9 de novembro 4.º século

Dedicação da Basílica de São Salvador

São João de Latrão

Primeira dedicação solene do cristianismo, a basílica do Salvador (São João de Latrão) foi erguida pelo imperador Constantino no monte Célio em Roma. Consagrada por São Silvestre no século IV, é considerada a mãe e mestra de todas as igrejas do mundo. Abriga relíquias insignes, incluindo as cabeças de São Pedro e São Paulo e a mesa da Santa Ceia.

Cronologia

Seus contemporâneos

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    DEDICAÇÃO DA BASÍLICA DE SÃO SALVADOR,

    HOJE SÃO JOÃO DE LATRÃO

    Contexto 01 / 09

    Origens dos locais de culto cristãos

    Antes da paz constantiniana, os cristãos já possuíam igrejas e oratórios, embora frequentemente ameaçados pelas perseguições imperiais.

    Esta é a primeira dedicação solene que foi feita no Cristianismo, e como a primeira marca brilhante de sua liberdade e de seu triunfo. Desde o tempo dos Apóstolos e nos séculos seguintes, foram construídos templos, basílicas, igrejas e oratórios para reunir o povo cristão, para instruí-lo nos mistérios da religião, para conferir-lhe os sacramentos, para cantar os louvores de Deus, para fazer orações públicas e particulares, e sobretudo para oferecer o sacrifício incruento do corpo e do sangue de Jesus Cristo. Os editos dos imperadores (relatados por Eusébio de Cesareia, no livro VIII de sua *História Eclesiástica*), que ordenam demolir as igrejas dos cristãos, aumentadas e embelezadas à medida que o cristianismo crescia, são uma prova incontestável disso. Além disso, o próprio São Paulo faz menção, em diversos lugares de suas Epí stolas, ao saint Paul Apóstolo a quem São Rufo se juntou em suas missões. s locais sagrados onde os fiéis se reuniam; ele proíbe as mulheres de falar neles; ele quer que elas estejam veladas, por causa dos anjos, e queixa-se de que os profanam com brigas e festins. Santo Inácio, que viveu no segundo século, exorta os magnésios a se reunirem no templo de Deus com um mesmo coração e um mesmo espírito, como se fossem uma só pessoa. Aprendemos, no livro *dos Soberanos Pontífices*, que Santo Evaristo, o quinto papa após São Pedro (96-108), dividiu as igrejas de Roma entre os padres que compunham seu clero; e Santo Optato nos assegura que já havia mais de quarenta delas nesta cidade no tempo do Papa São Cornélio (251). Lamprídio, historiador latino do século IV, louva o imperador Alexandre por ter adjudicado aos cristãos um local para fazer uma igreja, que lhes era disputado por mercadores de vinho, dizendo que, sem entrar no mérito do direito, era melhor que aquele local fosse aplicado ao culto divino do que a um comércio profano. Lemos ainda em Eusébio de Cesareia (século IV) que São Gregório Taumaturgo, desde o início do século III, fez recuar uma montanha pela força de sua oração, para dar lugar a uma igreja que ele queria construir. Finalmente, temos por todos os lados os vestígios daquelas que foram construídas por São Saviniano, São Menge, São Denis, São Marcial e os outros apóstolos das províncias das Gálias.

    Essas igrejas tinham diversos nomes, como acabamos de notar. Eram chamadas de templos, porque neles se erguiam altares e se ofereciam sacrifícios; e este é o nome que lhes dão São Basílio, São Gregório de Nazianzo, Santo Ambrósio e São Jerônimo, relatados por Belarmino, no tomo II de suas Controvérsias, ao tratar do culto dos Santos. É verdade que alguns antigos, como o Octavius de Minúcio Félix, em suas discussões contra os idólatras, sustentaram que o Cristianismo não tinha templo, e que isso era próprio apenas do judaísmo e do paganismo; mas eles entendiam por isso locais onde se faziam sacrifícios sangrentos, e onde bodes, ovelhas e bois eram imolados; além disso, eles não negavam que tivéssemos casas sagradas onde a carne do Cordeiro sem mancha e sempre vivo fosse oferecida ao Pai eterno e distribuída aos fiéis; e, se não falavam disso nessas discussões, era para não lançar pérolas aos porcos, revelando aos profanos os segredos de nossos mistérios. Eram chamadas de basílicas, isto é, casas esplêndidas e reais, porque eram dedicadas ao culto de Deus e dos Mártires; o que é comum nos escritos dos santos Padres. Sobre o que é preciso notar que, na qualidade de templos, elas eram erguidas apenas a Deus, porque não há senão Deus a quem se possa erguer altares e apresentar sacrifícios; mas que, na qualidade de basílicas, eram construídas para os Santos e levavam seus nomes; é por isso que é feita menção frequente, nos mais antigos escritores da Igreja, das basílicas de São Pedro e São Paulo, de São João, de São Félix, de São Lourenço, de São Cipriano, de Santa Eufêmia e de uma infinidade de outras. Se os gregos falam às vezes de templos dos Mártires, querem apenas significar que esses locais que, por um lado, eram destinados a sacrificar ao verdadeiro Deus, e levavam por isso o nome de templos, eram além disso consagrados ao culto dos Santos e serviam para conservar e honrar suas relíquias. Eram chamadas de memórias, nome muito frequente em Santo Agostinho: «Não construímos templos aos nossos Mártires como a deuses», diz ele no livro XXII da Cidade de Deus, «mas apenas memórias como a homens mortos cujas almas vivem diante de Deus». E, nesse mesmo sentido, os Concílios de Gangres e de Calcedônia as nomeiam ainda Martyria, não porque os Mártires tivessem ali sofrido a morte, mas porque seus preciosos despojos eram ali conservados para a ressurreição gloriosa. Eram chamadas de oratórios e casas de oração, porque seu próprio uso era exercer nelas todos os atos de religião que se compreendem sob a palavra prece e oração; a saber: celebrar os santos Mistérios, cantar salmos e fazer todo tipo de bênçãos. Eram chamadas Dominica, locais do Senhor. Daí vem que a grande igreja de Antioquia foi chamada Dominicum aureum, «o Dominical de ouro», e que São Cipriano, em seu Tratado da esmola, invectivando contra aqueles que vinham à igreja sem trazer sua oferta, diz-lhes: *In Dominicum sine sacrificio venit*: «Você tem a temeridade de vir à igreja sem trazer seu sacrifício». Eram chamadas de títulos, porque se colocavam na porta cruzes ou outras marcas religiosas, como títulos, para distingui-las das casas profanas, e é daí que vieram os títulos de cardeais. Finalmente, no mesmo sentido em que eram chamadas igrejas, eram chamadas também Conventus, Concilia, e mesmo Concilia Sanctorum, isto é, locais de assembleia e casas sagradas, onde os fiéis, significados pela palavra Santos, uniam-se para os atos de religião.

