Santo Afonso Maria de Ligório
DOUTOR DA IGREJA, BISPO DE SANTA ÁGATA DOS GODOS, FUNDADOR DA ORDEM DOS REDENTORISTAS
Advogado brilhante em Nápoles, Afonso de Ligório deixa o mundo após um erro judiciário para se consagrar a Deus. Fundador dos Redentoristas e bispo de Santa Ágata, torna-se um dos maiores teólogos morais da Igreja, lutando contra o jansenismo pela promoção da misericórdia divina. Morre aos 90 anos, deixando uma obra literária imensa centrada no amor de Jesus e de Maria.
Seus contemporâneos
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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO,
DOUTOR DA IGREJA, BISPO DE SANTA ÁGATA DOS GODOS, FUNDADOR DA ORDEM DOS REDENTORISTAS
Juventude e formação jurídica
Nascido perto de Nápoles em 1696, Afonso Maria de Ligório demonstra uma piedade precoce e obtém seu doutorado em direito civil e canônico com apenas dezesseis anos.
de um publicano; sua Teologia Moral, examinada e aprovada pela Santa Sé, tornou seu nome célebre em todo o universo, mas sobretudo na França, onde ela, por assim dizer, livrou o caminho do céu de muitas sarças e espinhos semeados pelo humor feroz da heresia jansenista. Parece que, por toda parte, a piedade já não fala a Nosso Senhor, no sacramento de seu amor, e à Santíssima Virgem, sua divina Mãe, senão através dos livros de Santo Afonso; todas as virtudes que ele recomenda brilham em sua vida; sua história e suas obras são uma só e explicam-se mutuamente; enfim, seu espírito sobreviveu-lhe, ainda anima a Congregação do Redentor, e o Santo, na pessoa de seus filhos, evangeliza ainda de alguma forma nossos campos.
Nosso Santo nasceu no dia da festa de São Cosme e São Damião, em 1696, em Marianella, perto de Nápoles, e recebeu no batismo os nom es de Afon Marianella Local de nascimento do santo perto de Nápoles. so Maria, no dia Naples Local de falecimento da santa. de São Miguel seguinte. Poucos dias depois, o venerável São Francisco de Girolamo, de quem falamos no dia 11 de maio, tendo vindo à casa de seu saint François de Girolamo Santo jesuíta que previu o futuro de Afonso quando criança. pai, abençoou a criança; depois, voltando-se para a mãe, disse: «Esta criança viverá até uma idade muito avançada; não morrerá antes de seu octogésimo ano; será bispo e fará grandes coisas por Jesus Cristo». Veremos em breve como o acontecimento justificou esta predição. Foi instruído por sua excelente mãe na prática da virtude e no conhecimento da lei divina; e, por sua obediência, sua docilidade e sua piedade, respondeu perfeitamente aos seus mais ardentes desejos. Entre seus companheiros, era afetuoso e modesto, e cheio de respeito e submissão para com os mais velhos.
Um traço, entre uma multidão de outros, revelou-lhes sobretudo o segredo de sua virtude. Com o objetivo de proporcionar aos seus jovens alguns divertimentos honestos, os Padres do Oratório levaram-nos ao campo. Convidam Afonso para jogar bocha; ele recusa por algum tempo, sob o pretexto de que não conhece esse jogo, não jogando nunca nenhum; enfim, cede às instâncias de seus companheiros e, apesar de sua inexperiência, ganha a partida. Então, seja por despeito de ter perdido, seja por indignação ao se sentir enganado pela recusa que Afonso fizera inicialmente, um desses jovens permite-se palavras grosseiras; a essa linguagem, a santa criança não pode se conter e responde com uma voz comovida: «Como assim! É assim que, pela mais miserável soma, você ousa ofender a Deus! Tome, aí está o seu dinheiro» (e jogou-o aos seus pés); «Deus me livre de ganhar algo a esse preço!» Imediatamente ele desaparece, fugindo para as alamedas mais sombrias do jardim. Essa fuga, essas palavras, esse tom severo e muito acima de sua idade atingiram com uma espécie de estupor todos esses jovens e, sobretudo, o culpado. Entretanto, eles haviam retomado seus jogos, a noite aproximava-se e Afonso não aparecia mais; ficam inquietos e, pondo-se todos juntos a procurá-lo, encontram-no em um lugar afastado, sozinho e prostrado diante de uma pequena imagem da Santíssima Virgem, que ele havia prendido a um loureiro: parecia todo absorto em sua oração e já o cercavam há um momento sem que ele os percebesse, quando aquele que o havia ofendido, não sendo senhor de si mesmo, exclama com força: «Ah! O que fiz? Maltratei um Santo!» Esse grito tira Afonso de seu êxtase e, imediatamente, cheio de confusão por ter sido assim descoberto, ele pega sua imagem e se reúne aos seus companheiros, vivamente tocados por uma piedade tão bela. Esse acontecimento atingiu-os ao máximo: não somente fizeram o relato aos seus pais, mas apressaram-se em publicá-lo por toda parte com toda a vivacidade de sua jovem admiração.
A ternura que seus pais tinham por Afonso não lhes permitiu separar-se dele para colocá-lo em um colégio público. Foi na casa paterna que, sob mestres hábeis, ele recebeu toda a sua educação. Unindo uma grande penetração de espírito a uma memória feliz, entregou-se com sucesso ao estudo do latim, do grego e da filosofia.
Aplicou-se com tanto ardor ao estudo da lei canônica e civil, para cuja profissão seu pai o destinava, e fez progressos tão espantosos que precisou de uma dispensa de três anos e alguns meses para poder passar em seu exame para o grau de doutor nessas duas faculdades, não estando ainda em seu décimo sexto ano (1713). O estudo dessas ciências não diminuiu em nada sua devoção, sobretudo para com Nosso Senhor presente na Eucaristia, e a Virgem sua mãe; cada dia ele visitava a igreja onde se realizava o ofício das Quarenta Horas, durante o qual o Santíssimo Sacramento é exposto com grande pompa à veneração dos fiéis. Nessas ocasiões, fazia-se notar por sua regular assiduidade, por seu recolhimento e sua fervor, e mantinha seus olhos constantemente fixados no objeto de seu amor. Três eclesiásticos, que tinham o costume de frequentar as mesmas igrejas, sentiram-se tomados por um santo desejo de imitar a piedade rara do jovem cavaleiro, cujo nome procuraram longamente em vão descobrir. Contraiu igualmente o hábito de visitar o hospital dos incuráveis, para com os quais cumpria todos os deveres de caridade que suas necessidades reclamavam, com tanto afeto e bondade que era fácil ver que, nas pessoas deles, ele honrava o próprio Jesus Cristo como presente. Evitava cuidadosamente a companhia de pessoas de sexo diferente e fugia de tudo o que pudesse atingir a inocência virginal de sua alma; jamais, a menos que seu pai o forçasse, visitava o teatro ou outros lugares de diversão, embora tivesse muito prazer em passar a noite na sociedade de alguns homens de ciência que se reuniam na casa de um de seus amigos. Seu exemplo teve uma influência tão poderosa sobre um escravo que ele tinha como doméstico, que este resolveu a todo custo tornar-se cristão, e morreu algum tempo depois com sentimentos de uma piedade extraordinária.
A ruptura com o mundo
Após um erro judiciário humilhante, ele renuncia à sua brilhante carreira de advogado para se dedicar a Deus, apesar da oposição feroz de seu pai.
Afonso abraçou a profissão jurídica e elevou-se em pouco tempo a um tão alto grau de reputação que lhe confiavam, de todas as partes do reino, as causas mais difíceis e complicadas; mas nunca permitiu que seu zelo pelos clientes, ou sua diligência na condução dos negócios, o fizessem desviar da mais estrita justiça ou da prática da virtude mais exemplar. Ele ouvia a missa todas as manhãs antes de ir ao tribunal e observava pontualmente todos os jejuns e outros preceitos da Igreja; aproximava-se dos sacramentos a cada oito dias e não deixava, a cada ano, por meio de um retiro espiritual, de reparar as faltas dos doze meses passados e de renovar o fervor de seus bons propósitos.
A estima com que o imperador Carlos VI, que governava Nápoles naquela época, olhava para sua família e o alto posto ao qual era visível que ele ascenderia na magistratura fizeram com que as principais famílias concebessem o desejo de aliar-se a ele pelo matrimônio. Um sermão que ele ouviu por essa época, no qual se descrevia um cavaleiro condenado ao inferno que havia aparecido a uma dama de seu conhecimento, produziu uma forte impressão em todo o auditório, e principalmente em Afonso, que, desde então, entregou-se mais inteiramente a Deus, visitou o hospital com mais frequência e formou a resolução de não mais ir ao teatro e de assistir todos os dias ao ofício das Quarenta Horas: o que ele pôs pontualmente em prática. Mas eis a circunstância que fixou sua determinação de renunciar a todos os negócios do mundo.
Em um processo feudal entre dois poderosos príncipes, ele havia sido encarregado da defesa. Consagrou todo um mês a preparar suas provas e a estudar a causa; e, no dia da audiência, ganhou os aplausos e sufrágios do imenso auditório que a importância da causa e sua reputação haviam atraído. O presidente estava prestes a pronunciar um julgamento a seu favor, quando o advogado da parte contrária, em vez de tentar uma réplica, pediu-lhe sorrindo que examinasse novamente o processo. Ele consentiu sem a menor hesitação, contando com a força e a clareza das razões que havia alegado em apoio à sua causa; mas qual não foi sua surpresa quando descobriu no processo uma simples negativa, que não havia notado antes, e que derrubava por completo as bases mesmas de seu raciocínio! Acostumado como estava a tratar as causas que empreendia apenas com a mais escrupulosa boa-fé, ficou envergonhado e confuso, na apreensão de que lhe atribuíssem a culpa; mas todo o auditório o justificou com um consenso unânime, e o presidente tentou tranquilizá-lo e encorajá-lo, observando que, no ardor da defesa e no desejo de sucesso, tais equívocos acontecem frequentemente até aos homens mais retos. De repente, porém, a vergonha e a confusão pintaram-se em seu rosto e, após ter confessado generosamente que se enganara e pedido perdão aos juízes, despediu-se modestamente; e, no momento em que saía, ouviram-no proferir estas palavras: "Mundo enganador, eu te conheço; não me enganarás mais". De volta a casa, trancou-se por três dias em seu quarto e derramou muitas lágrimas diante de seu crucifixo. Durante esse tempo, resolveu deixar a profissão jurídica e dedicar-se ao estado eclesiástico; pediu o conselho de seus diretores, e eles aprovaram sua resolução. Mas quando se dirigiu ao pai, para fazê-lo consentir em seu desejo, obteve apenas dureza, reprovações e uma recusa.
Afonso ia buscar algum alívio para sua dor no exercício de sua caridade habitual para com outros infelizes. Um dia, quando estava no hospital dos incuráveis, a casa pareceu-lhe de repente como que abalada até aos alicerces; creu ouvir uma voz que lhe dizia com força: "Que tens tu a fazer no mundo?" Ele olhou a princípio isso como uma imaginação, mas, à medida que saía, seus olhos foram atingidos por uma luz ofuscante e, em meio ao ruído do hospital, que lhe parecia desmoronar, a mesma voz fazia-se ouvir ainda, repetindo-lhe sem cessar: "Que tens tu a fazer no mundo?" Então, não duvidando mais de que Deus lhe pedisse por isso que se apressasse em seu sacrifício, sentiu-se animado por uma coragem sobrenatural e, oferecendo-se em holocausto à vontade divina, exclamou como São Paulo: "Senhor! Eis-me aqui, fazei de mim o que vos aprouver". E, falando assim, entrou em uma igreja vizinha: era a da Redenção dos Cativos, onde ocorria, naquele mesmo dia, a adoração das Quarenta Horas. Lá, prostrando-se diante da Vítima adorável, suplicou-lhe que aceitasse a oferta de si mesmo; depois, de repente, desamarrou sua espada e foi suspendê-la no altar de Nossa Senhora da Mercê, como um penhor autêntico de seu inviolável compromisso com a vontade divina. O Padre Pagano, seu diretor espiritual, deu então, após um maduro exame, sua aprovação definitiva, e a resolução de Afonso de se dedicar ao serviço dos altares foi irrevogavelmente fixada. O difícil era obter o consentimento de seu pai. Este empregou parentes e amigos, até mesmo um abade dos beneditinos, para desviar o filho de sua resolução. Tendo sido inúteis seus esforços, o pai recorreu ao bispo de Troia, Dom Cavalieri, seu cunhado; mas esse digno prelado tomou a defesa do sobrinho. "E eu também", disse ele ao pai, "deixei o mundo, renunciei ao meu direito de primogenitura, e quereis depois disso que eu aconselhe o contrário? Ah! Eu seria muito culpado". Essas admoestações acabaram por arrancar do pai uma espécie de consentimento que permitia a Afonso abraçar o estado eclesiástico, contanto que vivesse sempre na casa paterna, sem entrar jamais na Congregação do Oratório. Ainda assim, quando foi preciso chegar à execução, ele adiava de um tempo para outro. Não houve até o pretexto de falta de dinheiro que não empregassem para não comprar os objetos necessários ao enxoval de um eclesiástico. Mas Afonso providenciou tudo por si mesmo e, um dia, apareceu inesperadamente diante de seu pai com o hábito clerical. A esse aspecto, o pai soltou um grande grito e, como fora de si, precipitou-se sobre sua cama, em um abatimento impossível de descrever. Permaneceu um ano inteiro sem dirigir ao filho sequer a palavra.
