Nobre de Icônio convertida por São Paulo, Tecla renuncia ao casamento pela virgindade cristã. Ela sobrevive milagrosamente a múltiplos suplícios (fogo, leões, touros, serpentes) antes de terminar sua vida como eremita aos noventa anos. Ela é honrada como a primeira das mártires e igual aos apóstolos.
Seus contemporâneos
Figuras e referências situadas em torno do período normalizado desta ficha.
Leitura guiada
7 seçãos de leitura
SANTA TECLA DE ICÔNIO, VIRGEM,
A PRIMEIRA DAS MÁRTIRES
Conversão em Icônio
Em Icônio, a jovem nobre Tecla converte-se ao cristianismo após ouvir as pregações de São Paulo, renunciando ao casamento para se dedicar a Deus.
Quando o apóstolo São Paulo saint Paul Apóstolo citado por São Jerônimo para ilustrar os decretos divinos. pregava o Evangelho na cidade de Icô nio, qu Iconium Cidade natal de Tecla na Licaônia. e é da província da Licaônia, ele se hospedava na casa de um cristão chamado Onesíforo, e ali encontrava santas assembleias onde se reuniam muitas pessoas desejosas de sua salvação. Tecla estava entre elas; era uma jovem de dezoito anos, das mais nobres e ricas da cidade. Sua mãe, Teocleia, a havia prometi do a um Théoclie Mãe de Santa Tecla que a denunciou às autoridades. jovem senhor chamado Tamíris, e ela aguardav a apenas Thamyris Noivo pagão de Tecla. o momento de celebrar esse casamento que considerava muito vantajoso. Tecla, durante esse período, ouviu contar tantas maravilhas sobre o santo Apóstolo, e fizeram-lhe um relato tão favorável do que ocorria nessas conferências de religião, que ela empregou todo tipo de artifício para conseguir entrar. A coisa não era fácil, porque sua mãe não a perdia de vista; mas a divina Providência lhe proporcionou os meios: tocada pelas palavras desse pregador celestial, não apenas tornou-se cristã, mas também renunciou ao casamento e tomou Jesus Cristo como seu Esposo eterno. Sua avidez por ouvir o santo Apóstolo, diz São João Crisóstomo, era tão grande que, quando ele foi coloc ado na prisão, ela ven saint Jean Chrysostome Predecessor de Trifão citado como exemplo de bispo santo e perseguido. deu seus anéis e outras joias para ter com que subornar o carcereiro, a fim de que ele lhe permitisse a entrada: «Tecla deu suas joias para ver São Paulo; e vós, que vos gloriais do nome de cristão, não tendes a coragem de dar um óbolo para ver Jesus Cristo».
Primeiro martírio e fuga
Denunciada pela própria mãe, Tecla sobrevive milagrosamente à fogueira graças a uma chuva divina antes de se juntar a São Paulo em seu retiro.
A mãe de nossa Santa não tardou a perceber a mudança que nela se operara; sua aversão ao casamento, seu desprezo por todas as vaidades do mundo; a humildade, a modéstia, o espírito de retiro e de devoção que transpareciam em seu rosto, mostravam claramente que ela não era mais uma filha do século, mas uma alma ganha para o Salvador. Ela lhe perguntou de onde vinha tal novidade; e, aprendendo de sua boca que Nosso Senhor a iluminara para reconhecer a impiedade do paganismo, a necessidade da religião cristã e o preço inestimável da virgindade, ela entrou em tal fúria que esteve prestes a matá-la com as próprias mãos. Após esse primeiro ímpeto, passou a um excesso de desumanidade muito mais horrível: ela mesma acusou sua filha diante do juiz como cristã e como refratária à promessa de casamento que havia feito, e pediu-lhe que a queimasse viva caso não mudasse de resolução, a fim de causar terror às outras jovens que fossem tentadas a imitar sua conduta. O juiz atendeu a esse pedido, fez comparecer Tecla diante de seu tribunal e, encontrando-a inabalável em sua resolução de permanecer cristã e guardar sua virgindade, ordenou que se acendesse uma grande fogueira e que a lançassem nela viva. A generosa virgem muniu-se então do sinal da cruz e, sem esperar que os carrascos pusessem as mãos nela, tocada por um movimento extraordinário do Espírito Santo, entrou corajosamente no meio das chamas para ali fazer o sacrifício de seu corpo à glória de seu Esposo. Contudo, Deus suspendeu a atividade do fogo, e caiu no mesmo instante uma chuva tão abundante que o fogo foi inteiramente extinto e o povo idólatra foi forçado a fugir para buscar abrigo. Tecla saiu, portanto, daquela fogueira sem ter recebido qualquer incômodo, sem que sequer suas vestes fossem queimadas, e afastou-se de sua cidade natal sem que ninguém pensasse em opor-se à sua fuga.