    Fundação 02 / 09

    A fundação por Constantino, o Grande

    O imperador Constantino transforma o palácio de Latrão na primeira basílica solene dedicada ao Salvador, tornando-se a sede do Papa.

    Mas, por maior que fosse o zelo dos prelados, nos três primeiros séculos da Igreja, em aumentar o número desses oratórios, como os viam todos os dias expostos a serem demolidos e queimados pelos infiéis, e como eram frequentemente forçados a abandoná-los para se retirar em caves e grutas subterrâneas, a fim de realizar neles com mais paz e segurança os exercícios da religião, eles ainda não os consagravam com esse grande número de cerimônias que, desde então, foram instituídas pelos Soberanos Pontífices. Esta maneira de consagração começou apenas sob o império de Constantino, o Grande (306-337). Este príncipe, que o céu escolhera para fazer reinar o Cristianismo no mundo, tendo-se feito servo de Jesus Cristo ao mesmo tempo em que Jesus Cristo o fazia mestre e soberano de toda a terra, quis assinalar seu zelo pela construção de várias igrejas magníficas, e a primeira foi a de São Salvador em Roma, no monte Célio, em seu palácio de Latrão. Este palácio pertencera outrora a Plautius Lateranus, cônsul romano, que Nero mandara matar sob a acusação de ter atentado contra sua vida e conspirado contra o Império; desde então, Fausta, filha de Maximiano Hércules, ali residira, e é provável que tenha se tornado domínio dos imperadores pela confiscação que fora feita por ocasião da morte de Lateranus. O cardeal Barônio acredita que Constantino também o havia dado, desde o ano 313, ao Papa São Melquíades e a seus sucessores para servir-lhes de morada; de fato, este Papa celebrou ali, naquele mesmo ano, um Concílio contra os donatistas, e, desde esse tempo, os outros Papas sempre estiveram em sua posse. Seja como for, no ano 334, este piedoso imperador mandou construir ali um batistério no lugar onde ele mesmo fora batizado por São Silvestre, e uma basílica para servir ao Papa como igreja patriarcal e pontifical, e para ser a cabeça e a mãe de todas as Igrejas do mundo. Eis basilique pour servir au Pape d'église patriarcale A catedral de Roma e a mãe de todas as igrejas do mundo. como fala dela o cardeal São Pedro Damião, em sua epístola aos cardeais da santa Igreja romana: «Como a igreja de Latrão leva o nome do Salvador que é o chefe dos eleitos, assim ela é a mãe e, por assim dizer, a cabeça e o cume de todas as igrejas que estão no mundo». E, em sua carta a Cadalo, cismático: «Esta igreja que foi construída em honra do Salvador e que foi feita a primeira e mais alta sede da religião cristã, é por assim dizer a Igreja das igrejas e o Santo dos Santos; ela está como que no meio das duas igrejas de São Pedro e São Paulo que são como suas filhas e seus membros, e com seus dois braços ela abraça todo o resto das igrejas do mundo e as reúne em seu seio como em um centro indivisível de unidade». Deram-lhe diversos nomes, além do de basílica de Latrão: 1º Chamaram-na de basílica de Fausta, porque efetivamente fora o palácio de Fausta, como já dissemos; 2º a basílica Constantiniana, porque Constantino a mandara construir e fundara um clero para ali exercer as funções eclesiásticas; 3º a basílica de São João, por causa de duas capelas que foram construídas no batistério, uma em honra de São João Batista, a outra em honra de São João Evangelista; 4º a basílica de Júlio, seja porque algum senhor romano, chamado Júlio, ali tenha residido entre o cônsul Lateranus e a princesa Fausta, seja porque o Papa Júlio, que sucedeu a São Silvestre, tenha feito ali aumentos consideráveis que obrigaram a dar-lhe seu nome. Mas o principal e o mais ordinário é o de basílica de São Salvador, com o qual se honra esta igreja, 1º porque sendo Nosso Senhor o chefe de todos os Santos e aquele de quem deriva toda santidade, era bem razoável que seu nome fosse dado à igreja que deveria ser a mãe de todas as outras e a capital de todo o mundo cristão; 2º porque a imagem do Salvador apareceu ali miraculosamente pintada na muralha, à vista de todo o povo romano.