Assim, aos vinte e sete anos de idade, nosso Santo renunciou a todos os atrativos e a todas as distinções do mundo; e a pessoa que lhe era destinada como esposa, imitando seu exemplo, tornou-se religiosa no convento do Santíssimo Sacramento, em Nápoles, onde deu, durante sua vida e em sua morte, tantas provas de virtude que sua vida, posteriormente, foi escrita pelo próprio Santo.
Primeiros trabalhos apostólicos
Ordenado sacerdote em 1726, dedica-se à instrução dos pobres em Nápoles e funda as 'capelas' para evangelizar as classes populares.
Assim como os israelitas fizeram servir os vasos dos egípcios ao culto de Deus, assim Afonso voltou ao serviço da Igreja toda a sua ciência e todos os talentos com que o mundo se honra, e especialmente o talento que tinha para a música e a poesia; compôs vários belos ares, com o objetivo de inspirar o amor e a admiração pelos cânticos piedosos e devotos, em vez dos cânticos profanos e inconvenientes que estavam na moda, e dos quais se fazia ordinariamente as suas delícias.
De manhã, entregava-se com ardor ao estudo da teologia e da religião, assistia a todos os exercícios de piedade que se praticavam na casa dos missionários de São Vicente de Paulo, confessava-se, ouvia a missa e comungava, e frequentava regularmente os sacramentos. Todas as tardes, visitava e aliviava os doentes no hospital, ouvia um sermão na igreja dos Oratorianos, e ia depois prestar as suas devoções ao Santíssimo Sacramento, na igreja onde estava exposto; ali permanecia várias horas, até que tivesse sido recolocado no sacrário, depois voltava para casa. Ao anoitecer, frequentava a casa de um piedoso eclesiástico onde se realizavam conferências sobre assuntos de piedade; além disso, fazia parte de uma piedosa associação cujos membros, como os da confraria de São João, em Roma, nos nossos dias, faziam profissão de consolar os criminosos antes da sua execução, de os preparar para a morte e de os assistir no cadafalso. O cardeal-arcebispo de Nápoles admitiu-o à tonsura em 23 de setembro de 1724, e às quatro ordens menores em 23 de dezembro do mesmo ano. Foi um motivo de espanto e de edificação para toda a cidade ver um homem colocado num posto tão elevado, e diante do qual se abria uma carreira tão brilhante, cumprir os deveres mais humildes do seu novo ofício, percorrendo as ruas para reunir as crianças e conduzi-las à igreja, onde sabia fazer-se como uma delas, e aplicando-se a inculcar-lhes os mistérios e as verdades da religião; durante a Quaresma, sobretudo, não negligenciava nada para as preparar a aproximarem-se do santo tribunal da Penitência com as disposições convenientes, no tempo da Páscoa próxima.
Se esta santa conduta fazia a admiração do céu e daqueles que, na terra, julgam tudo à luz do céu, o mundo, que ele acabara de deixar, comprazia-se em cobri-lo de desprezo e de ridículo: Afonso tornou-se a fábula do público, e a sua vocação foi condenada como o passo insensato de um espírito leve e inconsiderado. Na magistratura como na advocacia, a reprovação foi tanto mais forte quanto mais estima e consideração lhe tinham sido anteriormente concedidas; parecia que o repulsavam, como se tivesse desonrado a ordem à qual pertencera, a tal ponto que o primeiro presidente, que o amava ternamente quando era advogado, mandou fechar-lhe a porta quando se tornou eclesiástico. Contudo, este magistrado voltou, antes de morrer, a melhores sentimentos. Na sua última doença, recebeu com muito consolo a visita de Afonso. «Ah!» exclamou um dia ao vê-lo entrar, «quão feliz sois, meu excelente amigo, na escolha que fizestes! quão doce seria para mim, neste último momento, poder dar testemunho de um semelhante sacrifício feito apesar do mundo nos meus jovens anos, para o bem da minha pobre alma! Rezai por mim, Afonso; recomendo-me à vossa caridade; salvai um infortunado que vai comparecer diante de Deus e para quem o mundo já passou».
O nosso Santo recebeu a ordem de subdiácono na igreja de Santa Restituta, em 22 de setembro de 1725; e, imediatamente depois, a fim de melhor se preparar para trabalhar na vinha do Senhor, entrou numa Congregação formada com o objetivo de dar missões ou séries de sermões, no reino de Nápoles, para instruir o povo e fazê-lo avançar na virtude. A sua função era ensinar o catecismo às crianças; e, em pouco tempo, a sua bondade e a sua doçura ganharam-lhe tão bem todos os corações que corriam atrás dele, quando ele i a embo Naples Local de falecimento da santa. ra, e pediam-lhe para ficar com eles. Em 6 de abril do ano seguinte, foi ordenado diácono, e obteve ao mesmo tempo o poder de anunciar a palavra de Deus. Pregou o seu primeiro sermão, na igreja da sua própria paróquia, durante a exposição das Quarenta Horas, em honra de Jesus presente no augusto Sacramento: o fervor e a unção com que falou foram uma fonte de proveito e de edificação para os fiéis; depois foi convidado a pregar ora numa igreja, ora noutra, particularmente durante as orações das Quarenta Horas. Mas os seus trabalhos contínuos não tardaram a causar-lhe uma doença perigosa, da qual só escapou pela intercessão de Nossa Senhora das Mercês, cuja estátua trouxeram para junto do seu leito, e que lhe salvou a vida no momento mesmo em que estava prestes a entregar a alma. Assim que restabelecido, o cardeal Pignatelli fê-lo ordenar sacerdote em 22 de dezembro de 1726. A partir desse momento, a sua vida não foi mais do que uma pregação e uma exortação contínuas à virtude; do altar onde recebia o pão dos anjos, fonte de toda a força, ia pregar a lei e o amor de Deus ao povo da cidade e do reino de Nápoles, produzindo por toda a parte conversões milagrosas entre os pecadores abandonados e os mais notórios de ambos os sexos, cuja mudança se anunciava pela prática da virtude mais exemplar.
Pessoas de todas as classes vinham ouvi-lo. Um grande literato, famoso satírico, nunca faltava. Afonso disse-lhe um dia jocosamente: «A vossa assiduidade aos meus sermões anuncia-me alguma intenção hostil; estareis, por acaso, a preparar algo contra mim?» — «Não, certamente», respondeu o outro; «sois sem pretensão, e não se espera de vós belas frases; não se pode atacar-vos quando vos vemos assim esquecer-vos de vós mesmo, e rejeitar todos os ornamentos do homem para pregar apenas a palavra de Deus; isso desarmaria a própria crítica».
Contudo, o seu pai nunca lhe dizia uma palavra e evitava ir ouvi-lo. Um dia, porém, deixa-se levar pela multidão para uma igreja: fica surpreendido e quase zangado por encontrar Afonso no púlpito; permanece, contudo, e eis que este pai terrível é desarmado: uma doce unção e uma luz inefável entraram na sua alma, à voz deste filho que ele tratara tão duramente. Não pode deixar de exclamar ao sair: «O meu filho fez-me conhecer Deus». Sente toda a injustiça da sua conduta, testemunha o seu arrependimento a Afonso e pede-lhe perdão.
Este sacerdote, a quem Deus concedia tal graça para a conversão das almas, não ousava ainda, embora estivesse ordenado há um ano, sentar-se no tribunal da Penitência, tal era a alta ideia que tinha deste ministério. Foi preciso que o cardeal Pignatelli lhe ordenasse, em virtude da santa obediência, usar os poderes que tinha de confessar. Afonso obedeceu humildemente, e fez desde então frutos incalculáveis no confessionário, não menos do que no púlpito. Não se limitava à condução de um pequeno rebanho que tivesse escolhido, mas recebia indistintamente todos os que se apresentavam, ao ponto de o dia não lhe ser suficiente e de passar parte da noite a ouvi-los. Não cessava na sua velhice de recomendar este ministério como o mais proveitoso para todo o mundo: «Por aí», dizia ele frequentemente, «os pecadores fazem imediatamente a sua paz com Deus, e o operário evangélico não tem nada a perder do seu mérito pelas seduções da vaidade». Não podia suportar esses confessores que recebem os seus penitentes com um ar carrancudo e repelente, e aqueles ainda que, depois de os ter ouvido, os mandam embora com desdém como indignos ou incapazes das divinas misericórdias. Por mais severo que fosse para consigo mesmo, tinha, sobretudo para os pecadores, uma mansidão indizível: era algo de infinitamente atraente a maneira como procedia em relação a eles: sem transigir quanto ao pecado, era todo coração e toda caridade para com o pecador. Assim, nos seus sermões, nunca separava a justiça de Deus da sua misericórdia, persuadido de que esse era o meio de levar as almas à penitência; o mesmo princípio, ou melhor, o mesmo sentimento guiava-o no confessionário: lembrava-se de que, se era juiz do seu penitente, era também o seu pai, e que era um ministério de reconciliação, e não de rigor, que lhe tinha sido confiado.
Condenava expressamente o rigorismo de certos espíritos carrancudos e rabugentos, cuja dura moral é diametralmente oposta à caridade evangélica. «Quanto mais uma alma», dizia ele, «está afundada no vício e presa nos laços do pecado, mais é preciso tentar, à força de bondade, arrancá-la dos braços do demónio para a lançar nos braços de Deus; não é muito difícil dizer a alguém: Ide-vos embora, estais condenado, não vos posso absolver; mas se se considerar que esta alma é o preço do sangue de Jesus Cristo, ter-se-á horror a essa conduta». Dizia ainda, na sua velhice, que não se lembrava de ter mandado embora um único pecador sem o absolver, muito menos de o ter tratado com dureza e aspereza. Não é que desse indiferentemente a absolvição tanto aos que estavam bem dispostos como aos que estavam mal; mas, tal como ele próprio nos ensina, dava aos pecadores o meio de sair do seu estado, e, enquanto lhes testemunhava a maior caridade e os enchia de confiança nos méritos do Salvador, acontecia-lhe sempre inspirar-lhes um sincero arrependimento. Tinha o costume de dizer: «Se não mostrais um caridoso interesse pela alma do vosso penitente, ele não deixará o seu pecado».