Assim escapada milagrosamente de uma morte certa, Tecla, a quem o Senhor sozinho deveria doravante ocupar o lugar de família e de herança, correu em busca do grande Apóstolo. Este, por sua vez, pressagiando o destino que seus inimigos reservavam à sua filha espiritual, não se havia afastado da cidade de Icônio. Alguns cristãos fervorosos, também gerados por ele na fé, haviam-lhe preparado um retiro seguro em um lugar solitário. Tecla foi instruída por eles sobre o local de seu retiro e pôde rever aquele cujas exortações divinas souberam inspirar-lhe tanta energia e tanta grandeza de alma. O encontro deles foi mais do que comovente: o mestre reencontrava sua discípula cingida com a auréola do martírio; a discípula revia seu mestre portando os estigmas da perseguição. Um glorificava o Senhor por tê-lo julgado digno de gerar essa filha para a fé; o outro bendizia a Deus por ter-lhe preparado um preceptor tão ilustre nas trevas de sua ignorância. Ambos, enfim, sentiam-se felizes e mostravam-se cheios de alegria por terem sofrido pelo nome e pela glória de Jesus Cristo, seu divino Mestre.
Missão com São Paulo
Tecla acompanha São Paulo em suas viagens apostólicas para se formar na perfeição cristã antes de se estabelecer em Antioquia.
Depois que eles mutuamente abriram seus corações diante do Senhor, Tecla pediu com insistência que lhe fosse permitido acompanhar o santo Apóstolo em suas jornadas apostólicas, a fim de se formar na perfeição sob um modelo tão consumado. Animada pelo mesmo espírito que seu mestre, ela teria querido, no ardor de seu zelo, compartilhar seus trabalhos e seus sofrimentos, ganhar almas para Jesus Cristo e propagar em todos os lugares a glória de seu santo nome. O Apóstolo respondeu a este pedido com uma descrição de todas as fadigas de seu apostolado e de sua vida, que não era senão um combate e uma peregrinação contínua. Ele a lembrou de que, devotado à conversão do universo inteiro, ele tinha que percorrer os países mais distantes, as nações mais divididas em costumes e linguagem. Todavia, não querendo entristecer esta fiel serva de seu Deus, e desejando fortalecer ainda mais, por meio de instruções mais frequentes, os sentimentos de piedade e de sacrifício que a graça havia feito nascer em seu coração, São Paulo consentiu que Tecla o acompanhasse em algumas de suas jornadas, até que ela pudesse se fixar no meio de alguma cristandade nascente, onde ela estaria ao mesmo tempo a salvo da perseguição de sua família e como uma apóstola entre os neófitos. Tecla acolheu com respeito e reconhecimento a decisão do santo Apóstolo. Ela se esforçou, tanto quanto pôde, para aproveitar os preciosos instantes que lhe restavam para passar perto deste grande doutor; e concebe-se facilmente quantos frutos a palavra santa deveria produzir em um coração tão bem disposto a recebê-la.
