todo ensanguentado, e dele veio finalmente o suficiente para encher três frascos de cristal. Os médicos julgaram todos unanimemente que aquele sangue não era natural; e foi, de fato, o instrumento de várias curas milagrosas. O que é ainda admirável é que todos os membros deste bem-aventurado defunto eram tão flexíveis como se estivesse vivo; que suas faces permaneceram sempre belas e coradas, e que seus olhos, na abertura que deles se fez, não pareceram menos vivos e brilhantes do que antes de seu falecimento.
Foi finalmente enterrado, às duas horas da noite; no ano seguinte, em 9 de dezembro, tendo sido encontrado sem corrupção nem mau cheiro, foi levantado da terra e colocado em um lugar mais honroso. Os milagres que fizera antes de sua morte, e aqueles que fez depois, levaram o Papa Urbano VIII, em 1624, a declará-lo Bem-aventurado e a permitir à sua Ordem que celebrasse o seu ofício. Clemente XI canonizou-o em 1712. A Sicília e a cidade de Nápoles escolheram-no como seu padroeiro.
«A igreja de São Paulo Maior de Nápoles», escreve Monsenhor Gaume, «pertence aos Teatin os. À frente da porta principal estã L'église Saint-Paul-Majeur de Naples Igreja e mosteiro teatino que abriga as relíquias do santo. o duas colunas que faziam parte do templo de Castor e Pólux, construído no mesmo local por Juliano de Tarso, liberto de Tibério. A Conversão de São Pedro e a Queda de Simão, o Mago, que adornam a sacristia, passam por obras-primas do fecundo Solimena. Mas as verdadeiras riquezas de São Paulo Maior são os corpos sagrados de São Caetano de Thiene e de Santo André Avellino. Estes dois Santos foram a glória de sua Ordem, os modelos dos sacerdotes e os benfeitores de sua pátria. O mesmo convento, que fora testemunha de suas virtudes e de sua morte, guarda seus restos preciosos. Após tê-los venerado, penetramos no claustro.
«Vêem-se ali os vestígios do teatro no qual Nero fazia o ensaio de seus talentos dramáticos, antes de se apresentar no palco da grande Roma. Deste monumento da loucura imperial, não restam senão ruínas desfiguradas. A religião, que parece tê-lo confiado à guarda de seus filhos para a instrução dos séculos, legou-lhes outro monumento sobre o qual os bons religiosos velam com uma piedade toda filial: quero falar do quarto de Santo André Avellino. Tal era a feliz cela no dia da morte do Santo, tal nós a vimos: nada ali foi mudado. Os pobres móveis que foram de seu uso, seus livros, sua escrivaninha, sua pequena cadeira de madeira, alguns escritos de sua mão, em uma palavra, tudo o que compõe a fortuna ordinária dos grandes servos de Deus, está lá a falar, a pregar, a comover e a encher a alma de não sei que perfume de piedade, cuja doce impressão se faz sentir por muito tempo».
Santo André Avellino compôs várias obras de piedade, que foram impressas em cinco volumes in-4° em Nápoles em 1733 e 1734.
O primeiro volume contém: 1º um tratado da oração; 2º uma exposição da Oração dominical; 3º reflexões sobre as orações mais usadas na Igreja em honra da santa Virgem; 4º um comentário sobre a epístola de São Tiago.
Encontra-se no segundo volume: 1º um tratado do renascimento ao mundo; 2º comentários sobre o salmo CXVIII e sobre o salmo XLV; 3º um tratado sobre as oito bem-aventuranças.
Homilias sobre os Evangelhos de todos os domingos do ano e de todos os dias da Quaresma formam o terceiro volume.
O quarto contém um tratado intitulado Exercícios do Espírito; meditações, avisos a uma religiosa, uma explicação dos dons do Espírito Santo, uma dissertação sobre o pecado original.
O quinto volume é composto de diversos tratados, que têm por objeto a humildade, o amor de Deus e do próximo, a misericórdia de Deus, e várias virtudes cristãs.
Temos também de Santo André Avellino cartas muito interessantes, que foram impressas em Nápoles, em 1732, em dois volumes in-4°.
O abade Grimes, em seu *Esprit des Saints*, publicou as obras escolhidas de Santo André Avellino.
Completamos o relato do Padre Giry com Godescard; o Padre Cahier, *Caractéristiques des Saints*; Monsenhor Gaume, *les Trois Roms*, e o abade Grimes, *Esprit des Saints*.
Apêndice: São Luseur de Bourges
Relato da vida e do sepultamento de São Luseur, criança batizada por Santo Ursino, cujo sarcófago antigo é conservado em Déols.
NA DIOCESE DE BOURGES (99).
Luseur Luseur Jovem santo de Berry, filho do senador Leocádio. , filho do senador Leocádio e de Susana, ilustre por sua piedade tanto quanto por sua origem, teve a felicidade de ver, ainda criança, Santo Ursino, apóstolo de Bourges, que viera a Lyon para visitar Leocádio. Ouviu-o falar dos mistérios de Jesus Cristo e, ao ouvi-lo, seu coração ardia com um ardor celestial. Acompanhou seu pai em uma viagem que este fez a Bourges para os negócios de seu cargo. Lá, viu e ouviu novamente o santo pontífice, e recebeu o batismo de suas mãos ao mesmo tempo que seu pai. Logo o santo menino, já maduro para o céu, partiu deste mundo antes de ter deposto a veste branca da inocência batismal.