O Santo sabia aliar a doçura a uma justa severidade na imposição da penitência; o seu princípio era não obrigar a nada que não devesse certamente cumprir-se, e não carregar as almas com obrigações que elas só aceitam com repugnância, e que por isso mesmo abandonarão voluntariamente. As penitências que dava ordinariamente eram voltar a confessar-se ao fim de certo tempo, frequentar a confissão e a comunhão, assistir à missa todos os dias meditando na Paixão de Nosso Senhor, assim como visitar o Santíssimo Sacramento e a Santíssima Virgem, recitar o terço e outras coisas semelhantes, que eram outros tantos meios que dava para sair do pecado. Quanto às macerações, aconselhava-as, mas não as prescrevia. «Se o penitente», dizia ele, «está verdadeiramente contrito, ele próprio abraçará a mortificação; mas se se lhe faz disso uma obrigação, ele deixará a penitência e guardará o pecado». Por esta doce conduta, tornava os pecadores afeiçoados ao sacramento da Penitência, e conseguia arrancá-los à iniquidade. Foi assim que uma multidão de pessoas de todas as classes, entre aqueles sobretudo cuja vida tinha sido a mais criminosa, voltaram a Deus sob a direção do nosso Santo, e edificaram no futuro ainda mais do que tinham escandalizado, embora alguns deles tivessem, antes da sua conversão, exibido a imoralidade mais revoltante. Chegava a este resultado tão consolador recomendando-lhes a mortificação das paixões e da carne e a meditação das verdades eternas. «Pela meditação», dizia ele, «vereis os vossos defeitos como num espelho; pela mortificação, corrigi-los-eis: não há verdadeira oração sem mortificação, e não há mortificação sem espírito de oração. De todos aqueles que conheci que eram verdadeiros penitentes, não há nenhum que não tenha sido muito zeloso por estes dois exercícios». Empregava ainda, como um grande meio de voltar a Deus, a frequente comunhão e a visita diária ao Santíssimo Sacramento. Nada pode igualar a ideia que ele tinha desta devoção. «Que delícias», costumava dizer quando ainda era leigo, «que delícias estar prostrado diante do santo altar, falar ali familiarmente a Jesus encerrado por amor de nós no augusto Sacramento; pedir-lhe perdão dos desgostos que lhe demos, expor-lhe as nossas necessidades como um amigo faz ao seu amigo, e pedir-lhe o seu amor e a abundância das suas graças!»
Tal foi o invariável sistema da conduta de Afonso em relação aos seus penitentes, que os procurava sobretudo na classe do povo pobre. Não rejeitava as pessoas de um posto elevado, achava mesmo importante recebê-las por causa da sua autoridade e do seu exemplo; mas nunca lhes concedia qualquer espécie de distinção, e o atrativo da sua caridade levava-o especialmente para as almas demasiado frequentemente abandonadas das pessoas da última condição; assim, viam-no por vezes nas praças públicas e outros lugares mais frequentados, como que à procura dos mais pobres, tais como lazzaroni e outros do género: procurava fazer-se rodear deles, e levava-os depois a vir receber a graça do Senhor no sacramento da Penitência.
Não era ainda o bastante para a sua ardente caridade: imaginou reunir, durante as noites de verão, uma parte dos seus penitentes em algum lugar solitário e afastado da cidade; escolheu sucessivamente diferentes praças públicas nas proximidades das igrejas, e ali, no meio de uma multidão de gente da última classe, via-se o prazer que tinha em ensinar-lhes os primeiros princípios da religião. Alguns santos sacerdotes e piedosos leigos quiseram associar-se a esta boa obra, que tomou logo um grande incremento; mas o demónio atravessou-a: e logo a autoridade civil assustou-se com este ajuntamento, e foi preciso renunciar a ele. Os eclesiásticos que dela faziam parte não se separaram por isso, e o desejo de se edificarem mutuamente levou-os a reunir-se com Afonso, várias vezes por mês, na casa de um deles. Passavam ordinariamente pelo menos um dia inteiro, entregando-se a todos os exercícios da vida religiosa, tais como a recitação do ofício, a adoração do Santíssimo Sacramento, as penitências corporais.
Contudo, o nosso Santo não tinha perdido de vista a instrução do baixo povo. Para este efeito, partilhou um grande número destas pobres gentes entre vários dos seus penitentes mais zelosos e mais instruídos, dos quais fez outros tantos catequistas. Estas pequenas reuniões multiplicaram-se sempre mais, e logo não tiveram lugar em casas particulares, mas com a aprovação do cardeal Pignatelli, em capelas e oratórios. É daí que veio depois o que se chama em Nápoles a instrução das capelas, boa obra que se sustenta ainda hoje, tal foi a utilidade que nela se viu. Contam-se atualmente na cidade de Nápoles perto de oitenta destas reuniões, de cento e trinta a cento e cinquenta pessoas cada uma. São sempre sacerdotes que as presidem. Não limitam aí o seu zelo ao ensino dos primeiros elementos da religião, mas administram aí os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, dirigem os exercícios de piedade, que são muito multiplicados nos dias de festa e de domingo, e não negligenciam nada do que pode levar à virtude: conseguem-no. Esta obra é há muito tempo um motivo de consolo para os arcebispos de Nápoles, e produz entre estas pobres gentes do povo homens muito eminentes em santidade. Espalhou-se pela Europa, e principalmente na Bélgica, de onde passou para a França sob o nome da Sagrada Família.
Fundação da Congregação do Redentor
Em 1732, ele fundou em Scala uma nova congregação dedicada às missões rurais, os Redentoristas, vivendo em extrema pobreza.
Um homem apostólico, missionário da China, o Padre Mateus Ripa, veio a Nápoles, trazendo consigo de suas missões quatro jovens indianos; seu objetivo era formá-los para o exercício do santo ministério e reforçar, assim, os missionários europeus que estavam em seu país: obteve até mesmo do imperador e do Papa Bento XIII a autorização para estabelecer para este fim, em Nápoles, um colégio onde deveria receber novos alunos que lhe viessem das Índias.
Um estabelecimento deste gênero interessou vivamente Afonso pela esperança do bem que deveria resultar dele; ele viu nele, além disso, um retiro conveniente ao ministério que exercia e que lhe parecia pouco compatível com sua residência na casa paterna: pediu, portanto, para ser recebido no novo colégio como pensionista. Teve até mesmo o pensamento de se dedicar às missões da Índia e da China; mas seu diretor foi de opinião que Deus o chamava para as missões de sua terra natal. Enquanto isso, Afonso pregava e confessava todos os dias, principalmente na igreja do colégio dos chineses, e sempre com um sucesso admirável. À palavra exterior, ele juntava as orações mais fervorosas, jejuns, mortificações extraordinárias, para atrair aos pecadores a graça da conversão.
Todos os bispos do reino de Nápoles teriam querido ter em sua diocese um apóstolo que excitasse em todos os corações o arrependimento e a compunção; eles o pressionavam vivamente para dar a missão aos seus povos. Numerosas conversões de pecadores sepultados há muito tempo na iniquidade, assim como uma renovação geral do espírito de fé e de piedade, marcaram por toda parte seus trabalhos.
Sua terna padroeira, a santa Virgem, recompensou seu zelo aparecendo-lhe à vista de uma multidão imensa de povo, reunida na igreja de Foggia, para ouvir um discurso sobre seu assunto favorito: a intercessão e a proteção de Maria. De seu rosto, um raio de luz, semelhante aos do sol, refletia-se sobre o de seu devoto e piedoso servo; todo o povo foi testemunha disso e exclamou: "Milagre! milagre!" Todos se recomendaram com grande fervor, e derramando lágrimas abundantes, à Mãe de Deus; várias mulheres, inclusive de má vida, foram tomadas de um tão profundo arrependimento que subiram em uma plataforma que há na igreja e começaram a se disciplinar, gritando com todas as suas forças: "Misericórdia!" depois, ao sair da igreja, retiraram-se para a casa das Penitentes daquela cidade. Afonso, em seu atestado jurídico, declarou que, durante o sermão, toda a multidão que compunha seu auditório, e ele, tinham visto a santa Virgem, sob a forma de uma jovem de quatorze a quinze anos, que girava de um lado para o outro, à vista de todos os que estavam presentes.
Enquanto pregava a missão na cidade de Scala, foi convidado, pelas religiosas do Santíssimo Salvador, a pregar durante a novena que precedia a festa que ali se celebrava em honra ao crucificamento de Nosso Senhor. Entre essas religiosas, havia uma de santa vida, favorecida por várias graças sobrenaturais, chamada irmã Maria Celeste Costarosa, que havia fundado ou reformado vários conventos. Um dia, quando ela estava no confessionário e conversava com o Santo sobre assuntos espirituais, ela lhe disse: "Deus não quer que você fique em Nápoles; ele o chama para a fundação de uma Congregação de missionários, que proporcionarão socorros espirituais às almas daqueles que estão agora desprovidos de todo meio de instrução". Estas palavras lançaram Afonso em uma grande aflição e um grande transtorno de espírito: pois ele não sabia ainda se tal era a vontade de Deus, e via-se cercado de dificuldades, sem companheiros que pudessem ajudá-lo em seu empreendimento; ele rezou com fervor ao Pai das luzes para iluminar seu entendimento e fazê-lo conhecer sua divina vontade; e, após ter consultado vários personagens célebres por seu discernimento dos espíritos, e de uma virtude comprovada, ele foi convencido de que Deus queria que ele pusesse em execução o desígnio de fundar uma nova Congregação de missionários. Assim que sua intenção foi conhecida em Nápoles, encontraram-se vários que, no medo de perder um missionário tão zeloso, ou à vista das dificuldades que pareciam se opor ao seu empreendimento, desaprovaram fortemente este desígnio. Ele encontrou uma viva resistência por parte do cardeal-arcebispo e de vários eclesiásticos, que, considerando todo o bem operado por seu meio em Nápoles, não podiam se resolver a acreditar que Deus esperasse ainda mais dele. Seu pai o assaltava com suas lágrimas e suas representações, conjurando-o a não abandoná-lo; e Afonso confessou depois que esta foi a mais violenta tentação que ele tinha experimentado em toda a sua vida, e que Deus apenas o tinha tornado capaz de superá-la e de resistir a ela. Para evitar novos assaltos, ele deixou secretamente Nápoles, no começo de novembro de 1732, e dirigiu-se, com alguns companheiros apenas, a Scala, onde o bispo já o tinha convidado a abrir a primeira casa e a começar a fundação da Ordem. Ele foi habitar com seus companheiros uma miserável casa, com um pequeno jardim que dependia dela: obteve a permissão de converter um dos quartos em um oratório, onde, no dia 9 de novembro do mesmo ano, após ter cantado uma missa votiva do Espírito Santo seguida do *Te Deum*, em ações de graças pelos favores que ele já tinha recebido de Deus, ele lançou os fundamentos da nova Congregação dita então *de nosso divino Salvador*, cujos membros deveriam se empregar em pregar e levar os socorros da religião aos pobres camponeses, que, vivendo em choupanas disseminadas no campo, ou nos pequenos vilarejos e povoados, são frequentemente privados de todos os benefícios da instrução e da frequência aos sacramentos. Seus primeiros companheiros eram em número de doze: dez padres e dois advogados ainda não admitidos às ordens; e, além disso, um irmão converso que os servia: ele se chamava Vitus Cursio, e era um rico habitante de Acquaviva, que, tendo renunciado a todos os seus bens terrestres, por consequência de uma visão que ele tinha tido em Nápoles, tinha escolhido este humilde emprego na nova Ordem. Teve-se razão de comparar a vida destes primeiros Padres àquelas dos santos penitentes de que fala são João Clímaco em sua *Escada mística*. Sua casa era pequena e incômoda, suas camas, uma simples esteira estendida sobre o assoalho; eles tinham para todo alimento, em geral, um prato de sopa insípida e desagradável, com uma pequena porção de frutas; seu pão era preto, sem ser sequer fermentado, por consequência da inexperiência do irmão converso que o fazia, e tão duro que era preciso moê-lo em um almofariz antes de poder comê-lo. Esta miserável comida, que eles tomavam de joelhos ou estendidos sobre o pavimento, eles a tornavam ainda mais nauseabunda regando-a com alguma droga amarga; vários deles, inclusive, antes de comer, lambiam o pavimento com sua língua. Eles se disciplinavam três vezes por semana. À mortificação, eles juntavam um verdadeiro espírito de fervor na oração. Além do ofício que eles recitavam em coro, eles se reuniam três vezes ao dia para rezar durante meia hora e ler a vida dos Santos. Era designado um quarto de hora para uma visita a Jesus no Santíssimo Sacramento, e a Nossa Senhora; mas eles permaneciam uma grande parte do dia e da noite em orações diante da divina Eucaristia. Eles assistiam à missa com a piedade e o recolhimento mais edificantes. Seu único tempo de descanso era uma hora após o jantar, que eles empregavam em conversas espirituais, ou em falar das ações dos Santos. Mas Afonso, que era a alma e o motor de todos esses piedosos exercícios, superava todos os seus irmãos em suas mortificações, seu fervor e sua prática exata do recolhimento e do silêncio; e, para esconder o rigor com que ele se disciplinava, ele se retirava frequentemente para uma adega ou cave, onde, como se acredita geralmente, Nossa Senhora lhe apareceu várias vezes. Contudo, eles não esqueciam o objeto principal de seu instituto: pelo efeito de suas pregações e de seus trabalhos apostólicos em Scala e nos lugares circunvizinhos, toda a diocese tomou uma face nova, e operou-se um grande número de conversões extraordinárias.