    Culto 03 / 09

    A dedicação de São Silvestre

    O Papa São Silvestre consagra a igreja, instala nela o altar de madeira de São Pedro e estabelece a primazia universal desta basílica.

    Tendo sido construída esta igreja e o imperador Constantino tendo-a enriquecido com muitos vasos e ornamentos preciosos para a celebração dos santos Mistério s, o Papa São Silves pape saint Sylvestre 33º papa da Igreja Católica, conhecido por ter batizado Constantino. tre (314-336), que governava então há dez anos a barca de São Pedro, realizou a sua dedicação com muita majestade. Ordenou ao mesmo tempo que não se oferecesse mais o augusto sacrifício da missa senão sobre altares de pedra; e, contudo, como havia em Roma um altar de madeira, escavado em forma de arca, sobre o qual São Pedro e os outros Papas, seus sucessores, tinham sempre consagrado (porque, durante as perseguições, era muito mais fácil transportá-lo do que um altar de pedra), ele o fez colocar nesta basílica de Latrão e regulou, todavia, por um decreto, que nenhum outro sacerdote diria ali jamais a missa senão o soberano Pontífice: o que tem sido observado até hoje. Ademais, é com muita razão que todos os cristãos celebram a dedicação ou consagração desta igreja; pois não se deve considerá-la como uma igreja particular da cidade de Roma, mas encará-la como a igreja-mãe do mundo inteiro; como a metropolitana, a patriarcal e a capital de toda a cristandade; como a igreja de todos aqueles que vivem na união da Santa Sé e que reconhecem o soberano Pontífice como seu pastor e seu pai. Ela não é menos nossa igreja do que cada paróquia é a igreja de todos os paroquianos, e cada catedral a igreja de todos os diocesanos, e podemos dizer que ela é ainda muito mais, uma vez que se pode absolutamente mudar de paróquia e de diocese, e que é impossível ser cristão e não depender da primeira Sé, que é a do Pontífice de Roma. Se, portanto, celebra-se com solenidade, em cada paróquia e em cada diocese, a dedicação da igreja paroquial ou da igreja catedral, é bem razoável que se celebre em toda a cristandade a festa da dedicação desta igreja pontifícia de São Salvador.

    Teologia 04 / 09

    Simbolismo e teologia da dedicação

    Análise dos ritos de consagração (alfabeto, água, incenso) como imagens da purificação da alma e de sua transformação em templo de Deus.

    Este é o lugar para tratar, em poucas palavras, das augustas cerimônias que se realizam nestes tipos de solenidades. Eusébio de Cesareia, que viveu sob o império de Constantino, o Grande, falando em sua História de várias outras igrejas que foram dedicadas em seu tempo, diz que os bispos se reuniam para sua dedicação; que ali ocorria um concurso imenso de príncipes, senhores, magistrados e povos; que os prelados ofereciam o sacrifício incruento e pregavam alternadamente, uns para exaltar o poder de Jesus Cristo e o mérito dos Mártires; outros para explicar os pontos da fé e os dogmas da teologia; estes para interpretar as santas Escrituras e descobrir seus tesouros escondidos; aqueles para desenvolver os mistérios contidos nas ações do pontífice consagrante e dos ministros que o acompanhavam; enfim, que ali se viam «cerimônias augustas e divinas, ministérios profundos e divinos». São Atanásio, São Basílio, São Gregório de Nazianzo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho, nos trechos marcados pelo cardeal Belarmino, representam também a dedicação das igrejas como uma das mais belas e brilhantes funções da potência episcopal. E certamente, se o tabernáculo de Moisés, o templo de Salomão e o novo templo construído por Zorobabel foram dedicados com esse grande número de observâncias sagradas que nos são descritas no Antigo Testamento, embora não fossem destinados senão a esses sacrifícios que São Paulo chama de «sombras», de «figuras» e de «elementos fracos e impotentes»; quanto mais justo era que nossas igrejas, onde o próprio Jesus Cristo é sacrificado, e onde ele permanece depois perpetuamente conosco; onde recebemos a vida da graça pelo batismo e pela penitência; onde somos nutridos do pão celestial pelo sacramento da Eucaristia; onde somos iluminados pelas grandes verdades da fé pelos sermões, catecismos e pregações, e onde exercemos a função dos anjos pelo canto contínuo dos louvores de Deus; que nossas igrejas, dizemos nós, fossem santificadas e distinguidas das casas profanas por uma série de cerimônias santas e religiosas. A própria natureza parece nos ensinar que assim devia ser feito, uma vez que nos dita que as coisas santas devem ser tratadas santamente, e que nem todos os lugares são próprios para exercê-las com decência.