Após ter seguido assim, durante algum tempo, o grande Apóstolo, nossa Santa chegou a Antioquia, capital da Síria. Foi nesta cidade q Antioche Cidade antiga onde residia Santa Publia e sua comunidade. ue ela teve de se estabelecer, e foi nesta cidade que Deus a chamava para novos combates e novos triunfos.
Os suplícios de Antioquia
Em Antioquia, ela resiste às investidas de Alexandre e sobrevive a vários suplícios: as feras, os touros e uma cova de serpentes.
Um dos primeiros habitantes da cidade, Alexandre, tomou-se de uma viva paixão por Tecla. Aproveitando-se da influência que sua posição lhe conferia, ousou insultá-la em plena rua. Mas a virgem cristã, ouvindo apenas a sua coragem, rasgou a túnica de seu agressor, arrancou-lhe da cabeça a coroa que usava e cobriu-o de confusão diante de todo o povo. Longe de devorar em silêncio a afronta que sua brutalidade lhe merecera, Alexandre conduziu a heroica jovem diante do governador, que a condenou a ser devorada pelas feras. Esta sentença iníqua revoltou uma parte do povo. Quer porque o número de cristãos já fosse grande em Antioquia, ou porque a conduta de Alexandre parecesse infame demais para não revoltar a própria consciência pagã, as mulheres, tomando o partido da heroína, puseram-se a gritar ao redor do tribunal: «O veredito é injusto, a sentença é iníqua!» Mas Tecla, preocupada apenas com o cuidado de sua virtude, pedia apenas um favor: o de ser conservada pura antes de sua morte. Entregaram-na, pois, às mãos de uma mulher de alta linhagem, chamada Trifena, que acabara de perder Tryphène Mulher de alta linhagem que protegeu Tecla em Antioquia. sua única filha. Chegada a hora do suplício, os carrascos soltaram contra a jovem virgem uma leoa furiosa que, em vez de lhe fazer qualquer mal, deitou-se diante dela, lambendo-lhe os pés. Na manhã seguinte, os satélites de Alexandre tiveram dificuldade em tirar Tecla dos braços de Trifena, que já a estimava como sua filha. Arrastada ao anfiteatro, a virgem permanecia com as mãos levantadas para o céu, em meio às feras que soltavam contra ela; mas nenhuma a tocava. Deus a envolvera em uma nuvem de fogo, para que os espectadores não vissem que ela estava sem vestes.
Este último traço é de uma delicadeza encantadora, e Santo Ambrósio destacou-o assim em uma de suas mais belas páginas: « Que Tecla vos saint Ambroise Pai da Igreja citado por uma máxima sobre a força. ensine o sacrifício. Como ela fugia do casamento, viu-se condenada pela fúria de seu noivo; mas soube inspirar às feras o respeito pela virgindade. Tinham-na destinado a perecer sob os dentes dos animais; ela estava ali, exposta a olhares que procurava evitar; ela ensinou a pudicícia a esses olhos que não a conheciam. Quão belo era ver o animal deitar-se por terra, lamber seus pés e testemunhar por essa linguagem muda que não ousava atentar contra o corpo sagrado da virgem! É assim que a fera venerava sua presa: ela se despojara de sua natureza e tornara-se humana, já que os homens não o eram mais. Naquele momento, teríeis visto os papéis invertidos: os homens, transformados em animais selvagens, ordenavam a crueldade às feras, e as feras vinham beijar os pés da virgem, ensinando o dever aos homens. Tão admirável é a virgindade, que comanda o respeito até aos próprios leões! Instinto da fome, gritos, excitações, hábitos sanguinários, natureza feroz, nada disso eles ouviram. Ao venerar a mártir, ensinaram a religião, ensinaram a castidade; pois, ao aproximarem-se da virgem, beijavam apenas a planta de seus pés, com os olhos baixos para a terra, como se não ousassem elevar seu olhar até a virgem nua...»