O número de seus colegas tendo aumentado consideravelmente, Afonso resolveu dar estabilidade e regularidade à sua congregação, formando uma regra para dirigi-la; mas aqui se elevou uma dificuldade à qual ele não esperava, e que resultava da maneira diferente como vários pontos de sua nova regra eram encarados por seus companheiros. Alguns eram de opinião que, além das missões, eles deveriam abrir escolas para a instrução dos pobres na ciência; outros se opunham à estrita e rigorosa pobreza que eles tinham até então observado; enquanto alguns outros, ao contrário, pensavam que era preciso exigir de todos os que entravam na Ordem uma renúncia mais completa ainda a toda propriedade temporal. Afonso pôs tudo em obra para convencê-los de que a verdadeira pobreza era um ponto essencial de sua regra, e que abrir escolas para os pobres, embora fosse uma obra de caridade, serviria apenas para distraí-los do único objeto de sua fundação, a instrução espiritual dos pobres. Suas razões permaneceram sem efeito; ele foi abandonado por todos os seus companheiros, à exceção de dois, dos quais um não estava nas Ordens sacras, e o outro era o irmão converso de que já se falou. Seus inimigos começaram então a triunfar e a representar seu empreendimento como presunçoso e temerário; para ele, ele continuou, apesar de suas zombarias e de suas invectivas, a esperar que Deus lhe forneceria em breve companheiros, ao mesmo tempo em que abençoava sua mão misericordiosa por lhe ter enviado esta humilhação. Novos companheiros lhe chegaram em multidão de todos os lados; de modo que em 1735, três anos após a fundação de sua Ordem, ele estava em condições de abrir três casas, incluindo a primeira de Scala.
Tudo lhe parecendo estabelecido sobre um pé firme, ele resolveu implorar a luz divina para assisti-lo na redação das regras que deveriam ser observadas e dos votos que deveriam ser feitos pelos membros de sua Ordem. Ele endereçou fervorosas orações ao Espírito Santo, acompanhando-as de um jejum austero e de uma rigorosa mortificação, e tomou os conselhos dos personagens mais eminentes por sua ciência e sua piedade. Sob sua direção, ajudado pela graça de Deus, ele compôs as regras e constituições de sua Ordem, à qual ele deu o nome de nosso divino Salvador. Ele fez então um discurso tocante aos seus companheiros, no qual ele os pedia, na qualidade de discípulos de Jesus Cristo, de imitar seu perfeito holocausto ao seu Pai natural, e de se oferecerem eles mesmos a ele em sacrifício para a salvação das almas, prometendo uma observância exata das regras que ele lhes propunha. Ele prescreveu muitas orações e o piedoso exercício de um santo retiro para implorar a assistência divina; e, enfim, no dia 21 de julho do ano de 1742, em uma pobre capela perto de Ciorani, na diocese de Salerno, após ter cantado as Vésperas de santa Maria Madalena, padroeira da Congregação, eles fizeram sua profissão, que, além dos três votos ordinários de pobreza, de castidade e de obediência, continha dois outros: o primeiro, de nunca aceitar nenhuma dignidade, ofício ou benefício, fora da Congregação, a menos de um comando expresso do Papa ou do superior geral; o segundo, de permanecer na Ordem até a morte, e de não pedir dispensa dela senão ao Papa ou ao superior geral. Os irmãos procederam então à eleição de um superior para toda a Ordem, e Afonso foi eleito por unanimidade, com o título de superior reitor.
A reputação da virtude e da santidade admiráveis de Afonso se espalhava cada dia mais no país e nas regiões vizinhas; e várias casas da Ordem foram fundadas em diferentes cidades do reino. É o que o determinou a obter a confirmação de seu instituto pela Santa Sé: com este objetivo, ele enviou um de seus companheiros para ir depositar as constituições que ele tinha redigido aos pés do imortal pontífice Bento XIV, que ocupava então a cátedra de são Pedro. Após um maduro exame, ele deu o breve que as aprovava, no dia 25 de fevereiro de 1749. Ele confirmou Afonso no cargo de superior, e concedeu à Ordem grande número de favores e de privilégios; mas ele quis que seu nome fosse mudado daquele de nosso divino Salvador para aquele de nosso divino Redentor, para distingui-lo da Congregação dos Cônegos regulares de nosso divino Salvador. A partir deste momento, a Ordem tomou rápidos crescimentos, e casas foram fundadas nos Es tados da I Benoît XIV Papa que beatificou Jerônimo Emiliani. greja, assim como no reino de Nápoles. Afonso teve de lutar contra muitos obstáculos nos esforços que ele fez para estabelecê-la em diversos lugares; e ele costumava dizer que Deus operava um contínuo milagre em seu favor, fornecendo-lhe os meios de fundar novas casas e de sustentar as que já existiam; pois, encontrando-se sem dinheiro para chegar a isso, ele colocava toda sua esperança em Deus, e nunca foi enganado.
Zelo missionário e teologia moral
Ele percorre o reino de Nápoles para pregar com simplicidade, privilegiando a misericórdia no confessionário contra o rigorismo jansenista.
Ele superava todos os seus companheiros na exatidão em observar todas as regras e obrigações da Ordem; e quando se conhece o rigor das disciplinas que ele se impunha, e a austeridade de seus jejuns e mortificações, não se pode deixar de perguntar como ele conseguia viver. Contentava-se com uma pequena porção de sopa e pão com algumas frutas, das quais nunca fazia uso aos sábados e nas vigílias das festas de Nossa Senhora. Usava continuamente cilícios rudes, com pequenas correntes de ferro e um cinto de pelo de camelo. Além do tempo designado para a oração pela regra, levantava-se de madrugada para meditar sobre as verdades e os mistérios da religião, e mantinha seu espírito tão estreitamente unido a Deus que sua oração não sofria interrupção e nunca cessava. Consagrava todas as suas ações à glória de Deus, para quem voltava frequentemente seu coração por fervorosos impulsos e ardentes aspirações de amor; quando celebrava a missa ou recitava o ofício da Igreja, respirava em toda a sua pessoa um ar de piedade e edificação. Regulava os negócios da Ordem e provia todas as suas necessidades com a diligência e o zelo mais incansáveis. Trabalhava para inspirar aos seus irmãos o amor pelas humilhações, pelos desprezos e pelos sofrimentos, à imitação do nosso divino Redentor, de quem levavam o nome, e representava-lhes fortemente, de viva voz e por escrito, a necessidade de viver em conformidade com os votos que haviam feito e com o espírito do instituto do qual faziam profissão. Os superiores comprometiam-se por juramento a não permitir aos membros da Ordem possuir algo em próprio; a não lhes permitir nada, em uma palavra, que pudesse, no mínimo que fosse, abrir brecha ao seu voto de pobreza. Interrompia a composição de suas obras e qualquer outra ocupação para tratar do que dizia respeito aos seus irmãos: «Quando acontece», escrevia-lhes, «que alguém vem falar comigo, ou me escreve por seus negócios ou pelos da Ordem, deixo tudo... Desejo que saibam bem que aquele que me trata com esse tipo de confiança me prende mais fortemente a ele, e que todos tenham por certo que deixo tudo quando tenho que prestar serviço a algum de meus irmãos e de meus filhos. Sinto-me mais apressado em assistir a algum deles do que em fazer qualquer outra coisa. É esse o bem que o Altíssimo pede de mim preferencialmente a qualquer outro, enquanto ocupo este cargo». Quando alguém adoecia, seu afeto e sua solicitude para consolá-lo redobravam então; ia visitá-lo e cuidava para que sua comida fosse bem preparada e convenientemente temperada. Não quis mandar de volta para sua família um doente atacado de pneumonia, dizendo que os irmãos doentes eram úteis à Congregação por suas orações, e ao fornecer aos outros os meios de praticar as obras de misericórdia. «Nós somos seu pai», dizia ele ao falar dos doentes, «e a Ordem é sua mãe. Desde que deixaram pai e mãe para se consagrar a Deus, devemos cumprir para com eles todos os deveres da caridade».
Como a função de pregar, instruir e ouvir as confissões dos pobres era o fim principal da Congregação, ele tinha o cuidado de preparar seus noviços, por uma longa prática e uma longa experiência, para o ministério apostólico. Tinha aversão aos discursos improvisados, às flores de retórica, aos períodos arredondados, ao brilho e à pompa das expressões. «Se o povo mais pobre não me compreende», costumava dizer, «para que serve chamá-lo à igreja? As vontades não se comovem, e nossa pregação permanece sem fruto. Poderia ter que prestar contas de qualquer outra coisa, mas não de meus sermões; sempre preguei de maneira a me fazer compreender pela boa mulher mais ignorante». Guardemo-nos, contudo, de pensar que ele fosse oposto ao estudo e ao uso da arte oratória na pregação. «Quanto menos se sabe de retórica», observava ele com razão, «menos se está em condições de saber acomodar-se à simplicidade do estilo apostólico. Os Padres gregos e latinos eram mestres nessa arte; é por isso que sabiam tão bem colocar-se ao alcance de todos e, quando a circunstância o ordenava, servir-se dela com vantagem. Se a arte falta, o sermão será insípido e sem regra; e, em vez de penetrar no espírito ou no coração do auditório, inspirar-lhe-á apenas desgosto e afastamento pelo pregador». Para encorajar o estudo da arte oratória, publicou duas cartas sobre a eloquência popular, que enviou a muitos bispos, padres e chefes de Ordens religiosas. Não punha menos zelo em pressionar seus irmãos a se dedicarem ao estudo da teologia moral. «Se vocês não a conhecem», dizia-lhes, «perdem-se e enviam seus penitentes ao inferno: este estudo só termina com a própria vida». Condenava o excesso de facilidade e o excesso de severidade como igualmente funestos para as almas; se soubesse que algum de seus padres caíra em um desses excessos, não tinha mais repouso nem consolação. Inculcava a necessidade de usar grandes precauções e uma grande prudência com os pecadores de hábito e de recaída. «Prestem muita atenção», dizia ele, «como vocês absolvem essa classe de pecadores. Suas lágrimas, se as derramam, são enganosas; eles não choram por ódio ao pecado, mas para forçá-los a lhes dar a absolvição a fim de recomeçar de novo». Recomendava não os mandar embora bruscamente do confessionário, mas mostrar-lhes ternura e simpatia, fazê-los compreender a infelicidade de seu estado, persuadi-los de que a emenda não é impossível, se quiserem recorrer à graça de Deus e à proteção da santa Virgem.
Mas, como o ponto capital de sua Ordem era instruir o povo pobre das paróquias rurais, disseminado nos lugares menos frequentados da região, fez de sua ocupação constante, durante trinta anos, visitar todas as províncias, todas as cidades e vilarejos do reino, fazendo o catecismo às crianças, ouvindo as confissões e pregando ao povo. Quando chegava à vista do lugar onde deveria ser dada a Missão, recitava as ladainhas da Santa Virgem e outras orações, para atrair as bênçãos do céu. Dirigia-se então à igreja principal; e, após ter adorado o Santíssimo Sacramento, subia ao púlpito e convidava da maneira mais urgente o povo a aproveitar a graça de Deus nos exercícios espirituais dos dias que se seguiriam.
Todos os dias, de manhã e à noite, os missionários pregavam para os adultos e faziam o catecismo às crianças. Nas três primeiras noites, percorriam as ruas mais populares, um crucifixo na mão, convidando os habitantes a se lembrarem de seus fins últimos e a virem ouvir a palavra de Deus. Afonso, que dava o sermão principal, à noite, costumava tomar a disciplina com uma corda grossa, três vezes durante a missão: uma vez durante o sermão sobre o pecado; a segunda vez, durante o sermão sobre o inferno; e a terceira, durante o sermão sobre o escândalo; e quando as mulheres saíam da igreja, após o sermão da noite, e não restavam mais que homens, era-lhes dirigido um sermão sobre a compunção, para excitá-los a se darem eles mesmos a disciplina. Após esses sermões, empregavam-se três ou quatro dias a mais na via da devoção, como a chamava Afonso; e, durante esse tempo, os pregadores insistiam na necessidade da oração e na paixão de Nosso Senhor, que ele descrevia em termos tão tocantes, que todos os assistentes derramavam lágrimas de amor e enternecimento.