    Ademais, nossos santos pontífices não realizam nisso nenhuma cerimônia que não tenha uma relação maravilhosa com o fim que se propõem: o de dedicar estes edifícios ao culto de Deus. Pois, primeiramente, batem à porta com seu báculo pastoral, realizam exorcismos e invocam os anjos e os Santos para expulsar os demônios e atrair a proteção e até a presença dos espíritos bem-aventurados. Em seguida, imprimem sobre as cinzas o alfabeto grego e latino, para marcar a instrução santa e evangélica que os fiéis ali devem receber, e à qual estas duas línguas serviram principalmente. Além disso, misturam a água, a cinza e o vinho, para significar que é pela humildade e pela contrição do coração, e por uma prudência forte e vigorosa, que nos tornamos agradáveis a Deus e dignos de nos aproximar de seus altares. Aspergem todos os lugares com água benta e os perfumam com incenso, para banir todo tipo de imundície, e nos ensinar que não devemos entrar ali senão com um coração puro, e não fazer ali senão ações santas e religiosas. Formam cruzes, ungindo-as e iluminando-as com tochas acesas, porque a Igreja é toda destinada ao mistério da Cruz, representado na Eucaristia; que os cristãos devem conhecê-lo, estimá-lo, saboreá-lo e colocar nele sua maior glória, e que só são cristãos perfeitos ao carregar com alegria em seu corpo a mortificação de Jesus Cristo. Finalmente, consagram altares por meio de unções, incensações, iluminações e bênçãos, e colocando neles relíquias dos Santos, porque o Filho de Deus, figurado pelos altares, é por excelência o ungido do Senhor, o bom odor da Igreja, a luz do mundo e a fonte de toda bênção, e que não tem sede mais agradável que os despojos sagrados dos Mártires.

    Além disso, temos nessas cerimônias da dedicação uma imagem perfeita do que faz Nosso Senhor, a fim de tirar uma alma da infidelidade e do pecado, e fazê-la entrar nos caminhos da justiça e da perfeição. Ele bate à porta de seu coração pelos primeiros movimentos da graça que lhe inspiram a conversão. Ele a abre pelo temor salutar de seus juízos e das punições terríveis da outra vida. Ele escreve nela um duplo alfabeto, fazendo-a conhecer, pela fé, suas perfeições e seus benefícios, e os mistérios de sua divindade e de sua humanidade. Ele a exorciza pelas preparações dos sacramentos. Ele a lava no batismo ou na penitência. Ele imprime nela a cruz, unge-a e ilumina-a pela confirmação ou pela doce meditação de suas chagas. Ele mistura nela a água e a cinza, dando-lhe sentimentos de compunção, de austeridade e de mortificação. Ele junta o sal e o vinho, comunicando-lhe um fervor discreto e uma prudência ardente e zelosa. Finalmente, consagra nela um altar, fazendo de seu coração um altar vivo, onde ela imola continuamente suas paixões e afeições desregradas, e oferece sacrifícios de amor e de louvores.

    Pregação 05 / 09

    A igreja como casa de oração

    Ensinamento sobre a importância da oração pública e o respeito devido aos lugares sagrados, ilustrado pelo exemplo do imperador Teodósio.

    Já observamos que o imperador Constantino, que ardia de grande zelo pela religião católica, além da igreja de São Salvador, construiu muitas outras, não apenas em Roma, mas também em toda a extensão de seu império, especialmente em Jerusalém, em Constantinopla e em Helenópolis na Bitínia, e que as dedicações foram feitas com muitos preparativos e magnificência. Os imperadores, seus sucessores, e os outros príncipes católicos, imitaram então sua devoção; e, por esse meio, o mundo que havia sido preenchido por templos abomináveis, onde os espíritos das trevas eram honrados, viu-se preenchido por lugares santos onde não se ouvia senão os louvores do verdadeiro Deus. Nosso Senhor realizou frequentemente milagres muito insignes para mostrar que esse fervor lhe era muito agradável; nós os assinalamos em diversos lugares desta obra; sobretudo, há muitas igrejas que Ele mesmo dedicou, ou que fez dedicar pelos anjos. É isso que deve persuadir as pessoas nobres e ricas de que farão de seus bens um emprego útil e agradável a Deus, quando os aplicarem na construção de igrejas ou capelas, ou em lhes proporcionar ornamentos convenientes à eminência e à santidade dos mistérios que nelas se realizam; e, nisso, proverão até mesmo à assistência e ao alívio dos pobres, uma vez que se sabe por experiência que é a piedade a mãe da misericórdia.

    Além disso, o povo cristão deve aprender que a Igreja é o verdadeiro lugar da oração. Não que, segundo a doutrina de São Paulo, na primeira Epístola a Timóteo, não se possa e não se deva rezar a Deus em todo lugar, porque, de fato, Deus está em toda parte, e não há lugar onde Ele não possa ouvir e atender nossas orações; mas a igreja é particularmente destinada a isso; a oração nela é feita com mais decência, mais socorro do céu e mais eficácia; ela obtém mais facilmente, mais prontamente e até mais abundantemente o que pretende, e é menos sujeita a ser rejeitada. «Alguns», diz São Crisóstomo, na Homilia XXX contra os Anomeus, «desculpam-se covardemente por não vir à igreja, alegando que podem fazer suas orações em casa tão bem quanto em nossos templos. Eles se enganam, e estão em um grande erro; pois, embora seja permitido a cada um rezar a Deus em sua casa, não pode, contudo, a oração ter a mesma virtude que quando feita em um lugar sagrado. Aqui, o fervor dos outros que rezam nos excita à devoção e supre nossa fraqueza e a covardia com a qual rezamos; o canto melodioso dos hinos e dos salmos desperta nossa languidez e nos imprime sentimentos de compunção e fervor; a assistência dos santos Anjos dissipa nossas tentações e nos torna mais fortes contra as emboscadas do demônio; a presença de Jesus Cristo no santo Sacramento e a visão dos divinos Mistérios nos fazem esquecer os negócios do mundo e recolher nossos espíritos para não pensar senão nas coisas do céu. Enfim, a graça flui sobre nós com mais plenitude; porque, como é a casa de oração, podemos dizer também que é a casa de misericórdia». Pode-se ver, no livro das Paralipômenos, as promessas autênticas que Deus fez a Salomão de atender as orações de todos aqueles que o invocassem no templo que ele havia construído para a glória de seu nome. Se Ele deu essa garantia a esse príncipe, em favor de um templo que continha apenas uma arca de madeira, com a vara de Moisés, o maná dos judeus e as duas Tábuas da Lei, e onde não se ofereciam outras vítimas senão animais, o que devemos esperar da bondade divina, quando a rezarmos em uma igreja onde seu Filho é oferecido todos os dias em sacrifício, e onde se reserva essa arca viva da aliança eterna, que é também nosso maná e nosso pão descido do céu, com o bastão da cruz que operou tantos prodígios, e os livros do Evangelho que contêm a lei nova?