A pequena igreja de Santo Estêvão de Déols ou Bourgdieu (Indre, di strit Déols Local de sepultamento de São Luseur. o e cantão de Châteauroux) possui ainda hoje o túmulo de São Luseur. Transportemo-nos a esta igreja, descendo a pequena escada feita atrás do altar da capela da direita, e penetremos na estreita cripta que contém o sepulcro. Este monumento, de paredes retas, em forma de altar, compõe-se de três partes: a base, o túmulo e a tampa. Através das mutilações e das manchas do tempo que o desonram, constatemos, com Gregório de Tours, que ele é inteiramente de mármore branco (ex marmore Paros), rica matéria desconhecida na região de Bourges, o que basta para provar sua ilustre origem e ligá-lo de forma irrefutável à dominação romana nas Gálias. A base, decorada com uma moldura simples, foi quebrada e apresenta à direita uma larga brecha, na qual, em certas épocas, as mães introduzem, uma a uma, seus recém-nascidos para invocar sobre eles as bênçãos do Santo. O túmulo é enriquecido, em toda a extensão de sua face anterior, por um soberbo baixo-relevo em alto-relevo, representando uma caçada completa. Onze caçadores, vestidos à romana, uns a cavalo, outros a pé, armados com sabres e lanças, perseguem e derrubam, com a ajuda de seus cães, animais selvagens de todos os tipos: leões, javalis, lobos, cervos, etc. A tampa oferece em seu friso temas de relevo muito menos saliente, cujo trabalho, muito inferior em mérito, não pertence evidentemente nem ao mesmo autor, nem à mesma época. O meio deste friso é ocupado por duas crianças aladas que sustentam um cartucho quadrado sem inscrição; à esquerda vê-se uma refeição, à direita uma marcha de cavaleiros e pedestres.
Estas diversas esculturas deram lugar aos comentários mais variados e contraditórios. Alguns, sem se perderem em conjecturas, querem que o sarcófago, pagão ou cristão, represente pura e simplesmente uma caçada de animais selvagens, com seus episódios ordinários: a marcha dos caçadores indo ao encontro, a caçada propriamente dita e a refeição que ordinariamente segue os feitos cinegéticos. Outros, adotando os fabulosos detalhes de uma lenda puramente local, acreditaram reconhecer o próprio senador Leocádio, dirigindo-se, com os seus, ao convite de Dionísio, o Gaulês, sentando-se à sua mesa e destruindo as feras que infestavam os cantões de Dieux e de Déols. Alguns, mais sutis, buscaram ali símbolos, ficções mais ou menos engenhosas e até jogos de palavras. Assim, esses caçadores exterminando esses monstros não poderiam significar os cristãos vencedores das paixões? Esse leão que cai (Leo cadit), não seria uma tradução em rébus do nome Leocádio? Outros, enfim, adotando um meio-termo, expressaram uma opinião que parece mais aprofundada e racional. Eles não omitem, primeiramente, que o caixão foi executado por um artista pagão, visando um sepultamento pagão, e que as esculturas são apenas os ornamentos habituais aos monumentos funerários da época, dos quais se encontram mais de um espécime em nossos museus. Na tampa, ao contrário, eles assinalam os vestígios evidentes do cristianismo. Assim, reconhecem verdadeiros anjos nas crianças aladas que sustentam o cartucho; na cena da direita, uma refeição ou comunhão dos fiéis, como parecem provar três pães ou hóstias colocados entre os alimentos, e sobre cada um dos quais se nota distintamente uma cruz; enfim, na cena da esquerda, uma marcha fúnebre onde figuraria, em conformidade com antigos ritos, o cavalo não montado do falecido.
Posto isto, eles raciocinam assim: Leocádio, ainda pagão, preocupado com o cuidado de seu sepultamento, teria comprado ou mandado executar um túmulo adornado com caçadas, seguindo o gosto da época, e bem digno, por sua riqueza, de receber os restos de tão nobre personagem. Tornando-se cristão, e vendo seu filho morrer antes dele, teria depositado o corpo deste em seu próprio caixão, cujo tema, em resumo, não tinha nada de anticristão, e sobre o qual teria adaptado uma tampa decorada com esculturas posteriores, obras de outro artista, e mais apropriadas às suas novas crenças. Esta última opinião, muito plausível, satisfazendo ao mesmo tempo a razão e a tradição, parece ter prevalecido geralmente.
Tomamos emprestados estes curiosos detalhes das Pieuses légendes du Berry, pelo Sr. Veillat (Châteauroux, 1864).
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santo André Avellino de Castronuovo
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Nascimento em Castronuovo
- Estudos de jurisprudência em Nápoles e doutorado em direito
- Entrada na Ordem dos Teatinos em 1556, aos 35 anos de idade
- Reforma de um convento de religiosas e sobrevivência a uma tentativa de assassinato
- Fundação de casas em Milão e Placência
- Amizade com São Carlos Borromeu
- Faleceu de um ataque de apoplexia aos pés do altar aos 88 anos
Citações
-
Ó, feliz a alma que, despojada de sua própria vontade, sabe submeter-se em tudo e por tudo ao querer divino!
Doutrina de Santo André Avellino -
Os quod mentitur occidit animam
Sabedoria, I, 1 (citado pelo santo)