À vista de um prodígio tão extraordinário, um silêncio lúgubre apoderou-se do coração de todos os espectadores. Uns, reconhecendo nesse sinal a proteção visível do céu e a inocência de Tecla, desejavam que a vida e a liberdade fossem restituídas à Santa. Outros, mais endurecidos pelo próprio milagre, desejavam que outro gênero de suplício lhe fosse preparado. Mil gritos confusos elevaram-se finalmente ao mesmo tempo e dissiparam o torpor no qual o próprio governador estava mergulhado. O sentimento de vingança despertou mais violento do que nunca: ordenou, pois, que reconduzissem Tecla à sua prisão.
No dia seguinte, estando todo o povo novamente reunido, a santa mártir foi levada ao anfiteatro. Como ela perseverasse sempre na confissão da fé, o magistrado ordenou que fosse atada a touros indomados para ser despedaçada. No mesmo instante, os carrascos enlaçam seu corpo delicado com cordas espessas e sólidas. Os touros são atrelados a essas mesmas cordas em sentido inverso: depois, excitam-nos, aguilhoam-nos, animam-nos. Vãos esforços! As cordas rompem-se, os carrascos são feridos e Tecla permanece cheia de vida.
Este novo prodígio parece atiçar ainda mais violentamente o ódio dos perseguidores. Precipitam então a santa em uma cova profunda, cheia de serpentes e outros répteis venenosos cuja mordida era sempre mortal para os infelizes condenados a esse gênero de suplício. Tecla, em meio a esses inimigos perigosos, eleva seu coração a Deus e conjura-O a aceitar o sacrifício de sua vida. Ela aguarda a morte com uma santa impaciência, na esperança de ser em breve reunida, e para sempre, ao divino esposo de sua alma. O Deus que a protegera contra a violência das chamas, que a livrara dos dentes dos leões, que a sustentara também contra a impetuosidade dos touros, devia ainda defendê-la contra a mordida das serpentes. Esses animais venenosos afastam-se ao seu aspecto, não ousando macular com sua baba imunda este corpo sagrado, templo vivo da divindade e duplamente consagrado ao Senhor pela virgindade e pelo martírio. Um entorpecimento profundo apodera-se de todos os seus membros, e a Santa pode mover-se nessa horrível prisão sem provocar seus ataques.
Sem relatar ainda aqui os testemunhos dos diversos Padres da Igreja que nos transmitiram a lembrança desses prodígios, escutemos apenas São Zenão, bispo de Verona e mártir, em seu livro sobre o Temor: «Um acusador obstinado levanta-se contra Tecla. As leis do país e seus ministros inumanos sustentam as palavras do acusador. A ferocidade dos animais cruéis é aguilhoada de todas as maneiras, e ela se mostra, contudo, mais fácil de domar do que a ferocidade dos homens. Mas, para que nada parecesse faltar a esse espetáculo tão inumano, acrescentam-se ainda os monstros marinhos. A jovem virgem é despida de todas as suas vestes, ela é cercada por chamas: em meio a tantos instrumentos de morte e à angústia dos espectadores, ela sobrevive e pisa aos pés todos os gêneros de terrores. Sã e salva, e como se tivesse submetido o universo inteiro, ela sai das profundezas dessa cova lúgubre, não como uma pessoa digna de piedade, mas como uma heroína digna de admiração, carregando os troféus do mundo vencido, enquanto todos esperavam vê-la perecer e sucumbir a tantos suplícios».
Últimos anos em Selêucia
Após rever Paulo em Mira, ela se estabeleceu em uma caverna em Selêucia, onde viveu como eremita até os 90 anos, protegida por um milagre final.