Havia ainda outros sermões para a instrução das crianças, dos jovens, das mulheres não casadas e das viúvas, e também para as mulheres casadas; esses sermões eram apropriados às necessidades e ao gênero de vida de cada um. O retiro terminava com uma comunhão geral; e, após um sermão sobre a perseverança, a bênção era solenemente dada a todo o povo. No último dia da via da devoção, a fim de deixar nos espíritos uma lembrança inesquecível da Paixão, Afonso erigia um Calvário, assim como ele o chamava, na entrada do vilarejo ou da cidade. Com quatro companheiros, carregando, como ele, cada um uma pesada cruz sobre os ombros, avançava em direção ao lugar onde deveriam ser erguidas e, após tê-las plantado na terra, propunha uma piedosa meditação sobre os mistérios da Paixão, que produzia uma profunda impressão no coração de todos os assistentes. Durante a Missão, obrigava seus padres a permanecer sete horas, incluindo o tempo da missa, no confessionário, todas as manhãs; e eles não podiam deixá-lo sem a permissão do superior. Era-lhes proibido receber qualquer presente ou recompensa, e sua mesa era restrita à comida mais frugal, que era fornecida pela caridade do bispo ou de algum dos habitantes. Bastava que ele aparecesse no púlpito para excitar sentimentos de piedade; e operavam-se várias conversões por ter visto sua atitude e seus gestos, mesmo de longe. No confessionário, recebia o pobre e o rico com os mesmos sentimentos afetuosos de compaixão, e sabia sugerir-lhes motivos tão poderosos, que eles nunca hesitavam em confessar livremente seus pecados, sem que uma falsa vergonha os impedisse de sofrer voluntariamente uma confusão de um momento, para obter um perdão e uma paz mais duradouros.
Para assegurar o fruto das missões, ele as prolongava até quinze e mesmo trinta dias, até que tivesse produzido uma completa reforma entre o povo; e, durante a estação, cuidava de formar piedosas confrarias entre os membros dos diversos estratos da sociedade, de modo que, por mútuos bons exemplos e práticas de devoção, os efeitos da Missão pudessem ser sólidos e duradouros. Deus recompensou seu zelo com vários prodígios. Um dia, durante uma Missão que se dava em Amalù, alguém, indo confessar-se na casa onde morava Afonso, encontrou-o lá no momento mesmo em que deveria começar o sermão na igreja; após ter terminado sua confissão, esse homem dirigiu-se direto à igreja e, para seu grande espanto, encontrou Afonso já um pouco adiantado em seu sermão. Essa circunstância o espantou muito; pois, em sua partida, deixara Afonso ocupado em ouvir a confissão de outras pessoas em sua casa, e não o vira sair pela única porta por onde fosse possível passar para se dirigir à igreja. Assim, o boato espalhou-se pela cidade de que Afonso ouvia confissões em sua casa ao mesmo tempo em que pregava na igreja. Quando pregava sobre a proteção da Santa Virgem, e exortava seus ouvintes a recorrerem a ela com confiança em todas as suas necessidades, exclamou de repente: «Oh! Vocês são muito frios em suas orações à nossa santa Senhora! Vou rezar por vocês». Lança-se então de joelhos na atitude de oração, os olhos elevados ao céu; e todos os que estavam presentes viram-no elevado a mais de um pé no ar, voltado para uma estátua da Santa Virgem que se encontrava perto do púlpito. O rosto de Nossa Senhora lançava raios de luz, que se refletiam no rosto de Afonso, que estava então em êxtase. Esse espetáculo durou cerca de cinco ou seis minutos, durante os quais o povo gritava: «Misericórdia, misericórdia! Milagre, milagre!» E cada um a derramar lágrimas. Mas o Santo, levantando-se, exclamou com voz forte: «Alegrem-se, a Santa Virgem atendeu à sua oração». Antes que os missionários deixassem a cidade, Afonso previu que haveria um terremoto no dia seguinte, e o evento confirmou a verdade de suas palavras.
O episcopado em Santa Ágata dos Godos
Nomeado bispo em 1762 por Clemente XIII, ele reforma sua diocese, assiste os pobres durante a fome de 1764 e suporta graves enfermidades.
Estes trabalhos apostólicos e estas ações milagrosas encheram todo o reino com o rumor da santidade e da ciência do Santo; o rei e o alto clero resolveram elevá-lo à dignidade episcopal. Foi primeiro nomeado para o arcebispado de Palermo; mas, por suas fervorosas orações e mortificações, conseguiu obter de Deus que não o forçassem a aceitar tal dignidade. Pouco tempo depois, tendo ficado vago o bispado de Santa Ágat a dos Godos, o Papa Cle Sainte-Agathe des Goths Diocese da qual Afonso foi bispo. mente XIII nomeou-o para lá, s egundo o con Clément XIII Papa que concedeu indulgências para o culto de São Gregório. hecimento pessoal que tinha de seus méritos, e sem que lhe tivessem chegado recomendações de outros lugares. Afonso escreveu as cartas mais urgentes a vários de seus amigos e ao próprio Papa, nas quais representava sua incapacidade, sua idade avançada, o estado frágil de sua saúde e seu voto de não aceitar nenhum benefício, suplicando que o descarregassem de um fardo tão pesado. Na noite em que recebeu sua carta, o Papa tendia a tranquilizá-lo, acedendo ao seu pedido; mas, na manhã seguinte, ordenou ao seu secretário, o cardeal Negroni, que informasse a Afonso que era sua vontade positiva que ele aceitasse o bispado. O cardeal perguntou se Sua Santidade não lhe tinha dito, na noite anterior, que tendia a ceder às suas vivas instâncias: «É verdade», respondeu o Papa, «mas o Espírito Santo inspirou-me desde então a fazer o contrário». Assim que o cardeal Spinelli, a quem Afonso tinha escrito sobre este assunto, soube o que o Papa tinha dito, exclamou imediatamente: «É a vontade de Deus, a voz do Papa é a voz de Deus». Quando Afonso recebeu a carta do cardeal Negroni, inclinou a cabeça e disse: *Obmutui, quoniam tu fecisti; gloria Patri, etc.*: «Calei-me, pois assim o quisestes; glória ao Pai», etc.; depois, colocando a carta sobre sua cabeça, repetiu várias vezes estas palavras: «Deus quer que eu seja bispo; pois bem! serei bispo. O Papa ordenou-o, devo obedecer». Os temores que lhe inspiraram a responsabilidade e os deveres de sua nova dignidade lançaram-no em uma febre tão violenta que se desesperou de sua vida. O Papa ficou profundamente aflito ao saber do perigo em que ele se encontrava, sem mudar, contudo, sua resolução a seu respeito. «Se ele morrer, enviamos-lhe nossa bênção apostólica; se ele se recuperar, desejamos vê-lo em Roma». Afonso restabeleceu-se e partiu imediatamente para Roma. Seus irmãos, aflitos com a perda de tal pai, dirigiram-se ao Papa por intermédio da Congregação dos cardeais encarregados dos assuntos dos bispos e das Ordens religiosas, e obtiveram que ele fosse confirmado em seu ofício de superior da Ordem, em 25 de maio daquele ano de 1762.
À sua chegada a Roma, tendo o Papa partido para Castel-Gandolfo, o Santo resolveu visitar a santa casa de Nossa Senhora de Loreto. Celebrava a missa todas as manhãs naquele santuário venerável, e passava várias horas na contemplação da bondade e do amor do Filho eterno de Deus, que, por nós, dignou-se habitar naquela humilde e pobre morada. Seu rosto irradiava amor quando beijava todos os objetos que tinham pertencido à Sagrada Família; era uma fonte de edificação e de piedade para seus companheiros ser testemunhas de seu fervor e da veneração com a qual honrava aquele santuário, consagrado pela presença de um Deus feito homem.
De volta a Roma, foi recebido pelo Papa e pelos cardeais com todas as marcas de estima e veneração. Foi sagrado bispo na igreja de Santa Maria *sopra Minerva*, em 20 de junho de 1762, no sexagésimo sexto ano de sua idade. Fez seus preparativos de partida e deixou Roma imediatamente para dirigir-se à sua diocese. Parou alguns dias em Nápoles para organizar os assuntos de sua Ordem e tomou o caminho de Santa Ágata, apesar das representações de seus amigos, que lhe diziam que era extremamente perigoso ir para lá naquela época do ano. Foi recebido com grandes testemunhos de alegria pelo povo, que já tinha concebido dele uma alta opinião e uma alta estima, segundo a reputação de virtude e santidade que o tinha precedido.
Ele tinha declarado sua opinião e traçado regras de conduta para os bispos no cumprimento dos deveres de seu cargo, em um pequeno volume publicado por ele sobre esta matéria: o resto de sua vida não foi senão a cópia fiel do que está escrito naquele livro. Continuou a praticar, em suas vestes, na mobília de seu palácio e em sua maneira de viver, a mesma pobreza rigorosa que o tinha distinguido na Congregação. Os vasos sagrados dos quais se serviu sendo bispo eram dos mais pobres; via-se neles pouca prata; e essa pouca prata foi consagrada ao alívio dos pobres, assim como uma carruagem e duas mulas que lhe tinham sido dadas por seu irmão, e que ele vendeu mais tarde para o mesmo destino. Dormia, como antes, sobre uma esteira de palha, e seus aposentos eram tão completamente desprovidos de móveis que, quando por acaso um estranho vinha visitá-lo, ele era obrigado a pedir emprestado camas, roupa de cama e louça para seu uso; e, em várias ocasiões, sua caridade colocou-o em estado de não conseguir arcar com as despesas mais medíocres. Sua alimentação era das mais comuns, e ele misturava ainda absinto e outras ervas amargas: a tal ponto que os pobres que afluíam a ele recusavam-se a comer o que ele lhes deixava. Tinha apenas poucos criados, aos quais tratava, em toda ocasião, com a maior bondade e a maior doçura. Suas mortificações pareciam aumentar em rigor e em número; e, um dia, seu secretário foi obrigado a forçar a porta de seu quarto e arrancar-lhe a disciplina das mãos, por medo de que a violência dos golpes que se infligia lhe causasse a morte. Passava uma grande parte da noite em orações, depois de ter estado ocupado todo o dia com os assuntos de sua diocese. Um dos cônegos da catedral pediu-lhe um dia que tomasse um instante de repouso, até que sua dor de cabeça passasse; ele replicou que, se esperasse por isso, nunca estaria em condições de voltar ao trabalho, porque sua dor de cabeça nunca o deixava.
No cuidado com que cumpria os deveres de seu cargo, mostrou-se um perfeito imitador do zeloso e infatigável São Carlos Borromeu. Durante os treze anos de seu episcopado, nunca esteve ausente de sua diocese, nem mesmo pelo espaço de três meses, como permite o concílio de Trento; não se ausentava senão por um tempo muito curto, em três ocasiões de urgente necessidade: duas vezes para os assuntos de sua Ordem; e a outra, segundo um comando expresso de seus diretores, por causa de sua saúde. Trabalhou para reformar os costumes e para excitar um verdadeiro espírito de piedade em toda a sua diocese, por seus discursos privados não menos que por seus sermões e suas missões. Cada ano, visitava metade de sua diocese e, antes de começar sua visita, fazia uma novena com seu povo para fazer descer as bênçãos do Senhor sobre seus trabalhos. Durante a visita, recusava toda espécie de presente, de qualquer pequena que fosse o valor, dizendo que era contrário aos cânones. Ouvia a confissão daqueles que lhe manifestavam o desejo e dirigia instruções ao povo. Se houvesse doentes que não tivessem recebido o sacramento da Confirmação, apressava-se em ir administrá-lo em suas casas, apesar da intempérie do ar, do mau estado das estradas e de todas as outras dificuldades que pudessem ser encontradas; e enquanto sua saúde o permitiu, teve o cuidado de visitar todos os doentes em domicílio. Nunca empreendia nada que tivesse relação com sua diocese sem ter antes implorado a luz divina por fervorosas orações; nos assuntos de maior importância, desconfiava de seu próprio julgamento e reclamava os conselhos dos outros bispos, nos quais fundava sua confiança. Mas o que ele desejava acima de tudo era inspirar ao seu clero um espírito de piedade, de ciência, de moralidade e de zelo pela honra da religião; com este objetivo, pôs em vigor os regulamentos dos cânones dos sínodos ou de seus predecessores relativamente às vestes e à conduta dos eclesiásticos. Aplicava-se a torná-los o modelo de seu rebanho e encarregava sacerdotes de vida irrepreensível de informá-lo dos defeitos que cometiam na observação de seus deveres, a fim de que fossem imediatamente corrigidos. Examinava com cuidado todos os que se apresentavam para a recepção das santas Ordens e para obter benefícios; não contente em fazer submeter a um severo e rigoroso exame aqueles que vinham pedir poderes para ouvir confissões, instruía-os ele mesmo durante vários dias na parte prática deste importante dever; esses poderes concedidos, aquele que os tinha obtido era obrigado a voltar após certo tempo para submeter-se a um segundo exame e obter a confirmação. Estabeleceu conferências uma vez por semana em todas as partes de sua diocese, sobre questões de teologia moral, e ordenou a todos os eclesiásticos que assistissem, sob penas severas; ele mesmo assistia regularmente, e quando sua saúde o forçava a guardar o leito, queria que a conferência se realizasse em seu quarto. Compôs seu *Dominicale*, ou curso abreviado de discursos para os domingos, para o uso de seus sacerdotes em seus sermões e explicações do Evangelho de cada domingo; e seu *Selva*, ou materiais para sermões e instruções para o uso dos sacerdotes em seus retiros espirituais e suas leituras particulares, acompanhados de instruções práticas sobre os exercícios das missões.