    A boa edificação que devemos ao nosso próximo é ainda um motivo que nos compromete a fazer nossas orações nas igrejas em vez de em nossas casas particulares. Pois, como somos excitados à devoção pelo exemplo dos outros, assim os outros são excitados pelo exemplo que lhes damos. E é então que os espíritos bem-aventurados, participando, nos aquecem interiormente, tomam o cuidado de levar nossas orações e nossos votos ao trono de Deus e de nos trazer de volta, com alegria, os frutos de uma bênção abundante. Poder-se-ia objetar que Nosso Senhor, no Evangelho, nos ensina que para rezar devemos entrar em nossos quartos, fechar diligentemente a porta e então fazer nossas orações em segredo, a fim de podermos ser atendidos por Aquele que vê as coisas mais ocultas e a quem nenhum segredo é desconhecido. Mas a intenção de nosso Mestre, nessas palavras, não é que não rezemos em público, uma vez que Ele recomenda aos seus discípulos que rezem sempre, e que seu Apóstolo pede que se reze em todo lugar; Ele quer apenas que, na oração, assim como na esmola e no jejum, não se tenha o desígnio de aparecer nem de ser visto, para atrair para si a estima e os louvores dos homens, como faziam os fariseus, que rezavam para isso nas encruzilhadas e nas praças públicas. Também, falando do antigo templo, que não era senão a sombra dos nossos, Ele o chama de casa de oração, e Ele mesmo ia lá frequentemente e levava seus discípulos para fazer a oração. Enfim, Ele não quis permanecer perpetuamente em nossas igrejas senão para receber nossas homenagens e ouvir nossos votos. E, se Ele está lá como nosso Rei, nosso Chefe, nosso Mestre, nosso Pastor, nosso Advogado, nosso Médico, nosso Esposo e nosso Pai, é bem razoável que vamos lá frequentemente, para lhe fazer a corte e lhe expor nossas necessidades.

    No mais, para merecer ser atendidos, devemos ir lá com um coração puro e uma intenção reta, e nos comportar sempre com reverência e modéstia. Pois aqueles que não têm essas disposições, e que, ao contrário, cometem insolências e perdem o respeito, encontram a morte onde deveriam encontrar a vida, e, em vez de atrair sobre si e sobre suas famílias as bênçãos do céu, atraem as maldições de um Deus irritado, que pronuncia já a sentença de uma condenação eterna. De fato, Nosso Senhor Jesus Cristo, durante sua vida mortal, nunca fez aparecer seu zelo com mais ardor e transporte do que quando viu a santidade do templo profanada pelo comércio dos mercadores e daqueles que compravam; e o que teria feito se tivesse visto ali zombarias, blasfêmias, jogos e passeios, negociações de casamentos e até ações lascivas e desonestas?

    Quanto mais uma pessoa é elevada em dignidade, mais deve mostrar gravidade e contenção, a fim de ensinar aos outros seu dever pelo exemplo de sua modéstia. O imperador Teodósio, o Jovem, tinha um respeito tão grande por esses lugares sagrados, que dizia de si mesmo estas palavras: «Nós, que somos sempre cercados por nossos guardas, e que nunca caminhamos senão com uma escolta de homens de guerra, quando entramos na igreja, deixamos nossas armas à porta e depomos até o diadema, que é a marca de nossa majestade imperial; não nos aproximamos do altar senão para ir à oferta, e, após a oferta, voltamos à nave pela reverência que temos aos lugares onde a Majestade divina faz ressaltar mais sua presença». A mãe de São Gregório de Nazianzo era tão respeitosa, como ele mesmo deixou por escrito, que nunca virava as costas para o altar. Prouvera a Deus que todos os cristãos imitassem esses grandes exemplos, e que, como nossos templos são figuras da Jerusalém celeste, se esforçassem, quando neles estão, por imitar o profundo respeito com o qual os Anjos e os Santos aparecem diante do trono de Deus no céu!

    other 06 / 09

    Esplendores da Basílica de Ouro

    Descrição das riquezas oferecidas por Constantino e das reconstruções sucessivas após as invasões bárbaras de Alarico e Tótila.