O livramento milagroso da virgem de Icônio comoveu todo o povo de Antioquia. O governador a chamou e lhe disse: «Quem és tu, que as feras não ousam tocar?» — «Eu sou», respondeu-lhe Tecla, a serva do Deus vivo. Se os animais selvagens me pouparam, foi porque depositei toda a minha confiança em Jesus Cristo, o Filho de Deus, que é o deleite do Pai. Somente Ele é o caminho que conduz à salvação, o refúgio daqueles que foram açoitados pela tempestade, a consolação dos aflitos, a esperança daqueles que já não a têm. Aquele que não crê nele não viverá, mas terá por quinhão a morte eterna». O governador, ouvindo isso, proferiu uma sentença com este teor: «Tecla, a serva de Deus, está livre». Os gritos de alegria da multidão acompanharam a virgem até a casa de Trifena, onde ela permaneceu por vários dias, instruindo as jovens na verdadeira fé. Sabendo que São Paulo estava em Mira, na Lícia, ela foi ao seu encontro para lhe contar as graças com as quais Deus a havia cumulado. De lá, retornou a Icônio para pregar o Evangelho. Chegada à sua cidade natal, reencontrou sua mãe, mas seu noivo havia morrido. Em vão ela empregou tudo o que uma fé viva pode inspirar ao amor filial: Teocleia permaneceu surda às preces de sua filha e não se converteu. Então Tecla, deixando a casa paterna, foi ao túmulo onde outrora encontrara São Paulo com Onesíforo e, caindo de joelhos, derramou diante do Senhor abundantes lágrimas. Saindo de lá, dirigiu-se a Selêucia, onde converteu várias pessoas ao Evangelho. Retirada em uma caverna do monte Calamon, instruía pela palavra e pel o exempl Séleucie Local de retiro final e sepultura da santa. o as mulheres que a ela recorriam, atraídas pela fama de suas virtudes. Uma última agressão veio perturbar a virgem no lugar solitário que ela havia escolhido. Alguns médicos de Selêucia, irritados porque os doentes tomavam o caminho de Calamon em vez de se dirigirem a eles, contrataram homens viciosos, que penetraram na caverna para executar seu infame projeto. Mas, no mesmo instante, a rocha se entreabriu e se fechou sobre a Santa, protegendo-a contra a violência dos malfeitores. Tecla havia chegado à idade de noventa anos quando o Senhor chamou sua alma para si.
Legado e modelos de santidade
Considerada a primeira mártir do seu sexo, é celebrada pelos Padres da Igreja como um modelo absoluto de virgindade e coragem.
Poucas santas tiveram tantos panegiristas e tantos admiradores como esta ilustre virgem. Sua memória era de tão alta veneração nos primeiros séculos da Igreja que, quando se queria dar a alguém o mais alto grau de louvor, dizia-se que era uma Tecla; esta palavra compreendia todos os elogios possíveis. É assim que São Jerônimo chama a célebre Melânia, e que São Gregório de Nazianzo nomeia a ilustre Macrina, irmã de São Basílio, o Grande, e de São Gregório de Nissa. Depois da augusta Mãe de Deus, Tecla é o modelo e o exemplo que os santos doutores propõem às virgens e às mártires. Eles a honram com o título de apóstola e evangelista do seu sexo, e a colocam imediatamente após os Apóstolos de Jesus Cristo. Eles a chamam de primeira filha espiritual de São Paulo, sua fiel discípula e sua companheira em seus trabalhos evangélicos. Eles exaltam sua fé, seu amor pela pureza, sua intrepidez nos sofrimentos, e nos mostram que ela sobreviveu a diversos gêneros de suplícios para morrer de um martírio mais lento e ainda mais doloroso, isto é, consumida pelo amor que ela dedica ao seu Deus. «Parece-me hoje», exclama São João Crisóstomo em sua homilia, «parece-me ver a bem-aventurada virgem Tecla, segurando em uma mão uma coroa conquistada sobre as paixões, na outra uma segunda coroa conquistada sobre os perigos, e oferecendo ao soberano Mestre de todas as coisas estes troféus de sua virgindade e de seu martírio. A virgindade não foi para ela um martírio antecipado mais doloroso que o próprio martírio?»