Não vigiava com menos diligência os estudantes que se destinavam ao estado eclesiástico; visitava seu seminário duas vezes por semana e não negligenciava nada para firmar em seus corações ainda tenros o amor da piedade e o desejo de se consagrarem inteiramente ao Senhor. Compôs ares piedosos que eles deviam cantar durante o tempo de suas recreações. Não queria que deixassem o seminário durante as férias, por medo de que perdessem seus hábitos de diligência e de regularidade e tomassem o espírito do mundo.
Conceber-se-á facilmente com que zelo trabalhava para extirpar os escândalos de sua diocese e para propagar a moralidade e a piedade entre seu povo. Expulsou uma trupe de comediantes, por medo de que sua maneira de viver corrompesse seu rebanho, e procedeu com a mesma firmeza contra todos aqueles que levavam uma vida escandalosa, sem consideração por sua posição ou pela influência que tinham na corte. Converteu vários pecadores públicos por sua doce e persuasiva eloquência e procurou-lhes um retiro e meios de subsistência, por medo de que a pobreza os fizesse retornar aos seus caminhos corrompidos; mas expulsou de sua diocese aqueles que encontrou incorrigíveis. Tendo sabido que uma dessas mulheres perdidas tinha aproveitado sua ausência para retornar, ficou profundamente aflito, e como lhe perguntavam a causa de sua dor, respondeu: «É porque sou bispo»; e no instante mesmo, sem considerar o perigo ao qual o expunha seu retorno, pois era por causa de saúde que tinha deixado sua diocese, voltou a Arienzo, fez vir essa mulher à sua presença e falou-lhe com tanta força e energia que ela caiu a seus pés, renunciou desde então aos seus maus hábitos e retirou-se para uma casa de refúgio, onde se tornou um modelo de sincera conversão e de vida exemplar.
O zelo e a caridade do santo bispo eram constantemente dirigidos para a instrução e o avanço espiritual de seu rebanho. Construiu e reparou as igrejas, formou novas paróquias e forneceu fundos para a manutenção e a subsistência dos sacerdotes aos cuidados dos quais os confiava; introduziu a louvável prática de propor uma meditação sobre a paixão de Nosso Senhor e outros assuntos apropriados às necessidades do povo, pela manhã na primeira missa; ordenou que se fizesse todas as noites a exposição do Santíssimo Sacramento e que se recitassem piedosas orações em honra de Nosso Senhor, que ali está presente; e aos sábados, não deixava de proclamar a glória e os louvores de Nossa Senhora, a fim de que todos os corações ardessem de amor e de devoção por ela. Estabeleceu confrarias entre seu rebanho como meios próprios para levar os fiéis a frequentar os Sacramentos e a vir ouvir a palavra de Deus; mantinha o espírito de sua fundação pregando frequentemente. Uma noite em que pregava, durante um retiro, à confraria dos homens de Arienzo, sobre a proteção da santa Virgem, foi subitamente arrebatado em êxtase; seu rosto brilhou com tal esplendor que toda a igreja foi iluminada por uma claridade incomum, e ele exclamou: «Vejam como a santa Virgem vem espalhar graças entre nós! peçamos-lhe, e obteremos tudo o que pedirmos».
Quando Afonso tomou posse de sua sede, resolveu administrar o temporal, de maneira que, à exceção de uma soma módica, necessária para sua subsistência e outras despesas indispensáveis, toda a renda seria para os pobres. Para este fim, não reservou para si mesmo senão a renda que lhe tinha deixado seu pai, e deu todo o resto aos pobres, que, todas as noites, enchiam as portas de seu palácio; não podia sofrer que ninguém se retirasse descontente dele, e, quando saía, era rodeado por tropas de mendigos, aos quais, sem exceção, dava algum socorro, seja por suas próprias mãos, seja por intermédio dos outros; mais ainda, ordenou ao seu intendente que distribuísse pão e dinheiro, todos os sábados, à porta de seu palácio, a todos os que se apresentassem. Mas, não contente com essas caridades públicas, obrigava seus sacerdotes a dar-lhe listas exatas de todas as pessoas que se encontravam na necessidade e que a vergonha impedia de pedir. Dava-lhes pensões mensais, ou enviava-lhes socorros em dinheiro, roupa de cama ou outras necessidades. Fez a busca dos sacerdotes que eram incapazes de dizer a missa, ou que se encontravam em extrema pobreza, assim como dos pobres doentes e idosos, incapazes de trabalhar; das viúvas carregadas de numerosas famílias, e dos órfãos privados de seus pais, a fim de assisti-los; em uma palavra, os necessitados de toda classe eram sustentados por sua caridade. Tomava um cuidado particular das jovens pobres; provia a todas as necessidades, e, se viessem a se casar, pagava-lhes um dote e mobiliava sua casa. Enviava dinheiro aos pobres prisioneiros em sua prisão, socorria suas famílias ou os libertava da prisão, arranjando-se com seus credores. Encontrou-se, feito o cálculo, que as somas que ele gastava em obras de caridade superavam de muito todas as despesas de sua casa e aquelas exigidas por sua posição, assim como o salário de todos os seus servidores. Rendia a justiça gratuitamente e mantinha a suas custas um sacerdote para defender os pobres sacerdotes e outras pessoas nos tribunais ordinários da justiça. Essas caridades reduziam-no a tal pobreza, que foi frequentemente obrigado a pedir emprestado para pagar as despesas de sua mesa. Um dia, em que uma pessoa tinha vindo pedir-lhe sete ducados para satisfazer um credor que a ameaçava com a prisão, ele não tinha sequer à sua disposição uma soma tão módica, e comprometeu-se a pagá-la por termos de mês em mês; e como restavam quase dois termos a pagar quando renunciou ao seu bispado, pagou tudo antes de deixar a diocese.
Mas isso não era nada em comparação com suas caridades na grande escassez que afligiu toda a Itália em 1764. Vendeu a carruagem e as mulas que lhe tinham sido dadas por seu irmão, e não poupou nem mesmo seu anel pastoral e seu báculo de ouro. Reduziu sua mesa a uma porção de pão e sopa, à qual acrescentava às vezes algumas frutas, e encorajou sua família a fazer o mesmo pelo bem dos pobres. Não tendo mais outra coisa da qual pudesse dispor, esteve a ponto de vender seu roquete e seu relógio; mas seus servidores representaram-lhe que ele precisava deles para regular seu tempo. Obteve de seu irmão e de um dos membros de seu clero socorros em grãos e favas, que distribuiu, sem perder tempo, aos pobres. Recomendou insistentemente a caridade às autoridades civis, aos eclesiásticos e às comunidades religiosas, e repreendeu severamente o superior de um convento que tinha mostrado parcimônia em suas esmolas. Um dia encontrou seu quarto cheio de pessoas pobres que reclamavam seu socorro: «Meus filhos», disse-lhes com lágrimas nos olhos, «não tenho mais nada para vos dar; vendi minha carruagem, minhas mulas e tudo o que tinha; não tenho mais dinheiro, e não posso mais encontrar ninguém que queira emprestar-me». A estas palavras, começaram a verter lágrimas, e depois de ter misturado suas lágrimas às deles, passou para outro quarto, e deixou seus servidores distribuírem-lhes esmolas.
Durante todo o tempo em que foi bispo de Santa Ágata, teve muito a sofrer por causa da saúde do corpo; em três ocasiões, seu mal reduziu-o ao estado de fraqueza mais extremo; e, contudo, continuou a cumprir todos os deveres de seu cargo e a prover a todas as necessidades de sua diocese. O zelo infatigável com que trabalhou para procurar o bem de seu rebanho levou-o a pregar todos os dias durante uma novena que se fez durante o mês de agosto, para obter chuva em um tempo de seca. Este exercício, após uma longa doença, o calor da estação e sua fraqueza natural ocasionaram um reumatismo geral que paralisou o movimento de todos os seus membros e curvou-lhe tanto a cabeça, que não lhe foi mais possível dizer a missa ou mesmo deitar-se sem incômodo. Descobriu-se, após sua morte, que as seis vértebras do pescoço não faziam mais que um mesmo osso sólido com as cartilagens que ali se encontram. Mas, após vários meses de dores e de sofrimentos cruéis, a febre que acompanhava o reumatismo deixou-o, e a ferida que tinha sido ocasionada pela curvatura da cabeça, e que, como parecia verossímil, vindo a gangrenar, devia em pouco causar-lhe a morte, curou-se; mas sua cabeça permaneceu tão inclinada sobre seu peito nos últimos dezessete anos de sua vida, que ele não podia mais beber senão algumas gotas de cada vez, e ficou, por conseguinte, na impossibilidade de dizer a missa. Continuou ainda a pregar e a assistir aos exames daqueles que se apresentavam para receber as santas Ordens ou obter poderes para ouvir confissões, e às conferências eclesiásticas de seu clero. Algum tempo depois, contudo, seguiu o conselho de alguns sábios teólogos, que lhe declararam que ele podia muito bem dizer a missa e receber o cálice, sentado e assistido por um sacerdote de estola e sobrepeliz; mas recusou aderir aos conselhos de certos outros que queriam persuadi-lo a recorrer ao Papa, para obter a permissão de se servir para isso de um tubo, dizendo que preferia não dizer a missa de todo a solicitar um privilégio que era reservado ao soberano Pontífice.
Últimos anos e provações espirituais
Após sua renúncia em 1775, retira-se para Nocera, onde sofre duras tentações e enfermidades antes de falecer em 1787.
Há muito tempo ele desejava renunciar ao cargo episcopal, que apenas a obediência o havia forçado a aceitar. Consultou vários homens de ciência e prudência; e, com o consentimento deles, escreveu ao Papa Clemente XIII, expondo as razões que o levaram a tomar tal decisão; mas o Papa respondeu-lhe que seu nome, por si só, bastava para o bom governo de sua diocese. Dirigiu-se da mesma forma ao Papa seguinte, Clemente XIV, que lhe escreveu, como única resposta, que uma única oração feita por ele em seu leito, pelo bem de sua diocese, tinha mais peso aos olhos de Deus do que mil visitas e mil golpes de disciplina dados até o sangue. Continuou, portanto, a administrar sua diocese, aguardando, como dizia, o advento de um novo Papa para ser desonerado. Em 21 de setembro de 1774, caiu em um sono tranquilo que durou até o dia seguinte, quando subitamente tocou sua campainha. Seus servos correram até ele alarmados e perguntaram o que ele tinha; pois estava há dois dias sem comer nem falar: "Isso pode ser", replicou ele, "mas não sabeis que eu estava assistindo o Papa que acaba de morrer?" Alguns dias depois, soube-se de fato que Clemente XIV havia morrido precisamente no dia e na hora em que Afonso chamara as pessoas de sua casa para anunciar-lhes sua morte. Assim que soube da eleição de Pio VI, escreveu-lhe uma carta cheia de humildade; e, após alguns dias de espera, recebeu uma resposta favorável, na qual o Papa lamentava as circunstâncias que obrigavam o Santo a renunciar, acrescentando que aceitava sua renúncia, fazendo justiça às fortes e justas razões que ele havia alegado. Assim que o Santo recebeu a carta do Papa, exclamou: "Deus seja louvado, pois tirou uma montanha de cima dos meus ombros!" Em sua súplica, não havia reclamado pensão; mas o Papa lhe designou uma pensão anual de oitocentos ducados sobre as rendas de seu bispado. Colocou em ordem os negócios de sua diocese e, no final de julho de 1775, retirou-se, em meio às lamentações de seu rebanho, para a casa de sua Ordem em São Miguel degli Pagani, dizendo, no momento em que subia os degraus, *Gloria Patri*: "Esta cruz que carrego sobre o peito, e que era tão pesada quando subia os degraus do palácio, tornou-se agora leve, muito leve".