    ## BASÍLICA DE SÃO JOÃO DE LATRÃO.

    Nossos leitores nos agradecerão por completar a exposição moral do Padre Giry com a descrição sucinta do estado antigo e do estado atual da Basílica de São João de Latrão. Deixemos a palavra a Monsenhor Gaume, em suas *Três Romas*:

    «Penetrado de reconhecimento pelo Deus a quem devia a fé do cristão e o cetro do mundo, Constantino comprazia-se em adornar com uma magnificência digna de um imperador romano o templo que acabara de oferecer ao Papa São Silvestre. Daí veio à basílica o nome de basílica de ouro. Jamais nome foi melhor justificado; julgar-se-á por alguns dos presentes do real neófito. Uma estátua do Salvador sentado, de cinco pés de altura, em prata, com o peso de cento e vinte libras; os doze Apóstolos, de tamanho natural, em prata, com coroas da prata mais pura; cada estátua pesando noventa libras. Quatro anjos de prata, de tamanho natural, segurando cada um uma cruz na mão; cada anjo pesando cento e cinco libras. A cornija contínua, servindo de pedestal para todas as estátuas, de prata cinzelada, com o peso de duas mil e vinte e cinco libras. Uma lâmpada, do ouro mais puro, suspensa na abóbada, pesando, com suas correntes, vinte e cinco libras. Sete altares de prata, cada um pesando duzentas libras. Sete patenas de ouro, cada uma com o peso de trinta libras; dezesseis de prata, cada uma com o peso de trinta libras. Sete canudos de ouro, pesando cada um dez libras; um outro canudo de ouro, todo enriquecido com pedrarias, pesando vinte libras e três onças. Dois cálices, do ouro mais puro, pesando cada um cinquenta libras. Vinte cálices de prata, pesando cada um dez libras. Quarenta cálices menores, do ouro mais puro, cada um pesando uma libra. Cinquenta cálices, para a distribuição do precioso Sangue aos fiéis (cálices ministeriais), pesando cada um duas libras.

    «Como ornamentos da basílica: um candelabro, do ouro mais puro, colocado diante do altar, onde ardia óleo de nardo, adornado com oitenta golfinhos, pesando trinta libras, e contendo outros tantos círios compostos de nardo e dos aromáticos mais preciosos; um outro candelabro de prata com cento e vinte golfinhos, com o peso de cinquenta libras, onde ardiam os mesmos aromáticos. No coro, quarenta candelabros de prata, com o peso de trinta libras, de onde exalavam os mesmos perfumes. No lado direito da basílica, quarenta candelabros de prata, com o peso de vinte libras, e outros tantos no lado esquerdo. Finalmente, dois turíbulos de ouro fino, pesando trinta libras, com uma doação anual de cento e cinquenta libras dos perfumes mais requintados para queimar diante do altar.

    «O que se tornou a basílica de ouro? O que se tornou de todas as suas riquezas? Interrogai sobre isso os chefes bárbaros tão famosos na história, Alarico e Tótila. Contudo, o augusto edifício, várias vezes saído de suas ruínas, ainda existe. Seus tesouros desapareceram, mas sua principado permanece. No frontispício lê-se esta simples, mas sublime inscrição: *S acrosancta Lateranensis Ecclesia, Sacrosancta Lateranensis Ecclesia A catedral de Roma e a mãe de todas as igrejas do mundo. omnium urbis et orbis ecclesiarum mater et caput*. «A sacrossanta Igreja de Latrão, de todas as igrejas da cidade e do mundo a mãe e a mestra».

    other 07 / 09

    Arte e simbolismo da nave

    Percurso iconográfico da basílica atual, colocando em paralelo o Antigo Testamento, o Evangelho e as figuras dos doze Apóstolos.

    « Das três portas da basílica, duas causam espanto ao viajante, uma pelo seu mistério, a outra pela sua magnificência. A da direita, chamada porta santa, está murada: ela só se abre pelo próprio Santo Padre no ano do jubileu. A do meio é uma porta antiga, de bronze e quadriforme: é praticamente a única que existe. Ao entrar, fica-se primeiramente maravilhado com o simbolismo da grande nave. Acima dos cruzeiros, perto do nascimento da abóbada, estão pintados os Profetas. Acima dos Profetas, vê-se de um lado as figuras do Antigo Testamento relativas ao Messias, do outro os fatos do Evangelho que são o seu cumprimento: a figura e o figurado. Assim, sob os dois cruzeiros mais próximos da abside aparecem,

    De um lado:

    Adão e Eva expulsos do paraíso terrestre por terem tocado na árvore proibida;

    Do outro lado:

    Nosso Senhor na árvore da cruz, reabrindo o céu ao gênero humano;

    Sob os cruzeiros seguintes:

    | O Dilúvio; | O Batismo de Nosso Senhor; | | --- | --- | | O Sacrifício de Abraão; | Nosso Senhor subindo ao Calvário; | | José vendido por seus irmãos; | Nosso Senhor traído por Judas; | | O mar separando os israelitas do cativeiro do Faraó; | Nosso Senhor pregando aos judeus; | | Jonas saindo da boca da baleia. | Nosso Senhor saindo do túmulo. |

    « Abaixo de cada um desses baixos-relevos, encontram-se os doze Apóstolos de corpo inteiro. Suas belas e grandes estátuas estão em perfeita harmonia tanto com as pinturas superiores quanto com os nichos que as recebem. Os doze Pregadores do Evangelho estão ali como tendo iluminado, por sua palavra e pelos oráculos dos Profetas, as sombras da aliança figurativa. Mas o ensinamento apostólico não iluminou apenas o passado; ele projeta o brilho de sua luz sobre o futuro: o Evangelho mantém o meio entre a sinagoga e o céu. É por isso que, atrás de cada Apóstolo, no fundo do nicho, está pintada uma porta entreaberta; o Apóstolo está no limiar, para dizer que, após a revelação cristã, da qual ele é o órgão, não há mais nada além da Jerusalém eterna, cidade de luz, com doze portas de esmeralda. Finalmente, na base de cada nicho, aparece uma pomba em relevo, com o ramo de oliveira no bico, tocante emblema do espírito do Evangelho.