Santo Isidoro de Pelúsio, escrevendo a um mosteiro de mulheres da cidade de Alexandria, dizia: «Após o exemplo de Judite, de Susana e da filha de Jefté, não podeis mais alegar a fraqueza da vossa natureza. Acrescentai a estas generosas primícias de todas as mártires, esta generosa heroína que, a primeira do seu sexo, erigiu tantos troféus à castidade vitoriosa, quero dizer Tecla, tão célebre e tão renomada por todo o mundo. Sua vida é como uma coluna inabalável sobre a terra que será um monumento eterno de sua virtude, e que, servindo às virgens como um segundo farol durante a noite tenebrosa deste século, lhes mostrará o caminho que devem seguir, a fim de não naufragar no mar tempestuoso das afeições ardentes da carne, mas de chegar a este porto desejado onde ela tão felizmente chegou».
São Princípio, bispo de Soissons e irmão mais novo de São Remígio, honrado sob a data de 25 de setembro, tinha uma devoção tão viva pela nossa Santa, que quis ser sepultado fora das muralhas da cidade, em uma capela dedicada a esta ilustre mártir.
Se percorrermos então, de era em era, os escritores posteriores aos Padres dos primeiros séculos da Igreja, por toda parte encontramos os louvores e os elogios mais pomposos dados a esta mesma Santa. O sábio Barônio, em seus Anais e suas anotações sobre o martirológio, e depois dele Spondanus e outros, exaltaram dignamente a santidade de Tecla.
Culto e peregrinações
Seu túmulo em Selêucia tornou-se um centro de peregrinação importante, enquanto suas relíquias se dispersaram pela Europa, notadamente em Tarragona e na França.
## CULTO E RELÍQUIAS.
O culto prestado à nossa santa Mártir é muito antigo e muito ilustre na Igreja. São Gregório de Nazianzo foi por devoção a Selêucia visitar seu túmulo, assim como santa Marana e santa Cira; acorria-se de toda parte, por causa dos grandes milagres que Deus operava ali por sua intercessão. Essas peregrinações eram tão frequentes e tão famosas que são mencionadas até nos
Atos do sétimo Concílio Ecumênico: «O que asseguro como muito certo», diz o santo bispo de Selêucia, «é que ninguém jamais foi privado do fruto de seus pedidos, quer desejasse a saúde, quer buscasse a libertação de seus males. Ainda não se ouviu dizer que alguém tenha partido lamentando não ter obtido o efeito de suas orações. Vê-se todos os dias, pelo contrário, que todos aqueles que visitam seu túmulo retornam cantando os louvores da Santa, publicando que obtiveram muito mais do que teriam ousado esperar, e que a fama está muito abaixo das maravilhas que ali se operam».
É algo comum implorar sua assistência nas grandes provações e conjurar a misericórdia divina para que nos seja tão favorável quanto foi a esta incomparável Virgem. Alguns Mártires, nas torturas, pedem a Deus que os livre delas, da mesma forma que Ele preservou santa Tecla do fogo, das feras e dos outros suplícios: pode-se ver isso nos Atos de são Terêncio e seus companheiros. São Cipriano, em uma oração que faz a Deus, utiliza estas palavras: «Assisti-nos, Senhor, e estai conosco como estivestes com são Paulo nas correntes, e com santa Tecla em meio às chamas». E, rezando por si mesmo, no próprio dia de seu martírio, diz a Jesus Cristo: «Livrai-me, Senhor, das misérias deste mundo, como livrastes santa Tecla do meio do anfiteatro». Finalmente, a Igreja, nas orações que compôs para recomendar à misericórdia divina as almas dos agonizantes, dirige a Deus estas palavras: «Nós vos suplicamos, Senhor, que, assim como livrastes a bem-aventurada Tecla, virgem e mártir, de três cruéis tormentos, tenhais também a bondade de livrar esta alma e de lhe conceder a graça de desfrutar convosco dos bens celestiais». Estes testemunhos são provas autênticas do grande mérito de nossa Santa. O imperador Zenão mandou construir, em Selêucia, um soberbo templo em sua honra, em reconhecimento por ter recuperado o império por sua assistência. Justiniano também mandou edificar um muito suntuoso na cidade de Niceia, na Bitínia.