Os Padres da casa haviam mobiliado um quarto para ele; mas ele pediu que o deixassem viver como o restante dos irmãos; e, em tudo, tanto quanto sua saúde permitia, conformava-se à regra da Ordem, como se fosse apenas um simples religioso. Observava a mesma pobreza rígida, para ter meios de assistir aos pobres, em relação aos quais demonstrava sempre a mesma ternura e compaixão que o haviam tornado o pai dos pobres de sua diocese. Apesar de suas enfermidades, pregava todos os sábados e domingos na igreja de São Miguel e em outros lugares da vizinhança, para a edificação de todos os que o ouviam. Sempre animado pelo mesmo zelo pela salvação do próximo, continuou a compor e publicar obras espirituais para sua instrução. Um desses livros, intitulado: *A conduta maravilhosa da divina Providência na santificação das almas por Jesus Cristo*, foi dedicado por ele ao Papa Pio VI, que lhe escreveu uma carta na qual o agradecia, dizia ele, mais do que se lhe tivesse oferecido qualquer um desses objetos aos quais o mundo atribui maior valor. Encorajava os missionários de sua Congregação em seus trabalhos e unia-se a eles por suas orações; nunca era mais feliz do que quando soubesse que a missão havia tido sucesso.
A partir de 9 de novembro de 1779, ficou incapaz de celebrar a missa e teve de contentar-se em receber a santa comunhão todas as manhãs, até sua morte. Continuou a observar, sob todos os outros aspectos, o mesmo rigor de mortificação quanto à quantidade e qualidade da comida: fazendo retirar de sua mesa tudo o que não fosse, como dizia, a comida comum dos pobres, isto é, o que não fosse da natureza mais insípida. Seu confessor, a quem obedecia em tudo, proibiu-lhe o uso da disciplina e suas outras práticas habituais de mortificação do corpo; o que fez com que entregasse secretamente ao seu servo a caixa que continha seus instrumentos de penitência, para que fossem destruídos. Aprouve a Deus que sua virtude fosse posta às mais duras provas. Foi assaltado por tão fortes tentações contra a fé que era ouvido por toda a casa, soltando gritos, batendo os pés no chão e chamando Jesus e Maria em seu socorro: pois ele era um verdadeiro filho da Igreja Católica. Suas dúvidas o perturbavam até durante o sono. Não tinha menos a sofrer dos tormentos que lhe causavam suas dúvidas e escrúpulos de consciência; de onde vinha que, frequentemente, enviava buscar um de seus diretores a uma hora avançada da noite; ou que, após ter feito escrever suas dúvidas em um pedaço de papel pelo irmão converso que permanecia ao seu lado, enviava-as ao seu diretor. Mas, no momento em que recebia deles a ordem de manter seu espírito em paz, ficava perfeitamente calmo e tranquilo, porque já havia estabelecido como princípio, em um de seus livros intitulado: *A Paz das almas escrupulosas*, que, em tal caso, a única regra a seguir era uma obediência perfeita a um confessor prudente e esclarecido: e é, de fato, o que ele sempre ensinou tanto como preceito quanto na prática. Submetia-se em tudo, mesmo nos pontos menos importantes, ao seu confessor e aos superiores da casa onde vivia; de modo que toda a sua vida foi um modelo perfeito de obediência.
Nos últimos anos de sua vida, foi afligido por surdez, uma perda quase total da visão e uma hérnia que lhe causava dores contínuas e os sofrimentos mais agudos. Não podia ficar deitado; e era preciso sustentá-lo com travesseiros para que pudesse ter um pouco de repouso. Quando suas doenças se agravavam, respondia àqueles que se informavam sobre o estado de sua saúde: "A morte me aperta de perto, mas não tenho outro desejo senão Deus somente: Deus somente! Deus somente!" Nos sofrimentos corporais, como em suas penas interiores, foi a cópia perfeita do modelo que já havia traçado para a instrução dos outros. Em seu livro *A Conformidade com a vontade de Deus*, havia representado a paciência com a qual suportava suas próprias aflições como o mais alto grau de virtude.
Da mesma forma, buscava excitar em sua alma os sentimentos da fé mais viva nas doutrinas e nos mistérios de nossa santa Igreja, assim como havia encorajado e exortado os outros em suas obras. Tais eram suas *Verdades de fé* e o *Triunfo da Igreja ou História das heresias*, escritos contra os falsos princípios políticos e religiosos dos Deístas e dos Materialistas do último século; seu *Ensaio dogmático contra os pretensos reformadores*, que é uma defesa das decisões doutrinárias do santo concílio de Trento; e suas *Vitórias dos mártires*, cujos exemplos proclamou para encorajar os fiéis a permanecerem firmes e prontos a morrer pela fé. Não trabalhou com menos energia, por seus escritos e sermões, e ainda mais por seu exemplo, para acender em todos os corações uma fé e uma piedade fervorosas para com Nosso Senhor no santo Sacramento. Às vezes, como se, em seus transportes de amor, visse Jesus com os olhos do corpo, exclamava: "Lançai os olhos sobre ele, vede como é belo, amai-o!" Para espalhar esse amor por todo o universo, publicou suas *Visitas ao santíssimo Sacramento para todos os dias do mês*. Em uma Sexta-feira Santa, não se encontrando em condições, por causa de sua saúde, de receber esse penhor precioso do divino amor, ficou tão aflito que lhe sobreveio um violento acesso de febre que, apesar de uma sangria a que foi submetido, não cessou até que tivesse recebido a comunhão no dia seguinte. Demonstrou sua terna afeição pela Paixão de Jesus em seus sermões e nos três livros cujos títulos são: *Reflexões sobre a Paixão*, *O amor das almas* e *Traços de fogo*. Recomendava aos seus missionários a prática de pregar ao povo sobre a Paixão de Jesus, como sendo um meio mais eficaz de produzir conversões duradouras entre os pecadores do que as mais terríveis meditações sobre os juízos de Deus: "Porque", dizia ele, "o que o amor não pode fazer, o temor também não poderá; e quando uma alma está ligada a Jesus crucificado, não tem mais motivo para temer".
Para propagar o amor de Jesus em sua santa infância, que era uma de suas devoções favoritas, compôs sua *Novena para o Natal*. Pregou também com um fervor extraordinário sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, cujo ofício introduziu em sua diocese. Já falamos de sua terna afeição para com a santa Virgem. Um dia, quando seu diretor lhe expressou a confiança que tinha de que ela lhe apareceria pelo menos na hora de sua morte, como muitas vezes ela havia se dignado a aparecer a vários de seus servos: "Saiba", disse Afonso, "que na minha infância, frequentemente conversei com Nossa Senhora, e que ela me dirigiu em todos os negócios da Ordem". Seu diretor perguntou-lhe várias vezes o que ela lhe havia dito, mas nunca obteve outra resposta senão esta: "Ela me disse tantas coisas belas! Ela me disse tantas coisas belas!" Declarou a santa Virgem a protetora de sua Ordem e buscou encorajar a devoção para com ela como um meio poderoso de obter a graça divina. "Reformadores", dizia ele, "representam a devoção a Maria como injuriosa a Deus, negam-lhe o poder de que ela desfruta e atacam sua poderosa intercessão; é, portanto, nosso dever mostrar, para o interesse de nossos ouvintes, quão poderosa ela é junto a Deus, e quanto Ele se compraz em vê-la honrada". Esses sentimentos de devoção para com a santa Virgem encontram-se expressos em suas *Glórias de Maria*. Depois de Maria, era por seu casto esposo São José que ele sentia uma devoção particular, e também por Santa Teresa, cujos nomes colocava com os de Jesus e Maria no início de tudo o que escrevia.
Como prova de sua veneração profunda pelo Papa, o chefe visível da Igreja, o representante de Jesus Cristo na terra, não precisamos senão citar seu *Vindictæ pro suprema Pontificis potestate adversus Justinum Febronium*, composto para refutar as opiniões jansenistas avançadas por esse autor. Com o mesmo objetivo, escreveu três outros tratados em latim: o primeiro, para provar e defender a infalibilidade do Papa em suas decisões sobre a fé e a moral; o segundo, para estabelecer sua supremacia sobre os Concíli Gloires de Marie Obra célebre de devoção mariana. os ecumênicos assim como sobre os outros; no terceiro, que tem por título: *De justâ prohibitione et abolitione librorum nocuæ lectionis*, sustenta o direito que tem o Papa de proibir a leitura de livros perigosos para a fé e os costumes, e refuta a opinião daqueles que pretendiam que esses tipos de leituras eram legítimos. "Estou pronto", escreve ele em uma de suas cartas, "a verter meu sangue pela defesa da supremacia do Papa; pois, tirai-lhe essa prerrogativa, e a autoridade da Igreja é reduzida ao nada!" "Sem esse juiz supremo", diz ele em outra ocasião, "sem esse juiz supremo para dirimir as controvérsias, a fé está perdida. Esse juiz não existe entre os hereges, e é isso que causa entre eles a confusão e as diversidades de opiniões; pois cada um é seu próprio juiz".
Com que firme confiança não exclamava ele: "Meu Jesus, vós morrestes por mim; vosso sangue é minha esperança e toda a minha salvação!" Nessa confiança nas misericórdias do Senhor, ele repousava como sobre uma âncora de salvação, em suas tentações e seus problemas interiores, não menos do que em todas as dificuldades contra as quais teve de lutar para arrancar-se do mundo e para fundar e estabelecer sua Ordem, apesar de sua pobreza e da malícia de seus inimigos. Não ousamos falar de seu terno amor por Deus. Em sua obra intitulada: *Prática do amor a Jesus*, ele colocou em evidência esse divino amor, que foi o principal motor de toda a sua existência; e, quanto à sua caridade para com o próximo, bastará dizer, além das provas já dadas, que ele designou a cada um dos dias da semana uma classe particular de seus semelhantes, para os quais ordenou aos membros de sua Ordem que oferecessem a Deus suas orações. Todas as noites o sino devia tocar em todas as suas casas para convidar aqueles que as habitavam a recitar o salmo *De profundis* pelas almas do purgatório, que o Santo, em todo o curso de sua vida, esforçou-se por libertar por orações, indulgências, mortificações e, especialmente, oferecendo por elas o santo sacrifício da missa. Outra prova do espírito de paz e de caridade de que estava cheio para com seus semelhantes é que, embora fosse de um caráter naturalmente vivo e colérico, sabia tão bem se reprimir que as repreensões e os insultos nunca lhe arrancaram uma única resposta dura. Sua humildade igualava suas outras virtudes. Quando seus amigos lhe falavam das conversões que ele havia operado e da boa ordem que havia estabelecido em sua diocese, ele os interrompia e atribuía tudo a Deus. Um dia também, um religioso de seus amigos, entrando em seu quarto, viu-o elevado no ar, com os braços estendidos para as imagens de Jesus e Maria; mas o Santo, não o tendo visto logo, ficou coberto de confusão e lhe disse: "O quê! Você aqui? Eu lhe ordeno que não fale disso a ninguém". Buscou da mesma forma esconder um milagre que havia operado, dando o uso da fala a um jovem que nunca havia podido proferir uma única palavra. O Santo fez-lhe um sinal da cruz na testa e deu-lhe uma imagem da santa Virgem para beijar, ordenando-lhe que dissesse o que representava aquela imagem; o jovem respondeu imediatamente: "A santa Virgem".