    Legado 08 / 09

    Relíquias insignes e protetorado francês

    Inventário das relíquias maiores (Mesa da Ceia, cabeças de Pedro e Paulo) e apresentação dos privilégios dos reis da França no Latrão.

    « Entre as outras riquezas de São João de Latrão, deve-se citar o túmulo de bronze do Papa Martinho V, pontífice grande entre os outros, visto que pôs fim ao cisma do Ocidente; de um lado do transepto, a capela de Santo André Corsini, uma das mais magníficas de Roma, que recorda ao mesmo tempo a piedade filial de Clemente XII e as tocantes virtudes de seu ilustre antepassado. As duas colunas de pórfiro que acompanham o grande nicho, à direita do Evangelho, adornavam outrora o pórtico do Panteão de Agripa; do outro lado do transepto está a rica capela do Santíssimo Sacramento. O majestoso pórtico da igreja oferece seus vinte e quatro pilastras de mármore e a estátua colossal de Constantino, encontrada em suas Termas; enfim, a famosa porta de bronze da basílica de Ancira, transportada para cá por Alexandre VII.

    « Eis o lado humano de São João de Latrão; resta-nos contemplar o lado divino da mãe e mestra de todas as igrejas. No centro do transepto, sob o grande arco da nave principal, sustentado por duas colunas de granito oriental, de trinta e oito pés de altura, ergue-se o altar papal; mas que altar, grande Deus! o mesmo onde São Pedro disse a missa. Ele está lá tal como foi retirado das catacumbas pelo Papa São Silvestre. Sua simplicidade, sua pobreza mesmo, recordam bem os primeiros séculos da Igreja: algumas tábuas de abeto, sem douramento e sem ornamento além de uma cruz talhada na parte anterior, eis tudo. Por respeito, cercaram-no com uma balaustrada de mármore, sobre a qual estão gravadas as armas de Urbano VIII e do rei da França. Uma rica estrela o recobre inteiramente. É o único altar no mundo sob o qual não há relíquias. Ao sucessor de Pedro pertence o direito exclusivo de nele celebrar os santos Mistérios.

    « Ao elevar os olhos, percebe-se a uma grande altura, diretamente acima do altar, uma tenda de veludo carmesim realçado com ouro. Este pavilhão recobre uma arca ou cibório em mármore de Paros sustentado por quatro colunas de mármore egípcio com capitéis de ordem coríntia em bronze dourado. Lá estão encerradas as cabeças dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Duas vezes a cad a ano, no Sábado Santo e na terça-feira das têtes des apôtres saint Pierre et saint Paul Apóstolo que apareceu a Constantino para lhe indicar Silvestre. Rogações, elas são expostas solenemente à veneração dos felizes fiéis de Roma. Existe um outro uso não menos digno de ser conhecido. A fim de banhar todos os jovens lábios na fonte mesma do espírito sacerdotal, espírito do apostolado e do martírio, é ao pé do altar de que acabamos de falar, sob os olhos de São Pedro e de São Paulo, que ocorrem as ordenações.

    À direita do altar pontifício encontra-se a capela do Santíssimo Sacramento. Embora muito elevado, muito largo e muito profundo, o tabernáculo, executado sobre os desenhos de Paul Olivieri, é inteiramente composto de pedras preciosas e dos mármores mais raros. À direita e à esquerda brilham dois anjos de bronze dourado com quatro colunas de verde antigo. O entablamento e o frontão de bronze dourado que coroam o altar repousam sobre quatro colunas do mesmo metal, douradas, caneladas, de cerca de vinte e cinco pés de altura por dois pés e meio de diâmetro na base. Elas são as mesmas que Augusto mandou fazer após a batalha de Áccio com as esporas dos navios egípcios, e que colocou no templo de Júpiter Capitolino. Empregadas primeiro como candelabros, onde se fazia queimar, nas grandes festas, bálsamo e outros perfumes requintados, elas devem sua destinação atual ao Papa Clemente VIII.

    « A basílica de São João de Latrão conserva um belo troféu das vitórias do cristianismo sobre o islamismo. Em frente à capela do Santíssimo Sacramento flutua a bandeira de João Sobieski na célebre batalha de Viena. Como testemunho de seu reconhecimento e de sua devoção à religião, o grande capitão quis que seu glorioso oriflama fosse suspenso na abóbada da primeira igreja do mundo.

    « No coro do Capítulo, eis a estala dos reis da França, que, como se sabe, são cônegos de São João de Latrão; ela fica à esquerda, em frente à do Santo Padre. Do encosto da estala real destaca-se uma graciosa estatueta da Santa Virgem, da qual o rei da França é o vassalo e o primeiro cavaleiro; atrás da estala do Santo Padre aparece Nosso Senhor, de quem o Papa é o vigário.

    « Cada ano, os Cônegos de São João de Latrão celebram o nascimento de seu real confrade Henrique IV com uma missa solene. É um testemunho de reconhecimento pelo dom que o bearnês convertido fez a São João de Latrão da rica abadia de Clarac, na diocese de Agen. Até a Revolução de julho, o embaixador da França assistia ao ofício em um estrado colocado na entrada do coro.