Seu corpo, inicialmente enterrado em Selêucia, repousa agora na igreja metropolitana de Tarragona, que é dedicada sob seu nome. Segundo a tradição local, Pedro II, rei de Aragão, querendo reunir ao seu domínio, pela força das armas, alguns feudos desta igreja que ele alegava pertencerem-lhe, recebeu uma b ofetada d Tarragone Cidade espanhola que possui o corpo da santa. a mão da Santa; adoeceu e morreu. Reconheceu, contudo, antes de sua morte, que este castigo vinha de Deus e, com esse sentimento, fez restituir os bens que havia usurpado e reparou todos os danos que havia causado à Igreja.
Mas, embora os catalães se gloriem de possuir o corpo de santa Tecla, outras igrejas não deixam de ter relíquias suas. A catedral de Chartres conserva alguns ossos com muita veneração. Estão encerrados em uma urna de madeira dourada, com relíquias de são Cosme e pedaços de uma grande caixa de marfim, sobre os quais está representado o martírio de santa Tecla. Estes fragmentos de marfim foram encontrados durante a exumação de são Piat. Na Revolução, tendo sido saqueada a urna que continha suas relíquias, estes preciosos restos foram enterrados na terra e confundidos com outros; é por isso que, não tendo podido ser reconhecidos durante sua exumação, foram depositados na urna de madeira dourada que se vê hoje na catedral.
A igreja de Notre-Dame de Vernon-sur-Seine ainda possui um osso do braço da Santa que a igreja de Riez lhe havia dado em 1223. Esta relíquia, salva da Revolução por um antigo sacristão desta colegiada, foi reconhecida, em julho de 1836, por Dom du Châtellier, bispo de Évreux, e reunida em uma bela urna gótica às relíquias de são Mauro, padroeiro da cidade de Vernon.
A igreja de Riez estava, em 1223, na posse da cabeça e de um braço. O bispo de Riez, Fulque de Caille, encerrou esta cabeça preciosa em uma urna de prata. A urna desapareceu na tormenta revolucionária; mas uma parte dos santos ossos foi conservada. Hoje a igreja de Riez possui apenas a mandíbula inferior de santa Tecla; ela está encerrada em um rel Riez Sede episcopal do santo. icário.
As catedrais de Milão, de Tarragona e de Riez, e a colegiada de Vernon-sur-Seine, veneram esta Santa como sua padroeira especial e celebram sua festa com oitava. A festa desta ilustre virgem está marcada em todos os martirológios no dia 23 de setembro.
Utilizamos, para compor este resumo, as Observações de Barônio sobre o martirológio; as lições do breviário romano e do martirológio de Adão; os Santos da Igreja de Riez, pelo abade Foraud; os Pais apostólicos e sua época, por Dom Freppel.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santa Tecla de Icônio
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Conversão em Icônio pela pregação de São Paulo
- Renúncia ao casamento com Tamiris
- Condenação à fogueira e extinção milagrosa pela chuva
- Companheira de viagem de São Paulo
- Entregue às feras em Antioquia (leoa protetora)
- Tentativa de esquartejamento por touros
- Jogada em uma cova de serpentes venenosas
- Retiro em uma caverna no monte Calamon
- Desaparecimento em uma rocha que se abre para protegê-la
Citações
-
Eu sou a serva do Deus vivo.
Resposta ao governador de Antioquia -
Tecla deu suas joias para ver São Paulo; e vocês... vocês não têm a coragem de dar uma moeda para ver Jesus Cristo
São João Crisóstomo