Foi praticando essas virtudes e operando todos esses maravilhosos efeitos que o santo homem atingiu o termo de sua carreira terrestre. Em 13 de setembro de 1786, disse a um padre Carmelita que costumava visitá-lo todos os anos naquele mês: "Padre José, no próximo ano você me encontrará morto, e não nos veremos mais nesta terra; reze por mim ao Senhor e a Nossa Senhora das Sete Dores". Em 18 de julho do ano seguinte, foi atacado, independentemente de seus males habituais, por uma violenta disenteria e uma febre aguda, de modo que viu claramente que seu fim estava próximo. Aprouve a Deus libertá-lo de seus escrúpulos e ansiedades ordinárias de consciência, para que pudesse sair em paz deste mundo. Confessou-se frequentemente durante sua doença e recebeu a santa Eucaristia todas as manhãs. Seus religiosos revezavam-se ao seu lado e sugeriam-lhe pensamentos piedosos e atos de virtude. No dia 23 desse mês, julgou-se necessário administrar-lhe o santo sacramento da Extrema-Unção, e dois dias depois comungou em Viático com tal fervor e um tão ardente desejo de receber Nosso Senhor que repetia a todo instante: "Dai-me o corpo de Jesus Cristo; quando Jesus vai vir? Dai-me Jesus Cristo". No momento em que o padre lhe trouxe o Santíssimo Sacramento, exclamou na plenitude de sua alegria: "Vinde, meu Jesus!" Após tê-lo recebido, permaneceu longo tempo mergulhado em uma meditação profunda e produzindo atos de agradecimento. Seus religiosos pediram-lhe que lhes desse sua bênção e rezasse a Deus por eles; ele levantou a mão e os abençoou dizendo: "Que a bênção do Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre!" Em seguida, abençoou todas as casas e todos os Padres de sua Congregação, a capital e sua antiga diocese, e acrescentou com um redobramento de fervor: "Eu abençoo os Padres deste reino e os Estados do Papa, o rei e todos os generais, os ministros e os juízes que invocarão os Santos e agirão segundo a justiça!"
Quatro dias antes de sua morte, foi tomado por tão violentas convulsões, e a gangrena, da qual já foi falado, havia atingido tal grau de crescimento que ele perdeu o uso da fala; mas continuou a acompanhar seus religiosos nas orações que recitavam por ele, e abria sua boca com muita alegria e satisfação para receber o Santíssimo Sacramento. Quando se pronunciavam os santos nomes de Jesus e de Maria, parecia retomar novas forças; e, como na véspera mesma de sua morte lhe apresentavam uma imagem da santa Virgem, ele abriu os olhos e os fixou sobre essa digna Mãe do Filho de Deus, que ele sempre havia reverenciado e amado como sua mãe; seu rosto pareceu todo radiante de alegria e amor. Pouco depois, entrou em agonia; mas permaneceu tão calmo e tão pacífico que os Padres que estavam ao seu redor não perceberam que ele estava prestes a dar o último suspiro. Enquanto seus religiosos recitavam por ele fervorosas orações e derramavam lágrimas em abundância, ele pressionou fortemente contra o peito o crucifixo e a imagem da santa Virgem, e passou assim para a glória de Jesus e para a paz dos Santos, na quarta-feira, 1º de agosto de 1787, aos noventa anos, dez meses e cinco dias de idade.
Reconhecimento e legado literário
Canonizado em 1839 e declarado Doutor da Igreja em 1871, ele deixou uma obra imensa, notadamente sua Teologia Moral e seus escritos de piedade.
No dia seguinte, seu corpo foi enterrado com uma pompa extraordinária na igreja de São Miguel degli Pagani, em meio às lágrimas e aos gemidos da cidade de Nocera degli Pagani e de todo o reino de Nápoles. Aprouve a Deus manifestar a glória à qual havia elevado seu servo, por uma visão com a qual favoreceu uma religiosa carmelita, na diocese de Melfi. Ela rezava na capela de seu convento quando ouviu uma voz clara e distinta que lhe ordenava dizer ao seu confessor que ela havia visto o venerável Afonso de Ligório rodeado de esplendor e glória. «Não vejo ninguém!», respondeu ela; mas logo depois viu, como ela mesma atestou duas vezes sob juramento: «O Servo de Deus em um globo de luz e esplendor, ao qual», disse ela, «não vejo luz alguma neste mundo que eu possa comparar; tudo o que posso dizer é que era como um sol brilhante refletido no mais puro cristal; o santo prelado estava tão alegre e tão belo que sua carne parecia o branco do mais belo marfim; minha alma estava, por assim dizer, sufocada de alegria». O Santo lhe deu vários conselhos para sua conduta espiritual e concluiu nestes termos: «Minha filha, conserve-se sempre na pureza de coração, e que seu coração seja sempre somente para Deus; seja-lhe sempre resignada, resignada a sofrer por Ele tanto quanto Ele quiser, e a permanecer sempre na terra como se você já não estivesse mais nela».
Foi declarado venerável por Pio VI, em 1796, nove anos após sua morte; beatificado por Pio VII, em 6 de setembro de 1816, e finalmente Pio VIII assinou, em 1830, o decreto de sua canonização, que foi cumprido por Gregório XVI, em 26 de maio de 1839. Finalmente, por um decreto de 23 de março de 1871, Sua Santidade o Papa Pio IX, aprovando e confirmando o parecer favorável emitido por unanimidade pelos cardeais da sagrad a Cong Pie IX Papa que canonizou Josafá em 1867. regação dos Ritos, sob a data de 11 de março, elevou-o ao posto de doutor da Igreja universal.
É pintado algumas vezes com um ostensório na mão, diante do qual reza, para marcar sua devoção ao Santíssimo Sacramento. Em algumas de suas imagens, vê-se elevado da terra e com o rosto divinamente iluminado por raios brilhantes que partem de uma imagem da santa Virgem. Isso recorda que um dia, pregando ao povo de Amalfi sobre a devoção à santa Virgem, sua figura foi subitamente iluminada por raios saídos de uma imagem da Mãe de Deus, que se encontrava não longe dali.
## CULTO E RELÍQUIAS. — ESCRITOS.
O corpo do Santo repousa atualmente em uma urna magnífica sob o altar-mor da igreja dos Padres Redentoristas de São Miguel degli Pagani. O soberano pontífice Pio VII, por um sentimento de veneração por este grande Santo, deu a ordem de que se enviassem a Roma os três dedos da mão direita deste ilustre doutor, o polegar, o indicador e o anelar; eis os termos do Pontífice: «Que venham a Roma esses santos dedos que tão bem escreveram para a glória de Deus, da Virgem Maria e da religião».
Nosso santíssimo Padre Pio IX, em uma viagem aos arredores de Nápoles, foi venerar os preciosos restos de santo Ligório, e destacou do corpo uma costela que partilhou com o superior geral dos Redentoristas de Roma; o que permitiu a algumas igrejas adquirir em parte a posse de um tão rico tesouro. Vimos uma parcela considerável dela na capela de Santa Genoveva, ao lado daquela do corpo desta Santa, da igreja de Santo Eustáquio, em Paris.
A igreja paroquial de Chevrières, perto de Pont-Sainte-Maxence e Compiègne (Oise), possui também várias porções desta costela de santo Ligório; elas estão encerradas em uma bela urna que é contígua à de são Jorge, padroeiro principal, e expostas ambas no santuário.
As obras de santo Afonso de Ligório são, sobre a moral:
1° *Theologia moralis*; 2° Foram feitos vários extratos ou abreviados da Teologia Moral para o uso dos pastores; o mais conhecido é *Homo apostolicus*, 3 vol.; 3° *O Guia dos Confessores*; 4° *Tratado sobre a opinião provável*.
Sobre o dogma e a polêmica: 1° *Tratado da fé contra os hereges*, dedicado a Bento XIV; 2° *História de todas as heresias, com suas refutações, ou Triunfo da Igreja*; 3° *Verdade da fé, ou Refutação dos Materialistas, dos Deístas e dos Sectários, que não aceitam que a Igreja católica seja a única verdadeira*. Acrescentou uma dissertação sobre o poder do Papa e a refutação do livro do Espírito por Helvétius; 4° *Vitórias dos Mártires*, com suplementos sobre o sacrifício de Jesus, as orações da missa, exortações dirigidas a um religioso, instruções para os estudantes, a escolha de um estado, etc.; 5° *Reflexões sobre a verdade da revelação e sobre a Paixão de Jesus Cristo*; 6° *As vias admiráveis da Providência em relação aos pecadores*, com alguns suplementos sobre o amor de Deus, a devoção a Maria, conselhos de confiança; 7° *Tratado da justa interdição dos (maus) livros*; 8° *Da Imaculada Conceição de Maria*. Estes dois tratados encontram-se também em sua grande obra de Teologia Moral; 9° *Refutação de algumas obras dirigidas contra o culto que se presta a Maria* (encontra-se também nas *Glórias de Maria*), e outra refutação contra aqueles que desencorajam o uso frequente da comunhão (adicionado ao *Guia dos Confessores*); 10° *Diversas Dissertações teológicas sobre o juízo final, o purgatório, o Anticristo, os sinais que precederão o fim do mundo, a ressurreição, a situação dos justos e dos réprobos*, etc.; 11° *A Fidelidade dos vassalos para com Deus é um sinal certo de sua submissão para com seus príncipes*; 12° *Vindictæ contra Febranium*, onde prova o apego que dedicava à Igreja católica e à Santa Sé; 13° *Sermões para os domingos e dias de festa*, com um suplemento sobre a pregação, as missões e a vocação; 14° *Coletânea de pregações e instruções*.
Suas obras de piedade são: 1° *Selva*, ou *Coletânea de materiais, de discursos e de instruções para os retiros eclesiásticos*; 2° *Da negligência em assistir à santa missa e ao serviço divino*; 3° *Cerimônias da missa*; 4° *Tradução dos Salmos*, muito estimada; 5° *Instrução ao povo sobre os preceitos do Decálogo*; 6° *A verdadeira Esposa de Jesus Cristo, ou a santa Religiosa*; 7° *Preparação para a morte*; 8° *O caminho da salvação*; 9° *Meditações sobre as verdades eternas*; 10° *Exercícios espirituais para oito dias*; 11° *Prática do amor a Jesus Cristo*; 12° *Visitas ao Santíssimo Sacramento e à santa Virgem*; 13° *Opúsculos sobre a comunhão, os casos de consciência, o colóquio com Deus, a vontade de Deus, a oração, a Paixão de Jesus Cristo*, etc.; 14° *As glórias de Maria*; 15° *Novena de Natal*, com sermões e meditações; 16° *Novena do Sagrado Coração e para são José*; 17° *Novena pelos falecidos*; 18° *Dos avisos da Providência nas calamidades públicas*; 19° *Coletânea de cartas*.
A maioria destas obras foi traduzida e reimpressa na França. A *Prática do amor a Jesus Cristo* foi sobretudo apreciada pelas almas piedosas, e as edições desta excelente obra são muito multiplicadas. As *Visitas ao Santíssimo Sacramento*, que gozam de uma reputação tão justamente adquirida, foram difundidas há muito tempo. Foi o Padre Duró, jesuíta loreno, quem publicou primeiro uma tradução. As obras completas de santo Afonso de Ligório foram impressas em Paris (1834), em 20 vol. in-8° e 30 vol. in-12, com tradução francesa dos escritos compostos em italiano. Uma nova edição aparece neste momento com uma tradução do R. P. Dujardin, em Tournai, na Casterman (1858).
Vida do santo, pelo cardeal Wiseman. — Cf. *Esprit des Saints*, pelo abade Grimes.
Iconografia
Sinais e atributos
Entidades
Rede do relato
Os nomes, lugares e conceitos mais presentes na ficha, ponderados por sua centralidade no texto.
O sobrenatural em sua vida
Os milagres de Santo Afonso Maria de Ligório
Anexos & entidades relacionadas
Dados estruturados para exploração: eventos, milagres, citações, lugares, atributos, padroados e entidades importantes citadas no texto.
Eventos marcantes
- Nascimento em Marianella em 1696
- Doutorado em direito civil e canônico aos 16 anos (1713)
- Renúncia à advocacia após uma derrota judicial
- Ordenação sacerdotal em 22 de dezembro de 1726
- Fundação da Congregação do Santíssimo Redentor em Scala, em 9 de novembro de 1732
- Sagrado bispo de Santa Ágata dos Godos em 20 de junho de 1762
- Renúncia ao seu bispado em 1775 por enfermidade
- Faleceu em Nocera degli Pagani aos 90 anos
Citações
-
Meu filho me fez conhecer a Deus
Seu pai, após ouvi-lo pregar -
Meu Jesus, vós morrestes por mim; vosso sangue é minha esperança e toda a minha salvação!
Santo Afonso