    « Resta-nos ver o tesouro da basílica. Lá se conserva uma das relíquias mais veneráveis que existem no mundo. Atrás de grades de ferro, sob largas folhas de cristal, está escondida a mesa mesma sobre a qual Nosso Senhor instituiu a santa Eucaristia. Esta mesa é de madeira, sem nenhum ornamento; parece ter uma polegada de espessura por doze pés de comprimento e seis de largura. Coberta de lâminas de prata pelos soberanos Pontífices, foi despojada delas no saque de Rom table même sur laquelle Notre-Seigneur institua la sainte Eucharistie Relíquia importante conservada no tesouro da basílica. a, sob o condestável de Bourbon. A poucos passos dali encontram-se outras relíquias, cuja visão penetra igualmente o coração de reconhecimento e de compunção. É uma parte da veste de púrpura que lançaram sobre os ombros de Nosso Senhor no pretório; uma parte da esponja embebida no fel e no vinagre; a taça na qual apresentaram o veneno a São João Evangelista, e que ele bebeu sem sentir nenhum mal; uma parte de sua túnica e da corrente com a qual foi conduzido de Éfeso a Roma; um ombro de São Lourenço; a cabeça milagrosa de São Pancrácio, mártir; uma vértebra de São João Nepomuceno; sangue de São Carlos Borromeu e de São Filipe Néri; enfim, uma tabuleta composta das cinzas de uma multidão de Mártires.

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    O Batistério e o Obelisco

    Descrição do batistério octogonal de Constantino e do obelisco egípcio reedificado por Sisto V.

    « O batistério de São João de Latrão, separado da basílica, seguindo o costume dos primeiros séculos, é de forma octogonal; nos oito ângulos interiores erguiam-se oito colunas de pórfiro, separadas das muralhas de maneira a deixar um espaço suficiente para circular; elas sustentavam uma cornija e um largo frontão, sobre o qual reinava uma segunda fileira de colunas de mármore de uma beleza e de um trabalho requintados: esta nova colunata, menor que a primeira, suportava uma grande arquitrave coroando o edifício.

    « No meio encontra-se ainda a bacia em basalto, de forma oval e de cinco pés de comprimento. Constantino a havia revestido interior e exteriormente com lâminas de prata do peso de três mil e oitocentas libras. No centro da bacia erguiam-se colunas de pórfiro, suportando lâmpadas de ouro pesando cinquenta e duas libras, cujas mechas eram de fio de amianto. Em vez de azeite, queimava-se nela, nas solenidades da Páscoa, o bálsamo mais odorífero. Na borda da bacia havia um cordeiro de prata, do peso de trinta libras, que jorrava água na pia batismal; à direita do cordeiro, o Salvador em prata, de tamanho natural, pesando cento e setenta libras; à esquerda, São João Batista em prata, de cinco pés de altura, segurando na mão o texto sagrado: *Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccata mundi*; ele pesava cem libras. Sete cervos de prata, símbolos da alma sedenta da graça, jorravam água na pia batismal: cada um pesava oitenta libras; enfim, um incensário do ouro mais fino, adornado com quarenta pedras preciosas, pesando dez libras.

    « Tal era o batistério de Constantino; tal ele é ainda hoje, menos o ouro e a prata, tornados presa dos bárbaros. As decorações primitivas foram substituídas por belas pinturas representando as ações memoráveis de Constantino. Esta restauração data do pontificado de Urbano VIII. O pavimento é de mosaico fino, e todas as paredes são enriquecidas com dourados e pinturas.

    « O obelisco de São João de Latrão, destinado a consagrar a memória do triunfo, após três séculos de co L'obélisque de Saint-Jean de Latran O maior obelisco egípcio de Roma. mbates, do cristianismo sobre o paganismo, tem noventa e nove pés de elevação acima do pedestal. Trazido do Egito para Roma pelos imperadores Constantino e Constâncio, seu filho, foi quebrado pelos bárbaros, depois reedificado, em 1588, no lugar que ocupa hoje, pelo gênio tão poderoso e tão poético de Sisto V.

    Completamos o relato do Padre Giry com as *Três Romas* de Monsenhor Gaume. — Cf. 1° entre os santos Padres: São Basílio, in *Poetae*, XXIII; São João Crisóstomo, *Homil.*, XXIII in *Matth.*; Santo Ambrósio, *Sermo* CCCXXXVI in *Dedicat.*; Santo Agostinho, *Sermo* CCCXXXI de *Dedicat.*; o venerável Beda, in *Evang. Joan.*, I; São Bernardo, *Sermo de Dedicatione*; — 2° entre os pregadores: Alberto Magno, Hugo de São Vítor, Dionísio, o Cartuxo, Rabano Mauro, João Taulero, São Tomás de Villanova, Matthias Faber, Texier, Birout, Joly, Lejeune, Fléchier, La Colombière, Senserie.

    Fonte oficial Les Petits Bollandistes, por Mons. Paul GUÉRIN, camareiro de Sua Santidade Pio IX.

    Sinais e atributos

    Os milagres de Dedicação da Basílica de São Salvador (São João de Latrão)

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    Anexos & entidades relacionadas

    Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.

    Eventos marcantes

    1. Doação do palácio de Latrão por Constantino ao Papa São Melquíades em 313
    2. Construção da basílica e do batistério por Constantino em 324
    3. Dedicação solene pelo Papa São Silvestre
    4. Instituição da regra dos altares de pedra por São Silvestre
    5. Restauração sob Urbano VIII e Sisto V

    Citações

    • Domus Dei nos ipsi : nos in hoc seculo ædificamur, ut in fine sæculi dedicemur. Santo Agostinho, Serm. CCCXXI de Dedicat.
    • Sacrosancta Lateranensis Ecclesia, omnium urbis et orbis ecclesiarum mater et caput Inscrição no frontispício da basílica